Local onde de quando em vez, qual confessionário, deixarei algumas pegadas dos meus pensamentos Cristãos
19 abril 2010
12 abril 2010
Mosteiros de Clausura são “oásis”
"Aparentemente inúteis, os Mosteiros de Clausura são “oásis” que fazem bem a toda a humanidade. Esta foi a mensagem que Bento XVI deixou no passado Domingo para a jornada “pro orantibus” que a Igreja celebra hoje, para agradecer ao Senhor pelo dom de tantas pessoas que, nos mosteiros e nas ermidas, se dedicam totalmente a Deus na oração, no silencio e no escondimento. “Os mosteiros de vida contemplativa oferecem-se-nos como oásis nos quais o homem, peregrino sobre a terra, pode melhor atingir as nascentes do Espírito e repousar ao longo do caminho. Estes lugares, portanto, aparentemente inúteis, são ao contrário indispensáveis, como os pulmões verdes de uma cidade: fazem bem a todos, mesmo àqueles que não os frequentam ou mesmo ignoram a sua existência”, apontou. Esta Jornada acontece na memória litúrgica da apresentação de Nossa Senhora no templo. Bento XVI recordou que também nos nossos dias – e frequentemente para surpresa de familiares e amigos – “não poucas pessoas abandonam carreiras profissionais muitas vezes prometedoras para abraçar a regra austera de um mosteiro de clausura”. “O que é que as impulsiona – perguntou ainda o Papa – a dar um passo de tão grande compromisso senão o facto de ter compreendido, como ensina o Evangelho, que o Reino dos céus é um tesouro pelo qual vale verdadeiramente a pena abandonar tudo?”. “Estes nossos irmãos e irmãs testemunham silenciosamente que no meio das vicissitudes quotidianas, ás vezes bastante convulsas, o único apoio que não vacila é Deus, rocha inquebrantável de fidelidade e de amor”, disse."
Artigo publicado no oásis da contemplação
05 abril 2010
Um Testemunho da Ressurreição
"Na Solenidade da Encarnação do Verbo de Deus. Um Noviço Português professou os seus primeiros votos, de Estabilidade, Obediência e Conversão de Costumes - Frei Paulo José Fonseca. 43 anos, Licenciado em Económicas, trabalhava em Albufeira. Fez a profissão na Missa conventual, presidida pelo Rev Prior da Cartuxa Frei Pedro Castro com a Comunidade e assistência de seus familiares e alguns amigos da Ordem. Emitiu os votos monásticos de Obediência, Estabilidade e Conversão de Costumes, enquanto os religiosos mais modernos fazem votos de Obediência, Castidade e Pobreza.
Scala Coeli cumpre este ano o cinquentenário do seu restauro. A celebração deverá ter lugar com uma Missa solene no dia 14 de Setembro. Presidida pelo Sr Arcebispo D. José Alves e acompanhada, seguramente, pelo clero eborense e amigos da Cartuxa.
O Noviciado na Cartuxa.
Quem, ardendo em amor divino, deseja abandonar o mundo e captar as coisas eternas, quando chegam a nós recebamo-los com o mesmo espírito. É, pois, muito conveniente que os noviços encontrem nas Casas onde têm de ser formados, um verdadeiro exemplo de observância regular e de piedade, de guarda da cela e do silêncio, e também de caridade fraterna. Se chegasse a faltar isto, mal se poderá esperar que perseverem em nosso modo de vida. Aos que se apresentem como candidatos, se os tem de examinar atenciosa e prudentemente, segundo o aviso do apóstolo São Joãon : Examinai se os espíritos vêm de Deus. Porque é realmente verdadeiro que da boa ou má admissão e formação dos noviços depende principalmente a prosperidade ou decadência da Ordem, tanto na qualidade como no número das pessoas. Expõe-se ao candidato o fim de nossa vida, a glória que esperamos dar a Deus por nossa união com sua obra redentora, e que bom e gozoso é deixá-lo tudo para aderir-se a Cristo. Também se lhe propõe o duro e áspero, fazendo-lhe ver, quanto seja possível, todo o modo de vida que deseja abraçar. Se ante isto segue decidido, oferecendo-se com sumo gosto a seguir um caminho duro, fiado nas palavras do Senhor, e desejando morrer com Cristo para viver com Ele, por fim se lhe aconselha que, conforme ao Evangelho, se reconcilie com os que tiverem alguma coisa contra ele. O noviciado se prolonga durante dois anos ; tempo que o Prior pode prorrogar, mas não mais de seis meses. Não se deixe aplanar o noviço pelas tentações que costumam espreitar aos seguidores de Cristo no deserto ; nem confie em suas próprias forças, senão mais bem espere no Senhor, que deu a vocação e levará a termo a obra começada.
A Profissão.
Morto ao pecado e consagrado a Deus pelo baptismo, o monge pela Profissão se consagra mais plenamente ao Pai e se desembaraça do mundo, para poder tender mais retamente para a perfeita caridade. Unido ao Senhor mediante um compromisso firme e estável, participa do mistério da Igreja unida a Cristo com vínculo indissolúvel, e dá depoimento ante o mundo da nova vida adquirida pela Redenção de Cristo. Findo laudavelmente o noviciado, o noviço converso se apresenta à Comunidade. Prostrado em Capítulo pede misericórdia e suplica por amor de Deus ser admitido à primeira Profissão em hábito dos professos, como o mais humilde servidor de todos. Depois de ter feito pelo menos oito dias de retiro espiritual, o dia estabelecido, o irmão renovará sua petição ante o Convento. Então o Prior o admoestará sobre a estabilidade, a obediência, a conversão de costumes e restantes coisas necessárias ao estado de conversos. Depois, emitirá na igreja a Profissão por três anos. Tem-se de tentar absolutamente que o irmão, ao emitir seus votos, proceda com maturidade de juízo, e não se comprometa senão com plena liberdade. O dia assinalado, o que vai professar emite a Profissão na Missa conventual, depois do Evangelho ou o Credo. Então, realmente, a entrega de si mesmo que pretende fazer com Cristo, através do Prior é aceitada e consagrada por Deus. O que vai professar escreva por si mesmo em língua vernácula a Profissão nesta forma e com estas palavras: Eu, frei N., prometo… obediência, conversão de meus costumes e perseverança neste ermo, diante de Deus e dos seus Santos e das relíquias deste ermo, construído em honra de Deus e da bem-aventurada sempre Virgem Maria e de São Juan Batista, na presença de Dom N., Prior. Se se trata da Profissão temporária, adicionem-se depois de "prometo", as palavras que limitem o tempo ; se da Profissão solene, diga-se "perpétua". É de saber que todos nossos ermos estão dedicados, em primeiro lugar, à bem-aventurada sempre Virgem Maria e a São Juan Batista, nossos principais patronos no céu. Desde o momento de sua Profissão, saiba o irmão que não pode ter coisa alguma sem licença do Prior, nem ainda a bengala em que se apoia quando caminha, já que já não é dono nem de si mesmo. Dado que todos os que determinaram viver regularmente têm de praticar com grande zelo a obediência, nós o faremos com tanta maior entrega e fervor, quanto mais estrita e austera é a vocação que abraçamos ; pois se, o que Deus não permita, esta obediência faltar, tantos trabalhos careceriam de mérito De aqui que Samuel diga: Melhor é obedecer do que sacrificar, e melhor a docilidade do que a gordura dos carneiros. "
31 março 2010
25 março 2010
19 março 2010
Oração pelo Pai (porque hoje é o Teu dia)
Senhor,
sou muito feliz
pelo pai que me deste.
Que nada de mal
lhe aconteça
nos caminhos da vida.
Quero-lhe tanto!...
Eu gostaria muito
de nunca o ver triste.
Dá-lhe muitas coisas…
mas sobretudo,
não lhe faltes com o trabalho
e o pão de cada dia.
Nós somos felizes com ele.
O meu pai
está sempre a recordar-nos
que tudo o que temos vem de Ti,
e que, na vida, o mais importante
é poder contar com a Tua protecção.
Ajuda-nos a corresponder sempre
ao Teu amor por nós.
Ámen.
(desconheço o seu autor)
12 março 2010
Romaria
No passado Domingo terminei “mais uma” romaria. Poderia aqui deixar o meu testemunho do que senti e vivi, no entanto, apesar de não ser algo confidencial, só quem Vive uma romaria é que sente e vive aquilo que poderia escrever aqui. Todas elas são diferentes, todas elas têm as suas particularidades, no entanto, em todas ela Deus está presente. Em todas elas saímos de alma lavada…
19 fevereiro 2010
Diante de Deus - A Oração
"A oração é um dever de todos os momentos: “É necessário rezar sempre”, disse Jesus. E o que ele disse, fez, porque nele – e esta é a sua força – os atos acompanham sempre as palavras e com elas coincidem.
É necessário rezar incessantemente para nos guardarmos a nós mesmos. A vida existe em nós como uma frágil flor: seja a vida do corpo seja a da alma, a vida natural ou a vida sobrenatural. Vivemos rodeados de inimigos: tudo para nós se tornou obstáculo e perigo desde que rejeitamos a Luz que ilumina o caminho: este mundo se tornou Sombra da morte. Ao invés de nos mostrar o Criador e de nos conduzir a Ele, as coisas nos mostram a si mesmas e nos arrastam a elas. O demônio, ao qual loucamente entregamos as coisas, abandonando-nos nós mesmos e ele, fala-nos mediante todas as suas vozes. A sua sombra obscurece a transparência das coisas e, através das fascinantes formas delas, nós já não enxergamos mais a Beleza que elas refletem, mas somente o prazer e a satisfação que podem nos oferecer. O inimigo está em nós mais ainda que à nossa porta; está à nossa porta porque está em nós! Somos nós mesmos que o deixamos entrar. Voltando-se para ele, desligamos de Deus o mundo inteiro. Eis por que o mundo está contra nós, ameaça-nos, tornou-se-nos hostil... e não sem razão. Com o mundo e através do mundo despertamos em nós e em tudo uma guerra.
Isto que se produziu nesse momento é espantoso, mas conseqüência normal. Oh, quão profunda definição da paz encontramos em Santo Agostinho! Sobretudo nesta hora em que o mundo inteiro é desconjuntado até suas mais íntimas fibras sejam nos homens sejam nas coisas; e nas coisas por causa dos homens! As coisas não servem a não ser para matar e destruir (alusão à Segunda Guerra, então em curso)... Como seria necessário meditar nestas palavras em cuja sonoridade imprimiu-se a calma que elas exprimem: “A paz é a tranqüilidade da ordem”! A ordem é a permanência dos seres no lugar que lhes compete: acima de todos, o Princípio que os criou, e todos voltados para Ele para receber, a todo instante, o ser que lhes comunica, agradecendo-lhe e bendizendo-lhe. Eis o que Ele fez: eis a ordem e a paz; eis o que existia na sua realidade profunda, eis o paraíso terrestre. Eis o que será um dia, para aqueles que compreenderem e retomarem essa atitude, o paraíso terrestre!
Certa vez, vi um animal sem rumo, perseguido e espantado, que entrou pela porta deixada aberta de um jardim florido. Que desastre depois da sua passagem! Esta é a imagem, mesmo se tomada de um nível muito inferior, da alma que se abre ao animal do mundo, depois que os nossos progenitores se distanciaram de Deus para escutar o demônio. Desde então, nós somos como um país invadido: é necessário libertar-nos, expulsar o inimigo, livrar-nos dele e retornar a Deus. É preciso fazê-lo sem exército, sem força organizada, com as nossas faculdades desmanteladas, com uma vida ferida e com inimigos e indiferentes por todos os lados. Sem Deus, a nossa impotência é a mais completa que se possa imaginar... Por isso a necessidade da oração e a recomendação tão urgente do Salvador: “É preciso rezar e rezar sempre!” Daqui decorre sua afirmação peremptória: “Sem mim, nada podeis fazer!” Daqui o seu convite que consola e conforta: “Vinde a mim!”
A oração é a resposta da alma que vem, conta sua própria miséria, pede socorro, luz para o espírito, força para a vontade, submissão das paixões à alma e desta a Deus, ordem e paz. Deus diz: “Eu sou e continuo Pai! Eu te amo, eu te escuto! Vem!” A alma responde: “Meu Deus, não posso mais! Vem tu mesmo!”
Parte de uma obra obra sobre a oração, intitulada Diante de Deus – A Oração. O Autor é um especialista no assunto: trata-se de Dom Agostinho Guillerrand, santo monge cartuxo, que viveu entre 1877 e 1945.
04 fevereiro 2010
Clausura é uma opção espiritual
"IRMÃ MARIA JOSÉ
Clausura é uma opção espiritual
Maria José Reis deixou tudo o que a maioria das pessoas espera na vida para se dedicar a uma paixão, a de ser religiosa contemplativa na Ordem de Santa Clara de Assis (Clarissas).
A Ordem de Santa Clara é contemplativa e vive a clausura. As religiosas vivem um dia de oração intensa, no qual são recordadas as necessidades da Igreja e do mundo. Em entrevista à Agência ECCLESIA, a Irmã Maria José fala deste quotidiano e do encanto que a faz permanecer fiel à sua vocação.
Agência ECCLESIA (AE) - Como começou a vocação da Irmã Maria José?
Irmã Maria José (MJ) - Começou há muitos anos…Tinha 19 anos quando despertei para um género de vida que se pode dizer que é fora de comum… embora ela seja comum a todos, mas a consagração é sempre algo que ultrapassa aquilo que dizemos que humanamente é normal, nós optamos pelo sobrenatural. Nasci na ilha da Madeira, foi lá que entrei no Mosteiro da Nossa Senhora da Piedade, onde vivi 17 anos. E depois vim para Lisboa, para o Mosteiro da Estrela.
AE - Como é que uma jovem de 19 anos pensa em entrar num Mosteiro?
MJ - De facto foi um despertar para a dimensão crista e para a vida espiritual, até aí embora crente e praticante até aos 14 anos, deixei de praticar dos 14 aos 18 anos. Criou-se o Movimento dos jovens cristãos da Madeira e fui apanhada, como um peixe na rede. Fui convidada a participar no movimento, acabei por integrar e trabalhar e com grande alegria trabalhei ao lado de D. Francisco Santana, bispo da época, que me deixou muitos exemplos e aí fui despertando para o sagrado, colocando a pessoa de Jesus Cristo como algo muito mais sério e profundo. Cristo não é apenas uma figura histórica é muito para além disso, é o Filho de Deus e é nesta dimensão de fé que tentei abrir caminho, aprofundar e despertar para esta vocação aos pés de Jesus.
AE - Porque uma congregação de irmãs contemplativas?
MJ - Não foi nada pensado… Para já digo com sinceridade que não conhecia nada sobre vida religiosa, nem sobre vidas activas e contemplativas. Primeiro decidi consagrar-me a Deus e isso fez com que eu tivesse de deixar o que pensava ser o meu caminho, o matrimónio. E por acaso já estava comprometida. Para mim não foi muito difícil, mas para ele sim...
Depois de dar o meu sim à consagração comecei por ver onde poderia servir melhor Deus, a Igreja e o Mundo. Foi outro caminho muito difícil…
A vida activa era a que estava presente e os primeiros passos foram conhecer congregações, estive em varias famílias religiosas, onde procurei ver, saber e fazer alguns retiros, até. Mas dizer um sim era muito difícil, gostava de trabalhar em varias áreas e era muito complicado. Depois do 25 de Abril f a época da desorientação e eu fui das primeiras gerações desorientadas, estive um ano à deriva. Mas uma coisa acompanhou-me: a ideia de que para eu ser professora, enfermeira ou educadora não era necessário ir para a vida religiosa.
AE – E cresceu a vontade da consagração na clausura?
MJ - Eu gostaria de me entregar na gratuidade, sem ter de me formar, eu via a vida religiosa de outra forma. Tinha de ser vivida sob o olhar da divina providência. Até que um dia se realizou uma semana bíblica na minha paróquia e as irmãs que organizavam, as irmãs Paulinas, ao prepararem os grupos pediram que houvesse alguém que se responsabilizasse por ir às irmãs Clarissas pedir orações pelos bons frutos dessa semana. E foi o primeiro toque para mim, sem a oração nada se consegue. Foi o primeiro contacto com as irmãs. Depois as irmãs deram-me um livro que numa pequena frase me fez decidir: “Que a única forma de abarcar todas as formas de apostolado e de estar em todos os sítios ao mesmo tempo é a oração”.
O segundo toque para que eu desse o sim definitivo foi uma frase de Jesus Cristo: “Pobres sempre os tereis convosco”, em resposta à revolta de Judas quando Maria Madalena perfuma Jesus e lhe unge os pés, o que muitos se esquecem de fazer ainda hoje. Eu costumo dizer que a nossa vida de contemplação é um “desperdício de perfume”, que derramamos este perfume aos pés de Jesus.
AE - Há sempre a ideia que as irmãs contemplativas apenas rezam… Ou fazem outros trabalhos?
MJ - Eu costumo dizer que “só caminha quem está parado”, é uma contradição. Caminhar na vida não significa andar com os pés, avançar só se consegue quando se pára. A vida contemplativa é um caminhar parado. Há outra dimensão: ao estarmos de joelhos, os nossos joelhos dobrados são a força de muitos pés a andar, isto quer dizer que continuamos a andar nos pés de muita gente, carregamos as dores, as alegrias, as esperanças de todos um povo.
Contemplativos somos todos, é um dom, uma pequena semente que está no coração de todos. Lá por eu estar na vida contemplativa não quer dizer que seja detentora do grande dom da contemplação. O facto de estar em clausura é fazer parte deste corpo místico de Cristo em que todos somos necessários, os que trabalham e os que rezam, e as duas partes complementam-se e é necessário uma graça para ambos. Ninguém trabalha isoladamente, porque o grande segredo da Igreja é a comunhão. Vivemos uns para os outros e neste espírito de oração.
Os contemplativos também caminham, mas de uma forma diferente, mas somos o motor. Precisamos dos irmãos da vida activa porque eles são o conforto da nossa oração e é muito bonito estarmos a rezar e ouvirmos falar dos frutos de lá de fora. Assim como quando há sofrimento, os irmãos saberem que há irmãs que estão em contínua oração por eles, andamos assim com todos os irmãos. Não gosto de separar a vida activa e contemplativa, porque activos somos todos mas também podemos ser todos contemplativos. Ninguém está parado…
AE - Como é a vida quotidiana de uma irmã Clarissa?
MJ - Para já é uma vida normal... Também dormimos, também comemos… Levantamo-nos às 5h50, toca o despertar, às 6h30 vamos para a capela. Começamos pela meditação em silêncio, até às 7h. Depois temos a hora litúrgica de laudes, às 7h30, eucaristia, depois a hora intermédia que é a hora de tércia. A vida de uma contemplativa faz-se com base na liturgia das horas, ou seja, rezar com a Igreja, milhões e milhões de pessoas rezam aqueles salmos em várias línguas mas sempre com a mesma comunhão. Às 8h30 tomamos o pequeno-almoço, porque precisamos de comer, senão morremos mais cedo que o previsto, e depois as irmãs entregam-se ao trabalho normal necessário no Mosteiro. Um deles é o fabrico das hóstias que fazemos aqui, costumo dizer que aqui há a padaria de Jesus Cristo, aqui prepara-se o pão que se vai transformar no corpo do Senhor, e isso é um trabalho que as irmãs fazem com grande devoção.
Encontramo-nos para rezar em comunidade 5 vezes por dia, e ao meio-dia vamos novamente para a capela, onde rezamos a hora de sesta e a seguir a coroa seráfica, uma devoção franciscana, que são as 7 alegrias de Nossa Senhora. Segue-se o almoço e às 15h a hora de Noa. Nestes intervalos há a vida comum que é necessário fazer em casa, o atendimento à porta e a recepção aos peregrinos que visitam o espaço da Jacinta, pastorinha de Fátima. Às 18h voltamos à capela para rezar o terço e a oração de vésperas para se seguir o jantar. Às 20h30 encontramo-nos todas para a hora do recreio, uma reunião onde se fala de tudo, comentários, noticias, pedidos de orações ou simples conversa… festa!
Terminamos o dia na capela com o ofício de leituras e as completas. Além deste quotidiano cada irmã tem a sua hora de oração diante do Santíssimo exposto que temos todos os dias na capela e à Quinta-feira temos a noite toda, estando sempre uma irmã em adoração. A vida contemplativa das irmãs clarissas está mais virada para a adoração ao Santíssimo Sacramento, sendo o fundamental. Somos as sentinelas despertas aos pés de Jesus guardando este reino que está repartido entre tudo o que acontece.
AE - Sendo irmãs de clausura como gerem as saídas?
MJ - A clausura tem uma estrutura, mas é sobretudo espiritual. O estar encerrada não significa por si só estar em clausura, é sobretudo a clausura de coração. Eu costumo dizer que o Amor não tem grades. Aquilo que é necessário fazer lá fora, nós fazemos! Ir ao médico, à farmácia, exercer direitos civis e coisas que são necessárias à vida do mosteiro. Claro que não saem todas as irmãs há sempre uma ou duas destinadas a “fazer a ponte” à sociedade. E hoje eu digo mesmo que a nossa resposta ao voto da pobreza é ir, não é esperar, por exemplo, que o médico venha cá. Os ricos é que trazem tudo a casa!
AE - Como é a comunidade das irmãs clarissas de Lisboa?
MJ - Somos 8 irmãs. Costumo dizer que para o nosso tempo já é muito! Há trinta anos atrás 8 irmãs seria pouco, eram comunidades grandes. Não é uma situação alarmante, não nos devemos preocupar porque tudo isto pertence a Deus e se não há vocações não deve ser visto como algo grave. Se as pessoas querem viver de outra forma o nosso dever é respeitar, porque cada um de nós assume as consequências da sua própria vida. Oito irmãs parece pouco, mas o pouco para Deus é muito!
AE - Como são feitos os pedidos de oração às irmãs?
MJ - Recebemos pedidos de oração e também vêm cá pessoas para conversar simplesmente e até pedir conselhos… Digo muitas vezes que o mosteiro no centro da cidade é como a tenda da reunião de Moisés, que estava fora do acampamento. Nós pertencemos ao povo, mas temos esta tenda erguida e é muitas vezes aqui que o povo sente que Deus está e para onde voltar o olhar e pode correr e saber que aqui podem falar, têm confiança.
Isto é uma missão muito importante que ando a meditar, cada sociedade ou cada cidade necessita de ter algo em que o povo, em momentos de aflição, saiba para onde voltar o seu olhar. E nota-se que os mosteiros são cada vez mais procurados. Se em cada vez que uma pessoa procura um mosteiro nascesse uma vocação, os mosteiros estavam cheios…
O mais importante é que estas pessoas levem para a vida um valor cristão, uma fé viva e alicerçada porque é isso que é preciso para a estabilidade da vida. O que não está visível aos nossos olhos é que vai dando equilíbrio à vida humana."
(Artigo publicado no Jornal "A União" de hoje o qual transcrevo-o aqui na integra.) Uma pérola no meio de um oceano revolto e conturbado
27 janeiro 2010
Perdão
Perdoai-me Senhor
pelas inumeras vezes
talvez até em demasia
que tropeço e caio.
Sei que apesar disso
me dás sempre a Tua mão
para novamente erguer-me
e caminhar em direcção a Ti.
Perdoai-me Senhor!
pelas inumeras vezes
talvez até em demasia
que tropeço e caio.
Sei que apesar disso
me dás sempre a Tua mão
para novamente erguer-me
e caminhar em direcção a Ti.
Perdoai-me Senhor!
21 janeiro 2010
MENSAGEM DO SANTO PADRE AOS MEMBROS DA FAMILIA DOS CARTUXOS POR OCASIÃO DO IX CENTENÁRIO DA MORTE DE SÃO BRUNO
MENSAGEM DO SANTO PADRE
AOS MEMBROS DA FAMÍLIA DOS CARTUXOS
POR OCASIÃO DO IX CENTENÁRIO DA
MORTE DE SÃO BRUNO
Ao Rev.do Pe.
MARCELLIN THEEUWES
Prior da Cartuxa Ministro-Geral da Ordem dos Cartuxos
e a todos os membros da Família cartusiana
1. No momento em que os membros da Família dos Cartuxos celebra o IX
centenário da morte do seu Fundador, juntamente com eles dou graças a
Deus, que suscitou na sua Igreja a figura eminente e sempre actual de São
Bruno. Numa oração fervorosa, ao apreciar o vosso testemunho de fidelidade
à Sé de Pedro, uno-me de bom grado à alegria da Ordem cartusiana, que tem
neste "pai bondoso e incomparável" um mestre de vida espiritual. A 6 de
Outubro de 1101, "ardendo de amor divino", Bruno abandonava "as sombras
fugitivas do século" para alcançar definitivamente os "bens eternos" (cf.
Carta a Raul, n. 13). Os irmãos da ermida de Santa Maria da Torre,
na Calábria, aos quais ele dera tanto afecto, não podiam duvidar que
este Dies natalis inaugurava uma aventura espiritual singular que ainda
hoje dá abundantes frutos à Igreja e ao mundo.
Testemunha da efervescência cultural e religiosa que, na sua época,
agitava a Europa nascente, tendo tomado parte activa na reforma que a
Igreja desejava realizar perante as dificuldades internas com as quais se
deparava, depois de ter sido um professor apreciado, Bruno sente-se
chamado para se consagrar ao bem único que é o próprio Deus. "E o que há
de melhor do que Deus? Existe outro bem, além do único Deus? Também a alma
santa, que se apercebe desse bem, do seu incomparável fulgor, do seu
esplendor, da sua bondade, arde com a chama do amor celeste e exclama:
"Tenho sede do Deus forte e vivo, quando irei ver o rosto de Deus"" (Carta
a Raul, 15). O carácter radical desta sede estimulou Bruno, na escuta
paciente do Espírito, a descobrir com os seus primeiros companheiros um
estilo de vida eremita, onde tudo favoreça a resposta à chamada de Cristo
que, em todos os tempos, escolheu homens "para os conduzir à solidão e
uni-los num amor íntimo" (Estatuto da Ordem dos Cartuxos). Mediante estas
escolhas de "vida no deserto", Bruno convida desde o início toda a
comunidade eclesial "a nunca perder de vista a vocação suprema, que é
permanecer sempre com o Senhor" (Vita consecrata, 7).
Bruno evidencia o seu profundo sentido de Igreja, ele que foi capaz de
esquecer o "seu" projecto para responder aos apelos do Papa. Consciente de
que a caminhada pelas longas estradas da santidade não se concebe sem a
obediência à Igreja, ele mostra-nos também que o verdadeiro caminho no
seguimento de Cristo exige o entregar-se nas suas mãos, manifestando no
abandono de si um acréscimo de amor. Esta atitude mantinha-o sempre na
alegria e no louvor constantes. Os seus irmãos observaram que "tinha
sempre o rosto repleto de alegria e a palavra modesta" (Introdução ao
Pergaminho fúnebre dedicada a São Bruno). Estas palavras delicadas do
Pergaminho fúnebre exprimem a fecundidade de uma vida dedicada à
contemplação do rosto de Cristo, fonte de eficácia apostólica e força de
caridade fraterna. Possam os filhos e as filhas de São Bruno, seguindo o
exemplo do seu pai, continuar incansavelmente a contemplar Cristo,
montando desta forma "uma guarda santa e perseverante, na expectativa da
vinda do seu Mestre para lhes abrir logo que ele bater à porta" (Carta a
Raul, n. 4); isto constitui um apelo encorajador a que todos os cristãos
permaneçam vigilantes na oração a fim de acolher o seu Senhor!
2. Depois do Grande Jubileu da Encarnação, a celebração do nono centenário
da morte de São Bruno adquire hoje um ulterior relevo. Na Carta Apostólica
Novo millennio ineunte convido todo o povo de Deus a partir de Cristo, a
fim de permitir que todos os que têm sede de sentido e de verdade ouçam
bater o coração de Deus e o coração da Igreja. A Palavra de Cristo,
"estarei sempre convosco, até ao fim do mundo" (Mt 28, 20), convida todos
os que têm o nome de discípulos a tirarem desta certeza um renovado
impulso na sua vida cristã, força inspiradora do seu caminho (cf. Novo
millennio ineunte, 29). A vocação para a oração e para a contemplação, que
caracteriza a vida da Cartuxa, demonstra de modo particular que só Cristo
pode dar à esperança humana uma plenitude de significado e de
alegria.
Então, como duvidar um só instante que uma semelhante expressão do puro
amor dê à vida da Cartuxa uma extraordinária fecundidade missionária? No
retiro dos mosteiros e na solidão das celas, paciente e silenciosamente,
os Cartuxos tecem as vestes nupciais da Igreja, "bela como uma esposa que
se ataviou para o seu esposo" (Ap 21, 2); eles apresentam quotidianamente
o mundo a Deus e convidam toda a humanidade para a festa nupcial do Anjo.
A celebração do sacrifício eucarístico constitui a fonte e o auge de toda
a vida no deserto, conformando com o próprio ser de Cristo todos os que se
abandonam ao amor, a fim de tornar visíveis a presença e a acção do
Salvador no mundo, para a salvação de todos os homens e para a alegria da
Igreja.
3. No coração do deserto, lugar de prova e de purificação da fé, o Pai
conduz os homens por um caminho de despojamento que se opõe a qualquer
lógica do possuir, do sucesso e da felicidade ilusória. Guigues, o
Cartuxo, não se cansava de encorajar todos os que desejavam viver segundo
o ideal de São Bruno a "seguir o exemplo de Cristo pobre (para)...
participar nas suas riquezas" (Sur la vie solitaire, n. 6). Este
despojar-se requer uma ruptura radical com o mundo, que não é desprezo do
mundo, mas uma orientação tomada para toda a existência numa busca assídua
do supremo Bem: "Vós me seduzistes, Senhor, e eu me deixei seduzir" (Jr
20, 7). Feliz é a Igreja que pode contar com o testemunho dos Cartuxos, de
total disponibilidade ao Espírito e de uma vida inteiramente dedicada a
Cristo!
Por conseguinte, convido os membros da Família dos Cartuxos, através da
santidade e da simplicidade da sua vida, a permanecer como uma cidade em
cima do monte e como uma luz sobre o lucernário (cf. Mt 5, 14-15).
Radicados na Palavra de Deus, saciados pelos Sacramentos da Igreja,
amparados pela oração de São Bruno e dos irmãos, eles permanecem em toda a
Igreja e no centro do mundo "lugares de esperança e de descoberta das
bem-aventuranças, lugares onde o amor, haurindo na fonte da comunhão que é
a oração, é chamado a tornar-se lógica de vida e fonte de alegria" (Vita
consecrata, 51). Expressão sensível de uma oferta de toda a vida vivida em
união com a de Cristo, a vida de clausura, fazendo sentir a precariedade
da existência, convida a contar unicamente com Deus. É também "o lugar da
comunhão espiritual com Deus e com os irmãos e irmãs, onde a limitação dos
espaços e dos contactos ajuda à interiorização dos valores evangélicos
(Ibid., n. 59). De facto, a busca de Deus na contemplação é inseparável do
amor dos irmãos, amor que nos faz reconhecer o rosto de Cristo no mais
pobre dos homens. A contemplação de Cristo vivida na caridade fraterna
continua a ser o caminho mais seguro da fecundidade de qualquer vida. São
João não deixa de o recordar: "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros,
porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama, nasceu de Deus e
conhece-O" (1 Jo 4, 7). São Bruno compreendeu isto muito bem, ele que
nunca separou a prioridade que durante toda a sua vida conferiu a Deus da
profunda humanidade de que era testemunha entre os seus irmãos.
4. O IX centenário do Dies natalis de São Bruno oferece-me a oportunidade
de renovar a viva confiança à Ordem dos Cartuxos na sua missão de
contemplação gratuita e de intercessão pela Igreja e pelo mundo. A exemplo
de São Bruno e dos seus sucessores, os mosteiros dos Cartuxos não cessam
de despertar a Igreja para a dimensão escatológica da sua missão,
recordando as maravilhas que Deus realiza e vigiando na expectativa do
cumprimento último da esperança (cf. Vita consecrata, 27). Sentinela
incansável do Reino que há-de vir, procurando "ser" antes de "fazer", a
Ordem dos Cartuxos dá à Igreja vigor e coragem na sua missão, para se
fazer ao largo e permitir que a Boa Nova de Cristo acenda toda a
humanidade.
Nestes dias de festa da Ordem, rezo ardentemente ao Senhor para que faça
ressoar no coração de numerosos jovens o apelo a deixar tudo para seguir
Cristo pobre, ao longo do caminho exigente mas libertador do percurso dos
Cartuxos. Além disso, convido os reponsáveis da família dos Cartuxos a
responder sem receio aos apelos das jovens Igrejas, para fundar mosteiros
nos seus territórios.
Com este espírito, o discernimento e a formação dos candidatos que se
apresentam devem ser objecto de uma atenção renovada por parte dos
formadores. De facto, a cultura contemporânea, marcada por um forte
sentimento hedonista, pelo desejo de possuir e por uma concepção errónea
da liberdade, não facilita a expressão da generosidade dos jovens que
desejam consagrar a sua vida a Cristo, escolhendo percorrer, no seu
seguimento, o caminho de uma vida de amor oblativo, de serviço concreto e
generoso. A complexidade do caminho pessoal, a fragilidade psicológica, as
dificuldades de viver a fidelidade no tempo, convidam a fazer com que nada
seja descuidado, a fim de oferecer a todos os que pedem para entrar no
deserto da Cartuxa uma formação que inclua todas as dimensões da pessoa.
Além disso, dar-se-á uma particular atenção à escolha de formadores
capazes de seguir os candidatos ao longo do caminho da libertação interior
e da docilidade ao Espírito Santo. Por fim, sabendo que a vida fraterna é
um elemento fundamental do caminho das pessoas consagradas, convidar-se-ão
as comunidades a viver sem reservas o amor recíproco, criando um clima
espiritual e um estilo de vida conformes com o carisma da Ordem.
5. Queridos filhos e amadas filhas de São Bruno, como recordei no final da
Exortação pós-sinodal Vita consecrata, "vós não tendes apenas uma história
gloriosa para recordar e narrar, mas uma grande história a construir!
Olhai o futuro, para o qual vos projecta o Espírito a fim de realizar
convosco ainda grandes coisas" (n. 110). No coração do mundo, tornai a
Igreja atenta à voz do Esposo que fala ao seu coração: "Tende confiança!
Eu venci o mundo" (Jo 16, 33). Encorajo-vos a nunca renunciar às intuições
do vosso fundador, mesmo se o empobrecimento das comunidades, a diminuição
das entradas e a incompreensão suscitada pela vossa escolha de vida
radical vos possam fazer duvidar da fecundidade da vossa Ordem e da vossa
missão, cujos frutos pertencem misteriosamente a Deus!
A vós, estimados filhos e queridas filhas da Cartuxa, que sois os
herdeiros do carisma de São Bruno, compete conservar em toda a sua
autenticidade e profundidade a especificidade do caminho espiritual que
ele vos mostrou com a sua palavra e o seu exemplo. O vosso apreciado
conhecimento de Deus, alimentado na oração e na meditação da sua Palavra,
convida o povo de Deus a alargar o próprio olhar até aos horizontes de uma
humanidade nova e rica da plenitude do seu sentido e unidade. A vossa
pobreza oferecida para a glória de Deus e a salvação do mundo é uma
eloquente contestação das lógicas de rendimento e de eficácia que, muitas
vezes, fecham o coração dos homens e das nações às verdadeiras
necessidades dos seus irmãos. A vossa vida escondida com Cristo, como a
Cruz silenciosa plantada no coração da humanidade redimida, permanece de
facto para a Igreja e para o mundo o sinal eloquente e a chamada
permanente do facto que cada ser, hoje como ontem, se pode deixar prender
por Aquele que é amor.
Ao confiar todos os membros da família da Cartuxa à intercessão da Virgem
Maria, Mater singularis Cartusiensium, Estrela da evangelização do
terceiro milénio, concedo-vos a afectuosa Bênção apostólica, que faço
extensiva a todos os benfeitores da Ordem.
Vaticano, 14 de Maio de 200
14 janeiro 2010
Desabafo...
Por vezes sinto uma necessidade horrível de estar só. De me encontrar a sós com o único Deus e Senhor e falar-Lhe. Conversar é certo, agradecer sem dúvida, mas também puxar-Lhe as orelhas pelas coisas menos boas que vão ocorrendo nesta minúscula bola azul no meio de um não sei o quê. Gritar com Ele e perguntar o porquê de tantas atrocidades que cada vez mais ocorrem neste meio do azul. Dar-Lhe alguns socos valentes no estômago e dizer que os familiares que me tirou daqui foi uma grande maldade, logo quando mais precisava deles.Depois, abraça-Lo da maneira que se abraça um Pai e deixar cair as lágrimas contidas ao longo dos anos e pedir-Lhe perdão por estas palavras amargas e violentas porque, algures na minha alma, sei que o que Ele faz é sempre para o meu bem, mesmo que na altura dos acontecimentos pareçam tudo menos isso.
Por vezes (muitas vezes até) sinto uma necessidade imensa de estar só e tentar (por segundos que sejam) contemplá-Lo numa solidão (que é tudo menos isso) a dois e falar-Lhe dos que mais precisam, daqueles que não O conhecem e das maravilhas de faz.
Obrigado Senhor por tudo, mesmo por aquilo que se calhar não merecia, e mesmo assim, derramaste sobre mim.
Por último agradeço ao Sinais do céu.. ao qual, sem a sua música de fundo, não teria escrito estas palavras.
11 janeiro 2010
15 dezembro 2009
Sensibilidade e bom senso

Um pequeno artigo que escrevi há dias para eventual publicação num dos jornais da ilha.
O Natal aproxima-se a passos largos. Não o Natal materialista e consumista, no qual Jesus Cristo foi substituído pelo Pai Natal da Coca-Cola e ultimamente pelas Popotas e Leopoldinas do mundo consumista e materialista, mas sim o Natal do nascimento do redentor.
Não o Natal das 1001 luzes a piscarem dentro e fora da casa de cada um, mas sim o Natal da Luz Eterna. O Natal em que “Deus se tornou tão humilde ao ponto de ter vindo, não como um redemoinho avassalador ou um fogo devorador. O Criador de todas as coisas encolheu-se além da imaginação, tanto, tanto, tanto, que tornou-se num óvulo, um simples ovo fertilizado, quase invisível, um óvulo que se dividiria e se redividiria até que um feto fosse formado, expandindo-se célula por célula no ventre de uma jovem. “A imensidão enclausurada no seu amado ventre”, maravilhou-se o poeta John Donne. Ele “a si mesmo se esvaziou [...] humilhou-se a si mesmo”, disse o apóstolo Paulo de forma mais prosaica.” 1
Deus veio até nós, nessa humildade indescritível e nós o que fazemos Natal após Natal?
Gastamos dinheiro em prendas (e não lembranças), muitas delas fúteis e sem utilidade aparente, enquanto ao nosso lado, alguém passa fome sem sabermos (a denominada pobreza encoberta) e alguém pede apenas por pedir (a denominada pobreza de espírito).
Gastamos rios de dinheiro em coisas supérfluas e o essencial da vida é-nos dado quase de graça.
Somos soberbos ao ponto de gastarmos oceanos de dinheiro em inutilidades e pagarmos essas mesmas inutilidades em “suaves prestações”.
Onde mora a humildade de Deus feito Homem?
O verdadeiro Natal será aquele em que todos nós partilhemos afecto e amor com aqueles que são o oposto de nós e em especial com os mais carentes e necessitados, tal como Jesus Cristo, que nasceu no meio do nada e teve tudo aquilo que precisava naquela hora, naquele momento, principalmente os pastores, que na altura e na sociedade em que estavam inseridos não eram tidos nem achados.
O verdadeiro Natal, na minha modesta opinião, será aquele em que o Homem terá sensibilidade e bom senso para com o semelhante e para com todos os seres vivos. “Oxalá se tome consciência do essencial e de que falta tempo para ele: amar gratuitamente, descer ao centro da alma e procurar por lá uma palavra de vida eterna que dê sentido a tudo o que se faz.”2
Termino com uma oração peculiar proferida pelo Padre Joe Wright na abertura de uma nova secção do Senado de Kansas nos EUA:
"Senhor, viemos diante de Ti neste dia, para Te pedir perdão e para pedir a tua direcção.
Sabemos que a tua Palavra disse: 'Maldição àqueles que chamam "bem" ao que está "mal”, e é exactamente o que temos feito.
Temos perdido o equilíbrio espiritual e temos mudado os nossos valores.
Temos explorado o pobre e temos chamado a isso "sorte".Temos recompensado a preguiça e chamámo-la de "Ajuda Social".Temos matado os nossos filhos que ainda não nasceram e temo-lo chamado “a livre escolha".
Temos abatido os nossos condenados e chamámo-lo de "justiça".
Temos sido negligentes ao disciplinar os nossos filhos e chamámo-lo “desenvolver a sua auto-estima”.
Temos abusado do poder e temos chamado a isso: "Política".Temos cobiçado os bens do nosso vizinho e a isso temo-lo chamado "ter ambição".
Temos contaminado as ondas de rádio e televisão com muita grosseria e pornografia e temo-lo chamado "liberdade de expressão".
Temos ridicularizado os valores estabelecidos desde há muito tempo pelos nossos ancestrais e a isto temo-lo chamado de "obsoleto e passado".
Oh Deus! Olha no profundo dos nossos corações; purifica-nos e livra-nos dos nossos pecados.
Ámen. “
Não o Natal das 1001 luzes a piscarem dentro e fora da casa de cada um, mas sim o Natal da Luz Eterna. O Natal em que “Deus se tornou tão humilde ao ponto de ter vindo, não como um redemoinho avassalador ou um fogo devorador. O Criador de todas as coisas encolheu-se além da imaginação, tanto, tanto, tanto, que tornou-se num óvulo, um simples ovo fertilizado, quase invisível, um óvulo que se dividiria e se redividiria até que um feto fosse formado, expandindo-se célula por célula no ventre de uma jovem. “A imensidão enclausurada no seu amado ventre”, maravilhou-se o poeta John Donne. Ele “a si mesmo se esvaziou [...] humilhou-se a si mesmo”, disse o apóstolo Paulo de forma mais prosaica.” 1
Deus veio até nós, nessa humildade indescritível e nós o que fazemos Natal após Natal?
Gastamos dinheiro em prendas (e não lembranças), muitas delas fúteis e sem utilidade aparente, enquanto ao nosso lado, alguém passa fome sem sabermos (a denominada pobreza encoberta) e alguém pede apenas por pedir (a denominada pobreza de espírito).
Gastamos rios de dinheiro em coisas supérfluas e o essencial da vida é-nos dado quase de graça.
Somos soberbos ao ponto de gastarmos oceanos de dinheiro em inutilidades e pagarmos essas mesmas inutilidades em “suaves prestações”.
Onde mora a humildade de Deus feito Homem?
O verdadeiro Natal será aquele em que todos nós partilhemos afecto e amor com aqueles que são o oposto de nós e em especial com os mais carentes e necessitados, tal como Jesus Cristo, que nasceu no meio do nada e teve tudo aquilo que precisava naquela hora, naquele momento, principalmente os pastores, que na altura e na sociedade em que estavam inseridos não eram tidos nem achados.
O verdadeiro Natal, na minha modesta opinião, será aquele em que o Homem terá sensibilidade e bom senso para com o semelhante e para com todos os seres vivos. “Oxalá se tome consciência do essencial e de que falta tempo para ele: amar gratuitamente, descer ao centro da alma e procurar por lá uma palavra de vida eterna que dê sentido a tudo o que se faz.”2
Termino com uma oração peculiar proferida pelo Padre Joe Wright na abertura de uma nova secção do Senado de Kansas nos EUA:
"Senhor, viemos diante de Ti neste dia, para Te pedir perdão e para pedir a tua direcção.
Sabemos que a tua Palavra disse: 'Maldição àqueles que chamam "bem" ao que está "mal”, e é exactamente o que temos feito.
Temos perdido o equilíbrio espiritual e temos mudado os nossos valores.
Temos explorado o pobre e temos chamado a isso "sorte".Temos recompensado a preguiça e chamámo-la de "Ajuda Social".Temos matado os nossos filhos que ainda não nasceram e temo-lo chamado “a livre escolha".
Temos abatido os nossos condenados e chamámo-lo de "justiça".
Temos sido negligentes ao disciplinar os nossos filhos e chamámo-lo “desenvolver a sua auto-estima”.
Temos abusado do poder e temos chamado a isso: "Política".Temos cobiçado os bens do nosso vizinho e a isso temo-lo chamado "ter ambição".
Temos contaminado as ondas de rádio e televisão com muita grosseria e pornografia e temo-lo chamado "liberdade de expressão".
Temos ridicularizado os valores estabelecidos desde há muito tempo pelos nossos ancestrais e a isto temo-lo chamado de "obsoleto e passado".
Oh Deus! Olha no profundo dos nossos corações; purifica-nos e livra-nos dos nossos pecados.
Ámen. “
1 “O Jesus que nunca conheci” de Philip Yancey
2 “ Se tu soubesse o dom de Deus” de Luís Rocha e Melo SJ
2 “ Se tu soubesse o dom de Deus” de Luís Rocha e Melo SJ
Um Cristão como os demais
14 dezembro 2009
Amalia Rodrigues
FOI DEUS
Composição: Alberto Janes
Não sei, não sabe ninguém
Por que canto o fado
Neste tom magoado
De dor e de pranto
E neste tormento
Todo o sofrimento
Eu sinto que a alma
Cá dentro se acalma
Nos versos que canto
Foi Deus
Que deu luz aos olhos
Perfumou as rosas
Deu oiro ao sol
E prata ao luar
Foi Deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
E pôs as estrelas no céu
E fez o espaço sem fim
Deu o luto as andorinhas
Ai, e deu-me esta voz a mim
Se canto
Não sei o que canto
Misto de ventura
Saudade, ternura
E talvez amor
Mas sei que cantando
Sinto o mesmo quando
Se tem um desgosto
E o pranto no rosto
Nos deixa melhor
Foi Deus
Que deu voz ao vento
Luz ao firmamento
E deu o azul às ondas do mar
Foi Deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
Fez poeta o rouxinol
Pôs no campo o alecrim
Deu as flores à primavera
Ai, e deu-me esta voz a mim.
30 outubro 2009
Ernâni Lopes (Portugal funciona mal à séculos)
Com este artigo, fora do comum dos que por aqui publico (até pareço o amigo do blog Tribo de Jacob), este senhor, espelha nesta afirmação, aquilo que eu (e muito boa gente com valores) pensa,
"No entanto, Portugal precisa de «uma elite dirigente capaz de produzir e difundir valores, atitudes e padrões dos comportamentos que moldam a sociedade, e que não se limite a fazer política corrente». "( o resto do artigo)
26 outubro 2009
Citação do livro "O Jesus que eu nunca conheci"
"Embora o poder possa forçar a obediência, apenas o amor pode provocar a reacção de amor, que é a única coisa que Deus deseja de nós, sendo essa a razão de nos ter criado. "
22 outubro 2009
Stat crux dum volvitur orbis
Poderá ser, quase de certeza, uma mera visão de quem admira os Cartuxos, os quais estando separados de todos nós estão connosco sempre, mas esta 2ª cruz, que está por cima de um sacrário na Igreja Poraquial de Santo António, da freguesia de Porto Judeu, é uma replica quase exacta da 1ª cruz, cruz essa que é o simbolo dessa Ordem Monastica. Será que me tempos idos, alguém ligado a esta ordem quis deixar um sinal da sua presença?
09 outubro 2009
Como dizia Santa Brígida
01 outubro 2009
Um pensamento
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