13 outubro 2006

Palavras para o dia de Maria


Após algum tempo em que tenho este meu pequeno cantinho virado para Deus, constato que aquilo que pensava saber é tão pouco comparado com o que ainda me falta saber.
Ao princípio, admito, dava-me um pequeno desespero, já que aqueles que visito e me visitam, por vezes, falavam em coisas que desconheço por completo.


Agora, algum tempo passado, já me vou habituado a isso e, quanto não percebo ou sei certo assunto, faço uma busca e encontro a resposta, o que me dá um certo gozo na busca da Verdade de Deus.

Muito ainda tenho que caminhar nesta estrada da Vida, eu sei, mas com a ajuda de Deus e dos meus Irmãos e Amigos, vou levá-la com um sorriso nos lábios, sabendo que quando fraquejar, terei alguém para me apoiar na altura certa e não me deixar cair por completo.

11 outubro 2006

Palavras lanças ao vento



Uma pessoa amiga escreveu-me as seguintes palavras:

"Acredito que Deus tem um propósito para as nossas vidas e Ele melhor que ninguém conhece as nossas intenções e as nossas acções.
Obrigado por tudo o que tens feito por mim."

Numa altura em que por vezes fraquejo e as tentações (sem serem pecaminosas) pairam sobre mim, sabe bem "ouvir" palavras como estas já que, o que tenho feito, faço-o a todos os Amigos. Ajudar quando precisam é agradável e dá uma sensação de bem estar e de dever cumprido. Tal como qualquer pessoa comum, ajudar quem precisa alimenta-nos o espírito porque também nós, por vezes, precisamos de ser ajudados...basta um pequeno gesto ou uma palavra no momento certo para mudar tudo.

Que tudo na tua vida te corra bem, como desejo para mim.

10 outubro 2006

Oração


Eu pecador me confesso
Das faltas que contra Ti cometo
Dentro das imperfeições do meu ser


Não pretendo ser santo
Mas almejo a santidade
Na perfeição terrena

No meio do aparente caos
Em que vivemos apressadamente
Desejo a Paz para todos

Desejo que o Amor
Se sobreponha há guerra
Seja física ou preconceituosa

Eu pecador me confesso
Que muito pouco tenho feito
Para tornar realidade estes desejos
E assim sendo peço-Te
Que me ajudes a passar
Das palavras bonitas
aos actos concretos.

09 outubro 2006

Falta


Ontem à noite e depois de termos deitado o nosso filho, qual não foi o nosso espanto, quando íamos para a nossa cama, reparamos que ele estava com um pequeno terço nas suas mãos e após o “reparo” ele ternos dito que tinha estado a rezar. Ficámos sem saber o que dizer ou pensar.

Tal como outras coisas a que ele está habituado, deve sentir falta das missas de Domingo e nós, por desleixo (lamentavelmente) temos descurado um pouco essa parte das nossas vidas, tão boa e saudável.

04 outubro 2006

Swing - A "Outra" dança

Este artigo vem a respeito da novela que actualmente está a passar na TVI em horário nobre, mas que de momento não me recordo do nome, mas também isso não é o mais importante.

Em diversos programas na televisão fala-se que os conteúdos devem ser na sua maioria didácticos, esclarecedores e apropriados para as faixas etárias respectivas, assim como transmitir alguns valores morais e sociais.
Até aqui também eu estou de acordo. O que constato é que na maioria dos programas esses valores são tão superficiais que a faixa etária que mais precisa (as crianças) nem se apercebe disso. Apenas de apercebe, e infelizmente bem, que o sexo, intrigas, bebidas e musica para abanar “o capacete” é que é bom.

Este pequeno reparo tem a ver com a tal novela, já que na mesma, ainda que ao de leve, tentem transmitir alguns valores, os meus são abafados com outros assuntos menos correctos, ou melhor dizendo, assuntos falados em demasia.
Não sendo eu uma pessoa puritana ou estando a criticar quem quer que seja, mas com alguns valores morais, nessa novela está-se a falar em demasia no SWING (troca de casais).
Numa época em que cada vez mais a família, infelizmente começa a ser tudo menos isso, falarem em SWING inúmeras vezes numa novela em horário nobre, SINCERAMEMTE E POR AMOR DE DEUS, é certo que não é “doença que apegue facilmente” mas convenhamos que poderá aguçar o “apetite” a muitos casais em experimentarem.

Como disse não sou contra nem a favor, cada um faz aquilo que quer com o seu corpo mas, quase de certeza que, irá estragar algumas famílias, alguns casais se se continuar a falar em demasia dessa pratica sexual, que muito honestamente, é quase um acto de prostituição, só que sem pagar pelo mesmo. É uma maneira soft, delicada e moderna de trair o outro e não se ficar com peso na consciência, já que o outro também nos está a fazer o mesmo.

Como diria um colega...”Enfim, coisas da Vida”.

03 outubro 2006

The Nativity Story


Como gosto de cinema, periodicamente vou a alguns sites onde visualizo os denominados trailers.
Ontem no meio de muitos encontrei este que irá estrear pelo Natal deste ano e que aparentemente promete ser mais um filme que irá dar que falar, ou não fosse sobre o nascimento de Cristo. Do pouco que vi gostei. Aqui fica o link para o site oficial.

02 outubro 2006

Apoio divino


Sinto-me confuso, baralhado e cheio de dúvidas. É claro que certezas, ninguém as tem, mas estou atravessar uma fase incómoda, de insegurança e tento, a sério que sim, deixar para trás estes fantasmas que me atormentam e me confundem os sentimentos, de um passado não muito distante.

À noite peço a Deus que me ajude, que me faça pôr uma pedra sobre estes pensamentos que tentam escravizar-me de algo que não aconteceu como a minha mente fantasia, mas está difícil.

Peço a todos os meus Amigos que me ajudem, se possível rezem para que esta crise (emocional talvez) passe rapidamente e possa de novo ver a Luz do dia com que Deus me ilumina mas que de momento, se encontra escondida por detrás de nuvens negras.

Amén.

26 setembro 2006

Porque é que os cães não vivem tanto como as pessoas?

Recebi este email e achei interessante, comovente e evolvente:

Sou veterinário e, recentemente, fui chamado para examinar um cão da raça Wolfhound Irlandês chamado Belker. Os proprietários do animal, Ron, a sua mulher Lisa, e o filho Shane, eram todos muito ligados ao Belker e esperavam por um milagre.

Examinei o Belker e descobri que ele estava a morrer com cancro. Eu disse à família que não haveria milagres no caso de Belker, e ofereci-me para proceder à eutanásia do velho cão lá mesmo em casa deles. Enquanto fazíamos os arranjos, Ron e Lisa disseram-me que estavam a pensar se não seria bom deixar que Shane, de quatro anos de idade, observasse o procedimento. Eles achavam que Shane poderia aprender algo com a experiência.

No dia seguinte, eu senti aquele familiar "aperto na garganta" enquanto a família do Belker o rodeava para o mimarem pela última vez. Shane, o menino, parecia tão calmo, acariciando o velho cão, que eu perguntei-me se ele entenderia o que se estava a passar. Passados poucos minutos, Belker foi-se, pacificamente. O garotinho parecia estar a aceitar a transição de Belker sem muita dificuldade ou confusão.

Sentámo-nos todos juntos, um pouco após a morte de Belker, pensando alto sobre o triste facto da vida dos animais ser mais curta que as dos seres humanos.

Shane, que tinha estado a escutar em silêncio disse: "Eu sei porquê". Abismados, voltámo-nos para ele. O que saiu da sua boca assombrou-me. Eu nunca ouvira uma explicação tão reconfortante.

Ele disse:-
"As pessoas nascem para aprenderem a ter uma vida boa, a gostarem das outras pessoas e a serem bem comportadas, certo?" ...e o rapazinho de quatro anos continuou... "Bem, os cães já nascem a saber fazer isso, portanto não precisam de ficar cá tanto tempo como nós.

" 100 comentários..."

20 setembro 2006

Subscrevo na integra - A coragem do Papa

Tanto se tem falado no Papa e no que ele disse, num contexto bem diferente do que os "fundamentalistas islâmicos" nos querem crer.
Li este artigo da Judite de Sousa que aqui transcrevo na integra.


Estão reabertas as feridas entre o Ocidente e o mundo Islâmico. Primeiro, foram as caricaturas de Maomé, publicadas num jornal Dinamarqûes. Agora, são as palavras de Bento XVI com um outro peso e um outro significado que lhes é conferido pela circunstância de se tratar do chefe universal da igreja católica, o homem que representa milhões de pessoas. À hora a que escrevo, fotografias do Papa estão a ser queimadas em vários países muçulmanos e europeus. Em França e na Grã-Bretanha, dirigentes das comunidades muçulmanas fazem ouvir as suas vozes de indignação contra o Papa no mesmo tom com que nas mesquitas do Cairo, Istambul, Islamabad, Bagdad ou Damasco se fazem pregações contra Bento XVI. Afinal, o que disse o Papa ? Na passada terça-feira, o Papa discursou na universidade de Ratisbona, na Alemanha. Não foi mais uma das suas intervenções doutrinárias sobre a igreja e a cristianização da Europa. Desta vez, ele foi mais longe. Na sua " lição ", o Papa citou um diálogo entre o imperador Bizantino Manuel II e um Persa, em 1391, sobre o Cristianismo e o Islão. Nesta conversa, o imperador refere-se à " Jihad " - Guerra Santa -e coloca ao seu interlocutor uma pergunta sobre a relação entre a religião e a violência " Mostra-me aquilo que Maomé trouxe de novo e encontrarás somente coisas malvadas e desumanas como o seu propósito de expandir pelo meio da espada a fé que professava ". Com esta citação, Bento XVI faz suas as conclusões do imperador Bizantino, ou seja, a difusão da fé mediante a violência é algo irracional. Disse o Papa : " Não actuar segundo a razão é contrário à natureza de Deus e da alma ".

Tratou-se de uma longa intervenção, académica, sobre Teologia, na qual Bento XVI expôs o seu pensamento sobre a forma como as diferentes religiões se colocam perante a questão da " Razão ". Não foi a primeira vez que o Papa exprime o seu pensamento sobre a violência Islâmica praticada em nome de Deus. Na primeira reunião com o corpo diplomatico representado no Vaticano, depois do concílio, Bento XVI afirmou que " todos os actos de violência em nome de Deus são inaceitáveis para a igreja de Roma ". Nessa altura, ninguém reagiu. Não se ouviram protestos. Agora, temos o mundo muçulmano indignado, queimando as fotografias do papa e exigindo um pedido de desculpas ao Vativano como o fizeram há meses, a propósito da crise das caricaturas. Há lições a tirar. O Ocidente não pode ceder à chantagem e ao medo. Não podemos ter medo de falar sobre o Islão e sobre Maomé. Nós, Ocidentais não podemos estar reféns nem dos extremistas muçulmanos nem dos muçulmanos moderados que em momentos como este pensam exactamente o mesmo dos " Jihadistas ".

Se não podemos citar palavras de há 600 anos com o medo de ofender os muçulmanos, o que é que podemos fazer ? Resignamo-nos a perder a nossa liberdade e condenamo-nos ao obscurantismo ? Só resta dizer que o imperador Bizantino Manuel Segundo está carregado de razão e que os seus diálogos permanecem actuais.

"Quero ser um televisor"

Há dias li num blog de um "colega" de universidade algo que me comoveu um pouco. Hoje, recebi de uma pessoa amiga algo parecido ao que li e achei também comovente e parecido. Aqui fica:


A professora Ana Maria pediu aos alunos que fizessem uma redacção e, nessa redacção, o que eles gostavam que Deus fizesse por eles. À noite, ao corrigir as redacções, ela deparou-se com uma que a deixou muito emocionada.
O marido, ao entrar em casa, viu-a a chorar e perguntou:

"O que aconteceu?"
Ela respondeu: "Leia".(Era a redacção de um menino).
"Senhor, esta noite, peço-te algo especial: transforma-me num televisor. Quero ocupar o lugar dele.
Viver como vive a TV da minha casa.
Ter um lugar especial para mim, e reunir minha família ao meu redor... Ser levado a sério quando falo...
Quero ser o centro das atenções e ser ouvido sem interrupções e sem perguntas.
Quero receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona. Ter a companhia do meu pai quando chega a casa, mesmo que esteja cansado.
E que minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de me ignorar.
E ainda que os meus irmãos "briguem" para estar comigo.
Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo.
E, por fim, que eu possa divertir todos.Senhor, não te peço muito...
Só quero viver o que vive qualquer televisor!
" Naquele momento, o marido de Ana Maria disse:
"Meu Deus, coitado desse menino. Que descuido o desses pais
"E ela responde-lhe: "Essa redacção é do nosso filho".

19 setembro 2006

Um Sentimento


Já vos aconteceu sentirem que a vossa família (mulher e filhos) está ligada por um cordão invisível e, mesmo que a distância seja imensa, estão ligados sem estarem?
Ontem ao fim do dia senti isso dentro do meu ser.
Um sentimento bom, reconfortante mas…preocupante. Nunca tinha sentido um sentimento assim tão forte pelos que amo.

08 setembro 2006

Pensamento - 2ª parte


No seguimento do meu anterior artigo, constato ainda que, numa altura em que está na moda a venda de livros sobre religiões e no top os referentes ao Cristianismo, cada vez se vez menos pessoas a irem à Igreja, mais que não fosse, pararem para reflectirem naquele silêncio quase puro.

06 setembro 2006

Pensamento


Nos dias que correm tenho notado, quer em casas de pessoas amigas, quer nas próprias novelas a inclusão de muitas figuras, em locais de estilo e visíveis, de “deuses” de outras religiões ditas não Católicas. Refiro-me a Budas, Nirvanas e outros que tais.
Não que seja contra a utilização dessas figuras para criar “ambiente”, nem tão pouco que ache mal, no entanto, sem sequer se saber a sua historia, são utilizadas a torto e a direito, penso que muitas vezes em demasia, ao contrário de figuras ou imagens ditas católicas.
Cristo, entre outras figuras de inspiração cristã é mantido, quase que escondido dentro de 4 paredes, normalmente no quarto de cama, onde “ninguém” veja a nossa religião, quase como se nós, os Católicos, fossemos Hereges ou similar.
Falasse muito na falta de vocações, na igreja estar em declínio, no entanto, nada fazemos.
Falamos que as outras religiões apregoam de boca cheia as suas virtudes, daqueles que falam abertamente das sagradas escrituras sem receio, dos programas televisivos cheios de alegria e em horário nobre, no entanto…escondemo-nos atrás de não sei o quê, vamos à igreja só em datas especiais, falamos na palavra de Deus em espaços restritos, “criticamos” aqueles que continuam a segurar a Cruz sozinhos, no entanto…nada fazemos.
Contra mim falo admito, mas tal como eu, devemos assumir aquilo que somos.

Devemos ter orgulho e não receio daquilo que somos e sentimos, da fé e esperança que nos move.

17 agosto 2006

A última ceia

Por mero acaso, num site católico americano, encontrei esta foto de arte feita. Uma ideia interessante...uma mesa, bancos, Cristo e "nós" como apostolos ali sentados a ouvir o mestre.
Uma ideia, porque não, a ser importada, para algumas zonas do nosso pais, onde por vezes, mesmo com a vontade dos padres...as pessoas teimam em não quererem ouvi-Lo.

Aqui ainda que a fé se mantenha viva, graças a Deus, já estou a imaginar esta imagem como natural de cá. Mesa de pedra toscamente trabalhada, bancos igualmente do basalto negro que somos feitos e Cristo alí no meio, talvez não tão perfeito ao pormenor (ocorreu-me esta ideia) e quem precisar, sentar-se e conversar com Ele. Afinal, se por vezes falamos sozinhos...

E porque não no tal café que alguém disse existir por aí, em Portugal Continental?

28 junho 2006

Apoio Divino



São em alturas como esta, que nos apercebemos que Deus nos ajuda e nos apoia, mesmo quando pensamos já não ser possível.
Isto porque, estando eu inscrito no ISCRA, este ano lectivo apenas consegui fazer uma disciplina, uma segunda disciplina, por motivos de força maior, até ao fim do mês não me é possível mandar a Prova de Avaliação à Distância. Quando, pela manhã liguei para me informar como me matricular para o próximo ano lectivo e se o livro (da disciplina não feita) era o mesmo, ao terem-me perguntado do porquê, fiquei muito feliz por saber que, ainda que tenha um custo mínimo, posso fazer a mesma em Setembro.
É verdade que nos “papeis” que tenho em casa, algo deve dizer sobre isso mas, como não olho a esses pormenores, considerei um grande apoio de Deus, no intuito de prosseguir este curso já que, se não conseguia até ao fim do mês, teria que o fazer no próximo ano lectivo, no entanto, e assim sendo, no próximo ano poderei matricular-me em outras disciplinas.

Obrigado, meu Deus e Senhor.

26 junho 2006

Lésbicas contornam a lei e inseminam-se em casa

"Esta é a minha mamã Marta. E esta é a minha mamã Cláudia."
O Pedro tem cinco anos e encarrega-se das apresentações. Na história da sua vida não há um pai. O Pedro tem duas mães.

Marta e Cláudia vivem juntas há dez anos, no Porto. Conheceram-se, apaixonaram-se e, passado um ano de namoro, juntaram os trapos na mesma casa. Pouco tempo depois, começaram a pensar em filhos. Marta tem 38 anos e sempre quis ser mãe: "Quando percebi que era lésbica achei que não poderia concretizar o meu maior sonho."

A ideia de que a maternidade está vedada aos homossexuais é explicada pela psicóloga Isabel Leal no seu livro Psicologia da Gravidez e da Parentalidade: "A expectativa da comunidade em geral é a de que os indivíduos homossexuais, homens ou mulheres, uma vez reconhecida e assumida a sua orientação sexual, abdiquem voluntariamente e em nome não se sabe bem de que valores (os mais invocados costumam ser o do direito das crianças) de virem a ser pais e mães." Para Isabel Leal, o que motiva esta assunção é um de dois aspectos: "Ou um preconceito tenebroso e encapotado ou uma ingenuidade confrangedora.

"Marta não sabe se foi preconceito, ingenuidade ou falta de imaginação o que a levou a supor que ser lésbica era sinónimo de não ser mãe: "Acho que me limitei a pensar: se não gosto de homens e eles são inevitáveis para que se faça um bebé, nunca vou poder ser mãe." A lei da procriação medicamente assistida (PMA), aprovada a 25 de Maio, reforça esta ideia, ao determinar que apenas casais heterossexuais podem recorrer à PMA, excluindo deste modo todas as mulheres sós.

Mas a exclusão da lei é contornável, como quase todas. Em Espanha, a lei de 1988 estipula apenas que as mulheres sejam maiores de idade, sem exigir saber estado civil ou afectivo. Foi justamente essa ausência de questões prévias que levou Marta e Cláudia a optar por uma clínica em Espanha. Marta foi inseminada com esperma de um dador anónimo e, como não engravidou à primeira, repetiu o procedimento mais duas vezes, gastando ao todo cerca de 3000 euros. "À terceira foi de vez. A Cláudia não tinha nenhuma vontade de ter um bebé a crescer na barriga. E, por isso, esteve sempre comigo mas fui eu que engravidei." E assim nasceu o Pedro.

A experiência foi tão forte que quiseram repetir. Mas, com a Sara, hoje com dois anos, foi diferente. As mães não foram a Espanha mas optaram por uma "inseminação caseira" (ver infografia): "Temos um grupo de amigos gays que disseram logo que nos ajudavam. Não queriam qualquer responsabilidade na educação da criança mas disponibilizavam-se para serem dadores." Foi assim que Marta e Cláudia recolheram quatro recipientes com esperma de quatro amigos, baralharam-nos e escolheram um, aleatoriamente: "Foi a forma que encontrámos de não sabermos realmente quem era o pai."

Nessa noite, as duas mulheres envolveram-se com paixão redobrada: "Queríamos ter um filho numa noite de amor, como qualquer casal. Ser inseminada pela Cláudia foi muito especial para mim, para nós." E correu tão bem que resultou à primeira. Nove meses depois, nascia a Sara. "Hoje, a relação dos nossos quatro amigos com a Sara é muito gira. Eles adoram-na, têm uma proximidade muito parental com ela."

Se um dia algum dos amigos quiser levantar uma acção de averiguação da paternidade, pode fazê-lo (ver caixa, pág. ao lado). De qualquer modo, Marta e Cláudia não estão preocupadas: "Escolhemos estes amigos porque confiamos neles."

No colégio do Pedro e da Sara, todos sabem que eles não têm um pai e uma mãe. Todos sabem que aqueles meninos têm duas mães. E nunca ninguém levantou qualquer questão. Só os amiguinhos do Pedro é que estranharam quando, no primeiro Dia da Mãe que passaram juntos na escola, o Pedro trouxe não uma mas duas mamãs. E quando, no Dia do Pai, as duas mães voltaram à escola, um dos colegas não se conteve: "Então mas tu tens duas mães e dois pais que são meninas?" Uma confusão que o Pedro, então com três anos, se apressou a resolver: "Não. Eu tenho duas mães. E não tenho pai. O meu pai são as minhas mães."

O assunto parece estar bem resolvido na cabeça do Pedro. Pelo menos para já. Mas o pedopsiquiatra Emílio Salgueiro acredita que "a homoparentalidade pode trazer problemas complexos ao desenvolvimento da criança, nomeadamente no que diz respeito à aquisição de identidade de género." Para o especialista, "uma criança filha de um casal homossexual não será obrigatoriamente homossexual mas a probabilidade aumenta muito".

José Alberto Garrido, pedopsiquiatra do Hospital Pediátrico de Coimbra, não vai tão longe: "Creio que uma situação dessas nunca é tão boa para o desenvolvimento de uma criança como crescer com um pai e uma mãe. Mas isso não significa que a criança venha a ter alguma patologia ou venha a ser homossexual." E acrescenta: "Acho que não podemos ser fundamentalistas. Seria idiota dizer que é pior crescer com duas mães do que numa instituição ou numa família disfuncional. Mas é claro que há um impacto na criança."

Joana (nome fictício) tem 39 anos, vive em Aveiro e tem uma filha com um ano e meio. Ao contrário de Marta, Joana avançou sozinha para a aventura da maternidade. "Estava com muita vontade de ter um filho. E arranjei um dador muito especial." O pai da Mafalda é heterossexual e está casado: "A mulher dele não pode ter filhos. E ele queria ser dador, ajudar mulheres homossexuais a realizar o seu sonho."

E assim foi. Joana inseminou-se em casa e ficou grávida à primeira. Foi durante a gravidez que Joana mudou de ideias: "Achei que era importante que o pai registasse a filha. Perguntei-lhe e ele concordou. Hoje, ele e a mulher vêm visitar a Mafalda." Os amigos de Joana temem que a situação venha a complicar-se e que, um dia, o pai da pequena Mafalda e a mulher queiram ficar com ela. Joana diz que esse é um risco que as lésbicas se dispõem a correr quando recorrem a um dador conhecido. Mas, ainda assim, Joana preferiu o risco ao anonimato: "Acho que não lidava bem com o facto de não saber nada sobre o pai da minha filha. Não saber se era uma pessoa bonita por dentro, tolerante, inteligente.

"Hoje, Joana tem uma companheira que partilha com ela a casa e a vida. E quem diz a casa e a vida, diz também a educação da Mafalda. "A minha companheira adora a minha filha. E a Mafalda, sem ninguém lhe dizer nada, já começou a tratá-la por mamã. Como sente que o carinho e o amor vem das duas, trata as duas por mãe. E é uma menina feliz."

In Diário de Noticias de 25/06/2006

Confesso que, apesar de não ser antiquado, assuntos como este fazem-me confusão. Não me refiro à parte humanitária da questão, mas sim à parte em que um ser não tem um elo familiar de homem/mulher; pai/mãe. Não acho natural!

19 junho 2006

Desabafo

Por vezes a vida é assim mesmo. Passamos uma vida quase ingrata, onde a dor, o desgosto e o desalento são uma constante.
Sempre fui “um há margem” por assim dizer, nem sei como cheguei aqui sem ser um vândalo, um drogado ou similar.
Sem pai ou mãe, sempre fui andando esta vida da melhor maneira, entre a casa de uma e outra pessoa.
Hoje olho para trás e vejo que, tive alguma sorte mas, a vida continua a ser quase uma madrasta, sem conteúdo onde, os desgostos e tristezas são uma quase constante.
Por vezes apetece-me desaparecer, partir para local desconhecido onde eu seja apenas alguém desterrado, um pobre que “ali” caiu sem eira nem beira e…esperar pelo fim desta vida que, de Vida tem pouco ou nada.
Não sei…