12 abril 2010

Mosteiros de Clausura são “oásis”


"Aparentemente inúteis, os Mosteiros de Clausura são “oásis” que fazem bem a toda a humanidade. Esta foi a mensagem que Bento XVI deixou no passado Domingo para a jornada “pro orantibus” que a Igreja celebra hoje, para agradecer ao Senhor pelo dom de tantas pessoas que, nos mosteiros e nas ermidas, se dedicam totalmente a Deus na oração, no silencio e no escondimento. “Os mosteiros de vida contemplativa oferecem-se-nos como oásis nos quais o homem, peregrino sobre a terra, pode melhor atingir as nascentes do Espírito e repousar ao longo do caminho. Estes lugares, portanto, aparentemente inúteis, são ao contrário indispensáveis, como os pulmões verdes de uma cidade: fazem bem a todos, mesmo àqueles que não os frequentam ou mesmo ignoram a sua existência”, apontou. Esta Jornada acontece na memória litúrgica da apresentação de Nossa Senhora no templo. Bento XVI recordou que também nos nossos dias – e frequentemente para surpresa de familiares e amigos – “não poucas pessoas abandonam carreiras profissionais muitas vezes prometedoras para abraçar a regra austera de um mosteiro de clausura”. “O que é que as impulsiona – perguntou ainda o Papa – a dar um passo de tão grande compromisso senão o facto de ter compreendido, como ensina o Evangelho, que o Reino dos céus é um tesouro pelo qual vale verdadeiramente a pena abandonar tudo?”. “Estes nossos irmãos e irmãs testemunham silenciosamente que no meio das vicissitudes quotidianas, ás vezes bastante convulsas, o único apoio que não vacila é Deus, rocha inquebrantável de fidelidade e de amor”, disse."

Artigo publicado no oásis da contemplação

05 abril 2010

Um Testemunho da Ressurreição



"Na Solenidade da Encarnação do Verbo de Deus. Um Noviço Português professou os seus primeiros votos, de Estabilidade, Obediência e Conversão de Costumes - Frei Paulo José Fonseca. 43 anos, Licenciado em Económicas, trabalhava em Albufeira. Fez a profissão na Missa conventual, presidida pelo Rev Prior da Cartuxa Frei Pedro Castro com a Comunidade e assistência de seus familiares e alguns amigos da Ordem. Emitiu os votos monásticos de Obediência, Estabilidade e Conversão de Costumes, enquanto os religiosos mais modernos fazem votos de Obediência, Castidade e Pobreza.

 
Scala Coeli cumpre este ano o cinquentenário do seu restauro. A celebração deverá ter lugar com uma Missa solene no dia 14 de Setembro. Presidida pelo Sr Arcebispo D. José Alves e acompanhada, seguramente, pelo clero eborense e amigos da Cartuxa.

 
O Noviciado na Cartuxa.

Quem, ardendo em amor divino, deseja abandonar o mundo e captar as coisas eternas, quando chegam a nós recebamo-los com o mesmo espírito. É, pois, muito conveniente que os noviços encontrem nas Casas onde têm de ser formados, um verdadeiro exemplo de observância regular e de piedade, de guarda da cela e do silêncio, e também de caridade fraterna. Se chegasse a faltar isto, mal se poderá esperar que perseverem em nosso modo de vida. Aos que se apresentem como candidatos, se os tem de examinar atenciosa e prudentemente, segundo o aviso do apóstolo São Joãon : Examinai se os espíritos vêm de Deus. Porque é realmente verdadeiro que da boa ou má admissão e formação dos noviços depende principalmente a prosperidade ou decadência da Ordem, tanto na qualidade como no número das pessoas. Expõe-se ao candidato o fim de nossa vida, a glória que esperamos dar a Deus por nossa união com sua obra redentora, e que bom e gozoso é deixá-lo tudo para aderir-se a Cristo. Também se lhe propõe o duro e áspero, fazendo-lhe ver, quanto seja possível, todo o modo de vida que deseja abraçar. Se ante isto segue decidido, oferecendo-se com sumo gosto a seguir um caminho duro, fiado nas palavras do Senhor, e desejando morrer com Cristo para viver com Ele, por fim se lhe aconselha que, conforme ao Evangelho, se reconcilie com os que tiverem alguma coisa contra ele. O noviciado se prolonga durante dois anos ; tempo que o Prior pode prorrogar, mas não mais de seis meses. Não se deixe aplanar o noviço pelas tentações que costumam espreitar aos seguidores de Cristo no deserto ; nem confie em suas próprias forças, senão mais bem espere no Senhor, que deu a vocação e levará a termo a obra começada.


A Profissão.

Morto ao pecado e consagrado a Deus pelo baptismo, o monge pela Profissão se consagra mais plenamente ao Pai e se desembaraça do mundo, para poder tender mais retamente para a perfeita caridade. Unido ao Senhor mediante um compromisso firme e estável, participa do mistério da Igreja unida a Cristo com vínculo indissolúvel, e dá depoimento ante o mundo da nova vida adquirida pela Redenção de Cristo. Findo laudavelmente o noviciado, o noviço converso se apresenta à Comunidade. Prostrado em Capítulo pede misericórdia e suplica por amor de Deus ser admitido à primeira Profissão em hábito dos professos, como o mais humilde servidor de todos. Depois de ter feito pelo menos oito dias de retiro espiritual, o dia estabelecido, o irmão renovará sua petição ante o Convento. Então o Prior o admoestará sobre a estabilidade, a obediência, a conversão de costumes e restantes coisas necessárias ao estado de conversos. Depois, emitirá na igreja a Profissão por três anos. Tem-se de tentar absolutamente que o irmão, ao emitir seus votos, proceda com maturidade de juízo, e não se comprometa senão com plena liberdade. O dia assinalado, o que vai professar emite a Profissão na Missa conventual, depois do Evangelho ou o Credo. Então, realmente, a entrega de si mesmo que pretende fazer com Cristo, através do Prior é aceitada e consagrada por Deus. O que vai professar escreva por si mesmo em língua vernácula a Profissão nesta forma e com estas palavras: Eu, frei N., prometo… obediência, conversão de meus costumes e perseverança neste ermo, diante de Deus e dos seus Santos e das relíquias deste ermo, construído em honra de Deus e da bem-aventurada sempre Virgem Maria e de São Juan Batista, na presença de Dom N., Prior. Se se trata da Profissão temporária, adicionem-se depois de "prometo", as palavras que limitem o tempo ; se da Profissão solene, diga-se "perpétua". É de saber que todos nossos ermos estão dedicados, em primeiro lugar, à bem-aventurada sempre Virgem Maria e a São Juan Batista, nossos principais patronos no céu. Desde o momento de sua Profissão, saiba o irmão que não pode ter coisa alguma sem licença do Prior, nem ainda a bengala em que se apoia quando caminha, já que já não é dono nem de si mesmo. Dado que todos os que determinaram viver regularmente têm de praticar com grande zelo a obediência, nós o faremos com tanta maior entrega e fervor, quanto mais estrita e austera é a vocação que abraçamos ; pois se, o que Deus não permita, esta obediência faltar, tantos trabalhos careceriam de mérito De aqui que Samuel diga: Melhor é obedecer do que sacrificar, e melhor a docilidade do que a gordura dos carneiros. "

Artigo publicado no blog  Sinais do Céu... onde se respira a Santidade na Terra.

19 março 2010

Oração pelo Pai (porque hoje é o Teu dia)

Senhor,
sou muito feliz
pelo pai que me deste.
Que nada de mal
lhe aconteça
nos caminhos da vida.
Quero-lhe tanto!...
Eu gostaria muito
de nunca o ver triste.
Dá-lhe muitas coisas…
mas sobretudo,
não lhe faltes com o trabalho
e o pão de cada dia.
Nós somos felizes com ele.
O meu pai
está sempre a recordar-nos
que tudo o que temos vem de Ti,
e que, na vida, o mais importante
é poder contar com a Tua protecção.
Ajuda-nos a corresponder sempre
ao Teu amor por nós.
Ámen.

(desconheço o seu autor)

12 março 2010

Romaria

No passado Domingo terminei “mais uma” romaria. Poderia aqui deixar o meu testemunho do que senti e vivi, no entanto, apesar de não ser algo confidencial, só quem Vive uma romaria é que sente e vive aquilo que poderia escrever aqui. Todas elas são diferentes, todas elas têm as suas particularidades, no entanto, em todas ela Deus está presente. Em todas elas saímos de alma lavada…

19 fevereiro 2010

Diante de Deus - A Oração



"A oração é um dever de todos os momentos: “É necessário rezar sempre”, disse Jesus. E o que ele disse, fez, porque nele – e esta é a sua força – os atos acompanham sempre as palavras e com elas coincidem.
É necessário rezar incessantemente para nos guardarmos a nós mesmos. A vida existe em nós como uma frágil flor: seja a vida do corpo seja a da alma, a vida natural ou a vida sobrenatural. Vivemos rodeados de inimigos: tudo para nós se tornou obstáculo e perigo desde que rejeitamos a Luz que ilumina o caminho: este mundo se tornou Sombra da morte. Ao invés de nos mostrar o Criador e de nos conduzir a Ele, as coisas nos mostram a si mesmas e nos arrastam a elas. O demônio, ao qual loucamente entregamos as coisas, abandonando-nos nós mesmos e ele, fala-nos mediante todas as suas vozes. A sua sombra obscurece a transparência das coisas e, através das fascinantes formas delas, nós já não enxergamos mais a Beleza que elas refletem, mas somente o prazer e a satisfação que podem nos oferecer. O inimigo está em nós mais ainda que à nossa porta; está à nossa porta porque está em nós! Somos nós mesmos que o deixamos entrar. Voltando-se para ele, desligamos de Deus o mundo inteiro. Eis por que o mundo está contra nós, ameaça-nos, tornou-se-nos hostil... e não sem razão. Com o mundo e através do mundo despertamos em nós e em tudo uma guerra.
Isto que se produziu nesse momento é espantoso, mas conseqüência normal. Oh, quão profunda definição da paz encontramos em Santo Agostinho! Sobretudo nesta hora em que o mundo inteiro é desconjuntado até suas mais íntimas fibras sejam nos homens sejam nas coisas; e nas coisas por causa dos homens! As coisas não servem a não ser para matar e destruir (alusão à Segunda Guerra, então em curso)... Como seria necessário meditar nestas palavras em cuja sonoridade imprimiu-se a calma que elas exprimem: “A paz é a tranqüilidade da ordem”! A ordem é a permanência dos seres no lugar que lhes compete: acima de todos, o Princípio que os criou, e todos voltados para Ele para receber, a todo instante, o ser que lhes comunica, agradecendo-lhe e bendizendo-lhe. Eis o que Ele fez: eis a ordem e a paz; eis o que existia na sua realidade profunda, eis o paraíso terrestre. Eis o que será um dia, para aqueles que compreenderem e retomarem essa atitude, o paraíso terrestre!
Certa vez, vi um animal sem rumo, perseguido e espantado, que entrou pela porta deixada aberta de um jardim florido. Que desastre depois da sua passagem! Esta é a imagem, mesmo se tomada de um nível muito inferior, da alma que se abre ao animal do mundo, depois que os nossos progenitores se distanciaram de Deus para escutar o demônio. Desde então, nós somos como um país invadido: é necessário libertar-nos, expulsar o inimigo, livrar-nos dele e retornar a Deus. É preciso fazê-lo sem exército, sem força organizada, com as nossas faculdades desmanteladas, com uma vida ferida e com inimigos e indiferentes por todos os lados. Sem Deus, a nossa impotência é a mais completa que se possa imaginar... Por isso a necessidade da oração e a recomendação tão urgente do Salvador: “É preciso rezar e rezar sempre!” Daqui decorre sua afirmação peremptória: “Sem mim, nada podeis fazer!” Daqui o seu convite que consola e conforta: “Vinde a mim!”
A oração é a resposta da alma que vem, conta sua própria miséria, pede socorro, luz para o espírito, força para a vontade, submissão das paixões à alma e desta a Deus, ordem e paz. Deus diz: “Eu sou e continuo Pai! Eu te amo, eu te escuto! Vem!” A alma responde: “Meu Deus, não posso mais! Vem tu mesmo!”

Parte de uma obra obra sobre a oração, intitulada Diante de Deus – A Oração. O Autor é um especialista no assunto: trata-se de Dom Agostinho Guillerrand, santo monge cartuxo, que viveu entre 1877 e 1945.

04 fevereiro 2010

Clausura é uma opção espiritual


"IRMÃ MARIA JOSÉ

Clausura é uma opção espiritual

Maria José Reis deixou tudo o que a maioria das pessoas espera na vida para se dedicar a uma paixão, a de ser religiosa contemplativa na Ordem de Santa Clara de Assis (Clarissas).

A Ordem de Santa Clara é contemplativa e vive a clausura. As religiosas vivem um dia de oração intensa, no qual são recordadas as necessidades da Igreja e do mundo. Em entrevista à Agência ECCLESIA, a Irmã Maria José fala deste quotidiano e do encanto que a faz permanecer fiel à sua vocação.

Agência ECCLESIA (AE) - Como começou a vocação da Irmã Maria José?

Irmã Maria José (MJ) - Começou há muitos anos…Tinha 19 anos quando despertei para um género de vida que se pode dizer que é fora de comum… embora ela seja comum a todos, mas a consagração é sempre algo que ultrapassa aquilo que dizemos que humanamente é normal, nós optamos pelo sobrenatural. Nasci na ilha da Madeira, foi lá que entrei no Mosteiro da Nossa Senhora da Piedade, onde vivi 17 anos. E depois vim para Lisboa, para o Mosteiro da Estrela.

AE - Como é que uma jovem de 19 anos pensa em entrar num Mosteiro?

MJ - De facto foi um despertar para a dimensão crista e para a vida espiritual, até aí embora crente e praticante até aos 14 anos, deixei de praticar dos 14 aos 18 anos. Criou-se o Movimento dos jovens cristãos da Madeira e fui apanhada, como um peixe na rede. Fui convidada a participar no movimento, acabei por integrar e trabalhar e com grande alegria trabalhei ao lado de D. Francisco Santana, bispo da época, que me deixou muitos exemplos e aí fui despertando para o sagrado, colocando a pessoa de Jesus Cristo como algo muito mais sério e profundo. Cristo não é apenas uma figura histórica é muito para além disso, é o Filho de Deus e é nesta dimensão de fé que tentei abrir caminho, aprofundar e despertar para esta vocação aos pés de Jesus.

AE - Porque uma congregação de irmãs contemplativas?

MJ - Não foi nada pensado… Para já digo com sinceridade que não conhecia nada sobre vida religiosa, nem sobre vidas activas e contemplativas. Primeiro decidi consagrar-me a Deus e isso fez com que eu tivesse de deixar o que pensava ser o meu caminho, o matrimónio. E por acaso já estava comprometida. Para mim não foi muito difícil, mas para ele sim...

Depois de dar o meu sim à consagração comecei por ver onde poderia servir melhor Deus, a Igreja e o Mundo. Foi outro caminho muito difícil…

A vida activa era a que estava presente e os primeiros passos foram conhecer congregações, estive em varias famílias religiosas, onde procurei ver, saber e fazer alguns retiros, até. Mas dizer um sim era muito difícil, gostava de trabalhar em varias áreas e era muito complicado. Depois do 25 de Abril f a época da desorientação e eu fui das primeiras gerações desorientadas, estive um ano à deriva. Mas uma coisa acompanhou-me: a ideia de que para eu ser professora, enfermeira ou educadora não era necessário ir para a vida religiosa.

AE – E cresceu a vontade da consagração na clausura?

MJ - Eu gostaria de me entregar na gratuidade, sem ter de me formar, eu via a vida religiosa de outra forma. Tinha de ser vivida sob o olhar da divina providência. Até que um dia se realizou uma semana bíblica na minha paróquia e as irmãs que organizavam, as irmãs Paulinas, ao prepararem os grupos pediram que houvesse alguém que se responsabilizasse por ir às irmãs Clarissas pedir orações pelos bons frutos dessa semana. E foi o primeiro toque para mim, sem a oração nada se consegue. Foi o primeiro contacto com as irmãs. Depois as irmãs deram-me um livro que numa pequena frase me fez decidir: “Que a única forma de abarcar todas as formas de apostolado e de estar em todos os sítios ao mesmo tempo é a oração”.

O segundo toque para que eu desse o sim definitivo foi uma frase de Jesus Cristo: “Pobres sempre os tereis convosco”, em resposta à revolta de Judas quando Maria Madalena perfuma Jesus e lhe unge os pés, o que muitos se esquecem de fazer ainda hoje. Eu costumo dizer que a nossa vida de contemplação é um “desperdício de perfume”, que derramamos este perfume aos pés de Jesus.

AE - Há sempre a ideia que as irmãs contemplativas apenas rezam… Ou fazem outros trabalhos?

MJ - Eu costumo dizer que “só caminha quem está parado”, é uma contradição. Caminhar na vida não significa andar com os pés, avançar só se consegue quando se pára. A vida contemplativa é um caminhar parado. Há outra dimensão: ao estarmos de joelhos, os nossos joelhos dobrados são a força de muitos pés a andar, isto quer dizer que continuamos a andar nos pés de muita gente, carregamos as dores, as alegrias, as esperanças de todos um povo.

Contemplativos somos todos, é um dom, uma pequena semente que está no coração de todos. Lá por eu estar na vida contemplativa não quer dizer que seja detentora do grande dom da contemplação. O facto de estar em clausura é fazer parte deste corpo místico de Cristo em que todos somos necessários, os que trabalham e os que rezam, e as duas partes complementam-se e é necessário uma graça para ambos. Ninguém trabalha isoladamente, porque o grande segredo da Igreja é a comunhão. Vivemos uns para os outros e neste espírito de oração.

Os contemplativos também caminham, mas de uma forma diferente, mas somos o motor. Precisamos dos irmãos da vida activa porque eles são o conforto da nossa oração e é muito bonito estarmos a rezar e ouvirmos falar dos frutos de lá de fora. Assim como quando há sofrimento, os irmãos saberem que há irmãs que estão em contínua oração por eles, andamos assim com todos os irmãos. Não gosto de separar a vida activa e contemplativa, porque activos somos todos mas também podemos ser todos contemplativos. Ninguém está parado…

AE - Como é a vida quotidiana de uma irmã Clarissa?

MJ - Para já é uma vida normal... Também dormimos, também comemos… Levantamo-nos às 5h50, toca o despertar, às 6h30 vamos para a capela. Começamos pela meditação em silêncio, até às 7h. Depois temos a hora litúrgica de laudes, às 7h30, eucaristia, depois a hora intermédia que é a hora de tércia. A vida de uma contemplativa faz-se com base na liturgia das horas, ou seja, rezar com a Igreja, milhões e milhões de pessoas rezam aqueles salmos em várias línguas mas sempre com a mesma comunhão. Às 8h30 tomamos o pequeno-almoço, porque precisamos de comer, senão morremos mais cedo que o previsto, e depois as irmãs entregam-se ao trabalho normal necessário no Mosteiro. Um deles é o fabrico das hóstias que fazemos aqui, costumo dizer que aqui há a padaria de Jesus Cristo, aqui prepara-se o pão que se vai transformar no corpo do Senhor, e isso é um trabalho que as irmãs fazem com grande devoção.

Encontramo-nos para rezar em comunidade 5 vezes por dia, e ao meio-dia vamos novamente para a capela, onde rezamos a hora de sesta e a seguir a coroa seráfica, uma devoção franciscana, que são as 7 alegrias de Nossa Senhora. Segue-se o almoço e às 15h a hora de Noa. Nestes intervalos há a vida comum que é necessário fazer em casa, o atendimento à porta e a recepção aos peregrinos que visitam o espaço da Jacinta, pastorinha de Fátima. Às 18h voltamos à capela para rezar o terço e a oração de vésperas para se seguir o jantar. Às 20h30 encontramo-nos todas para a hora do recreio, uma reunião onde se fala de tudo, comentários, noticias, pedidos de orações ou simples conversa… festa!

Terminamos o dia na capela com o ofício de leituras e as completas. Além deste quotidiano cada irmã tem a sua hora de oração diante do Santíssimo exposto que temos todos os dias na capela e à Quinta-feira temos a noite toda, estando sempre uma irmã em adoração. A vida contemplativa das irmãs clarissas está mais virada para a adoração ao Santíssimo Sacramento, sendo o fundamental. Somos as sentinelas despertas aos pés de Jesus guardando este reino que está repartido entre tudo o que acontece.

AE - Sendo irmãs de clausura como gerem as saídas?

MJ - A clausura tem uma estrutura, mas é sobretudo espiritual. O estar encerrada não significa por si só estar em clausura, é sobretudo a clausura de coração. Eu costumo dizer que o Amor não tem grades. Aquilo que é necessário fazer lá fora, nós fazemos! Ir ao médico, à farmácia, exercer direitos civis e coisas que são necessárias à vida do mosteiro. Claro que não saem todas as irmãs há sempre uma ou duas destinadas a “fazer a ponte” à sociedade. E hoje eu digo mesmo que a nossa resposta ao voto da pobreza é ir, não é esperar, por exemplo, que o médico venha cá. Os ricos é que trazem tudo a casa!

AE - Como é a comunidade das irmãs clarissas de Lisboa?

MJ - Somos 8 irmãs. Costumo dizer que para o nosso tempo já é muito! Há trinta anos atrás 8 irmãs seria pouco, eram comunidades grandes. Não é uma situação alarmante, não nos devemos preocupar porque tudo isto pertence a Deus e se não há vocações não deve ser visto como algo grave. Se as pessoas querem viver de outra forma o nosso dever é respeitar, porque cada um de nós assume as consequências da sua própria vida. Oito irmãs parece pouco, mas o pouco para Deus é muito!

AE - Como são feitos os pedidos de oração às irmãs?

MJ - Recebemos pedidos de oração e também vêm cá pessoas para conversar simplesmente e até pedir conselhos… Digo muitas vezes que o mosteiro no centro da cidade é como a tenda da reunião de Moisés, que estava fora do acampamento. Nós pertencemos ao povo, mas temos esta tenda erguida e é muitas vezes aqui que o povo sente que Deus está e para onde voltar o olhar e pode correr e saber que aqui podem falar, têm confiança.

Isto é uma missão muito importante que ando a meditar, cada sociedade ou cada cidade necessita de ter algo em que o povo, em momentos de aflição, saiba para onde voltar o seu olhar. E nota-se que os mosteiros são cada vez mais procurados. Se em cada vez que uma pessoa procura um mosteiro nascesse uma vocação, os mosteiros estavam cheios…

O mais importante é que estas pessoas levem para a vida um valor cristão, uma fé viva e alicerçada porque é isso que é preciso para a estabilidade da vida. O que não está visível aos nossos olhos é que vai dando equilíbrio à vida humana."


(Artigo publicado no Jornal "A União" de hoje o qual transcrevo-o aqui na integra.) Uma pérola no meio de um oceano revolto e conturbado

27 janeiro 2010

Perdão


Perdoai-me Senhor
pelas inumeras vezes
talvez até em demasia
que tropeço e caio.

Sei que apesar disso
me dás sempre a Tua mão
para novamente erguer-me
e caminhar em direcção a Ti.

Perdoai-me Senhor!

21 janeiro 2010

MENSAGEM DO SANTO PADRE AOS MEMBROS DA FAMILIA DOS CARTUXOS POR OCASIÃO DO IX CENTENÁRIO DA MORTE DE SÃO BRUNO



MENSAGEM DO SANTO PADRE

AOS MEMBROS DA FAMÍLIA DOS CARTUXOS

POR OCASIÃO DO IX CENTENÁRIO DA

MORTE DE SÃO BRUNO







Ao Rev.do Pe.

MARCELLIN THEEUWES

Prior da Cartuxa Ministro-Geral da Ordem dos Cartuxos

e a todos os membros da Família cartusiana

1. No momento em que os membros da Família dos Cartuxos celebra o IX

centenário da morte do seu Fundador, juntamente com eles dou graças a

Deus, que suscitou na sua Igreja a figura eminente e sempre actual de São

Bruno. Numa oração fervorosa, ao apreciar o vosso testemunho de fidelidade

à Sé de Pedro, uno-me de bom grado à alegria da Ordem cartusiana, que tem

neste "pai bondoso e incomparável" um mestre de vida espiritual. A 6 de

Outubro de 1101, "ardendo de amor divino", Bruno abandonava "as sombras

fugitivas do século" para alcançar definitivamente os "bens eternos" (cf.

Carta a Raul, n. 13). Os irmãos da ermida de Santa Maria da Torre,

na Calábria, aos quais ele dera tanto afecto, não podiam duvidar que

este Dies natalis inaugurava uma aventura espiritual singular que ainda

hoje dá abundantes frutos à Igreja e ao mundo.

Testemunha da efervescência cultural e religiosa que, na sua época,

agitava a Europa nascente, tendo tomado parte activa na reforma que a

Igreja desejava realizar perante as dificuldades internas com as quais se

deparava, depois de ter sido um professor apreciado, Bruno sente-se

chamado para se consagrar ao bem único que é o próprio Deus. "E o que há

de melhor do que Deus? Existe outro bem, além do único Deus? Também a alma

santa, que se apercebe desse bem, do seu incomparável fulgor, do seu

esplendor, da sua bondade, arde com a chama do amor celeste e exclama:

"Tenho sede do Deus forte e vivo, quando irei ver o rosto de Deus"" (Carta

a Raul, 15). O carácter radical desta sede estimulou Bruno, na escuta

paciente do Espírito, a descobrir com os seus primeiros companheiros um

estilo de vida eremita, onde tudo favoreça a resposta à chamada de Cristo

que, em todos os tempos, escolheu homens "para os conduzir à solidão e

uni-los num amor íntimo" (Estatuto da Ordem dos Cartuxos). Mediante estas

escolhas de "vida no deserto", Bruno convida desde o início toda a

comunidade eclesial "a nunca perder de vista a vocação suprema, que é

permanecer sempre com o Senhor" (Vita consecrata, 7).

Bruno evidencia o seu profundo sentido de Igreja, ele que foi capaz de

esquecer o "seu" projecto para responder aos apelos do Papa. Consciente de

que a caminhada pelas longas estradas da santidade não se concebe sem a

obediência à Igreja, ele mostra-nos também que o verdadeiro caminho no

seguimento de Cristo exige o entregar-se nas suas mãos, manifestando no

abandono de si um acréscimo de amor. Esta atitude mantinha-o sempre na

alegria e no louvor constantes. Os seus irmãos observaram que "tinha

sempre o rosto repleto de alegria e a palavra modesta" (Introdução ao

Pergaminho fúnebre dedicada a São Bruno). Estas palavras delicadas do

Pergaminho fúnebre exprimem a fecundidade de uma vida dedicada à

contemplação do rosto de Cristo, fonte de eficácia apostólica e força de

caridade fraterna. Possam os filhos e as filhas de São Bruno, seguindo o

exemplo do seu pai, continuar incansavelmente a contemplar Cristo,

montando desta forma "uma guarda santa e perseverante, na expectativa da

vinda do seu Mestre para lhes abrir logo que ele bater à porta" (Carta a

Raul, n. 4); isto constitui um apelo encorajador a que todos os cristãos

permaneçam vigilantes na oração a fim de acolher o seu Senhor!

2. Depois do Grande Jubileu da Encarnação, a celebração do nono centenário

da morte de São Bruno adquire hoje um ulterior relevo. Na Carta Apostólica

Novo millennio ineunte convido todo o povo de Deus a partir de Cristo, a

fim de permitir que todos os que têm sede de sentido e de verdade ouçam

bater o coração de Deus e o coração da Igreja. A Palavra de Cristo,

"estarei sempre convosco, até ao fim do mundo" (Mt 28, 20), convida todos

os que têm o nome de discípulos a tirarem desta certeza um renovado

impulso na sua vida cristã, força inspiradora do seu caminho (cf. Novo

millennio ineunte, 29). A vocação para a oração e para a contemplação, que

caracteriza a vida da Cartuxa, demonstra de modo particular que só Cristo

pode dar à esperança humana uma plenitude de significado e de

alegria.

Então, como duvidar um só instante que uma semelhante expressão do puro

amor dê à vida da Cartuxa uma extraordinária fecundidade missionária? No

retiro dos mosteiros e na solidão das celas, paciente e silenciosamente,

os Cartuxos tecem as vestes nupciais da Igreja, "bela como uma esposa que

se ataviou para o seu esposo" (Ap 21, 2); eles apresentam quotidianamente

o mundo a Deus e convidam toda a humanidade para a festa nupcial do Anjo.

A celebração do sacrifício eucarístico constitui a fonte e o auge de toda

a vida no deserto, conformando com o próprio ser de Cristo todos os que se

abandonam ao amor, a fim de tornar visíveis a presença e a acção do

Salvador no mundo, para a salvação de todos os homens e para a alegria da

Igreja.

3. No coração do deserto, lugar de prova e de purificação da fé, o Pai

conduz os homens por um caminho de despojamento que se opõe a qualquer

lógica do possuir, do sucesso e da felicidade ilusória. Guigues, o

Cartuxo, não se cansava de encorajar todos os que desejavam viver segundo

o ideal de São Bruno a "seguir o exemplo de Cristo pobre (para)...

participar nas suas riquezas" (Sur la vie solitaire, n. 6). Este

despojar-se requer uma ruptura radical com o mundo, que não é desprezo do

mundo, mas uma orientação tomada para toda a existência numa busca assídua

do supremo Bem: "Vós me seduzistes, Senhor, e eu me deixei seduzir" (Jr

20, 7). Feliz é a Igreja que pode contar com o testemunho dos Cartuxos, de

total disponibilidade ao Espírito e de uma vida inteiramente dedicada a

Cristo!

Por conseguinte, convido os membros da Família dos Cartuxos, através da

santidade e da simplicidade da sua vida, a permanecer como uma cidade em

cima do monte e como uma luz sobre o lucernário (cf. Mt 5, 14-15).

Radicados na Palavra de Deus, saciados pelos Sacramentos da Igreja,

amparados pela oração de São Bruno e dos irmãos, eles permanecem em toda a

Igreja e no centro do mundo "lugares de esperança e de descoberta das

bem-aventuranças, lugares onde o amor, haurindo na fonte da comunhão que é

a oração, é chamado a tornar-se lógica de vida e fonte de alegria" (Vita

consecrata, 51). Expressão sensível de uma oferta de toda a vida vivida em

união com a de Cristo, a vida de clausura, fazendo sentir a precariedade

da existência, convida a contar unicamente com Deus. É também "o lugar da

comunhão espiritual com Deus e com os irmãos e irmãs, onde a limitação dos

espaços e dos contactos ajuda à interiorização dos valores evangélicos

(Ibid., n. 59). De facto, a busca de Deus na contemplação é inseparável do

amor dos irmãos, amor que nos faz reconhecer o rosto de Cristo no mais

pobre dos homens. A contemplação de Cristo vivida na caridade fraterna

continua a ser o caminho mais seguro da fecundidade de qualquer vida. São

João não deixa de o recordar: "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros,

porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama, nasceu de Deus e

conhece-O" (1 Jo 4, 7). São Bruno compreendeu isto muito bem, ele que

nunca separou a prioridade que durante toda a sua vida conferiu a Deus da

profunda humanidade de que era testemunha entre os seus irmãos.

4. O IX centenário do Dies natalis de São Bruno oferece-me a oportunidade

de renovar a viva confiança à Ordem dos Cartuxos na sua missão de

contemplação gratuita e de intercessão pela Igreja e pelo mundo. A exemplo

de São Bruno e dos seus sucessores, os mosteiros dos Cartuxos não cessam

de despertar a Igreja para a dimensão escatológica da sua missão,

recordando as maravilhas que Deus realiza e vigiando na expectativa do

cumprimento último da esperança (cf. Vita consecrata, 27). Sentinela

incansável do Reino que há-de vir, procurando "ser" antes de "fazer", a

Ordem dos Cartuxos dá à Igreja vigor e coragem na sua missão, para se

fazer ao largo e permitir que a Boa Nova de Cristo acenda toda a

humanidade.

Nestes dias de festa da Ordem, rezo ardentemente ao Senhor para que faça

ressoar no coração de numerosos jovens o apelo a deixar tudo para seguir

Cristo pobre, ao longo do caminho exigente mas libertador do percurso dos

Cartuxos. Além disso, convido os reponsáveis da família dos Cartuxos a

responder sem receio aos apelos das jovens Igrejas, para fundar mosteiros

nos seus territórios.

Com este espírito, o discernimento e a formação dos candidatos que se

apresentam devem ser objecto de uma atenção renovada por parte dos

formadores. De facto, a cultura contemporânea, marcada por um forte

sentimento hedonista, pelo desejo de possuir e por uma concepção errónea

da liberdade, não facilita a expressão da generosidade dos jovens que

desejam consagrar a sua vida a Cristo, escolhendo percorrer, no seu

seguimento, o caminho de uma vida de amor oblativo, de serviço concreto e

generoso. A complexidade do caminho pessoal, a fragilidade psicológica, as

dificuldades de viver a fidelidade no tempo, convidam a fazer com que nada

seja descuidado, a fim de oferecer a todos os que pedem para entrar no

deserto da Cartuxa uma formação que inclua todas as dimensões da pessoa.

Além disso, dar-se-á uma particular atenção à escolha de formadores

capazes de seguir os candidatos ao longo do caminho da libertação interior

e da docilidade ao Espírito Santo. Por fim, sabendo que a vida fraterna é

um elemento fundamental do caminho das pessoas consagradas, convidar-se-ão

as comunidades a viver sem reservas o amor recíproco, criando um clima

espiritual e um estilo de vida conformes com o carisma da Ordem.

5. Queridos filhos e amadas filhas de São Bruno, como recordei no final da

Exortação pós-sinodal Vita consecrata, "vós não tendes apenas uma história

gloriosa para recordar e narrar, mas uma grande história a construir!

Olhai o futuro, para o qual vos projecta o Espírito a fim de realizar

convosco ainda grandes coisas" (n. 110). No coração do mundo, tornai a

Igreja atenta à voz do Esposo que fala ao seu coração: "Tende confiança!

Eu venci o mundo" (Jo 16, 33). Encorajo-vos a nunca renunciar às intuições

do vosso fundador, mesmo se o empobrecimento das comunidades, a diminuição

das entradas e a incompreensão suscitada pela vossa escolha de vida

radical vos possam fazer duvidar da fecundidade da vossa Ordem e da vossa

missão, cujos frutos pertencem misteriosamente a Deus!

A vós, estimados filhos e queridas filhas da Cartuxa, que sois os

herdeiros do carisma de São Bruno, compete conservar em toda a sua

autenticidade e profundidade a especificidade do caminho espiritual que

ele vos mostrou com a sua palavra e o seu exemplo. O vosso apreciado

conhecimento de Deus, alimentado na oração e na meditação da sua Palavra,

convida o povo de Deus a alargar o próprio olhar até aos horizontes de uma

humanidade nova e rica da plenitude do seu sentido e unidade. A vossa

pobreza oferecida para a glória de Deus e a salvação do mundo é uma

eloquente contestação das lógicas de rendimento e de eficácia que, muitas

vezes, fecham o coração dos homens e das nações às verdadeiras

necessidades dos seus irmãos. A vossa vida escondida com Cristo, como a

Cruz silenciosa plantada no coração da humanidade redimida, permanece de

facto para a Igreja e para o mundo o sinal eloquente e a chamada

permanente do facto que cada ser, hoje como ontem, se pode deixar prender

por Aquele que é amor.

Ao confiar todos os membros da família da Cartuxa à intercessão da Virgem

Maria, Mater singularis Cartusiensium, Estrela da evangelização do

terceiro milénio, concedo-vos a afectuosa Bênção apostólica, que faço

extensiva a todos os benfeitores da Ordem.

Vaticano, 14 de Maio de 200

14 janeiro 2010

Desabafo...

Por vezes sinto uma necessidade horrível de estar só. De me encontrar a sós com o único Deus e Senhor e falar-Lhe. Conversar é certo, agradecer sem dúvida, mas também puxar-Lhe as orelhas pelas coisas menos boas que vão ocorrendo nesta minúscula bola azul no meio de um não sei o quê. Gritar com Ele e perguntar o porquê de tantas atrocidades que cada vez mais ocorrem neste meio do azul. Dar-Lhe alguns socos valentes no estômago e dizer que os familiares que me tirou daqui foi uma grande maldade, logo quando mais precisava deles.
Depois, abraça-Lo da maneira que se abraça um Pai e deixar cair as lágrimas contidas ao longo dos anos e pedir-Lhe perdão por estas palavras amargas e violentas porque, algures na minha alma, sei que o que Ele faz é sempre para o meu bem, mesmo que na altura dos acontecimentos pareçam tudo menos isso.
Por vezes (muitas vezes até) sinto uma necessidade imensa de estar só e tentar (por segundos que sejam) contemplá-Lo numa solidão (que é tudo menos isso) a dois e falar-Lhe dos que mais precisam, daqueles que não O conhecem e das maravilhas de faz.
Obrigado Senhor por tudo, mesmo por aquilo que se calhar não merecia, e mesmo assim, derramaste sobre mim.
Por último agradeço ao Sinais do céu.. ao qual, sem a sua música de fundo, não teria escrito estas palavras.

15 dezembro 2009

Sensibilidade e bom senso


Um pequeno artigo que escrevi há dias para eventual publicação num dos jornais da ilha.

O Natal aproxima-se a passos largos. Não o Natal materialista e consumista, no qual Jesus Cristo foi substituído pelo Pai Natal da Coca-Cola e ultimamente pelas Popotas e Leopoldinas do mundo consumista e materialista, mas sim o Natal do nascimento do redentor.
Não o Natal das 1001 luzes a piscarem dentro e fora da casa de cada um, mas sim o Natal da Luz Eterna. O Natal em que “Deus se tornou tão humilde ao ponto de ter vindo, não como um redemoinho avassalador ou um fogo devorador. O Criador de todas as coisas encolheu-se além da imaginação, tanto, tanto, tanto, que tornou-se num óvulo, um simples ovo fertilizado, quase invisível, um óvulo que se dividiria e se redividiria até que um feto fosse formado, expandindo-se célula por célula no ventre de uma jovem. “A imensidão enclausurada no seu amado ventre”, maravilhou-se o poeta John Donne. Ele “a si mesmo se esvaziou [...] humilhou-se a si mesmo”, disse o apóstolo Paulo de forma mais prosaica.” 1
Deus veio até nós, nessa humildade indescritível e nós o que fazemos Natal após Natal?
Gastamos dinheiro em prendas (e não lembranças), muitas delas fúteis e sem utilidade aparente, enquanto ao nosso lado, alguém passa fome sem sabermos (a denominada pobreza encoberta) e alguém pede apenas por pedir (a denominada pobreza de espírito).
Gastamos rios de dinheiro em coisas supérfluas e o essencial da vida é-nos dado quase de graça.
Somos soberbos ao ponto de gastarmos oceanos de dinheiro em inutilidades e pagarmos essas mesmas inutilidades em “suaves prestações”.
Onde mora a humildade de Deus feito Homem?
O verdadeiro Natal será aquele em que todos nós partilhemos afecto e amor com aqueles que são o oposto de nós e em especial com os mais carentes e necessitados, tal como Jesus Cristo, que nasceu no meio do nada e teve tudo aquilo que precisava naquela hora, naquele momento, principalmente os pastores, que na altura e na sociedade em que estavam inseridos não eram tidos nem achados.
O verdadeiro Natal, na minha modesta opinião, será aquele em que o Homem terá sensibilidade e bom senso para com o semelhante e para com todos os seres vivos. “Oxalá se tome consciência do essencial e de que falta tempo para ele: amar gratuitamente, descer ao centro da alma e procurar por lá uma palavra de vida eterna que dê sentido a tudo o que se faz.”2
Termino com uma oração peculiar proferida pelo Padre Joe Wright na abertura de uma nova secção do Senado de Kansas nos EUA:

"Senhor, viemos diante de Ti neste dia, para Te pedir perdão e para pedir a tua direcção.
Sabemos que a tua Palavra disse: 'Maldição àqueles que chamam "bem" ao que está "mal”, e é exactamente o que temos feito.
Temos perdido o equilíbrio espiritual e temos mudado os nossos valores.
Temos explorado o pobre e temos chamado a isso "sorte".Temos recompensado a preguiça e chamámo-la de "Ajuda Social".Temos matado os nossos filhos que ainda não nasceram e temo-lo chamado “a livre escolha".
Temos abatido os nossos condenados e chamámo-lo de "justiça".
Temos sido negligentes ao disciplinar os nossos filhos e chamámo-lo “desenvolver a sua auto-estima”.
Temos abusado do poder e temos chamado a isso: "Política".Temos cobiçado os bens do nosso vizinho e a isso temo-lo chamado "ter ambição".
Temos contaminado as ondas de rádio e televisão com muita grosseria e pornografia e temo-lo chamado "liberdade de expressão".
Temos ridicularizado os valores estabelecidos desde há muito tempo pelos nossos ancestrais e a isto temo-lo chamado de "obsoleto e passado".
Oh Deus! Olha no profundo dos nossos corações; purifica-nos e livra-nos dos nossos pecados.
Ámen. “

1 “O Jesus que nunca conheci” de Philip Yancey
2 “ Se tu soubesse o dom de Deus” de Luís Rocha e Melo SJ


Um Cristão como os demais

14 dezembro 2009

Amalia Rodrigues

FOI DEUS
Composição: Alberto Janes
Não sei, não sabe ninguém
Por que canto o fado
Neste tom magoado
De dor e de pranto
E neste tormento
Todo o sofrimento
Eu sinto que a alma
Cá dentro se acalma
Nos versos que canto
Foi Deus
Que deu luz aos olhos
Perfumou as rosas
Deu oiro ao sol
E prata ao luar
Foi Deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
E pôs as estrelas no céu
E fez o espaço sem fim
Deu o luto as andorinhas
Ai, e deu-me esta voz a mim
Se canto
Não sei o que canto
Misto de ventura
Saudade, ternura
E talvez amor
Mas sei que cantando
Sinto o mesmo quando
Se tem um desgosto
E o pranto no rosto
Nos deixa melhor
Foi Deus
Que deu voz ao vento
Luz ao firmamento
E deu o azul às ondas do mar
Foi Deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
Fez poeta o rouxinol
Pôs no campo o alecrim
Deu as flores à primavera
Ai, e deu-me esta voz a mim.

30 outubro 2009

Ernâni Lopes (Portugal funciona mal à séculos)

Com este artigo, fora do comum dos que por aqui publico (até pareço o amigo do blog Tribo de Jacob), este senhor, espelha nesta afirmação, aquilo que eu (e muito boa gente com valores) pensa,
"No entanto, Portugal precisa de «uma elite dirigente capaz de produzir e difundir valores, atitudes e padrões dos comportamentos que moldam a sociedade, e que não se limite a fazer política corrente». "( o resto do artigo)

26 outubro 2009

Citação do livro "O Jesus que eu nunca conheci"

"Embora o poder possa forçar a obediência, apenas o amor pode provocar a reacção de amor, que é a única coisa que Deus deseja de nós, sendo essa a razão de nos ter criado. "

22 outubro 2009

Stat crux dum volvitur orbis




Poderá ser, quase de certeza, uma mera visão de quem admira os Cartuxos, os quais estando separados de todos nós estão connosco sempre, mas esta 2ª cruz, que está por cima de um sacrário na Igreja Poraquial de Santo António, da freguesia de Porto Judeu, é uma replica quase exacta da 1ª cruz, cruz essa que é o simbolo dessa Ordem Monastica. Será que me tempos idos, alguém ligado a esta ordem quis deixar um sinal da sua presença?





09 outubro 2009

Como dizia Santa Brígida


"O acto de ajoelhar-se diante de Jesus Sacramentado, traduz reverência, humildade e pureza de coração, além de actuar como um poderoso instrumento de carinho, diante da misericórdia infinita do Senhor, que poderá aceitá-lo e perdoar os seus muitos pecados".

01 outubro 2009

Um pensamento



“Único de todos os credos, o cristianismo acrescentou coragem às virtudes do Criador”, disse G. K. Chesterton. A necessidade dessa coragem começou com a primeira noite de Jesus na terra e não acabou senão na última.

10 setembro 2009

Um pensamento


“Outros deuses eram fortes; mas Tu tinhas de ser fraco; Cavalgavam a caminho do trono, mas Tu tropeçaste ali; As nossas feridas apenas Deus pode entender, E nenhum deus tem ferimentos além de Ti."

Edward Shillito

31 agosto 2009

Desabafos I

Por vezes

Por vezes ponho-me a pensar se estarei no caminho certo.
Por vezes penso se o passo seguinte será o correcto.
Ponho-me a pensar se o caminho para Deus é aquele onde ando, com todas as suas imperfeições, frustrações e tentações.
Ponho-me a pensar se nós estaremos correctos e somos cristãos de corpo e alma, ou só de corpo.
Por vezes sinto que a nossa igreja vive um catolicismo morno, onde o verdadeiro fogo da paixão só aqui ou ali, só a este(a) ou aquele(a), ferve até ás entranhas da alma. Já a maioria de nós, onde infelizmente me incluo na maioria do tempo, vivemos num eterno marasmo. Muitas vezes vivemos como a cruz onde Cristo foi pregado e crucificado, impávidos e serenos. Mas Cristo foi tudo menos isso. Cristo palmilhou terra atrás de terra a ensinar. Cristo carregou consigo terra e pó de muitos e dispersos lugares, e nós?
A grande maioria de nós, vai à missa ao Domingo, dias santos, casamentos, baptizados, funerais e pouco mais, para além de que, vão porque fica bem, não por outra coisa mais profunda.
Nesta sequência lembro-me de ter lido algures que Eugenio Scalfari (escritor entre outras actividades) disse ao cardeal Carlo Martini que não acreditava em Deus e disse-o "com plena tranquilidade de espírito", ao qual o cardeal lhe respondeu: "Eu sei, mas não estou preocupado por causa de si. Por vezes, os não crentes estão mais próximos de nós do que muitos devotos fingidos".
No fundo sei que o ser apenas homem de carne e osso é isso mesmo. Ter de vez enquanto dúvidas, incertezas e outras teias de aranha na cabeça. Por isso, muitos de nós não passam da porta de entrada do Cristianismo, no entanto humildemente penso que, mais vale um pouco de Luz do que a Escuridão total.
Por vezes, nesta minha procura/descoberta de Cristo, vejo-me como os habitantes das cavernas na alegoria de Platão, vejo apenas sombras criadas pela luz, não a própria luz, mas como Deus é amor, sei que um dia verei a própria Luz.
Por vezes, não sei se estarei certo, mas nessas muitas vezes do “por vezes”, muitas vezes sinto sem ver que Ele está presente.

23 de Julho de 2009

28 agosto 2009

O leve toque de Deus

Søren Kierkegaard escreveu sobre o leve toque de Deus: “A omnipotência que pode colocar a mão fortemente sobre o mundo pode também tornar o seu toque tão leve que a criatura recebe independência”. Às vezes, concordo, desejaria que Deus usasse um toque mais pesado. A minha fé sofre com liberdade em demasia, com demasiadas tentações para descrer. Às vezes desejo que Deus me esmague, para vencer as minhas dúvidas com a certeza, para me dar provas finais de sua existência e do seu interesse.

30 julho 2009

Agora penso saber


Agora penso saber porque muitas pessoas de freguesias diversas desta ilha de Jesus (como era chamada) ao Domingo se concentram numa determinada igreja para ouvir o pároco que ali celebra o Santo Oficio. Não é porque os outros não tenham dom de palavra ou porque não saibam passar a palavra de Deus, é sim porque este pároco actualiza constantemente para os nossos dias a palavra de Deus, actualizações que por vezes incomodam particularmente os presentes e especialmente os ausentes, mas Cristo também não incomodava os do seu tempo?

23 julho 2009

O não crente e o cardeal

Artigo de opinão de Anselmo Borges no Diario de Noticias.

Obem conhecido jornalista, político e escritor italiano Eugenio Scalfari, fundador do influente La Repubblica, foi ao encontro do cardeal Carlo Martini, antigo arcebispo de Milão e uma das figuras católicas mais escutadas dentro e fora da Igreja, para uma entrevista, acabada de publicar no seu jornal.
Scalfari, cujo último livro é L'uomo che non credeva in Dio (O homem que não acreditava em Deus), disse ao cardeal que não crê em Deus e que o diz "com plena tranquilidade de espírito". E o cardeal: "Eu sei, mas não estou preocupado por causa de si. Por vezes, os não crentes estão mais próximos de nós do que muitos devotos fingidos".
Então, o que é que o preocupa verdadeiramente, quais são, na Igreja, os problemas mais importantes? Resposta: "Antes de mais, a atitude da Igreja para com os divorciados, depois, a nomeação ou a eleição dos bispos, o celibato dos padres, o papel do laicado católico, as relações entre a hierarquia eclesiástica e a política. Parecem-lhe problemas de solução fácil?"
A nossa sociedade está cada vez mais invadida pela indiferença e são o individualismo e a procura exacerbada dos próprios interesses que cavam fundo o abismo entre a fé e a caridade. Talvez ainda se vá uma ou outra vez à missa e se ponha os filhos em contacto com os sacramentos. Mas esquece-se o essencial: a caridade. Ora, "sem caridade, a fé é cega. Sem a caridade, não há esperança nem justiça". Entenda-se: a caridade não é esmola, é atenção ao outro, compreensão e reconhecimento do outro, presença ao outro na sua solidão, "comunhão de espíritos, luta contra a injustiça". O verdadeiro pecado do mundo é a injustiça e a desigualdade, que bradam aos céus. Jesus disse que "o reino de Deus será dos pobres, dos débeis, dos excluídos".
Para Martini, a questão fundamental não está na escassa frequência dos sacramentos, da missa, das vocações, que são "aspectos externos". "A substância é a caridade, a visão do bem comum e da felicidade comum", incluindo a das gerações futuras. (...para lerem o resto da opinião)

16 julho 2009

Uma generalização

Este é o momento que começamos a viver no nosso país, na Europa e no mundo católico em geral.
Como diz uma colega minha " - Já é uma tradição!", isto é, aos poucos e poucos (sabe-se lá o porquê ou por quem) o ser Católico começa a ser quase como uma peça de museu. Muito bonita, vistosa, tira-se uma fotografias aqui e ali, escreve-se meia duzia de palavras bonitas no livro de honra que está à entrada e mais nada.
O Cristão apesar de não se calar aqui e ali, começa aos poucos a ser posto de parte em quase tudo o que é a sociedade em geral, assim como os seus simbolos. Diz-se que é para não ofender as outras religiões/seitas ou credos, no entanto ficam aqui duas pequenas perguntas:
- Se o Catolicismo já não serve para a sociedade (no geral) ou para a classe politica (em particular), porque é que ainda existem os feriados religiosos? Não deveriam ser também abolidos, como tantas outras coisas?

02 julho 2009

Terço dos Cartuxos

Há meses atrás recebi o denominado Terços dos Cartuxos, o qual deverá ser rezado da seguinte forma:
Para além do que é norma, depois de se orar a primeira parte da Avé Maria (que vai até Jesus) dever-se-á meditar sobre cada uma das 50 meditações abaixo indicadas. Depois continua-se a rezar com a segunda parte da Avé Maria. Se quiserem saber mais sobre este terço peçam-me nos comentários que, logo que possivel, enviarei por email.

Cada Ave-Maria, com sua cláusula, vai concluída com um «Amén» e um breve momento de silêncio para meditar.

1. Que tu, Virgem pura, concebeste do Espírito Santo. Amén.
2. Que tu foste através da montanha ao encontro de Isabel.
3. Que tu, serva pura, concebeste com grande alegria.
4. Que tu envolveste em faixas e deitaste num presépio.
5. Que os Santos Anjos louvaram com cânticos celestes.
6. Que os pastores procuraram e encontraram em Belém.
7. Que foi circuncidado ao oitavo dia e chamado Jesus.
8. A quem os três Reis Magos ofereceram ouro, incenso e mirra.
9. Que tu apresentaste no Templo a Deus seu Pai.
10. Com quem tu fugiste para o Egito e donde regressaste sete anos depois.
11. Que tu perdeste em Jerusalém e reencontraste três dias depois.
12. Que crescia todos os dias em idade, em graça e em sabedoria.
13. Que São João batizou no Jordão.
14. Que Satanás tentou e não venceu.
15. Que anunciou ao povo o Reino dos Céus com os seus discípulos.
16. Que curou muitos doentes com o poder de Deus.
17. De quem Maria Madalena lavou os pés com as suas lágrimas, enxaguou-os com os cabelos e ungiu-os com perfume.
18. Que ressuscitou dos mortos Lázaro e outros.
19. Que foi transfigurado no Tabor diante dos seus discípulos.
20. Quem, no dia de Ramos, em Jerusalém, foi recebido com grande pompa.
21. Quem, na última ceia, deu o seu corpo aos discípulos.
22. Quem rezou no Jardim das Oliveiras e suou gotas de sangue.
23. Quem se deixou prender, amarrar e conduzir de um juiz ao outro.
24. Que muitas testemunhas acusaram falsamente.
25. De quem a santa face foi escarnecida, velada e impressionada.
26. Quem, despojado seus vestidos, atado a uma coluna, foi duramente golpeado.
27. Que foi cruelmente coroado de espinhos.
28. Diante de quem dobravam o joelho e adoravam com desprezo.
29. Que foi condenado injustamente a uma morte ignominiosa.
30. Que transportou a cruz sobre os seus santos ombros.
31. Quem, ao voltar-se, te dirigiu a palavra, a ti sua mãe, assim como a outras mulheres.
32. Quem foi cravado na cruz pelas mãos e pés.
33. Quem rezou por aqueles que o crucificavam, o torturavam e o matavam.
34. Quem disse ao bom ladrão: «Hoje mesmo estarás comigo no paraíso».
35. Quem te confiou, a ti sua mãe contristada, a João seu discípulo bem amado.
36. Quem gritou: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?».
37. Quem foi dessedentado com fel e vinagre, quando disse: «Tenho sede! ».
38. Quem disse: «Pai, entre as tuas mãos entrego o meu espírito!».
39. Quem disse em último lugar: «Tudo está consumado!».
40. Quem sofreu uma morte cruel por nós, pecadores. Amén. Louvor a Deus!
41. Cujo lado foi perfurado, donde correu sangue e água.
42. Quem, descido da cruz, tu recebeste sobre os teus joelhos, como normalmente se crê.
43. Quem homens justos e bons embalsamaram e sepultaram.
44. Cuja alma santa desceu aos infernos e libertos e libertou os nossos Pais.
45. Que ressuscitou dos mortos ao terceiro dia. Aleluia!
46. Quem te alegrou com uma muito grande alegria, a ti e àqueles a quem apareceu. Aleluia!
47. Quem também, na tua presença subiu ao céu e está sentado à direita de seu Pai. Aleluia!
48. Quem um dia julgará os vivos e os mortos.
49. Quem enviou aos seus fiéis o Espírito Santo no dia do Pentecostes.
50. Quem te fez subir ao céu, a ti sua dulcíssima Mãe, para estar com Ele, que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo agora e sempre. Amén.

05 junho 2009

Cegueira


Conheço uma pessoa que é cega de nascença, no entanto, com as mãos, sente as tenções e emoções de cada pessoa com quem fala, convive e vive.
É cega de nascença, no entanto, no meio dos ruídos que nos rodeiam diariamente, consegue ouvir o monólogo cantado de um rouxinol algures.
Nasceu assim, sem pedir, no entanto, “vê” tudo o que se passa à sua volta, as texturas, as cores, os sorrisos, as lágrimas, as alegrias ou as tristezas.
Apesar de ser de nascença, vive a sua vida, como qualquer um de nós, tem uma família, trabalha e é feliz.

Pergunto:
- Será que nós, aqueles que vemos tudo e todos, vemos tão bem como esta pessoa que é cega de nascença ou ela, é que na sua cegueira consegue ver muito melhor do que nós, que apesar de tudo, não passamos de meros invisuais da vida?

22 maio 2009

Vim Aqui

Vim aqui, ó virgem Mãe
Sem saber o que dizer
Eu olhava a tua imagem
Não a conseguia ver
Sentei-me e assim fiquei
Em silêncio a pensar
Senti descer, ó Mãe
Sobre mim o teu olhar
Foi então que eu comecei
Com alegria a rezar

Um poema belo, não só pela sua simplicidade mas também pela profundidade contida nele. Como nem só da letra se vive aqui está o link de onde podem fazer o download dele cantado.


03 maio 2009

A Oração, o caminho para Deus


"(...) Conta-se, num romance americano, a história de um famoso pregador que empolgava as multidões: «Diante do seu púlpito, um velhinho seguia fielmente todos os sermões. O pregador estava muito contente com o seu êxito. Um dia, apareceu-lhe um Anjo: "Felicito-te pelas tuas conferências...és excelente! Mas já reparaste num velhinho que vem sempre ouvir-te?" "Sim, já o vi", respondeu o orador sagrado. Acrescentou o Anjo: "Fica então sabendo que ele vem, não para te ouvir, mas para rezar por ti. É graças às suas orações que os teus sermões fazem tanto bem aos fiéis"».

Excerto do Livro "Os Defeitos de Maria"

20 abril 2009

Marta e Maria

Em Lucas 10 (38-42), temos a seguinte passagem:

"Continuando o seu caminho, Jesus entrou numa aldeia. E uma mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. Tinha ela uma irmã, chamada Maria, a qual, sentada aos pés do Senhor, escutava a sua palavra. Marta, porém, andava atarefada com muitos serviços; e, aproximando-se, disse: «Senhor, não te preocupa que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe, pois, que me venha ajudar.» O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas; - mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.»"

Durante a leitura do livro "Deus responde no deserto" encontrei a seguinte passagem, a respeito do acima mencionado:

"FECUNDIDADE DA VIDA CONTEMPLATIVA

Entre os variados e profundos aspectos da vida contemplativa que particularmente nos interessam e que, por assim dizer, nos dão segurança, situa-se a sua fecundidade apostólica: fecundidade que se realiza na maior medida, apesar das condições e dos meios que pareceriam próprios a impedi-la, o isolamento e o silêncio. É verdade que a actividade apostólica, na sua expressão mais usual, concretiza-se pelo movimento e pela palavra. O próprio Salvador a definiu na missão conferida aos Apóstolos: «Ide e pregai a todas as gentes». Não é no entanto menos verdade que a vida contemplativa — a «melhor parte» segundo palavras do mesmo Jesus — transforma elementos aparentemente opostos em validíssimos instrumentos de uma idêntica finalidade e de um mesmo resultado.
«A paixão missionária e o sentimento eclesial são componentes fundamentais de toda a autêntica vida contemplativa. A contemplação, como conhecimento de Deus, não é só um mistério de intimidade individual, mas também um mistério, de união com os irmãos. Servo e adorador de Deus, mas também filho da terra, o contemplativo não pode deixar de ser bem humano, de se encontrar muito presente no coração do mundo. Não só presta homenagem à transcendência divina, como sabe encontrar em Deus um amor ardente pelo próximo."

Realmente, quer a passagem na Sagrada Escritura, quer esta passagem do livro em questão mostra-nos a "diferença" entre a vida activa e a vida contemplativa no seio da Santa Igreja. No meu fraco entender uma não substitui a outra, no entanto, não devemos descurar a parte contemplativa, não devemos passar ao lado daqueles(as) irmãos(as) que vivem apenas na contemplação, "a melhor parte" segundo Nosso Senhor Jesus Cristo.

É certo que todos nós (meros cordeiros de um rebanho maior), temos um pouco das duas. Umas vezes somos Marta e outras vezes somos Maria mas se, a melhor parte é a contemplação, tentemos contemplar mais o Divino e oremos por aqueles (as) que "apenas" O contemplam.

16 abril 2009

É A ESTA ESTUPEFACÇÃO QUE SE CHAMA EVANGELHO OU BOA NOVA - por D. ANTÓNIO COUTO‏

1. «Do SENHOR veio isto:/ isto é MARAVILHOSO (niphla’t / thaumastê) aos nossos olhos! ESTE-O-DIA que fez o SENHOR:/ exultemos e alegremo-nos nele!» (Salmo 118,23-24).

2. Não é um dia cíclico, um dia entre outros dias, o dia que o salmista aclama! Os dias, de resto, fê-los todos o SENHOR (Génesis 1,1-2,3). Trata-se aqui de um DIA novo, e sem série (cf. Eclesiástico 33,7-9). É o profético «DIA do SENHOR», aqui totalmente cheio da acção benfazeja do SENHOR!

3. Os Evangelhos documentam esta alegria grande e nova e esta ESTUPEFACÇÃO MARAVILHOSA a abrir o nascimento de JESUS e o DIA novo da sua Ressurreição. Alegria grande (chará megálê) evangelizada (euaggelízomai) aos pastores, mas que é para todo o povo (Lucas 2,10). De facto, todos quantos escutaram os pastores ficaram MARAVILHADOS (thaumázô) (Lucas 2,18). Em estado de MARAVILHA (thaumázôn: particípio presente) ficou Pedro quando leu os sinais do túmulo aberto (Lucas 24,12), e depois os Onze e os outros com eles, movidos pela alegria (chará) e pela MARAVILHA (thaumázontes: particípio presente) (Lucas 24,41), um versículo sobrecarregado com as notas da alegria incontida e da esfuziante MARAVILHA.

4. Só assim, em estado de MARAVILHA permanente, Maria Madalena pode ir anunciar: «VI (heôraka) o SENHOR!» (João 20,18), e os Dez podem dizer a Tomé, chamado o Gémeo, talvez nosso: «VIMOS (heôrákamen) o SENHOR!» (João 20,25). Os dois verbos «ver» estão no tempo perfeito, pelo que, de facto, significam: «VI e continuo a VER», «VIMOS e continuamos a VER». Um VER perfeito.

5. Lendo muito bem o mistério de Cristo, o Papa João Paulo II, no início do seu Pontificado, deixou escrito, com palavras luminosas, na Encíclica Redemptor Hominis, n.º 10, de 04 de Março de 1979, que o homem deve «apropriar-se e assimilar toda a realidade da Encarnação e da Redenção para se encontrar si mesmo», e ficar assim «MARAVILHADO face a si mesmo», «ESTUPEFACTO perante o seu valor e dignidade». E acrescenta ainda que é «a esta ESTUPEFACÇÃO que se chama Evangelho ou Boa Nova».

6. Os missionários cultivam a alegria, o espanto e a MARAVILHA, e compete-lhes colocar este mundo em estado de MARAVILHA, ou não fôssemos nós também testemunhas destas coisas (cf. Lucas 24,48; Actos dos Apóstolos 2,32). E, portanto, somos nós, somos nós, Senhor, a prova de que Tu ressuscitaste!

7. Uma Páscoa cheia de CRISTO RESSUSCITADO, MARAVILHA do SENHOR aos nossos olhos, meu irmão da Páscoa.

António Couto

01 abril 2009

Regresso

Não se pode passar o resto da vida no cimo da Montanha. Devemos sim, beber da fonte para depois refrescar quem por nós passa. Para depois dar-mos testemunho de que Cristo é vida e Vive em cada um de nós.

12 março 2009

"Deus responde no deserto"

De 25 a 29 desde mês vou estar em “retiro” no rancho de romeiros do qual faço parte. Este ano, sinto que preciso de “atravessar um deserto”. Um deserto de jejum e abstinência, um deserto de "pão e água". No meio dos restantes irmãos, não quero ser diferente deles, no entanto, preciso de sentir a “aridez” que por vezes (sem que seja de propósito) faço os outros passarem. Preciso de sentir a “falta de alimento” (atenção, carinho, compreensão, dialogo…) que por vezes (sem que seja de propósito) faço os outros passarem.

Não sei se serão sinais divinos ou meramente conjugações que a minha mente vai fazendo mas, tal como o livro que estou a ler que dá pelo título de “Deus responde no deserto” espero que ao atravessar este deserto de 5 dias Ele me responda. Não sei bem a quê, muito honestamente, mas sei e sinto que Ele vai-me responder a algo.


Fiquem com Deus e Sua Mãe Maria Santíssima

02 março 2009

Simão, O Cirineu


"A caminho do Calvário (Mt 27,32-33; Lc 23,26-32; Jo 19,16-17) - Levaram-no, então, para o crucificar. Para lhe levar a cruz, requisitaram um homem que passava por ali ao regressar dos campos, um tal Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo. E conduziram-no ao lugar do Gólgota, que quer dizer ‘lugar do Crânio’. "
Muitos poderão dizer "- Quanta honra teria sido se "eu" estivesse no lugar de Simão!" sem saberem da profundidade deste simples gesto. Na verdade, Nosso Senhor Jesus Cristo poderia ter feito mais um milagre a Si mesmo e não o fez. Poderia ter intercedido ao Pai e também não o fez. No entanto, permitiu que um pecador (como todos nós) tivesse essa "honra" no intuito de nos mostrar (muito possivelmente), que todos nós temos que carregar com a nossa Cruz, por muito pesada que ela possa ser. Alías, no meu modesto entender, Jesus Cristo depois de ressuscitado, tornou-se (para todos nós) um Simão de Cirene.

26 fevereiro 2009

Oremos

foto retirada daqui
Aproveitemos esta Quaresma para orar. Orar muito, principalmente pelos mais esquecidos e especialmente...por todos.

17 fevereiro 2009

O horror do vazio




Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido.
Almeida Santos, o presidente do PS, coloca-se ao seu lado e propõe que se discuta ao mesmo tempo a eutanásia. Duas propostas que em comum têm a ausência de vida. A união desejada por Sócrates, por muitas voltas que se lhe dê, é biologicamente estéril. A eutanásia preconizada por Almeida Santos é uma proposta de morte. No meio das ideias dos mais altos responsáveis do Partido Socialista fica o vazio absoluto, fica "a morte do sentido de tudo" dos Niilistas de Nitezsche. A discussão entre uma unidade matrimonial que não contempla a continuidade da vida e uma prática de morte, é um enunciar de vários nadas descritos entre um casamento amputado da sua consequência natural e o fim opcional da vida legalmente encomendado. Sócrates e Santos não querem discutir meios de cuidar da vida (que era o que se impunha nesta crise). Propõem a ausência de vida num lado e processos de acabar com ela noutro. Assustador, este Mundo politicamente correcto, mas vazio de existência, que o presidente e o secretário-geral do Partido Socialista querem pôr à consideração de Portugal. Um sombrio universo em que se destrói a identidade específica do único mecanismo na sociedade organizada que protege a procriação, e se institui a legalidade da destruição da vida. O resultado das duas dinâmicas, um "casamento" nunca reprodutivo e o facilitismo da morte-na-hora, é o fim absoluto que começa por negar a possibilidade de existência e acaba recusando a continuação da existência. Que soturno pesadelo este com que Almeida Santos e José Sócrates sonham onde não se nasce e se legisla para morrer. Já escrevi nesta coluna que a ampliação do casamento às uniões homossexuais é um conceito que se vai anulando à medida que se discute porque cai nas suas incongruências e paradoxos. O casamento é o mais milenar dos institutos, concebido e defendido em todas as sociedades para ter os dois géneros da espécie em presença (até Francisco Louçã na sua bucólica metáfora congressional falou do "casal" de coelhinhos como a entidade capaz de se reproduzir). E saiu-lhe isso (contrariando a retórica partidária) porque é um facto insofismável que o casamento é o mecanismo continuador das sociedades e só pode ser encarado como tal com a presença dos dois géneros da espécie. Sem isso não faz sentido. Tudo o mais pode ser devidamente contratualizado para dar todos os garantismos necessários e justos a outros tipos de uniões que não podem ser um "casamento" porque não são o "acasalamento" tão apropriadamente descrito por Louçã. E claro que há ainda o gritante oportunismo político destas opções pelo "liberalismo moral" como lhe chamou Medina Carreira no seu Dever da Verdade. São, como ele disse, a escapatória tradicional quando se constata o "fracasso político-económico" do regime. O regime que Sócrates e Almeida Santos protagonizam chegou a essa fase. Discutem a morte e a ausência da vida por serem incapazes de cuidar dos vivos.

Artigo retirado http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=M%E1rio%20Crespo

21 janeiro 2009

"O Grande Silêncio"



Como é do conhecimento da maioria de quem por este meu espaço passa de quando em vez, nutro uma empatia por estes nossos irmãos sem uma razão aparente mas, mesmo assim admiro-os profundamente.
Após esta apresentação, e depois de ter visualizado não só com os olhos mas sim com a alma este excelente filme que retrata a vida interior da Grande Chartreuse, casa-mãe da Ordem dos Cartuxos, uma passagem, das poucas onde o silêncio é interrompido por algumas palavras (por sinal de uma profundidade extrema) ficou-me gravada como um dos maiores louvores que se podem fazer a Deus, um amor incondicional ao Pai, a passagem em que um monge mais velho, quebra o silêncio para agradecer a Deus por te-lo tornado cego. Depois diz: “Tenho a certeza que Deus o fez para o bem da minha alma”.

19 janeiro 2009

Possivel definição de Romeiro

O romeiro é um monge que, pela Quaresma, troca a clausura do convento pela clausura do ambiente que o rodeia e na qual, consegue contemplar com a alma (os pequenos milagres de Deus) aquilo que os olhos não vêm no dia-a-dia.

08 janeiro 2009

Ano de 2009


E eis que chegámos a mais um ano de vida, de fé e de esperança.
Neste ano que agora começa, falasse muito na crise (que aparentemente existe), das guerras entre homens de fé, dos aumentos das reformas, das obras megalómanas (entre outras coisas) e no entanto, quem detêm o poder sobre esses assuntos esquecesse dos que estão “mais abaixo”.
Neste ano que agora começa, e para além daqueles que pouco têm, lembremo-nos daqueles que nada têm, lembremo-nos dos sem-abrigo, que para além de não terem comida, bebida ou roupa, nem um tecto têm onde se abrigarem, principalmente nesta altura do ano, onde a chuva não para, onde o vento teima em assobiar e onde as temperaturas nos aconselham a usar roupas quentes.
Peçamos a Deus mas sem nos esquecermos de Homens que somos, para que Ele os ampare e que Nós não passemos ao lado. Suplicamos a Deus que Lhes dê “O pão-nosso de cada dia” mas que Nós não nos esqueçamos de ajuda-los também.

19 dezembro 2008

Um santo Natal

Um Santo Natal com muita Paz, Esperança, Amor e Amizade, são os meus sinceros votos a todos os que por aqui passam.

12 dezembro 2008

A Consagração

E neste dia consagrado a Nossa Senhora de Guadalupe, também eu me consagrei a Ela.

10 dezembro 2008

"Apenas" e tão só...

Faz hoje 7 anos que a minha Avó materna partiu para o Pai, que Ele (se ainda não a Recebeu) a Receba na Sua misericórdia.

03 dezembro 2008

Avé Maria


Ave Maria, gratia plena
Dominus tecum
Benedicta tu in mulieribus
Et benedictus fructus ventris tui Jesus.
Sancta Maria, Mater Dei,
Ora pro nobis peccatoribus
Nunc et in hora mortis nostrae
Amen.

28 novembro 2008

Por vezes...

Por vezes, quanto mais queremos ser humildes perante Deus, mais soberbos nos tornamos ao pensarmos que determinada situação aconteceu por causa dos nossos actos ou orações diárias, quando na realidade (muito possivelmente) bastou a reza de um terço por parte de uma criança mas, com sinceridade, devoção e muito sentida.

20 novembro 2008

A cruz de cada 1

Cada um de nós, tem a sua cruz em Cristo, no entanto, se tivermos Maria no coração, por muito grande que ela seja, será sempre leve.
Magnificat

A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.
Porque pôs os olhos na humildade da Sua serva:
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:
Santo é o Seu Nome.
A Sua Misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do Seu braço,
e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos do Seu trono
e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, Seu servo,
lembrado da Sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e à sua descendência para sempre.
Amen.

18 novembro 2008

São José

Hoje não é o dia dedicado a ele, nem tão pouco na Bibilia é muito falado mas, José, esposo de Maria, como o nome indica, foi "aquele que faz crescer, que protege o crescimento" do filho de Deus.
Com disse São Gregório de Nazianzo
"O Senhor reuniu em José, como num sol, tudo o que todos os santos juntos têm de luz e de esplendor".