16 julho 2010

Onde puseram Deus nesta Sociedade?


Vivemos numa época, na qual o Homem pensa já ter o conhecimento total sobre quase tudo e aquilo que ainda não sabe, não é obra de Deus, ou seja, a grande maioria dos seres humanos tendo já adquirido um enorme grau de conhecimentos em quase todas as áreas da vida, pensa e age como se Deus tivesse sido uma invenção dos nossos antepassados e como tal, alguns põem em causa a Sua existência, mesmo entre aqueles que se dizem Cristãos e outros, já nem duvidam da sua não existência.

Nos dias de hoje, todos aqueles que O seguem, são na sua maioria de rotulados de retrógrados, antiquados ou outros termos mas, todos eles depreciativos. Aliás, na maioria dos países ditos desenvolvidos, a religião apesar de ter séculos de existência e ser aceite, democraticamente falando, cada vez mais os governantes desses mesmos países, criam leis que afastam o Homem do seu Criador. Cada vez mais, indirectamente e em passinhos de lã, vão empurrando o Cristão e o Cristianismo para um canto onde não incomode, não opine, não critique (ainda que construtivamente) e principalmente não interfira em determinadas leis, leis essas que do ponto de vista governativo, são “progressivas”, “inovadoras” e até “humanas”. Lamentavelmente, na minha maneira de ver essas mesmas determinadas leis, todas elas são tudo menos progressivas, inovadoras ou humanas. Todas elas enquadram-se no consumismo, no facilitismo e na pressão que certos grupos da sociedade fazem junto dos governantes, no intuito de fazer prevalecer as suas ideias em detrimento do que é humanamente e eticamente correcto, e eles (os governantes) na maioria das vezes deixam-se ir ao sabor do vento e atrás das cantigas que lhe dizem aos ouvidos, infelizmente.

Aqueles que O seguem, como eu e muitos daqueles que neste momento lêem estas linhas, sentem o mesmo que eu sinto, isto é, o ser Cristão e Segui-Lo é cada vez mais difícil, mas não é impossível.

O começo deste “empurra os Cristãos para um canto” já ocorreu á alguns anos. Primeiro com situações muito subtis, mas actualmente, com situações muito concretas, a saber (entre outras que me esteja a esquecer):

- Retirar os crucifixos das salas de aula (por causa das crianças que professam outros credos). Há poucos dias passou por mim um abaixo-assinado sobre a reposição dos mesmos nas salas de aula, atendendo a que (entre outros argumentos) Portugal é maioritariamente Católico (quis perceber isso). Se formos para países muçulmanos (entre outros credos), apesar de haver igrejas católicas, somos confrontados diariamente com o chamamento para as orações diárias deles, e não vejo os seus dirigentes serem tolerantes ao ponto de retirarem os microfones que chamam pelos seus fiéis;

- Supressão do “nome” Padre nas escolas que o nome era o de um padre. Que situação mais ridícula e ambígua criada, isto é, determinada pessoa tornou-se conhecida, notada e até alvo de reconhecimento publico e institucional (“dar” o nome a um determinado estabelecimento de ensino) não pelo seu nome de baptismo mas sim pela sua vocação. Se o nome “Padre” numa determinada escola pode ferir susceptibilidades, também em outras situações públicas poderá ferir susceptibilidades os nomes “Eng.” ou “Dr.” entre outros cargos que, pelo reconhecimento do seu trabalho e dedicação à sociedade, esta resolveu homenageá-lo;

- Possibilidade de contrair matrimónio civil duas pessoas do mesmo sexo. Cada um é livre de fazer o que quer (mesmo que isso vá contra a moral, os bons costumes e a liberdade dos que estão à volta) e levar a vida que considera ser a mais correcta (mesmo que isso vá contra a Lei de Deus), no entanto, a constituição de o que é designado por Família com duas pessoas do mesmo sexo, não me parece correcto, aliás, sou contra redundantemente. Para mim, e de certeza uma grande maioria das pessoas (felizmente) uma família, em primeira instância é a união de duas pessoas de sexos opostos. E não querendo entrar na procriação da espécie, duas pessoas do mesmo sexo, não conseguem (naturalmente falando) procriar por si só e, em última instância têm que recorrer a uma terceira pessoa para a continuação da espécie humana. Será isto correcto? Não creio, aliás, penso que estas “uniões de facto” ou outro termo que queiram utilizar, não passam de modas ou de ser um “vamos experimentar outra coisa”, como quem hoje come carne e amanhã experimenta-se peixe;

- Numa altura em que se fala, discute e até se criam comissões de trabalho para debaterem a deficitária taxa de natalidade em detrimento da taxa de mortalidade, em simultâneo cria-se uma lei em que se permite o aborto “legal” até determinadas semanas! Num tempo em que existem mil e uma maneiras de evitar gravidezes “indesejadas”, antes do acto e até depois do mesmo, era necessário uma lei que aniquile vidas já criadas no útero da mãe? E depois, os “pro-aborto” dizem que as mulheres (por estas ou aquelas razões) têm todo o direito de o fazer mas, esquecem-se das complicações, não só físicas como principalmente psicológicas;

- Estipulassem regras que dão todos os direitos às crianças na sociedade mas não se diz que também têm deveres a cumprir perante a mesma sociedade, regras essas que tiram quase na integra a “autoridade” aqueles que têm obrigações familiares e/ou sociais, sob pena dessas crianças contraírem doenças, principalmente as do foro psicológico, caso essas regras não sejam cumpridas. Em bom rigor, já chegámos a um ponto em que uma criança pode agredir (fisicamente e/ou verbalmente) um adulto e sair impune e este último, caso dê um pequeno “carolo” ou uma palavra mais áspera (mais pequeno ou mais “soft” dos que ocorrem entre essas crianças) estar sujeito a um processo em Tribunal.

Apesar de todas estas situações, nós Cristãos também temos algumas responsabilidades, isto é, algumas das coisas descritas “deixamos passar” e muitas outras, mesmo com abaixo assinados e possibilidade de referendos, quem nos governa, na sua maioria apenas e tão só governa-se!

Por vezes penso que se calhar somos os Cristãos dos últimos dias descritos no Livro do Apocalipse, e como tal, em comparação com os primeiros, desceremos às “catacumbas”, onde quer que elas existam, para continuarmos a praticar a Fé Cristã e, em segredo ensinarmos aos outros as Leis de Deus, eternas e imutáveis, ao contrário das leis dos homens, finitas e mutáveis.

Mais situações existem com certeza, mas também não pretendo alongar-me mais do que já me alonguei.

Termino como uma eventual reflexão a ser feita por cada um de nós, com o título deste artigo:

- Onde puseram Deus nesta Sociedade?

16 junho 2010

A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR, MAS O HOMEM É DE DEUS

"“A César o que é de César, a Deus o que é de Deus”.



As doutrinas que no último século postularam o homem sem Deus porque tudo se reduzia a matéria, com o virar do século XX pareciam caducas e sem grande acolhimento. O muro de Berlim caiu e a pátria do materialismo desmoronou-se. Os partidos de inspiração socialista passaram a admitir a propriedade privada, o mercado e o pluralismo democrático. Por isso se tem perguntado – que bandeiras têm hoje? E apenas temos vistos as questões de civilização ou fracturantes – o aborto, a eutanásia, o divórcio, o casamento gay, “educação” sexual, liberalização das drogas, experimentação em embriões humanos, eugenismos vários, etc., etc..
Mas esta agenda não é só desse sector político, já invadiu a política do centro direita, os meios intelectuais mais diversos, as nossas famílias e até alguns sectores religiosos. O relativismo é o factor de propagação.
Cada vez que uma lei é aprovada perguntamo-nos – mas porquê esta agenda? Porque se destrói o casamento com a lei do divórcio, e logo após se quer o “casamento gay”? Parece contraditório, mas não é.
Há duas formas de acabar com um Instituto (Família) – a primeira é revogá-lo (mas decretar o fim da família era chocante), e os regimes socialistas do século XX tentaram mas caíram primeiro que a Família; a segunda forma de acabar com um Instituto (Família) é equipará-lo a tantas realidades meramente semelhantes que se retira a sua especificidade, e por isso caduca. É o que está a acontecer com o casamento e com a família. A Família e o casamento estão a ser minados pelas leis, pela organização social e pelas formas de vida propostas pelo Poder.
A Família é o primeiro lugar de Amor do homem. E Deus é Amor. Por isso, Deus manifesta-se em primeiro lugar na Família, porque ela é o lugar do amor. Acabar com a Família é tirar Deus ao Homem. A família é também o primeiro lugar de solidariedade. O homem sem família é vulnerável ao Poder.
Tudo isto poderia ser uma doutrina de livros e compêndios, mas não o é. Vive-se. Vive-se na solidão de cada idoso, na dor da mulher que abortou, no desespero da família de um toxicodependente, na amargura de quem vê um filho com práticas homossexuais, nos casais dilacerados pelo divórcio fácil com guerras intermináveis. Vive-se em silêncio porque o mundo não entende estas dores.
O homem apoiado numa família, em corpos sociais intermédios e numa relação com Deus é um homem livre. Ora, o Poder não gosta de homens livres.
A última forma, a forma perfeita do Poder não consente oposição (verdadeira). Acabar com a Família é acabar com a possibilidade de liberdade do homem.
Esta tem sido a história da humanidade – o Poder e a liberdade. Mas hoje este binómio não é claro. Ele joga-se em cada passo, em cada lei que fragiliza mais e mais o homem. Cultiva-se o egoísmo e a solidão sob a capa do direito a dispor do meu corpo (aborto), do direito a ser feliz (divórcio), do direito à morte digna (eutanásia) do direito ao prazer (drogas, sexo e álcool), etc.. O Homem está só e despojado da sua humanidade.
Como é difícil prescindir de “direitos” individuais, o homem vai comprando cada vez mais “direitos” destes. Ao mesmo tempo, torna-se mais só e egocêntrico. Cada vez mais vulnerável ao Poder. Cada vez mais o homem “é de César”.
Cada vez que aprovamos uma destas leis, o que estamos a fazer é a “entregar o Homem a César”.
Mas o Homem é de Deus.
PS – O mote para este escrito foi dado numa homilia do Padre Nuno Amador. A Sabedoria da Igreja é muito grande. Que alegria encontrá-la nas palavras e no ímpeto de uma homilia de terça-feira, dia de S. Justino mártir. Obrigada Padre Nuno Amador.
Isilda Pegado

Presidente Fed. Port. pela Vida"
Artigo publicado aqui

02 junho 2010

Nela tudo é milagroso


Em 1754, escrevia o Papa Bento XIV: “Nela tudo é milagroso: uma imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros; uma Imagem estampada num tecido tão transparente que se pode ver através dele facilmente o povo e a nave da Igreja: uma imagem em nada deteriorada, nem no seu supremo encanto, nem na nitidez das cores, pelas emanações da humidade do lago vizinho que já corroeram a prata, o ouro e o bronze... Deus não procedeu assim com nenhuma outra nação.”

24 maio 2010

1º Bodo do Senhor Espirito Santo


Aqui nos Açores, vivemos uma tradição profano/religiosa que dá pelo nome de Culto do Espirito Santo. Na Ilha Terceira, damos-lhe o nome do Culto ao Senhor Espirito Santo.
A foto acima tirei-a durante uma coroação e fez-me pensar um pouco sobre a devoção/culto e os tempos cinzentos que o Mundo no geral e o nosso Pais em especial, atravessam.

"O céu pode estar, na sua maioria cinzento mas, o Espirito Santo passa, como que um sinal de que, dias melhores virão, dias em que o céu cinzento passará a um azul celestial."

20 maio 2010

Perdão



"Meu Deus eu creio, adoro, espero e vos amo,
Peço-vos perdão pelos que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam."

São tantas as vezes que recito isto e, lá no fundo nem sempre sinto essas palavras no âmago da minha alma.
Tantas são as vezes que deveria, em primeiro lugar, pedir perdão por mim mesmo.
Inúmeras vezes, eu próprio, não creio, não adoro, não espero e não O amo.

12 maio 2010

Palavras duras mas como Cristo tinha que as dizer


Duas afirmações duras mas reais, duas afirmações dignas de quem representa Cristo na terra, doa a quem doer:

"A maior perseguição à Igreja não surge dos inimigos que estão fora, mas nasce do pecado dentro da Igreja".

“o perdão não substitui a justiça”.

28 abril 2010

Karol Woytila descobre o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem


"A leitura deste livro fez com que eu mudasse a minha vida de forma radical e definitiva. Apesar disto, meu caminho interior foi longo, coincidindo com a preparação clandestina ao sacerdócio que eu vivenciava. Na ocasião, este tratado singular caiu em minhas mãos. Não se trata de um simples livro que se lê, apenas, e basta. Eu o levava sempre comigo, mesmo quando ia à fábrica de soda, se bem que a bela capa já estivesse manchada de cal. Eu lia e relia, sem cessar, e, sucessivamente, certas passagens.
Logo percebi que, além da sua forma barroca, o livro apresentava algo de fundamental. A partir de então, a devoção que, outrora eu dedicava à Mãe de Jesus, tanto na infância quanto na adolescência, deixou lugar a uma nova atitude de minha parte, transformando-se numa devoção vinda da mais profunda fé, como sendo o próprio cerne da realidade Trinitária e Cristológica. Antes, eu me mantinha retraído, temendo que a devoção mariana pudesse se avultar, em detrimento do amor a Cristo Jesus, em vez de ceder-lhe o merecido lugar; compreendi, então, à luz do tratado de Grignon de Montfort, que a realidade era bem outra. Nossa relação interior com a Mãe de Deus resulta, de forma orgânica, de nosso elo com o mistério de Cristo. Não existe a menor hipótese de que o amor que dedicamos à Virgem supere nosso amor a Deus. (...) Podemos até afirmar que, àquele que procura conhecer e amar a Deus, o próprio Cristo designa sua Santa Mãe, como caminho e intercessora, como fez no Calvário, oferecendo-a a seu discípulo, João. "

André Frossard e João Paulo II, Não Tenhais Medo! 1982, pp.184-185


Cópia de "Um minuto com Maria" de hoje. Por acaso este livro em tempos foi-me oferecido pela Amiga Malu, o qual, para além da minha devoção, está na mesa de cabeceira.

21 abril 2010

Um pensamento para reflexão

"De que adianta orar se, no próprio momento da oração, confiamos tão pouco em Deus que nos dedicamos a planear o nosso próprio tipo de resposta à nossa oração?"

Na liberdade da solidão, Thomas Merton

12 abril 2010

Mosteiros de Clausura são “oásis”


"Aparentemente inúteis, os Mosteiros de Clausura são “oásis” que fazem bem a toda a humanidade. Esta foi a mensagem que Bento XVI deixou no passado Domingo para a jornada “pro orantibus” que a Igreja celebra hoje, para agradecer ao Senhor pelo dom de tantas pessoas que, nos mosteiros e nas ermidas, se dedicam totalmente a Deus na oração, no silencio e no escondimento. “Os mosteiros de vida contemplativa oferecem-se-nos como oásis nos quais o homem, peregrino sobre a terra, pode melhor atingir as nascentes do Espírito e repousar ao longo do caminho. Estes lugares, portanto, aparentemente inúteis, são ao contrário indispensáveis, como os pulmões verdes de uma cidade: fazem bem a todos, mesmo àqueles que não os frequentam ou mesmo ignoram a sua existência”, apontou. Esta Jornada acontece na memória litúrgica da apresentação de Nossa Senhora no templo. Bento XVI recordou que também nos nossos dias – e frequentemente para surpresa de familiares e amigos – “não poucas pessoas abandonam carreiras profissionais muitas vezes prometedoras para abraçar a regra austera de um mosteiro de clausura”. “O que é que as impulsiona – perguntou ainda o Papa – a dar um passo de tão grande compromisso senão o facto de ter compreendido, como ensina o Evangelho, que o Reino dos céus é um tesouro pelo qual vale verdadeiramente a pena abandonar tudo?”. “Estes nossos irmãos e irmãs testemunham silenciosamente que no meio das vicissitudes quotidianas, ás vezes bastante convulsas, o único apoio que não vacila é Deus, rocha inquebrantável de fidelidade e de amor”, disse."

Artigo publicado no oásis da contemplação

05 abril 2010

Um Testemunho da Ressurreição



"Na Solenidade da Encarnação do Verbo de Deus. Um Noviço Português professou os seus primeiros votos, de Estabilidade, Obediência e Conversão de Costumes - Frei Paulo José Fonseca. 43 anos, Licenciado em Económicas, trabalhava em Albufeira. Fez a profissão na Missa conventual, presidida pelo Rev Prior da Cartuxa Frei Pedro Castro com a Comunidade e assistência de seus familiares e alguns amigos da Ordem. Emitiu os votos monásticos de Obediência, Estabilidade e Conversão de Costumes, enquanto os religiosos mais modernos fazem votos de Obediência, Castidade e Pobreza.

 
Scala Coeli cumpre este ano o cinquentenário do seu restauro. A celebração deverá ter lugar com uma Missa solene no dia 14 de Setembro. Presidida pelo Sr Arcebispo D. José Alves e acompanhada, seguramente, pelo clero eborense e amigos da Cartuxa.

 
O Noviciado na Cartuxa.

Quem, ardendo em amor divino, deseja abandonar o mundo e captar as coisas eternas, quando chegam a nós recebamo-los com o mesmo espírito. É, pois, muito conveniente que os noviços encontrem nas Casas onde têm de ser formados, um verdadeiro exemplo de observância regular e de piedade, de guarda da cela e do silêncio, e também de caridade fraterna. Se chegasse a faltar isto, mal se poderá esperar que perseverem em nosso modo de vida. Aos que se apresentem como candidatos, se os tem de examinar atenciosa e prudentemente, segundo o aviso do apóstolo São Joãon : Examinai se os espíritos vêm de Deus. Porque é realmente verdadeiro que da boa ou má admissão e formação dos noviços depende principalmente a prosperidade ou decadência da Ordem, tanto na qualidade como no número das pessoas. Expõe-se ao candidato o fim de nossa vida, a glória que esperamos dar a Deus por nossa união com sua obra redentora, e que bom e gozoso é deixá-lo tudo para aderir-se a Cristo. Também se lhe propõe o duro e áspero, fazendo-lhe ver, quanto seja possível, todo o modo de vida que deseja abraçar. Se ante isto segue decidido, oferecendo-se com sumo gosto a seguir um caminho duro, fiado nas palavras do Senhor, e desejando morrer com Cristo para viver com Ele, por fim se lhe aconselha que, conforme ao Evangelho, se reconcilie com os que tiverem alguma coisa contra ele. O noviciado se prolonga durante dois anos ; tempo que o Prior pode prorrogar, mas não mais de seis meses. Não se deixe aplanar o noviço pelas tentações que costumam espreitar aos seguidores de Cristo no deserto ; nem confie em suas próprias forças, senão mais bem espere no Senhor, que deu a vocação e levará a termo a obra começada.


A Profissão.

Morto ao pecado e consagrado a Deus pelo baptismo, o monge pela Profissão se consagra mais plenamente ao Pai e se desembaraça do mundo, para poder tender mais retamente para a perfeita caridade. Unido ao Senhor mediante um compromisso firme e estável, participa do mistério da Igreja unida a Cristo com vínculo indissolúvel, e dá depoimento ante o mundo da nova vida adquirida pela Redenção de Cristo. Findo laudavelmente o noviciado, o noviço converso se apresenta à Comunidade. Prostrado em Capítulo pede misericórdia e suplica por amor de Deus ser admitido à primeira Profissão em hábito dos professos, como o mais humilde servidor de todos. Depois de ter feito pelo menos oito dias de retiro espiritual, o dia estabelecido, o irmão renovará sua petição ante o Convento. Então o Prior o admoestará sobre a estabilidade, a obediência, a conversão de costumes e restantes coisas necessárias ao estado de conversos. Depois, emitirá na igreja a Profissão por três anos. Tem-se de tentar absolutamente que o irmão, ao emitir seus votos, proceda com maturidade de juízo, e não se comprometa senão com plena liberdade. O dia assinalado, o que vai professar emite a Profissão na Missa conventual, depois do Evangelho ou o Credo. Então, realmente, a entrega de si mesmo que pretende fazer com Cristo, através do Prior é aceitada e consagrada por Deus. O que vai professar escreva por si mesmo em língua vernácula a Profissão nesta forma e com estas palavras: Eu, frei N., prometo… obediência, conversão de meus costumes e perseverança neste ermo, diante de Deus e dos seus Santos e das relíquias deste ermo, construído em honra de Deus e da bem-aventurada sempre Virgem Maria e de São Juan Batista, na presença de Dom N., Prior. Se se trata da Profissão temporária, adicionem-se depois de "prometo", as palavras que limitem o tempo ; se da Profissão solene, diga-se "perpétua". É de saber que todos nossos ermos estão dedicados, em primeiro lugar, à bem-aventurada sempre Virgem Maria e a São Juan Batista, nossos principais patronos no céu. Desde o momento de sua Profissão, saiba o irmão que não pode ter coisa alguma sem licença do Prior, nem ainda a bengala em que se apoia quando caminha, já que já não é dono nem de si mesmo. Dado que todos os que determinaram viver regularmente têm de praticar com grande zelo a obediência, nós o faremos com tanta maior entrega e fervor, quanto mais estrita e austera é a vocação que abraçamos ; pois se, o que Deus não permita, esta obediência faltar, tantos trabalhos careceriam de mérito De aqui que Samuel diga: Melhor é obedecer do que sacrificar, e melhor a docilidade do que a gordura dos carneiros. "

Artigo publicado no blog  Sinais do Céu... onde se respira a Santidade na Terra.

19 março 2010

Oração pelo Pai (porque hoje é o Teu dia)

Senhor,
sou muito feliz
pelo pai que me deste.
Que nada de mal
lhe aconteça
nos caminhos da vida.
Quero-lhe tanto!...
Eu gostaria muito
de nunca o ver triste.
Dá-lhe muitas coisas…
mas sobretudo,
não lhe faltes com o trabalho
e o pão de cada dia.
Nós somos felizes com ele.
O meu pai
está sempre a recordar-nos
que tudo o que temos vem de Ti,
e que, na vida, o mais importante
é poder contar com a Tua protecção.
Ajuda-nos a corresponder sempre
ao Teu amor por nós.
Ámen.

(desconheço o seu autor)

12 março 2010

Romaria

No passado Domingo terminei “mais uma” romaria. Poderia aqui deixar o meu testemunho do que senti e vivi, no entanto, apesar de não ser algo confidencial, só quem Vive uma romaria é que sente e vive aquilo que poderia escrever aqui. Todas elas são diferentes, todas elas têm as suas particularidades, no entanto, em todas ela Deus está presente. Em todas elas saímos de alma lavada…

19 fevereiro 2010

Diante de Deus - A Oração



"A oração é um dever de todos os momentos: “É necessário rezar sempre”, disse Jesus. E o que ele disse, fez, porque nele – e esta é a sua força – os atos acompanham sempre as palavras e com elas coincidem.
É necessário rezar incessantemente para nos guardarmos a nós mesmos. A vida existe em nós como uma frágil flor: seja a vida do corpo seja a da alma, a vida natural ou a vida sobrenatural. Vivemos rodeados de inimigos: tudo para nós se tornou obstáculo e perigo desde que rejeitamos a Luz que ilumina o caminho: este mundo se tornou Sombra da morte. Ao invés de nos mostrar o Criador e de nos conduzir a Ele, as coisas nos mostram a si mesmas e nos arrastam a elas. O demônio, ao qual loucamente entregamos as coisas, abandonando-nos nós mesmos e ele, fala-nos mediante todas as suas vozes. A sua sombra obscurece a transparência das coisas e, através das fascinantes formas delas, nós já não enxergamos mais a Beleza que elas refletem, mas somente o prazer e a satisfação que podem nos oferecer. O inimigo está em nós mais ainda que à nossa porta; está à nossa porta porque está em nós! Somos nós mesmos que o deixamos entrar. Voltando-se para ele, desligamos de Deus o mundo inteiro. Eis por que o mundo está contra nós, ameaça-nos, tornou-se-nos hostil... e não sem razão. Com o mundo e através do mundo despertamos em nós e em tudo uma guerra.
Isto que se produziu nesse momento é espantoso, mas conseqüência normal. Oh, quão profunda definição da paz encontramos em Santo Agostinho! Sobretudo nesta hora em que o mundo inteiro é desconjuntado até suas mais íntimas fibras sejam nos homens sejam nas coisas; e nas coisas por causa dos homens! As coisas não servem a não ser para matar e destruir (alusão à Segunda Guerra, então em curso)... Como seria necessário meditar nestas palavras em cuja sonoridade imprimiu-se a calma que elas exprimem: “A paz é a tranqüilidade da ordem”! A ordem é a permanência dos seres no lugar que lhes compete: acima de todos, o Princípio que os criou, e todos voltados para Ele para receber, a todo instante, o ser que lhes comunica, agradecendo-lhe e bendizendo-lhe. Eis o que Ele fez: eis a ordem e a paz; eis o que existia na sua realidade profunda, eis o paraíso terrestre. Eis o que será um dia, para aqueles que compreenderem e retomarem essa atitude, o paraíso terrestre!
Certa vez, vi um animal sem rumo, perseguido e espantado, que entrou pela porta deixada aberta de um jardim florido. Que desastre depois da sua passagem! Esta é a imagem, mesmo se tomada de um nível muito inferior, da alma que se abre ao animal do mundo, depois que os nossos progenitores se distanciaram de Deus para escutar o demônio. Desde então, nós somos como um país invadido: é necessário libertar-nos, expulsar o inimigo, livrar-nos dele e retornar a Deus. É preciso fazê-lo sem exército, sem força organizada, com as nossas faculdades desmanteladas, com uma vida ferida e com inimigos e indiferentes por todos os lados. Sem Deus, a nossa impotência é a mais completa que se possa imaginar... Por isso a necessidade da oração e a recomendação tão urgente do Salvador: “É preciso rezar e rezar sempre!” Daqui decorre sua afirmação peremptória: “Sem mim, nada podeis fazer!” Daqui o seu convite que consola e conforta: “Vinde a mim!”
A oração é a resposta da alma que vem, conta sua própria miséria, pede socorro, luz para o espírito, força para a vontade, submissão das paixões à alma e desta a Deus, ordem e paz. Deus diz: “Eu sou e continuo Pai! Eu te amo, eu te escuto! Vem!” A alma responde: “Meu Deus, não posso mais! Vem tu mesmo!”

Parte de uma obra obra sobre a oração, intitulada Diante de Deus – A Oração. O Autor é um especialista no assunto: trata-se de Dom Agostinho Guillerrand, santo monge cartuxo, que viveu entre 1877 e 1945.