Local onde de quando em vez, qual confessionário, deixarei algumas pegadas dos meus pensamentos Cristãos
28 junho 2010
16 junho 2010
A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR, MAS O HOMEM É DE DEUS
As doutrinas que no último século postularam o homem sem Deus porque tudo se reduzia a matéria, com o virar do século XX pareciam caducas e sem grande acolhimento. O muro de Berlim caiu e a pátria do materialismo desmoronou-se. Os partidos de inspiração socialista passaram a admitir a propriedade privada, o mercado e o pluralismo democrático. Por isso se tem perguntado – que bandeiras têm hoje? E apenas temos vistos as questões de civilização ou fracturantes – o aborto, a eutanásia, o divórcio, o casamento gay, “educação” sexual, liberalização das drogas, experimentação em embriões humanos, eugenismos vários, etc., etc..
Mas esta agenda não é só desse sector político, já invadiu a política do centro direita, os meios intelectuais mais diversos, as nossas famílias e até alguns sectores religiosos. O relativismo é o factor de propagação.
Cada vez que uma lei é aprovada perguntamo-nos – mas porquê esta agenda? Porque se destrói o casamento com a lei do divórcio, e logo após se quer o “casamento gay”? Parece contraditório, mas não é.
Há duas formas de acabar com um Instituto (Família) – a primeira é revogá-lo (mas decretar o fim da família era chocante), e os regimes socialistas do século XX tentaram mas caíram primeiro que a Família; a segunda forma de acabar com um Instituto (Família) é equipará-lo a tantas realidades meramente semelhantes que se retira a sua especificidade, e por isso caduca. É o que está a acontecer com o casamento e com a família. A Família e o casamento estão a ser minados pelas leis, pela organização social e pelas formas de vida propostas pelo Poder.
A Família é o primeiro lugar de Amor do homem. E Deus é Amor. Por isso, Deus manifesta-se em primeiro lugar na Família, porque ela é o lugar do amor. Acabar com a Família é tirar Deus ao Homem. A família é também o primeiro lugar de solidariedade. O homem sem família é vulnerável ao Poder.
Tudo isto poderia ser uma doutrina de livros e compêndios, mas não o é. Vive-se. Vive-se na solidão de cada idoso, na dor da mulher que abortou, no desespero da família de um toxicodependente, na amargura de quem vê um filho com práticas homossexuais, nos casais dilacerados pelo divórcio fácil com guerras intermináveis. Vive-se em silêncio porque o mundo não entende estas dores.
O homem apoiado numa família, em corpos sociais intermédios e numa relação com Deus é um homem livre. Ora, o Poder não gosta de homens livres.
A última forma, a forma perfeita do Poder não consente oposição (verdadeira). Acabar com a Família é acabar com a possibilidade de liberdade do homem.
Esta tem sido a história da humanidade – o Poder e a liberdade. Mas hoje este binómio não é claro. Ele joga-se em cada passo, em cada lei que fragiliza mais e mais o homem. Cultiva-se o egoísmo e a solidão sob a capa do direito a dispor do meu corpo (aborto), do direito a ser feliz (divórcio), do direito à morte digna (eutanásia) do direito ao prazer (drogas, sexo e álcool), etc.. O Homem está só e despojado da sua humanidade.
Como é difícil prescindir de “direitos” individuais, o homem vai comprando cada vez mais “direitos” destes. Ao mesmo tempo, torna-se mais só e egocêntrico. Cada vez mais vulnerável ao Poder. Cada vez mais o homem “é de César”.
Cada vez que aprovamos uma destas leis, o que estamos a fazer é a “entregar o Homem a César”.
Mas o Homem é de Deus.
PS – O mote para este escrito foi dado numa homilia do Padre Nuno Amador. A Sabedoria da Igreja é muito grande. Que alegria encontrá-la nas palavras e no ímpeto de uma homilia de terça-feira, dia de S. Justino mártir. Obrigada Padre Nuno Amador.
Isilda Pegado
Presidente Fed. Port. pela Vida"
Artigo publicado aqui
02 junho 2010
Nela tudo é milagroso
24 maio 2010
1º Bodo do Senhor Espirito Santo
20 maio 2010
Perdão
"Meu Deus eu creio, adoro, espero e vos amo,
Peço-vos perdão pelos que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam."
São tantas as vezes que recito isto e, lá no fundo nem sempre sinto essas palavras no âmago da minha alma.
Tantas são as vezes que deveria, em primeiro lugar, pedir perdão por mim mesmo.
Inúmeras vezes, eu próprio, não creio, não adoro, não espero e não O amo.
12 maio 2010
Palavras duras mas como Cristo tinha que as dizer
“o perdão não substitui a justiça”.
04 maio 2010
30 abril 2010
28 abril 2010
Karol Woytila descobre o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem
"A leitura deste livro fez com que eu mudasse a minha vida de forma radical e definitiva. Apesar disto, meu caminho interior foi longo, coincidindo com a preparação clandestina ao sacerdócio que eu vivenciava. Na ocasião, este tratado singular caiu em minhas mãos. Não se trata de um simples livro que se lê, apenas, e basta. Eu o levava sempre comigo, mesmo quando ia à fábrica de soda, se bem que a bela capa já estivesse manchada de cal. Eu lia e relia, sem cessar, e, sucessivamente, certas passagens.
Cópia de "Um minuto com Maria" de hoje. Por acaso este livro em tempos foi-me oferecido pela Amiga Malu, o qual, para além da minha devoção, está na mesa de cabeceira.
21 abril 2010
Um pensamento para reflexão
19 abril 2010
12 abril 2010
Mosteiros de Clausura são “oásis”
05 abril 2010
Um Testemunho da Ressurreição
Quem, ardendo em amor divino, deseja abandonar o mundo e captar as coisas eternas, quando chegam a nós recebamo-los com o mesmo espírito. É, pois, muito conveniente que os noviços encontrem nas Casas onde têm de ser formados, um verdadeiro exemplo de observância regular e de piedade, de guarda da cela e do silêncio, e também de caridade fraterna. Se chegasse a faltar isto, mal se poderá esperar que perseverem em nosso modo de vida. Aos que se apresentem como candidatos, se os tem de examinar atenciosa e prudentemente, segundo o aviso do apóstolo São Joãon : Examinai se os espíritos vêm de Deus. Porque é realmente verdadeiro que da boa ou má admissão e formação dos noviços depende principalmente a prosperidade ou decadência da Ordem, tanto na qualidade como no número das pessoas. Expõe-se ao candidato o fim de nossa vida, a glória que esperamos dar a Deus por nossa união com sua obra redentora, e que bom e gozoso é deixá-lo tudo para aderir-se a Cristo. Também se lhe propõe o duro e áspero, fazendo-lhe ver, quanto seja possível, todo o modo de vida que deseja abraçar. Se ante isto segue decidido, oferecendo-se com sumo gosto a seguir um caminho duro, fiado nas palavras do Senhor, e desejando morrer com Cristo para viver com Ele, por fim se lhe aconselha que, conforme ao Evangelho, se reconcilie com os que tiverem alguma coisa contra ele. O noviciado se prolonga durante dois anos ; tempo que o Prior pode prorrogar, mas não mais de seis meses. Não se deixe aplanar o noviço pelas tentações que costumam espreitar aos seguidores de Cristo no deserto ; nem confie em suas próprias forças, senão mais bem espere no Senhor, que deu a vocação e levará a termo a obra começada.
31 março 2010
25 março 2010
19 março 2010
Oração pelo Pai (porque hoje é o Teu dia)
12 março 2010
Romaria
19 fevereiro 2010
Diante de Deus - A Oração
04 fevereiro 2010
Clausura é uma opção espiritual
O mais importante é que estas pessoas levem para a vida um valor cristão, uma fé viva e alicerçada porque é isso que é preciso para a estabilidade da vida. O que não está visível aos nossos olhos é que vai dando equilíbrio à vida humana."
(Artigo publicado no Jornal "A União" de hoje o qual transcrevo-o aqui na integra.) Uma pérola no meio de um oceano revolto e conturbado
27 janeiro 2010
Perdão
pelas inumeras vezes
talvez até em demasia
que tropeço e caio.
Sei que apesar disso
me dás sempre a Tua mão
para novamente erguer-me
e caminhar em direcção a Ti.
Perdoai-me Senhor!
21 janeiro 2010
MENSAGEM DO SANTO PADRE AOS MEMBROS DA FAMILIA DOS CARTUXOS POR OCASIÃO DO IX CENTENÁRIO DA MORTE DE SÃO BRUNO
MENSAGEM DO SANTO PADRE
AOS MEMBROS DA FAMÍLIA DOS CARTUXOS
POR OCASIÃO DO IX CENTENÁRIO DA
MORTE DE SÃO BRUNO
Ao Rev.do Pe.
MARCELLIN THEEUWES
Prior da Cartuxa Ministro-Geral da Ordem dos Cartuxos
e a todos os membros da Família cartusiana
1. No momento em que os membros da Família dos Cartuxos celebra o IX
centenário da morte do seu Fundador, juntamente com eles dou graças a
Deus, que suscitou na sua Igreja a figura eminente e sempre actual de São
Bruno. Numa oração fervorosa, ao apreciar o vosso testemunho de fidelidade
à Sé de Pedro, uno-me de bom grado à alegria da Ordem cartusiana, que tem
neste "pai bondoso e incomparável" um mestre de vida espiritual. A 6 de
Outubro de 1101, "ardendo de amor divino", Bruno abandonava "as sombras
fugitivas do século" para alcançar definitivamente os "bens eternos" (cf.
Carta a Raul, n. 13). Os irmãos da ermida de Santa Maria da Torre,
na Calábria, aos quais ele dera tanto afecto, não podiam duvidar que
este Dies natalis inaugurava uma aventura espiritual singular que ainda
hoje dá abundantes frutos à Igreja e ao mundo.
Testemunha da efervescência cultural e religiosa que, na sua época,
agitava a Europa nascente, tendo tomado parte activa na reforma que a
Igreja desejava realizar perante as dificuldades internas com as quais se
deparava, depois de ter sido um professor apreciado, Bruno sente-se
chamado para se consagrar ao bem único que é o próprio Deus. "E o que há
de melhor do que Deus? Existe outro bem, além do único Deus? Também a alma
santa, que se apercebe desse bem, do seu incomparável fulgor, do seu
esplendor, da sua bondade, arde com a chama do amor celeste e exclama:
"Tenho sede do Deus forte e vivo, quando irei ver o rosto de Deus"" (Carta
a Raul, 15). O carácter radical desta sede estimulou Bruno, na escuta
paciente do Espírito, a descobrir com os seus primeiros companheiros um
estilo de vida eremita, onde tudo favoreça a resposta à chamada de Cristo
que, em todos os tempos, escolheu homens "para os conduzir à solidão e
uni-los num amor íntimo" (Estatuto da Ordem dos Cartuxos). Mediante estas
escolhas de "vida no deserto", Bruno convida desde o início toda a
comunidade eclesial "a nunca perder de vista a vocação suprema, que é
permanecer sempre com o Senhor" (Vita consecrata, 7).
Bruno evidencia o seu profundo sentido de Igreja, ele que foi capaz de
esquecer o "seu" projecto para responder aos apelos do Papa. Consciente de
que a caminhada pelas longas estradas da santidade não se concebe sem a
obediência à Igreja, ele mostra-nos também que o verdadeiro caminho no
seguimento de Cristo exige o entregar-se nas suas mãos, manifestando no
abandono de si um acréscimo de amor. Esta atitude mantinha-o sempre na
alegria e no louvor constantes. Os seus irmãos observaram que "tinha
sempre o rosto repleto de alegria e a palavra modesta" (Introdução ao
Pergaminho fúnebre dedicada a São Bruno). Estas palavras delicadas do
Pergaminho fúnebre exprimem a fecundidade de uma vida dedicada à
contemplação do rosto de Cristo, fonte de eficácia apostólica e força de
caridade fraterna. Possam os filhos e as filhas de São Bruno, seguindo o
exemplo do seu pai, continuar incansavelmente a contemplar Cristo,
montando desta forma "uma guarda santa e perseverante, na expectativa da
vinda do seu Mestre para lhes abrir logo que ele bater à porta" (Carta a
Raul, n. 4); isto constitui um apelo encorajador a que todos os cristãos
permaneçam vigilantes na oração a fim de acolher o seu Senhor!
2. Depois do Grande Jubileu da Encarnação, a celebração do nono centenário
da morte de São Bruno adquire hoje um ulterior relevo. Na Carta Apostólica
Novo millennio ineunte convido todo o povo de Deus a partir de Cristo, a
fim de permitir que todos os que têm sede de sentido e de verdade ouçam
bater o coração de Deus e o coração da Igreja. A Palavra de Cristo,
"estarei sempre convosco, até ao fim do mundo" (Mt 28, 20), convida todos
os que têm o nome de discípulos a tirarem desta certeza um renovado
impulso na sua vida cristã, força inspiradora do seu caminho (cf. Novo
millennio ineunte, 29). A vocação para a oração e para a contemplação, que
caracteriza a vida da Cartuxa, demonstra de modo particular que só Cristo
pode dar à esperança humana uma plenitude de significado e de
alegria.
Então, como duvidar um só instante que uma semelhante expressão do puro
amor dê à vida da Cartuxa uma extraordinária fecundidade missionária? No
retiro dos mosteiros e na solidão das celas, paciente e silenciosamente,
os Cartuxos tecem as vestes nupciais da Igreja, "bela como uma esposa que
se ataviou para o seu esposo" (Ap 21, 2); eles apresentam quotidianamente
o mundo a Deus e convidam toda a humanidade para a festa nupcial do Anjo.
A celebração do sacrifício eucarístico constitui a fonte e o auge de toda
a vida no deserto, conformando com o próprio ser de Cristo todos os que se
abandonam ao amor, a fim de tornar visíveis a presença e a acção do
Salvador no mundo, para a salvação de todos os homens e para a alegria da
Igreja.
3. No coração do deserto, lugar de prova e de purificação da fé, o Pai
conduz os homens por um caminho de despojamento que se opõe a qualquer
lógica do possuir, do sucesso e da felicidade ilusória. Guigues, o
Cartuxo, não se cansava de encorajar todos os que desejavam viver segundo
o ideal de São Bruno a "seguir o exemplo de Cristo pobre (para)...
participar nas suas riquezas" (Sur la vie solitaire, n. 6). Este
despojar-se requer uma ruptura radical com o mundo, que não é desprezo do
mundo, mas uma orientação tomada para toda a existência numa busca assídua
do supremo Bem: "Vós me seduzistes, Senhor, e eu me deixei seduzir" (Jr
20, 7). Feliz é a Igreja que pode contar com o testemunho dos Cartuxos, de
total disponibilidade ao Espírito e de uma vida inteiramente dedicada a
Cristo!
Por conseguinte, convido os membros da Família dos Cartuxos, através da
santidade e da simplicidade da sua vida, a permanecer como uma cidade em
cima do monte e como uma luz sobre o lucernário (cf. Mt 5, 14-15).
Radicados na Palavra de Deus, saciados pelos Sacramentos da Igreja,
amparados pela oração de São Bruno e dos irmãos, eles permanecem em toda a
Igreja e no centro do mundo "lugares de esperança e de descoberta das
bem-aventuranças, lugares onde o amor, haurindo na fonte da comunhão que é
a oração, é chamado a tornar-se lógica de vida e fonte de alegria" (Vita
consecrata, 51). Expressão sensível de uma oferta de toda a vida vivida em
união com a de Cristo, a vida de clausura, fazendo sentir a precariedade
da existência, convida a contar unicamente com Deus. É também "o lugar da
comunhão espiritual com Deus e com os irmãos e irmãs, onde a limitação dos
espaços e dos contactos ajuda à interiorização dos valores evangélicos
(Ibid., n. 59). De facto, a busca de Deus na contemplação é inseparável do
amor dos irmãos, amor que nos faz reconhecer o rosto de Cristo no mais
pobre dos homens. A contemplação de Cristo vivida na caridade fraterna
continua a ser o caminho mais seguro da fecundidade de qualquer vida. São
João não deixa de o recordar: "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros,
porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama, nasceu de Deus e
conhece-O" (1 Jo 4, 7). São Bruno compreendeu isto muito bem, ele que
nunca separou a prioridade que durante toda a sua vida conferiu a Deus da
profunda humanidade de que era testemunha entre os seus irmãos.
4. O IX centenário do Dies natalis de São Bruno oferece-me a oportunidade
de renovar a viva confiança à Ordem dos Cartuxos na sua missão de
contemplação gratuita e de intercessão pela Igreja e pelo mundo. A exemplo
de São Bruno e dos seus sucessores, os mosteiros dos Cartuxos não cessam
de despertar a Igreja para a dimensão escatológica da sua missão,
recordando as maravilhas que Deus realiza e vigiando na expectativa do
cumprimento último da esperança (cf. Vita consecrata, 27). Sentinela
incansável do Reino que há-de vir, procurando "ser" antes de "fazer", a
Ordem dos Cartuxos dá à Igreja vigor e coragem na sua missão, para se
fazer ao largo e permitir que a Boa Nova de Cristo acenda toda a
humanidade.
Nestes dias de festa da Ordem, rezo ardentemente ao Senhor para que faça
ressoar no coração de numerosos jovens o apelo a deixar tudo para seguir
Cristo pobre, ao longo do caminho exigente mas libertador do percurso dos
Cartuxos. Além disso, convido os reponsáveis da família dos Cartuxos a
responder sem receio aos apelos das jovens Igrejas, para fundar mosteiros
nos seus territórios.
Com este espírito, o discernimento e a formação dos candidatos que se
apresentam devem ser objecto de uma atenção renovada por parte dos
formadores. De facto, a cultura contemporânea, marcada por um forte
sentimento hedonista, pelo desejo de possuir e por uma concepção errónea
da liberdade, não facilita a expressão da generosidade dos jovens que
desejam consagrar a sua vida a Cristo, escolhendo percorrer, no seu
seguimento, o caminho de uma vida de amor oblativo, de serviço concreto e
generoso. A complexidade do caminho pessoal, a fragilidade psicológica, as
dificuldades de viver a fidelidade no tempo, convidam a fazer com que nada
seja descuidado, a fim de oferecer a todos os que pedem para entrar no
deserto da Cartuxa uma formação que inclua todas as dimensões da pessoa.
Além disso, dar-se-á uma particular atenção à escolha de formadores
capazes de seguir os candidatos ao longo do caminho da libertação interior
e da docilidade ao Espírito Santo. Por fim, sabendo que a vida fraterna é
um elemento fundamental do caminho das pessoas consagradas, convidar-se-ão
as comunidades a viver sem reservas o amor recíproco, criando um clima
espiritual e um estilo de vida conformes com o carisma da Ordem.
5. Queridos filhos e amadas filhas de São Bruno, como recordei no final da
Exortação pós-sinodal Vita consecrata, "vós não tendes apenas uma história
gloriosa para recordar e narrar, mas uma grande história a construir!
Olhai o futuro, para o qual vos projecta o Espírito a fim de realizar
convosco ainda grandes coisas" (n. 110). No coração do mundo, tornai a
Igreja atenta à voz do Esposo que fala ao seu coração: "Tende confiança!
Eu venci o mundo" (Jo 16, 33). Encorajo-vos a nunca renunciar às intuições
do vosso fundador, mesmo se o empobrecimento das comunidades, a diminuição
das entradas e a incompreensão suscitada pela vossa escolha de vida
radical vos possam fazer duvidar da fecundidade da vossa Ordem e da vossa
missão, cujos frutos pertencem misteriosamente a Deus!
A vós, estimados filhos e queridas filhas da Cartuxa, que sois os
herdeiros do carisma de São Bruno, compete conservar em toda a sua
autenticidade e profundidade a especificidade do caminho espiritual que
ele vos mostrou com a sua palavra e o seu exemplo. O vosso apreciado
conhecimento de Deus, alimentado na oração e na meditação da sua Palavra,
convida o povo de Deus a alargar o próprio olhar até aos horizontes de uma
humanidade nova e rica da plenitude do seu sentido e unidade. A vossa
pobreza oferecida para a glória de Deus e a salvação do mundo é uma
eloquente contestação das lógicas de rendimento e de eficácia que, muitas
vezes, fecham o coração dos homens e das nações às verdadeiras
necessidades dos seus irmãos. A vossa vida escondida com Cristo, como a
Cruz silenciosa plantada no coração da humanidade redimida, permanece de
facto para a Igreja e para o mundo o sinal eloquente e a chamada
permanente do facto que cada ser, hoje como ontem, se pode deixar prender
por Aquele que é amor.
Ao confiar todos os membros da família da Cartuxa à intercessão da Virgem
Maria, Mater singularis Cartusiensium, Estrela da evangelização do
terceiro milénio, concedo-vos a afectuosa Bênção apostólica, que faço
extensiva a todos os benfeitores da Ordem.
Vaticano, 14 de Maio de 200
14 janeiro 2010
Desabafo...
Por vezes sinto uma necessidade horrível de estar só. De me encontrar a sós com o único Deus e Senhor e falar-Lhe. Conversar é certo, agradecer sem dúvida, mas também puxar-Lhe as orelhas pelas coisas menos boas que vão ocorrendo nesta minúscula bola azul no meio de um não sei o quê. Gritar com Ele e perguntar o porquê de tantas atrocidades que cada vez mais ocorrem neste meio do azul. Dar-Lhe alguns socos valentes no estômago e dizer que os familiares que me tirou daqui foi uma grande maldade, logo quando mais precisava deles.Depois, abraça-Lo da maneira que se abraça um Pai e deixar cair as lágrimas contidas ao longo dos anos e pedir-Lhe perdão por estas palavras amargas e violentas porque, algures na minha alma, sei que o que Ele faz é sempre para o meu bem, mesmo que na altura dos acontecimentos pareçam tudo menos isso.
Por vezes (muitas vezes até) sinto uma necessidade imensa de estar só e tentar (por segundos que sejam) contemplá-Lo numa solidão (que é tudo menos isso) a dois e falar-Lhe dos que mais precisam, daqueles que não O conhecem e das maravilhas de faz.
11 janeiro 2010
15 dezembro 2009
Sensibilidade e bom senso

Um pequeno artigo que escrevi há dias para eventual publicação num dos jornais da ilha.
Não o Natal das 1001 luzes a piscarem dentro e fora da casa de cada um, mas sim o Natal da Luz Eterna. O Natal em que “Deus se tornou tão humilde ao ponto de ter vindo, não como um redemoinho avassalador ou um fogo devorador. O Criador de todas as coisas encolheu-se além da imaginação, tanto, tanto, tanto, que tornou-se num óvulo, um simples ovo fertilizado, quase invisível, um óvulo que se dividiria e se redividiria até que um feto fosse formado, expandindo-se célula por célula no ventre de uma jovem. “A imensidão enclausurada no seu amado ventre”, maravilhou-se o poeta John Donne. Ele “a si mesmo se esvaziou [...] humilhou-se a si mesmo”, disse o apóstolo Paulo de forma mais prosaica.” 1
Deus veio até nós, nessa humildade indescritível e nós o que fazemos Natal após Natal?
Gastamos dinheiro em prendas (e não lembranças), muitas delas fúteis e sem utilidade aparente, enquanto ao nosso lado, alguém passa fome sem sabermos (a denominada pobreza encoberta) e alguém pede apenas por pedir (a denominada pobreza de espírito).
Gastamos rios de dinheiro em coisas supérfluas e o essencial da vida é-nos dado quase de graça.
Somos soberbos ao ponto de gastarmos oceanos de dinheiro em inutilidades e pagarmos essas mesmas inutilidades em “suaves prestações”.
Onde mora a humildade de Deus feito Homem?
O verdadeiro Natal será aquele em que todos nós partilhemos afecto e amor com aqueles que são o oposto de nós e em especial com os mais carentes e necessitados, tal como Jesus Cristo, que nasceu no meio do nada e teve tudo aquilo que precisava naquela hora, naquele momento, principalmente os pastores, que na altura e na sociedade em que estavam inseridos não eram tidos nem achados.
O verdadeiro Natal, na minha modesta opinião, será aquele em que o Homem terá sensibilidade e bom senso para com o semelhante e para com todos os seres vivos. “Oxalá se tome consciência do essencial e de que falta tempo para ele: amar gratuitamente, descer ao centro da alma e procurar por lá uma palavra de vida eterna que dê sentido a tudo o que se faz.”2
Termino com uma oração peculiar proferida pelo Padre Joe Wright na abertura de uma nova secção do Senado de Kansas nos EUA:
"Senhor, viemos diante de Ti neste dia, para Te pedir perdão e para pedir a tua direcção.
Sabemos que a tua Palavra disse: 'Maldição àqueles que chamam "bem" ao que está "mal”, e é exactamente o que temos feito.
Temos perdido o equilíbrio espiritual e temos mudado os nossos valores.
Temos explorado o pobre e temos chamado a isso "sorte".Temos recompensado a preguiça e chamámo-la de "Ajuda Social".Temos matado os nossos filhos que ainda não nasceram e temo-lo chamado “a livre escolha".
Temos abatido os nossos condenados e chamámo-lo de "justiça".
Temos sido negligentes ao disciplinar os nossos filhos e chamámo-lo “desenvolver a sua auto-estima”.
Temos abusado do poder e temos chamado a isso: "Política".Temos cobiçado os bens do nosso vizinho e a isso temo-lo chamado "ter ambição".
Temos contaminado as ondas de rádio e televisão com muita grosseria e pornografia e temo-lo chamado "liberdade de expressão".
Temos ridicularizado os valores estabelecidos desde há muito tempo pelos nossos ancestrais e a isto temo-lo chamado de "obsoleto e passado".
Oh Deus! Olha no profundo dos nossos corações; purifica-nos e livra-nos dos nossos pecados.
Ámen. “
2 “ Se tu soubesse o dom de Deus” de Luís Rocha e Melo SJ
Um Cristão como os demais
14 dezembro 2009
Amalia Rodrigues
30 outubro 2009
Ernâni Lopes (Portugal funciona mal à séculos)
26 outubro 2009
Citação do livro "O Jesus que eu nunca conheci"
22 outubro 2009
Stat crux dum volvitur orbis
09 outubro 2009
Como dizia Santa Brígida
01 outubro 2009
Um pensamento
10 setembro 2009
Um pensamento
31 agosto 2009
Desabafos I
Por vezes ponho-me a pensar se estarei no caminho certo.
Por vezes penso se o passo seguinte será o correcto.
Ponho-me a pensar se o caminho para Deus é aquele onde ando, com todas as suas imperfeições, frustrações e tentações.
Ponho-me a pensar se nós estaremos correctos e somos cristãos de corpo e alma, ou só de corpo.
Por vezes sinto que a nossa igreja vive um catolicismo morno, onde o verdadeiro fogo da paixão só aqui ou ali, só a este(a) ou aquele(a), ferve até ás entranhas da alma. Já a maioria de nós, onde infelizmente me incluo na maioria do tempo, vivemos num eterno marasmo. Muitas vezes vivemos como a cruz onde Cristo foi pregado e crucificado, impávidos e serenos. Mas Cristo foi tudo menos isso. Cristo palmilhou terra atrás de terra a ensinar. Cristo carregou consigo terra e pó de muitos e dispersos lugares, e nós?
A grande maioria de nós, vai à missa ao Domingo, dias santos, casamentos, baptizados, funerais e pouco mais, para além de que, vão porque fica bem, não por outra coisa mais profunda.
Nesta sequência lembro-me de ter lido algures que Eugenio Scalfari (escritor entre outras actividades) disse ao cardeal Carlo Martini que não acreditava em Deus e disse-o "com plena tranquilidade de espírito", ao qual o cardeal lhe respondeu: "Eu sei, mas não estou preocupado por causa de si. Por vezes, os não crentes estão mais próximos de nós do que muitos devotos fingidos".
No fundo sei que o ser apenas homem de carne e osso é isso mesmo. Ter de vez enquanto dúvidas, incertezas e outras teias de aranha na cabeça. Por isso, muitos de nós não passam da porta de entrada do Cristianismo, no entanto humildemente penso que, mais vale um pouco de Luz do que a Escuridão total.
Por vezes, nesta minha procura/descoberta de Cristo, vejo-me como os habitantes das cavernas na alegoria de Platão, vejo apenas sombras criadas pela luz, não a própria luz, mas como Deus é amor, sei que um dia verei a própria Luz.
Por vezes, não sei se estarei certo, mas nessas muitas vezes do “por vezes”, muitas vezes sinto sem ver que Ele está presente.
23 de Julho de 2009
28 agosto 2009
O leve toque de Deus
30 julho 2009
Agora penso saber
23 julho 2009
O não crente e o cardeal
Scalfari, cujo último livro é L'uomo che non credeva in Dio (O homem que não acreditava em Deus), disse ao cardeal que não crê em Deus e que o diz "com plena tranquilidade de espírito". E o cardeal: "Eu sei, mas não estou preocupado por causa de si. Por vezes, os não crentes estão mais próximos de nós do que muitos devotos fingidos".
Então, o que é que o preocupa verdadeiramente, quais são, na Igreja, os problemas mais importantes? Resposta: "Antes de mais, a atitude da Igreja para com os divorciados, depois, a nomeação ou a eleição dos bispos, o celibato dos padres, o papel do laicado católico, as relações entre a hierarquia eclesiástica e a política. Parecem-lhe problemas de solução fácil?"
A nossa sociedade está cada vez mais invadida pela indiferença e são o individualismo e a procura exacerbada dos próprios interesses que cavam fundo o abismo entre a fé e a caridade. Talvez ainda se vá uma ou outra vez à missa e se ponha os filhos em contacto com os sacramentos. Mas esquece-se o essencial: a caridade. Ora, "sem caridade, a fé é cega. Sem a caridade, não há esperança nem justiça". Entenda-se: a caridade não é esmola, é atenção ao outro, compreensão e reconhecimento do outro, presença ao outro na sua solidão, "comunhão de espíritos, luta contra a injustiça". O verdadeiro pecado do mundo é a injustiça e a desigualdade, que bradam aos céus. Jesus disse que "o reino de Deus será dos pobres, dos débeis, dos excluídos".
Para Martini, a questão fundamental não está na escassa frequência dos sacramentos, da missa, das vocações, que são "aspectos externos". "A substância é a caridade, a visão do bem comum e da felicidade comum", incluindo a das gerações futuras. (...para lerem o resto da opinião)
16 julho 2009
Uma generalização
02 julho 2009
Terço dos Cartuxos
Cada Ave-Maria, com sua cláusula, vai concluída com um «Amén» e um breve momento de silêncio para meditar.
1. Que tu, Virgem pura, concebeste do Espírito Santo. Amén.
2. Que tu foste através da montanha ao encontro de Isabel.
3. Que tu, serva pura, concebeste com grande alegria.
4. Que tu envolveste em faixas e deitaste num presépio.
5. Que os Santos Anjos louvaram com cânticos celestes.
6. Que os pastores procuraram e encontraram em Belém.
7. Que foi circuncidado ao oitavo dia e chamado Jesus.
8. A quem os três Reis Magos ofereceram ouro, incenso e mirra.
9. Que tu apresentaste no Templo a Deus seu Pai.
10. Com quem tu fugiste para o Egito e donde regressaste sete anos depois.
11. Que tu perdeste em Jerusalém e reencontraste três dias depois.
12. Que crescia todos os dias em idade, em graça e em sabedoria.
13. Que São João batizou no Jordão.
14. Que Satanás tentou e não venceu.
15. Que anunciou ao povo o Reino dos Céus com os seus discípulos.
16. Que curou muitos doentes com o poder de Deus.
17. De quem Maria Madalena lavou os pés com as suas lágrimas, enxaguou-os com os cabelos e ungiu-os com perfume.
18. Que ressuscitou dos mortos Lázaro e outros.
19. Que foi transfigurado no Tabor diante dos seus discípulos.
20. Quem, no dia de Ramos, em Jerusalém, foi recebido com grande pompa.
21. Quem, na última ceia, deu o seu corpo aos discípulos.
22. Quem rezou no Jardim das Oliveiras e suou gotas de sangue.
23. Quem se deixou prender, amarrar e conduzir de um juiz ao outro.
24. Que muitas testemunhas acusaram falsamente.
25. De quem a santa face foi escarnecida, velada e impressionada.
26. Quem, despojado seus vestidos, atado a uma coluna, foi duramente golpeado.
27. Que foi cruelmente coroado de espinhos.
28. Diante de quem dobravam o joelho e adoravam com desprezo.
29. Que foi condenado injustamente a uma morte ignominiosa.
30. Que transportou a cruz sobre os seus santos ombros.
31. Quem, ao voltar-se, te dirigiu a palavra, a ti sua mãe, assim como a outras mulheres.
32. Quem foi cravado na cruz pelas mãos e pés.
33. Quem rezou por aqueles que o crucificavam, o torturavam e o matavam.
34. Quem disse ao bom ladrão: «Hoje mesmo estarás comigo no paraíso».
35. Quem te confiou, a ti sua mãe contristada, a João seu discípulo bem amado.
36. Quem gritou: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?».
37. Quem foi dessedentado com fel e vinagre, quando disse: «Tenho sede! ».
38. Quem disse: «Pai, entre as tuas mãos entrego o meu espírito!».
39. Quem disse em último lugar: «Tudo está consumado!».
40. Quem sofreu uma morte cruel por nós, pecadores. Amén. Louvor a Deus!
41. Cujo lado foi perfurado, donde correu sangue e água.
42. Quem, descido da cruz, tu recebeste sobre os teus joelhos, como normalmente se crê.
43. Quem homens justos e bons embalsamaram e sepultaram.
44. Cuja alma santa desceu aos infernos e libertos e libertou os nossos Pais.
45. Que ressuscitou dos mortos ao terceiro dia. Aleluia!
46. Quem te alegrou com uma muito grande alegria, a ti e àqueles a quem apareceu. Aleluia!
47. Quem também, na tua presença subiu ao céu e está sentado à direita de seu Pai. Aleluia!
48. Quem um dia julgará os vivos e os mortos.
49. Quem enviou aos seus fiéis o Espírito Santo no dia do Pentecostes.
50. Quem te fez subir ao céu, a ti sua dulcíssima Mãe, para estar com Ele, que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo agora e sempre. Amén.
05 junho 2009
Cegueira

É cega de nascença, no entanto, no meio dos ruídos que nos rodeiam diariamente, consegue ouvir o monólogo cantado de um rouxinol algures.
Nasceu assim, sem pedir, no entanto, “vê” tudo o que se passa à sua volta, as texturas, as cores, os sorrisos, as lágrimas, as alegrias ou as tristezas.
Apesar de ser de nascença, vive a sua vida, como qualquer um de nós, tem uma família, trabalha e é feliz.
Pergunto:
- Será que nós, aqueles que vemos tudo e todos, vemos tão bem como esta pessoa que é cega de nascença ou ela, é que na sua cegueira consegue ver muito melhor do que nós, que apesar de tudo, não passamos de meros invisuais da vida?
22 maio 2009
Vim Aqui
Vim aqui, ó virgem MãeSem saber o que dizer
Eu olhava a tua imagem
Não a conseguia ver
Sentei-me e assim fiquei
Em silêncio a pensar
Senti descer, ó Mãe
Sobre mim o teu olhar
Foi então que eu comecei
Com alegria a rezar
Um poema belo, não só pela sua simplicidade mas também pela profundidade contida nele. Como nem só da letra se vive aqui está o link de onde podem fazer o download dele cantado.
03 maio 2009
A Oração, o caminho para Deus

20 abril 2009
Marta e Maria
Em Lucas 10 (38-42), temos a seguinte passagem:Durante a leitura do livro "Deus responde no deserto" encontrei a seguinte passagem, a respeito do acima mencionado:
"FECUNDIDADE DA VIDA CONTEMPLATIVA
Entre os variados e profundos aspectos da vida contemplativa que particularmente nos interessam e que, por assim dizer, nos dão segurança, situa-se a sua fecundidade apostólica: fecundidade que se realiza na maior medida, apesar das condições e dos meios que pareceriam próprios a impedi-la, o isolamento e o silêncio. É verdade que a actividade apostólica, na sua expressão mais usual, concretiza-se pelo movimento e pela palavra. O próprio Salvador a definiu na missão conferida aos Apóstolos: «Ide e pregai a todas as gentes». Não é no entanto menos verdade que a vida contemplativa — a «melhor parte» segundo palavras do mesmo Jesus — transforma elementos aparentemente opostos em validíssimos instrumentos de uma idêntica finalidade e de um mesmo resultado.
«A paixão missionária e o sentimento eclesial são componentes fundamentais de toda a autêntica vida contemplativa. A contemplação, como conhecimento de Deus, não é só um mistério de intimidade individual, mas também um mistério, de união com os irmãos. Servo e adorador de Deus, mas também filho da terra, o contemplativo não pode deixar de ser bem humano, de se encontrar muito presente no coração do mundo. Não só presta homenagem à transcendência divina, como sabe encontrar em Deus um amor ardente pelo próximo."
Realmente, quer a passagem na Sagrada Escritura, quer esta passagem do livro em questão mostra-nos a "diferença" entre a vida activa e a vida contemplativa no seio da Santa Igreja. No meu fraco entender uma não substitui a outra, no entanto, não devemos descurar a parte contemplativa, não devemos passar ao lado daqueles(as) irmãos(as) que vivem apenas na contemplação, "a melhor parte" segundo Nosso Senhor Jesus Cristo.
É certo que todos nós (meros cordeiros de um rebanho maior), temos um pouco das duas. Umas vezes somos Marta e outras vezes somos Maria mas se, a melhor parte é a contemplação, tentemos contemplar mais o Divino e oremos por aqueles (as) que "apenas" O contemplam.
16 abril 2009
É A ESTA ESTUPEFACÇÃO QUE SE CHAMA EVANGELHO OU BOA NOVA - por D. ANTÓNIO COUTO
1. «Do SENHOR veio isto:/ isto é MARAVILHOSO (niphla’t / thaumastê) aos nossos olhos! ESTE-O-DIA que fez o SENHOR:/ exultemos e alegremo-nos nele!» (Salmo 118,23-24).2. Não é um dia cíclico, um dia entre outros dias, o dia que o salmista aclama! Os dias, de resto, fê-los todos o SENHOR (Génesis 1,1-2,3). Trata-se aqui de um DIA novo, e sem série (cf. Eclesiástico 33,7-9). É o profético «DIA do SENHOR», aqui totalmente cheio da acção benfazeja do SENHOR!
3. Os Evangelhos documentam esta alegria grande e nova e esta ESTUPEFACÇÃO MARAVILHOSA a abrir o nascimento de JESUS e o DIA novo da sua Ressurreição. Alegria grande (chará megálê) evangelizada (euaggelízomai) aos pastores, mas que é para todo o povo (Lucas 2,10). De facto, todos quantos escutaram os pastores ficaram MARAVILHADOS (thaumázô) (Lucas 2,18). Em estado de MARAVILHA (thaumázôn: particípio presente) ficou Pedro quando leu os sinais do túmulo aberto (Lucas 24,12), e depois os Onze e os outros com eles, movidos pela alegria (chará) e pela MARAVILHA (thaumázontes: particípio presente) (Lucas 24,41), um versículo sobrecarregado com as notas da alegria incontida e da esfuziante MARAVILHA.
4. Só assim, em estado de MARAVILHA permanente, Maria Madalena pode ir anunciar: «VI (heôraka) o SENHOR!» (João 20,18), e os Dez podem dizer a Tomé, chamado o Gémeo, talvez nosso: «VIMOS (heôrákamen) o SENHOR!» (João 20,25). Os dois verbos «ver» estão no tempo perfeito, pelo que, de facto, significam: «VI e continuo a VER», «VIMOS e continuamos a VER». Um VER perfeito.
5. Lendo muito bem o mistério de Cristo, o Papa João Paulo II, no início do seu Pontificado, deixou escrito, com palavras luminosas, na Encíclica Redemptor Hominis, n.º 10, de 04 de Março de 1979, que o homem deve «apropriar-se e assimilar toda a realidade da Encarnação e da Redenção para se encontrar si mesmo», e ficar assim «MARAVILHADO face a si mesmo», «ESTUPEFACTO perante o seu valor e dignidade». E acrescenta ainda que é «a esta ESTUPEFACÇÃO que se chama Evangelho ou Boa Nova».
6. Os missionários cultivam a alegria, o espanto e a MARAVILHA, e compete-lhes colocar este mundo em estado de MARAVILHA, ou não fôssemos nós também testemunhas destas coisas (cf. Lucas 24,48; Actos dos Apóstolos 2,32). E, portanto, somos nós, somos nós, Senhor, a prova de que Tu ressuscitaste!
7. Uma Páscoa cheia de CRISTO RESSUSCITADO, MARAVILHA do SENHOR aos nossos olhos, meu irmão da Páscoa.
António Couto
01 abril 2009
Regresso
18 março 2009
12 março 2009
"Deus responde no deserto"
De 25 a 29 desde mês vou estar em “retiro” no rancho de romeiros do qual faço parte. Este ano, sinto que preciso de “atravessar um deserto”. Um deserto de jejum e abstinência, um deserto de "pão e água". No meio dos restantes irmãos, não quero ser diferente deles, no entanto, preciso de sentir a “aridez” que por vezes (sem que seja de propósito) faço os outros passarem. Preciso de sentir a “falta de alimento” (atenção, carinho, compreensão, dialogo…) que por vezes (sem que seja de propósito) faço os outros passarem.Não sei se serão sinais divinos ou meramente conjugações que a minha mente vai fazendo mas, tal como o livro que estou a ler que dá pelo título de “Deus responde no deserto” espero que ao atravessar este deserto de 5 dias Ele me responda. Não sei bem a quê, muito honestamente, mas sei e sinto que Ele vai-me responder a algo.
Fiquem com Deus e Sua Mãe Maria Santíssima
02 março 2009
Simão, O Cirineu




















