22 novembro 2010

Um pensamento pela manhã


"Perdoai-me Senhor, não pelas tentações a que estou sujeito,
mas sim por aquelas a que sucumbi."

12 novembro 2010

Um nome sem importância

"UM NOME SEM IMPORTÂNCIA

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada

Voz da Verdade, 2010.11.14


Se há alguma importância em se chamar Ernesto[1], não há nenhuma em chamar-se Dora. Com efeito, a mulher que teve este nome não foi vedeta, nem actriz, não foi famosa, nem rica, não escreveu livros, nem foi conhecida pela sua beleza ou por outro atributo. Aliás, passou desapercebida, viveu e morreu discretamente, depois de uma vida de trabalho silencioso, sem mais história do que a história de uma vulgar empregada doméstica, que mais não foi do que isso mesmo, toda a sua vida.

Dora del Hoyo nasceu em 1914 em Espanha, mas em 1946 mudou-se para a capital italiana, onde viveu e trabalhou para a sua família: o Opus Dei. Como profissional, entregou-se de alma e coração às tarefas domésticas na sede da prelatura. Lavou pratos e tachos, limpou o pó, cozinhou, tratou das roupas, como qualquer dona de casa, até à data da sua morte, a 10 de Janeiro de 2004, em Roma. Aí repousa agora, ao lado da campa onde esteve sepultado o fundador, S. Josemaria Escrivá, e onde está agora o corpo de D. Álvaro del Portillo, primeiro prelado do Opus Dei. Os corpos deste bispo e desta empregada doméstica são os únicos que, de momento, se encontram na cripta da igreja prelatícia de Santa Maria da Paz, onde antes estiveram os restos mortais de S. Josemaria, até à sua trasladação para o respectivo altar, por ocasião da sua beatificação e posterior canonização.

Quem imaginaria uma simples mulher-a-dias na necrópole dos Papas?! Ou uma pobre e desconhecida operária no mausoléu do Kremlin?! Ou uma velha criada enterrada entre os túmulos dos reis, em São Vicente de Fora?! Ou ainda uma cozinheira no panteão nacional de Santa Engrácia?! Contudo, a poucos centímetros de onde jazeu o fundador do Opus Dei e agora repousam os restos do seu sucessor, um só corpo recebeu sepultura: o de Dora del Hoyo, empregada doméstica.

No Opus Dei há alguns cardeais, bastantes bispos, milhares de sacerdotes, muitos já falecidos, alguns com fama de santidade mas, até à data, mais nenhum, salvo o primeiro sucessor do fundador, mereceu o privilégio outorgado a esta simples operária do lar. Muitos são os fiéis leigos defuntos do Opus Dei que, nestes quase noventa anos de serviço à Igreja e ao mundo, se notabilizaram pelo seu trabalho: catedráticos, generais, políticos, artistas, embaixadores, literatos, cientistas, almirantes, jornalistas, etc. No entanto, é uma empregada doméstica que ocupa aquela tão especial sepultura. Uma mulher a que não se ficou a dever nenhuma invenção, nenhuma novidade, nem sequer nenhuma receita memorável. Apenas serviu, serviu a Deus e aos homens, serviu a Igreja, servindo os seus irmãos e irmãs da prelatura e muitas outras almas. Com alegria, com devoção, com profissionalismo, com amor, com perseverança, com simplicidade e, sobretudo, sem se dar nenhuma importância, porque a não tinha.

Há uma meia dúzia de anos que Dora descansa no subsolo da igreja de Santa Maria da Paz. E, apesar de muitos fiéis visitarem a cripta, onde é bem visível o nicho com o seu nome, ninguém sabe, nem tem por que saber, a grandeza da sua vida prosaica, tão mariana. A sua singela presença naquele lugar, onde aguarda a ressurreição dos mortos, é tão apagada quanto foi a sua vida: não se deve a nenhum principesco favor, nem é demagogia barata, mas a genuína expressão de uma revolucionária verdade – a igual nobreza de todas as profissões humanas e a comum dignidade eclesial de todos os filhos de Deus.

P. Gonçalo Portocarrero de Almada
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[1] A Importância de se chamar Ernesto [The Importance of Being Earnest] comédia escrita por Oscar Wilde, em 1895. "

11 novembro 2010

Partiu para o Pai o "Senhor do Adeus"

"Eu sou o Senhor do Olá"

"Chamam-me o Senhor do Adeus, mas eu sou o Senhor do Olá. Aquele que acena no Saldanha, a partir da meia-noite. Tudo isto é solidão? Essa senhora é uma malvada, que me persegue por entre as paredes vazias de casa. Para lhe escapar, venho para aqui. Acenar é a minha forma de comunicar, de sentir gente", escrevia, em Março de 2008, o Expresso sobre João Manuel Serra, salientando: "São quase duas da manhã e os carros não param de lhe apitar. Nem eu de lhes acenar. Só fico triste quando o movimento acaba."
"Venho para a Praça Duque de Saldanha, desde que fiquei nas mãos de não ter ninguém. Nasci aqui perto, na casa da minha avó. Um palacete tão bonito, que o Calouste Gulbenkian quis comprá-lo. Vê-se que foi um menino rico. Sou filho de gente abastada, nunca trabalhei nem entrei numa cozinha", acrescentava o semanário, citando o "Senhor do Adeus".

Não o conheci mas, pelo que li, apesar de tudo o resto foi um Cristão exemplar. Com este seu gesto, de certeza que muitas almas deve ter salvo de tanta coisa menos boa...apenas com um gesto, um Adeus ou um Olá, como queiram dizer.

02 novembro 2010

65 -Sufrágios

"Já que somos membros os uns dos outros, convém que na oração levemos os fardos dos homens, nossos irmãos, e primeiro que tudo intercedamos:

Resumo das pessoas pelas que oferecemos sufrágios:

Por nossos Superiores

Pelo Papa.

Pelo Reverendo Pai, Prior da Cartuxa, como Ministro Geral de nossa Ordem e Pastor de todos nós.

Pelo Procurador geral.

Pelos Visitadores.

Pelo Prior.

Pelos parentes e benfeitores recém falecidos.

Pela Igreja universal e pela Ordem.

Por nosso Santo Pai em Cristo, o Papa reinante.

Pela conservação da unidade da Ordem.

Para impetrar o auxílio celestial a fim de que todos se congreguem na única Igreja de Cristo.

Pela paz e tranquilidade de todas as nações, e pelos que as governam.

Pelas autoridades da nação de cada Casa da Ordem.

Pelo próprio Bispo de cada Casa.

Pelas pessoas da Ordem que estão em perigo de alma e corpo, e para consolação das mesmas.

Por todos nossos benfeitores, pelos parentes, encomendados e amigos de todas as pessoas da Ordem, e pelos que temos obrigação.

Outros sufrágios pelos defuntos

Depois da solenidade de Pentecostes, em todas as Casas da Ordem se celebram duas Trintários gerais:

um por todos os fiéis defuntos detentos no Purgatório;

o segundo, pelos parentes, benfeitores, encomendados e amigos de todas as pessoas da Ordem, pelos que têm participação na Ordem, e pelos que temos obrigação.

Ainda que são muitos os sufrágios que aplicamos por determinadas pessoas, confiamos em que, pela Misericórdia divina, todas nossas orações têm de aproveitar antes de nada à Igreja universal, para louvor da glória de Deus. "

Termino aqui os Estatutos desta Ordem. Pela numeração faltam alguns capitulos mas foi assim que me chegou este livro.

62 -Sacramentos

"A Penitência

No sacramento da Penitência o Pai das misericórdias, pelo Mistério Pascal de seu Filho, nos reconcilia no Espírito consigo, com a Igreja e conosco mesmos. Recomendamos, pois, a todos que frequentem este sacramento pelo qual a conversão do coração, fim próprio do monge, insere-se no mistério da morte e ressurreição de Cristo.

O Prior tem o dever de designar alguns monges, entre os de maior discrição, para ouvir as confissões dos demais.

Ademais, qualquer pessoa da Ordem, para tranqüilidade de sua consciência, pode válida e licitamente confessar-se com qualquer confessor que tenha faculdade para isso.

A respeito da confissão de pessoas estranhas à Ordem, que se tem de evitar quanto seja possível, e das mulheres, que não se as deve confessar de nenhum modo. "

01 novembro 2010

54 -Cerimônias do Ofício na cela

"O Ofício canônico.

Se alguma vez a evidente debilidade ou a excessiva fadiga nos obriga a sentar-nos durante o Ofício divino, ou se estamos em cama por razão de doença, rezemos, não obstante, com a reverência possível.

Porque no Ofício divino, onde quer que se reze, tem-se de guardar cuidadosamente reverência e dignidade, por ser em todo lugar uma mesma a Majestade e Divindade daquele em cuja presença falamos, e que nos olha e atende. "

53 -Cerimônias conventuais no Ofício

"Reunião na igreja

Logo que ouvimos o sinal para cantar conventualmente na igreja as Horas do Ofício divino, deixando todas as outras ocupações, devemos encaminhar-nos com prontidão a ela, guardando o maior recolhimento e gravidade. Porque nada é lícito antepor à “obra de Deus”.

Ao entrar na igreja, benzemo-nos com água bendita, e vamos a nossas cadeiras; antes de entrar nas formas fazemos inclinação profunda ao Santíssimo Sacramento. Fazemos também dita inclinação nas arquibancadas do presbitério, sempre que a ele subimos ou dele baixamos, ou quando passamos ante o Santíssimo.

Ao chegar às cadeiras ficamos de pé, voltados para o altar e talheres, preparando-nos em silêncio para o Ofício; dada o sinal pelo Presidente, inclinamo-nos ou nos ajoelhamos para a oração, segundo o peça o tempo.

Enquanto se faz oração em silêncio antes uma Hora, não entramos à igreja.

Pelos intervalos de silêncio, nossa oração pessoal se une mais intimamente à Palavra de Deus e à voz pública da Igreja.

Na igreja evitamos todo ruído por reverência à divina Majestade; estamos com o devida compostura; temos as mãos fora da cogula. Sempre e em todas as partes temos de ter a vista recolhida, mas principalmente na igreja e o refeitório.

Cantadas as Horas ou finda a Missa ou outro Ofício, o Prior sai o primeiro da igreja, depois o Vigário e, seguidamente, os demais. Ninguém deve deter-se então na igreja ou outra parte, a não ser que uma evidente necessidade o justifique. "

31 outubro 2010

52 -O canto litúrgico

"Modo de cantar e salmodiar

Nossa Ordem reconhece como próprio de sua Liturgia o canto gregoriano.

Devemos participar nos divinos louvores com atendimento e fervor de espírito e estar ante o Senhor não só com reverência, senão também com alegria, não com frouxidão nem sonolência, nem poupando a voz, nem mutilando os vocábulos, senão pronunciando com tom e afeto varonil, como é devido, as palavras do Espírito Santo.

Guardem-se a simplicidade e cadência no canto, para que esteja impregnado de gravidade, e fomente a devoção; já que devemos cantar e salmodiar ao Senhor tanto com o coração como com os lábios. Será ótima nossa salmodia se nos apropriamos o mesmo afeto íntimo com que foram escritos os salmos e cânticos.

Evitem-se na salmodia a lentidão e a precipitação. Cante-se com voz plena, viva e ágil, de sorte que todos possam salmodiar devotamente e cantar com atendimento, sem dissonâncias, com afeto e perfeição.

Na mediante fazemos uma boa pausa. Comecemos e concluamos todos a um tempo o princípio, a divisão e o fim do versículo. Ninguém se permita adiantar-se aos demais nem apressar-se; cantemos todos a uma, todos a uma façamos as pausas, escutando sempre aos outros.

Em toda leitura, salmodia ou canto, não descuidemos acentuar e concertar bem os vocábulos, quanto seja possível, porque o entendimento capta e saboreia ao máximo o sentido, quando se pronuncia com propriedade.

É sumamente conveniente que se forme bem aos noviços no canto e são dignos de louvor os que, depois de sair do noviciado, nunca descuidam tal estudo.

Nas Casas da Ordem celebre-se cantado tanto o Ofício do dia como o da noite, sempre que assistam ao coro ao menos seis padres hábeis.

Os chantres, que estão à frente de cada coro devem ser peritos para poder dirigir bem e oportunamente aos demais na salmodia e canto na forma dita, mas sob a direção e autoridade do Prior. É ademais dever seu corrigir com modéstia os que cantam demasiado lenta ou apressadamente, ou de modo diferente a como está prescrito, mas é melhor do que o façam fora do coro.

Os chantres, em seu coro, sobem ou baixam o tom dos salmos e de todo o canto do Ofício divino, quando pareça conveniente, com o fim de que todos possam cantar comodamente.

Nenhum outro, estando eles presentes, pode corrigir o canto do coro, exceto o Prior ou, em sua ausência, o Vigário.

Perseveremos, pois, nesta maneira de salmodiar, cantando em presença da Santíssima Trinidade dos santos Anjos, inflamados em divino temor e íntimos anseios de Deus. Que o canto eleve nosso espírito à contemplação das realidades eternas, e que a harmonia de nossas vozes aclame jubilosa a Deus nosso Criador. "

41 -A Liturgia em nossa Ordem

"Cume e fonte.

A Liturgia é a cume à qual tende a atividade da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte de onde mana toda sua força. Nós, que o deixamos tudo para procurar a só Deus e possuí-lo mais plenamente, devemos celebrar o culto litúrgico com especial fervor. Pois enquanto realizamos os ritos sagrados, especialmente a Eucaristia, ao ter acesso a Deus Pai por meio de seu Filho, o Verbo encarnado, que padeceu e foi glorificado, na efusão do Espírito Santo, conseguimos a comunhão com a Santíssima Trindade.

Signo de contemplação

Quando celebramos no coro o culto divino ou recitamos na cela o Ofício, nossos lábios pronunciam a prece da Igreja universal, pois a oração de Cristo é única, e por meio da sagrada Liturgia se faz extensiva a cada um de seus membros. Ademais, entre os monges solitários os atos litúrgicos manifestam de um modo peculiar a índole da Igreja, na qual o humano está ordenado e subordinado ao divino, o visível ao invisível, a ação à contemplação.

Complemento da oração solitária.

Nossos Padres, ao correr dos séculos, tentaram que nosso rito se conservasse adaptado a nossa vocação eremítica e ao reduzido de nossas Comunidades; por isso é singelo, sóbrio e ordenado antes de mais nada à união da alma com Deus. Nossa Mãe a Igreja, como sabemos, aprovou sempre a diversidade de ritos litúrgicos, que manifesta melhor sua catolicidade e unidade. E assim, por meio dos ritos sagrados podemos expressar as mais profundas aspirações do Espírito, e a oração que brota do íntimo do coração adquire uma nova perfeição ao reconhecer-se a si mesma nas palavras sagradas.

A Liturgia se completa com a oração solitária.

Por outra parte, a oração comunitária que fazemos nossa pela celebração litúrgica, prolonga-se na oração solitária com a que oferecemos a Deus um íntimo sacrifício de louvor que está acima de toda ponderação. A solidão da cela é, efetivamente, o lugar onde o alma, cativada pelo silêncio e esquecida de toda humana preocupação, participa da plenitude do Mistério pelo que Cristo, crucificado e ressuscitado, retorna ao seio do Pai. Assim o monge, ao tender incessantemente à união com Deus, realiza em si mesmo todo o significado da Liturgia. "

30 outubro 2010

38-Eleição do Prior

"Quando alguma Casa da Ordem fica sem Prior, o Vigário deve averiguar por votação secreta dos professos solenes que têm direito a eleger, se querem fazer a eleição do novo Prior. Se então se celebra o Capítulo Geral, a Casa comunicará quanto antes sua resposta ao Definitório. Se não quer eleger, ou se verificado um segundo escrutínio há ainda empate a votos, o Vigário peça ao Capítulo Geral ou, se então não se celebra, ao Reverendo Pai, que segundo sua prudência proveja à Casa em sua necessidade.

Se a Comunidade responde que quer eleger, o Vigário deverá admoestar seriamente no Senhor aos eleitores que a eleição de pastor de almas é assunto muito árduo e de suma importância, já que o bem ou o mal de toda a grei depende quase inteiramente de que o pastor seja bom ou mau; e que, por tanto devem proceder neste assunto com toda retidão, prudência e temor de Deus. Na eleição de Prior se deve atender antes de mais nada às dotes necessárias para o governo das almas. Também se requer alguma aptidão para a administração temporária, mas por si só não pode determinar a dar o voto; ademais, o cuidado do temporário se pode encomendar a outras pessoas.

Uma vez que o Vigário propôs tudo isto, prescreve-se a todos um jejum de três dias consecutivos, a não ser que se interponha uma Solenidade ou um Domingo.

Cada dia, até que tenha Prior, a Comunidade, depois de Laudes e de Vésperas canta com especial devoção o hino Veni, Creator Spiritus, como o traz o Ritual.

Todos podem licitamente, mais ainda devem, conferir aos membros da Ordem que conhecem melhor às pessoas. Mas guardem-se os religiosos assim conferidos de pressionar em modo algum aos eleitores.

Convocar-se-á o antes possível aos Confirmadores que devem presidir a eleição. Serão dois Priores, designados pelo Capítulo Geral ou o Reverendo Pai, ou se não podem achar-se facilmente dois Priores, um com um monge (que não seja da Casa eleitora). Se nada o impede, um dos dois Confirmadores deve ser um dos Visitadores da Província.

Os assim convocados para assistir à eleição, unam-se à Comunidade eleitora no silêncio e a oração, sem intrometer-se na futura eleição de nenhum modo. Sua missão não é designar pessoas, senão somente responder com toda verdade a quem lhes perguntem, e receber simplesmente os votos dos eleitores.

O dia em que se faz a eleição, celebra-se ou concelebra a Missa do Espírito Santo, com assistência de toda a Comunidade; preside um dos Confirmadores. Depois, o Vigário convoca no Capítulo aos Confirmadores e à Comunidade. Ali, estando todos de pé e descobertos, o Confirmador principal começa as preces que traz o Ritual. Depois, ele ou seu colega faz uma exortação. Terminada esta, ficam no Capítulo unicamente os eleitores com os confirmadores; os demais de retiram.

Então o Confirmador principal adverte a todos os eleitores que elejam a quem segundo Deus e sua consciência, julguem que é verdadeiramente apto e idôneo para o cargo de Prior naquela Casa.

Depois disto, o Confirmador principal manda que cada qual vá ao lugar destinado para escrever as papeletas, nas que só se põem o nome e sobrenome do proposto para Prior. Imediatamente se mete a papeleta num envelope, leva-se à mesa dos Confirmadores e se joga na urna ali preparada ao efeito.

Se algum dos que têm voto não pode assistir pessoalmente à eleição poderá escrever uma papeleta e metê-la num envelope, igual que os demais. E os mesmos Confirmadores irão a sua cela, se é necessário, para recolher o voto.

Feita a votação, o Confirmador principal conta as papeletas e asabre. É preciso que o futuro Prior obtenha mais da metade dos votos emitidos de fato, isto é, sem contar os votos nulos e as abstenções. Se nenhum os atinge, os Confirmadores darão os nomes dos que obtiveram votos e dirão quantos recaíram sobre cada um. Então se queimarão ali as papeletas e se voltarão a escrever outras novas.

Se depois da terceira votação ninguém fica eleito, pode-se fazer uma quarta e última votação o mesmo dia; antes da qual poderão sair os monges fora do Capítulo e trocar opiniões entre si, mas sem falar com outros. Se finalmente não sai nenhum eleito, terá que escrever todo o assunto ao Reverendo Pai, quem, depois de ouvir aos Visitadores da Província proverá à Casa privada de pastor.

Mas, se resulta eleito algum, o Confirmador principal dirá em alta voz: Temos Prior, e dirá seu nome, sua Casa de Profissão e a obediência que tem, se então tivesse alguma, indicando também o número de votos que obteve. Por último, queimam-se todas as papeletas.

Depois de publicar-se adiante de todos o nome do Prior, o Vigário, a não ser que tenha recaído sobre ele a eleição, roga aos Confirmadores que acedam a confirmar como Prior ao eleito. Os Confirmadores assinalarão um prazo, a saber, um ou dois dias, para objetar contra a forma da eleição e a pessoa do eleito.

Se os Confirmadores não encontram nenhum impedimento, congregados em Capítulo todos e só os eleitores, enquanto os demais se reúnem na igreja, confirmarão ao eleito dizendo o Confirmador principal: Nós, N. e N., humildes Priores das Casas N. e N., designados pelo Capítulo Geral (ou pelo Reverendo Pai) para presidir vossa eleição, com a autoridade de nossos Estatutos vos confirmamos como Prior desta Casa a Dom N., professo de tal Casa, no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. E a Comunidade responderá: Amém. Quando um dos Confirmadores está impedido ou é o eleito Prior, o outro fará por si só a confirmação. Depois, o segundo Confirmador lerá o processo verbal da eleição, que assinarão primeiro os Confirmadores e, depois deles, todos os eleitores.

O dia em que o Prior toma posse de seu cargo, à hora convinda, os Confirmadores (ou, em sua ausência, o Vigário e o Antiquior), tomando da cogula uno de cada lado ao novo Prior, conduzem-no à cadeira prioral na igreja, seguidos por toda a Comunidade. Feita ali uma breve oração ante as formas, de joelhos e descobertos, vão todos ao Capítulo, onde, depois de algumas palavras do Confirmador principal (ou do Vigário) ao novo Prior, este faz a profissão de fé segundo a norma canônica. A seguir se lhe acerca o Vigário e, de joelhos põe suas mãos juntas entre as do Prior. Ao perguntar-lhe este: “Prometes obediência?”, responde: “Prometo”, e, recebido o ósculo de paz levanta-se e se volta a seu lugar. O mesmo fazem depois do Vigário, o Antiquior e os demais por ordem.

Todo esse dia se celebra com gozo, come-se no refeitório e não se guarda jejum, a não ser que seja tal do que nem por uma Solenidade se quebrantaria. O Ofício que precede ao refeitório se canta na igreja. "

29 outubro 2010

36 -Ritos da vida cartusiana

"O que ingressa na família cartusiana, depois de uma primeira provação é recebido como novicio : pondo suas mãos entre as do Prior expressa sua sujeição e é sócio à Ordem; se o conduz por todos à cela ou, se é um novicio irmão, à igreja, para dar-lhe a entender que sua vida está principalmente consagrada à oração.

A Profissão, e também a sua maneira a Doação, consumam-se ao pronunciar a fórmula de Profissão ou Doação, já que é um compromisso pessoal e livre. Antes de emitir os primeiros votos, ao que vai professar se lhe veste a cogula própria dos professos, pela que se significa a conversão de costumes e a consagração a Deus; antes do ato irrevogável da Profissão solene, pede com particular interesse a ajuda da oração a seus irmãos.

Recepção de um novicio do claustro

O postulante, ao fim de seu provação, é apresentado num determinado dia à Comunidade. Adiante desta, se lhe pergunta antes de mais nada se professou em algum Instituto religioso, se está livre do vínculo matrimonial, se padece alguma doença incurável, se pode ser promovido às sagradas Ordens, se carece de dívidas; advertindo-se que se ocultasse algo a respeito do que se lhe pergunta, poderá ser expulsado ainda depois da Profissão.

Outro dia, reunidos todos no Capítulo, o postulante pede misericórdia prostrado. Depois, a uma indicação do Prior, levanta-se e diz: Suplico por amor de Deus ser admitido à provação em hábito monacal, como o mais humilde servidor de todos se a ti, Pai, e à Comunidade vos parecer bem.

Então o Prior lhe expõe o gênero de vida que deseja abraçar.

Se a tudo isso respondesse que, confiando unicamente na misericórdia de Deus e nas orações de seus irmãos, tudo cumprirá com a ajuda da clemência divina, o Prior adverte-o que antes da Profissão poderá ir-se livremente, e que nós também o poderemos despedir com toda liberdade se, considerando o caso ante Deus, não nos parecesse idôneo para nossa vida. Se o postulante dá sua conformidade, ajoelha-se aos pés do Prior, juntas suas mãos entre as do Prior, e este, em nome de Deus e da Ordem, no seu próprio e no de seus irmãos, associa-o à Ordem. A seguir, o novicio recebe o ósculo de paz, primeiro do Prior, e depois, de todos os demais.

O mesmo dia, se é possível, ao novicio, vestido em privado, se o conduz à igreja, e, prostrado, ora na arquibancada do presbitério. O Prior, revestido de cogula eclesiástica e estola branca, coloca-se na última cadeira do coro direito. Os monges, de joelhos, coro contra coro, cantam o versículo Veni, Sancte Spiritus. Uma vez findo, inclinados todos sobre as misericórdias, o Prior diz um versículo e adiciona uma oração.

Depois, o novicio é conduzido por todos à cela, talheres, cantando os salmos 83 (Que desejáveis...), 131 (Senhor, tem-lhe em conta...) e 50 (Misericórdia...). Se bastam um ou dois, não se dizem mais. Vai primeiro o Prior, segue o novicio, depois o Procurador ou outro levando o água bendita e, finalmente, a Comunidade por ordem de antigüidade. Ao chegar o Prior à porta da cela, asperge ao noviço e à cela mesma, dizendo: Paz a esta casa, e, tomando ao novicio pela mão, fá-lo entrar ao oratório, onde este ora ajoelhado. Terminado o salmo ou os salmos pela Comunidade seguem as preces indicadas no Ritual.

Uma vez concluídas as preces, o Prior impõe ao novicio a obrigação de guardar a cela e todas as demais observâncias e exercícios próprios de nossa Ordem, a fim de que em solidão e silêncio, e em assídua oração e generosa penitência, consagre-se a só Deus. E o encomenda ao Mestre de noviços.

Recepção de um noviço irmão

O postulante, ao final de seu provação, é apresentado num determinado dia à Comunidade. Antes de mais nada se lhe pergunta adiante dela se professou em algum Instituto religioso, se está livre do vínculo matrimonial, sem padece alguma doença incurável, se carece de dívidas; advertindo-se que se ocultasse algo a respeito do que se lhe pergunta, poderá ser expulsado ainda depois da Profissão.

O dia da recepção o postulante, prostrado no Capítulo adiante de toda a Comunidade, pede misericórdia. A uma indicação do Prior, revestido de cogula eclesiástica e estola branca, levanta-se e suplica por amor de Deus ser admitido à provação em hábito monacal como o mais humilde servidor de todos. O Prior, pronunciada uma exortação, adverte-lhe que durante o noviciado poderá ir-se livremente, e que também nós o poderemos despedir se, considerado o caso ante Deus, não nos parecesse idôneo para nossa vida. O postulante, depois de dar seu consentimento, ajoelhando-se aos pés do Prior, junta as mãos entre as mãos do Prior; este, em nome de Deus e da Ordem, no seu próprio e no de seus irmãos, associa-o à Ordem. Então se lhe veste a cogula de novicio e a capa, e é recebido com o ósculo de paz, primeiro pelo Prior e a seguir por todos os demais.

Ato seguido, o novicio é conduzido do Capítulo à igreja, cantando a Comunidade o salmo 83 (¡Que desejáveis...). Vai diante o Prior, segue o novicio, depois os padres e irmãos, por ordem de antiguidade. Ao chegar o Prior à igreja, tomada ao novicio da mão e o leva às arquibancadas do presbitério, onde se prostra em oração.

Entre tanto, a Comunidade, de joelhos, canta o verso Veni, Sancte Spiritus. Depois, o Prior, inclinado sobre as misericórdias ao mesmo tempo em que a Comunidade, diz o versículo e adiciona uma oração. Acabado tudo, o novicio se levanta, faz inclinação profunda, e vai a sua cadeira do coro.

Profissão de votos simples

O dia antes da Profissão, seja simples ou solene, o novicio, antes de Vésperas, ou também o mesmo dia da Profissão pela manhã no Capítulo, prostrado adiante da Comunidade, pede misericórdia; ao dizer-lhe o Prior Levanta-te, levanta-se e suplica ser admitido à Profissão como o mais humilde servidor de todos; e escuta de pé o sermão do Prior.

O dia da Profissão expõem-se no altar algumas Relíquias de Santos.

Quando se trata da Profissão temporária, ao começar o Kyrie eleison na Missa conventual, o Mestre de noviços ou outro se ele está impedido, deixa a nova cogula sobre as formas, adiante do que vai professar. Depois do Evangelho, ou o Credo, se se diz, omitida a Oração universal, o que vai professar se dirige à arquibancada do presbitério levando a nova cogula nas mãos, e ali, feita inclinação profunda, deixa-a e fica em pé. Então se lhe acerca o Prior e diz as preces contidas no Ritual. Depois abençoa, com a mão estendida, a cogula posta sobre a arquibancada ante o que vai professar, dizendo a oração adequada. Terminada a bênção, asperge com água bendita a cogula.

Ato seguido, de joelhos ante o Prior na primeira arquibancada do presbitério, o que vai professar recita com voz inteligível (e se são variados, recitam juntamente) o salmo 15 (Protege-me, Deus meu), até o versículo O Senhor é o lote, exclusive. Então o Prior, ajudado pelo Sacristão, tira ao novicio a capa e a cogula, dizendo: Que Deus te despoje do homem velho e de suas ações, e lhe põe a cogula longa, dizendo: e te revista do homem novo que foi criado por Deus em verdadeira justiça e santidade. Se forem variados, repete as mesmas palavras para cada um.

Seguidamente, o novicio lê a fórmula da Profissão, escrita numa folha de papel que sustenta na mão. Se forem variados, têm de lê-la um por um.

Emitidos os votos, o professo entrega a folha ao Prior, e continua a leitura do salmo antes começado, desde O Senhor é meu lote até Glória ao Pai... Amém. Terminado isto, faz inclinação profunda e volta a seu lugar.

Na Missa de Profissão, o mesmo temporal que solene, o novo Professo, ainda que seja sacerdote, comunga depois do diácono de mãos do Prior, e, pelo mesmo, não concelebra; mas pode celebrar Missa rezada no mesmo dia.

Profissão solene.

Sobre as cerimônias em Capítulo e a preparação do altar, veja-se o n. 8. Na Missa, que é do Prior, terminado o Evangelho, ou o Credo se se canta, omitida a Oração universal, o que vai professar (ou os que vão professar) acerca-se ao centro da arquibancada do presbitério, e ali, depois de ter feito uma inclinação profunda, canta o verso:

Acolhei-me, Senhor, com tua promessa, e viverei: que não fique frustrada minha esperança.. Ao qual responde a Comunidade, de cara ao altar, o mesmo e no mesmo tom. Repetido três vezes este verso por ambas as partes, a Comunidade, inclinada sobre as misericórdias, canta o Glória Pai..., Senhor, tem piedade..., e ora em segredo.

O que vai professar se incorpora ao começar o Como era no princípio, dirige-se pelo lado direito do coro até a cadeira primeira, e, de joelhos ante o monge, que está de pé, e depois ante os demais monges deste coro, diz com voz inteligível: irmão, roga por mim; passando, depois, aos monges do coro esquerdo, faz o mesmo. Depois do qual, a Comunidade se ergue e se volta para o altar; e o que vai professar, de pé ante o meio do altar e voltado para ele, lê, com voz clara e inteligível que todos a ouçam, sua Profissão escrita em pergaminho; uma vez lida, beija o altar e a oferece sobre o mesmo. Prostrado adiante da cátedra aos pés do celebrante, recebe a bênção; enquanto , a Comunidade se inclina sobre as misericórdias. O Prior canta a oração com a mão estendida sobre o professo, e se são variados a diz em plural. Depois o asperge com água bendita. O professo volta a seu lugar.

Na Prece eucarística se faz comemoração do novo professo solene, para que seu oblação fique mais intimamente incorporada ao sacrifício do divino Redentor.

Doação temporária

A Doação temporária se faz no Capítulo, antes de Vésperas, em presença da Comunidade. O novicio, prostrado, pede misericórdia. A uma indicação do Prior, vestido com cogula eclesiástica e estola branca e sentado ante o altar, levanta-se e diz: Suplico por amor de Deus ser admitido à Doação temporária como o mais humilde servidor de todos, se a ti Pai, e à Comunidade vos parecer bem.

Depois, tendo escutado a exortação do Prior, enquanto a Comunidade permanece sentada e coberta, o novicio se adianta e se ajoelha ante a arquibancada do altar. O Prior se levanta e, ajudado pelo Procurador e o Sacristão, tira-lhe a capa e a cogula pequena, dizendo: Que Deus te despoje do homem velho e de suas ações, e lhe põe a cogula longa sem bandas, dizendo: e te revista do homem novo que foi criado por Deus em verdadeira justiça e santidade. Se forem variados, repete o mesmo a cada um.

O novicio lê então a fórmula de Doação, escrita numa folha de papel que tem na mão, e a entrega ao Prior uma vez feita a Doação.

O Prior aceita a doação com estas palavras: E eu, caríssimo irmão, aceito tua Doação no nome de Deus e da Ordem; e, em meu nome e no dos meus sucessores, comprometo-me prover, com coração de pai, a todas tuas necessidades espirituais e corporais, desde que permaneças fiel a tuas promessas. E que a bênção de Deus todo-poderoso, Pai, + Filho e Espírito Santo, desça sobre ti e contigo permaneça para sempre. R/. Amém. Depois da palavra “prometo”, adiciona o tempo da Doação, se se trata da temporal; ou “durante toda tua vida”, se se trata da perpétua. Depois, todos vão ao coro para cantar as Vésperas.

Doação perpétua.

A Doação perpétua se faz em presença de toda a Comunidade, antes de Vésperas. Primeiro, reunida a Comunidade em Capítulo, o doado se prostra ante o Prior, que está sentado e revestido de cogula eclesiástica e estola branca, e pede misericórdia. Levanta-se a uma indicação do Prior, e diz: Suplico por amor de Deus ser admitido à Doação perpétua como o mais humilde servidor de todos, se a ti, Pai, e à Comunidade vos parecer bem.

Ouvida a exortação do Prior, dirigem-se todos à igreja, indo o doado por trás do Prior. O doado se ajoelha na arquibancada do presbitério, estando o Prior de pé adiante dele, e os demais monges em seus lugares de pé, voltados para o altar e talheres. Então o doado lê a fórmula de Doação, e o Prior a aceita e o abençoa.

Depois, enquanto o doado permanece ajoelhado no mesmo lugar, o Prior vai à última cadeira do coro direito e a Comunidade, de joelhos ante as formas, canta o Sub tuum præsidium. O cantor hebdomadario adiciona um versículo, e o Prior recita uma Oração.

Depois, este se deixa a cogula eclesiástica no vestuário e vai a sua cadeira; também o doado vai a sua cadeira, e começam as Vésperas. "








































































28 outubro 2010

35 -Os Estatutos mesmos

"Prestemos atendimento à disciplina de nossos Padres, renovada e acomodada nestes Estatutos, e meditemo-la continuamente. Não a abandonemos, e ela nos guardará. Amemo-la, e nos protegerá.

Ela é a forma e o sacramento da santidade determinada por Deus para cada um de nós. Mas é o Espírito o que vivifica, e quem não nos permite contentar-nos com a letra. Porque a isto tendem unicamente os presentes Estatutos, a que, guiados pelo Evangelho, percorramos o caminho de Deus e aprendamos a amplitude da caridade.

O que não está expressado nos Estatutos, deixa-se ao arbítrio do Prior, com a condição que suas disposições estejam em harmonia com eles. Não queremos, no entanto, que por este ou outro motivo mudem os Priores facilmente os costumes sãos e religiosos de suas Casas. No entanto, tais costumes nunca poderão prevalecer contra os Estatutos.

Se pecar teu irmão, vê e corrige-o a sós tu com ele, diz o Senhor. Isto requer uma grandíssima humildade e prudência, e é danoso a não ser que se faça movimentado por pura caridade, que não procura seu proveito. Por nossa parte, desejemos também nós ser corrigidos. No entanto, com freqüência será melhor encomendar as advertências ao Prior, ao Vigário ou ao Procurador, que as levarão a cabo segundo se o dite sua consciência e prudência.

Os monges prestem aos Estatutos uma obediência responsável, não por ser vistos como se procurassem agradar aos homens, senão com singeleza de coração, temerosos de Deus. Não esqueçam que uma dispensa sem causa justa, é nula. Ouçam e cumpram também com toda mansidão os preceitos e advertências de seus maiores, sobretudo os do Prior, que faz as vezes de Deus. E se alguma vez erram como homens, não demorem em emendar-se para não dar ocasião ao demônio; mais bem voltem, pelo trabalho da obediência àquele de quem o homem se tinha apartado pela negligência da desobediência.

Contemplando todos os benefícios que o Senhor preparou aos que chamou ao deserto, alegremo-nos com nosso Pai São Bruno de ter atingido o repouso calmo do mais resguardado porto, no que somos convidados a sentir em parte a incomparável beleza do sumo Bem. Gozemo-nos, pois, por nossa feliz sorte e pela abundância da graça de Deus para com nós, dando sempre graças a Deus Pai que nos fez aptos para participar na herança dos santos na luz. Assim seja. "

34 -Missão da Ordem na Igreja

"Quanta utilidade e gozo divino trazem consigo a solidão e o silêncio do deserto a quem os ama, só o sabe quem o experimentou. Mas esta melhor parte não a elegemos unicamente para nosso próprio proveito. Ao abraçar a vida oculta, não abandonamos à família humana, senão que, consagrando-nos exclusivamente a Deus, cumprimos uma missão na Igreja onde o visível está ordenado ao invisível, a ação à contemplação.

Se realmente estamos unidos a Deus, não nos encerramos em nós mesmos, senão que, pelo contrário, nossa mente se abre e nosso coração se dilata, de tal forma que possa abarcar ao universo inteiro e o mistério salvador de Cristo. Separados de todos unimonos a todos pára, em nome de todos, permanecer na presença do Deus vivo. Esta forma de vida que, quanto o permite a condição humana, orienta-se a Deus de forma direta e contínua, põe-nos num contato peculiar com a bem-aventurada Virgem Maria, à que costumamos chamar Mãe singular dos Cartuxos.

Tendendo por nossa Profissão unicamente àquele que é, damos depoimento ante um mundo demasiado implicado nas coisas terrenas, de que fora dele não há Deus. Nossa vida manifesta que os bens celestiais estão presentes já neste mundo preanuncia a ressurreição e antecipa de algum modo a renovação do mundo.

Finalmente, pela penitência participamos na obra de salvação de Cristo o qual isentou ao mundo escravo do pecado, especialmente com sua oração ao Pai e sacrificando-se a Si mesmo. Por isto, os que pretendemos viver este aspecto cristão da missão de Cristo, ainda que não nos dediquemos a nenhuma ação externa, no entanto exercitamos o apostolado de uma maneira preeminente.

Por tanto, para louvor de Deus, a cujo fim se fundou especialmente a eremítica Ordem cartusiana, entregados à quietude da cela e ao trabalho, ofereçamos-lhe um culto incessante para que, santificados na verdade, sejamos os verdadeiros adoradores que procura o Pai. "

27 outubro 2010

33 -A conversão de vida

"Quanto mais elevado é o caminho que se nos abriu aos que herdamos de nossos Padres uma forma de vida santa, maior perigo temos de cair, não só por transgressões manifestas, senão também pelo peso natural da rotina. Como Deus dá sua graça aos humildes, devemos recorrer sobretudo a Ele, e estar sempre em pé de guerra, não seja que a vinha eleita se converta em bastarda.

O que nosso ideal de vida se mantenha a sua altura, depende mais da fidelidade de cada um do que da acumulação de leis, a adaptação de nossos usos, ou inclusive a concorrência dos Priores.

Não bastaria obedecer as ordens dos Superiores e cumprir exatamente a letra dos Estatutos, se, guiados pelo Espírito, não sentíssemos segundo o Espírito. O monge, desde o começo de sua nova vida colocado na solidão, fica a seu livre arbítrio. Como já não é menino, senão varão, não ande flutuando levado por todo vento, senão examine o que agrada a Deus e siga-o espontaneamente, pondo em jogo, com sóbria sabedoria, a liberdade dos filhos de Deus de que é responsável ante o Senhor. Que ninguém, no entanto, tenha-se por sábio em sua própria estimação; porque quem descuida abrir seu coração a um guia experimentado, é de temer que, defeituoso de discrição caminhe menos do preciso, canse-se de correr ou, detendo-se, fique dormido.

Como, pois, poderemos cumprir nosso ofício no Povo de Deus como vítimas vivas, agradáveis a Deus, se nos deixamos separar do Filho de Deus, que é ao mesmo tempo vida e hóstia por excelência, pela relaxação e a inmortificação, as divagações da mente a vã charlatanearia, os inúteis cuidados e ocupações; ou se o monge na cela se acha aprisionado por seu amor próprio com miseráveis preocupações?

Esforcemo-nos com toda energia em estabilizar em Deus nossos pensamentos e afetos, com singeleza de coração e castidade de mente. Cada um, esquecido de si mesmo e do caminho deixado atrás, corra para a meta, para atingir o prêmio a que Deus o chama desde o alto em Cristo Jesus.

Mas quem não ama a seu irmão a quem vê, não pode amar a Deus a quem não vê. Dado que o fraterno diálogo entre os homens não se faz perfeito senão através do mútuo respeito das pessoas, certamente nos compete em grau máximo a nós, que moramos na Casa de Deus, dar depoimento da caridade que de Deus procede, quando recebemos amavelmente aos irmãos que convivem conosco, e nos preocupamos por abraçar com mente e coração o caráter e os modais deles, por mais diferentes do que sejam dos nossos. Porque as inimizades, as disputas e outras coisas semelhantes, nascem geralmente do desprezo dos demais.

Evitemos tudo o que possa prejudicar ao bem da paz; sobretudo, não falemos mal de nosso irmão. Se na Casa nasce alguma dissensão entre uns monges com outros ou entre os monges e o Prior, provem-se paciente e humildemente todos os meios que possam resolver o assunto com caridade, antes de comunicá-lo aos Visitadores, ao Reverendo Pai ou ao Capítulo Geral. O melhor é do que a paz se conserve na família conventual, como fruto do esforço e a união de todos. O Prior, nesses casos, não se mostre dominante, senão como um irmão; e se está em culpa, que a reconheça e se emende.

Como por causa dos Priores em grande parte decai ou floresce o espírito nas Casas da Ordem, tentem edificar com seu exemplo, praticando antes de ensinar, sem permitir-se falar nada que o mesmo Cristo não tivesse querido dizer por eles. Entregados à oração ao silêncio e à cela, façam-se merecedores da confiança de seus súbditos, e mantenham com eles uma verdadeira comunhão de caridade. Com benignidade e interesse vejam qual é sua vida na cela e qual seu estado de ânimo, para atalhar suas tentações aos começos, não seja que depois, quando o mal está muito arraigado, aplique-se demasiado tarde o remédio.

Por último hoje em dia há que evitar sobremaneira conformar-se ao mundo presente. Porque o procurar demasiado e abraçar com facilidade as coisas que olham à comodidade da vida, contradizem totalmente a nosso estado, especialmente porque uma novidade chama a outra. Os meios que nos concedeu a divina Providência não são para tentar-nos uma vida de presente. O caminho para Deus é fácil, pois se avança por ele não se carregando de coisas, senão desprendendo-se delas. Despojemo-nos a tal ponto que, tendo-o deixado tudo e a nós mesmos, participemos do estilo de vida de nossos primeiros Padres. "

32 -A visita Canônica

"O Capítulo Geral, muito solícito de que nas Casas da Ordem reinem a caridade, a paz e uma fiel observância, estabeleceu que cada dois anos se enviem Visitadores a todas elas, com o fim de expressar-lhes a solicitação da Ordem por cada uma, e com os poderes necessários para solucionar qualquer dificuldade que possa apresentar-se.

A Comunidade, desejando que a Visita seja um momento favorável no que Deus comunica sua graça, receberá com espírito de fé aos Visitadores ou os Comissários, que gozam da autoridade do Capítulo Geral ou do Reverendo Pai. Cada monge se esforçará com toda vontade em ajudá-los ao cumprimento de seu cometido. Visitadores e monges farão tudo o possível por estabelecer uma relação de mútua confiança.

O primeiro dever dos Visitadores é acolher aos monges com fraterna caridade e escutá-los com sumo atendimento. Depois, se esforçam por ajudar a todos a dar ao Senhor e a seus irmãos o melhor de si mesmos.

Exerçam seu cargo, não como juízes, senão como irmãos a quem os tentados e afligidos possam abrir livremente sua alma, sem temor de ver divulgadas suas confidências. Em assunto de tanta importância não se precipitem, senão procedam com calma.

Cada um pode falar livremente com os Visitadores para expor-lhes o que requer de sua parte uma solução ou um conselho, já se trate de sua vida pessoal ou da Comunidade. Também poderão expor-lhes com espírito construtivo, quaisquer coisas que pareçam úteis ao bem comum.

Antes de falar de outro monge, recolhamos o coração ante Deus; porque tanto mais poderemos praticar a verdade na caridade, quanto com ânimo mais dócil respondamos ao Espírito Santo. O que boamente está em paz, de ninguém suspeita. Mais vale com freqüência guardar silêncio, que perder tempo falando de coisas que não se podem provar, ou de futilidades, ou ainda denunciando a quem já estão em caminho de corrigir-se.

Aos Visitadores corresponde não só dialogar com cada monge em particular senão também com a mesma Comunidade, como se faz na primeira e a última sessão da Visita.

A fim de que a Visita produza, com a ajuda do Senhor, frutos perduráveis, tentarão que a mesma Comunidade tome como coisa sua a própria renovação espiritual.

Os Visitadores se informarão da marcha da Comunidade e dos progressos realizados desde a última Visita, ou das dificuldades que tenham sobrevindo. Estimularão à Comunidade a perguntar-se sobre a fidelidade ao espírito e à letra da observância regular conforme se expõe nos Estatutos. Examinem também as contas da Casa, e vejam como se guarda a pobreza evangélica. Indicarão os remédios aos abusos que quiçá encontrem. A uma com os monges, e particularmente com o Prior, vejam atenciosamente com que disposições se ajudará à Comunidade para que sempre progrida na fidelidade a sua vocação.

Antes de dar por finda a Visita, escreverão os Visitadores na Carta as orientações que tenham dado e as decisões tomadas, e a redigirão em termos singelos e acomodados às pessoas Solícitos pela continuidade do progresso da Comunidade em seu caminho para Deus, recordarão, se é preciso, alguns pontos já assinalados na Carta da Visita precedente.

Será oportuno muitas vezes pôr antes ao corrente ao Prior das medidas que pensam tomar, e escutar suas observações. Convém, efetivamente, que os Visitadores conheçam as intenções pastorais do Prior para guiar a seus monges, a fim de apoiá-las com eficácia.

Antes de tomar uma decisão com respeito a algum, ou de fazer alguma correção, os Visitadores tentem escutá-lo. Se julgam útil fazer observações a um monge, se o explicarão de palavra e de maneira que compreenda bem sua intenção. Finalmente, não se marchem da Casa sem antes segurar-se de que a Comunidade entendeu bem as intenções e prescrições da Carta.

Como o aproveitamento das Casas depende muito da eficácia das Visitas os Visitadores procedam em seu ofício com solicitação e entrega, sem contentar-se nunca com o cumprimento meramente formal e exterior. Pensando unicamente no bem das almas, não poupem tempo nem esforços para que sua Visita aumente nos corações a paz e o amor de Cristo. "

26 outubro 2010

31 -O regime da Ordem

"Os primeiros Priores da Ordem, querendo assegurar a continuidade e a estabilidade do ideal cartusiano, decidiram de comum acordo celebrar um Capítulo Geral na Grande Cartuxa; todos submeteram à autoridade deste Capítulo suas Casas, para que as corrigisse e as conservasse em vigor, e prometeram ao mesmo obediência, em nome próprio e de suas Comunidades. Assim se consolidou para sempre o laço de caridade que une as Casas e a todos os membros da Ordem, resolvidos a avançar prazenteiramente pela senda do Senhor.

O Capítulo Geral se celebra cada dois anos, e a ele assistem os Priores, os Reitores, o Procurador Geral e os Vigários de monjas Se não pudesse assistir algum dos que estão à frente das Casas, delegará num monge professo solene. Se alguma Casa não tivesse Prior, o Reverendo Pai poderá convidar a algum monge da mesma, professo de votos solenes, a que assista ao Capítulo Geral. Todos os quais no Capítulo gozam dos mesmos direitos e funções, a saber, os dos Priores.

A Assembleia na que se reúnem todos os que têm os direitos de Prior, e também os demais monges que possivelmente se encontrem entre os Definidores, chama-se Assembleia Plenária, a qual preside o Reverendo Pai. Esta Assembleia tem potestade para opinar de todos os assuntos referentes à Ordem, menos os que são concorrência do Definitório. Também dá a Assembleia seu voto consultivo sobre os pontos propostos pelos Definidores, e em tais casos estes não dão seu voto.

O Definitório, presidido pelo Reverendo Pai, está constituído pelo mesmo Reverendo Pai e por oito Definidores eleitos segundo se diz em outro lugar. Exceto o Reverendo Pai, ninguém pode ser eleito Definidor, se o foi já no Capítulo Geral precedente.

O mesmo Definitório opina a respeito das pessoas e das Casas. Em cada Capítulo Geral, segundo a comum obediência prometida e devida ao mesmo, todos os Prelados pedem misericórdia, para que o Definitório possa deliberar a respeito de sua absolvição ou confirmação. Pois, segundo nossa tradição, o Prior desempenha seu cargo enquanto pode exercê-lo com proveito da Comunidade a juízo do Capítulo Geral.

Também corresponde ao Definitório nomear ao Procurador Geral, que representa à Ordem ante a Sede Apostólica. Não se pode estabelecer nem levar a efeito nada contra o contido nestes Estatutos que diminua o antigo rigor da Ordem cartusiana, a não ser que seja aprovado em dois Capítulos sucessivos, ao menos por dois terços dos que de fato tenham dado seu voto.

Se uma Ordenação, ainda que não afecte ao rigor da Ordem, mudasse, no entanto, nossa observância substancialmente em algum ponto, não pode promulgar-se, salvo que obtenha pelo menos dois terços dos votos emitidos de fato, e deverá ser confirmada pelo seguinte Capítulo na mesma forma.

O Reverendo Pai, isto é, o Prior de Cartuxa, é Ministro Geral de toda a Ordem. Elege-o a Comunidade da Grande Cartuxa, mas esta eleição não tem valor jurídico até que seja aceitada pelo colégio ou reunião dos Priores, as Prioras, e os Reitores.

Qualquer que tenha sido eleito Reverendo Pai, não pode recusar este ofício.

O Reverendo Pai, a quem corresponde como Ministro Geral conservar a unidade da Ordem, tem potestade ordinária sobre as monjas cartuxas.

Todos os que gozam de autoridade na Ordem, considerem sempre a mente e as leis da Igreja como norma suprema segundo a qual se têm de entender as tradições da Ordem. Os Priores, a quem seus súbditos devem pronta obediência, convém que a sua vez deem exemplo a seus religiosos, submetendo-se humildemente às ordenações do Capítulo Geral ou do Reverendo Pai, e não as criticando adiante de outros.

Para fomentar melhor a comunhão de nossa Ordem com o Sumo Pontífice, o Reverendo Pai tem de enviar cada seis anos um breve relatório sobre a situação e a vida da Ordem à Sede Apostólica. "

30 -A estabilidade

"O monge não oferece a Deus a perfeita oblação de si mesmo, a não ser que durante toda a vida permaneça constante em seu propósito, o que livremente promete cumprir na Profissão solene.

Por tanto como esta é irrevogável, antes de fazê-la pense com acalma se realmente quer entregar-se para sempre a Deus.

Em força da Profissão, o monge se insere na Comunidade como na família que Deus lhe deu, na que tem que se estabilizar em corpo e alma.

Cada um, por tanto, uma vez que se consagrou em seu estado, seja pai ou irmão, esmere-se por perseverar e avantajar-se na vocação à que foi chamado, para uma mais abundante santidade da Igreja e para maior glória da Trindade, uma e indivisível.

Os monges não criam com facilidade que têm razões de importância para pedir a seus Superiores o traslado. A miragem e o desejo de mudanças de lugar enganaram a muitos, e desdiz do monge o estar tão pendente do clima, a alimentação, o caráter dos homens e outras particularidades pelo estilo.

Sabemos quanto favorecem à contemplação dos divinos mistérios a paciência e a perseverança nas condições de vida que o Senhor nos assinalou. Porque é impossível que o homem centre sua alma numa só coisa, se antes não fixa perseverantemente seu corpo num lugar; e também a mente deve abraçar-se inquebrantavelmente a sua vocação, para poder acercar-se àquele em quem não há mudança nem sombra de mudança. "

25 outubro 2010

29 -A administração dos bens temporários

"O Prior não cuida coisas suas ou dos homens, senão as de Cristo pobre, a quem terá de dar conta de tudo. A ele lhe corresponde dirigir aos Oficiais e subordinados na administração dos bens empregá-los com discrição, segundo Deus, a própria consciência e o critério da Ordem e dos Estatutos, e velar solicitamente para que não se desperdice nada.

O Procurador apresenta ao Prior recém instalado o estado dos bens principais da Casa, tanto móveis como imóveis, que será assinado pelo Prior e seu Conselho. O ata desta relação se guardará no arquivo da Casa.

Para a sustentação de nossas Casas determinaram nossos Padres não se fiar nos donativos que se recebem, senão, com a ajuda do Senhor, dispor de alguma renda anual fixa. Pois lhes parecia que por benefícios incertos não se têm de assumir ônus verdadeiros, que, depois, não se podem nem sustentar nem abandonar sem grande perigo; os quais, ademais, sentiram horror pelo costume de andar pelo mundo pedindo esmola.

Cremos, no entanto, que com a ajuda de Deus nos bastarão uns recursos modestos, se persevera o empenho do antigo propósito de humildade pobreza e sobriedade na comida, no vestido e restantes coisas pertencentes a nosso uso, e se, em resumo, o desprezo do mundo e o amor de Deus, por quem se têm de suportar e fazer todas as coisas, vai crescendo de dia em dia. A nós também se referem às palavras do Senhor: Não vos inquieteis pelo dia de manhã, pois bem sabe vosso Pai celestial que de tudo isso tendes necessidade. Procurai primeiro o reino de Deus e sua justiça.

Ainda que a Casa pode possuir tudo o necessário para a vida da Comunidade segundo a natureza de nosso Instituto, deve-se evitar qualquer luxo, lucro imoderado e acumulação de bens, para dar depoimento de verdadeira pobreza. Pois não basta que os monges se submetam ao Superior no uso dos bens; é preciso que, como Cristo, sejam pobres realmente, tendo seu tesouro no céu. Não só se tem de evitar a sumptuosidade, senão também a comodidade excessiva, para que tudo em nossas Casas tenha esse ar de singeleza característico de nossa vocação.

Nossos edifícios sejam certamente adequados e idôneos para nosso modo de vida; mas em todas partes fique a salvo neles a singeleza. Porque nossas Casas devem dar depoimento não de vão glória ou de arte, senão de pobreza evangélica.

Finalmente, exortamos e rogamos a todos os Priores de nossa Ordem, pelas entranhas de Jesus Cristo, Deus e Salvador nosso, imolado por nós na lenha da Cruz, que todos se apliquem de todo coração, segundo as possibilidades de suas Casas, a fazer esmolas com grande generosidade, tendo em conta que quanto esbanjem ou imoderadamente poupem é furtá-lo aos pobres e às necessidades da Igreja. Assim, conservando este fim comum dos bens, imitemos aos primeiros cristãos que não consideravam como própria nenhuma coisa, senão que todas as tinham em comum. "