15 dezembro 2010

O ROSARIO - 4

OS DOIS MAIS ANTIGOS ESCRITOS DO ROSÁRIO


Aí por 1398, Adolfo de Esser entrou para a Cartuxa de Saint-Alban de Tréveris. Pouco tempo depois, redigiu, com a licença do seu Prior, o P. Bernard (†1430 em Colônia), dois opúsculos em língua alemã dirigidos à Duquesa de Lorraine, Margarida de Baviera. Remeteu-lhos aí por 1400, provavelmente no seu castelo de Sierck, a montante de La Moselle em relação a Tréveris.
O primeiro escrito era uma «Vida de Jesus», que até hoje não foi identificado. O segundo, intitulado «Pequeno Jardim de rosas de Nossa Senhora», foi descoberto em dois exemplares. As duas obras completam-se e deviam introduzir a duquesa numa nova maneira de meditar:
Durante a recitação das 50 Ave, aquele que medita faz mentalmente desfilar diante de si o nascimento e a vida de Jesus. Ele toma a sério o amor ao mesmo tempo universal e muito pessoal de Deus. Por esta benevolência agradece-lhe com alegria; está persuadido de encontrar em cada particularidade da vida de Jesus uma resposta aos seus próprios problemas.
Alguns 20 anos mais tarde, nas introduções de que Adolfo fez preceder os textos do Rosário, é precisado que esta oração vocal das 50 Ave não obtinha a sua verdadeira beleza - aquela que agrada a Nosso Senhor e sua Mãe - que graças à meditação da vida de Jesus. É recomendado que ao longo desta meditação sejam evitados cuidadosamente toda a fantasia e embelezamento arbitrário, que afastam do Evangelho. Adolfo insiste muito para que aquele que reza o terço se esforce por transformar a sua vida em consequência.
Em conclusão: o Rosário na origem não era um piedoso exercício ao lado de outros exercícios. Era uma conduta global - fundada sobre a Bíblia e a Teologia - em vista da reforma da sua vida individual e da vida eclesial no estado presente.


A duquesa Margarida de Baviera (1376-1434)


A 6 de Fevereiro de 1393, a filha de Roberto do Palatinat - que devia tornar-se Rei da Alemanha (1400-1410) - desposou Carlos lI, duque de Lorraine (1364-1431).
O duque era grande capitão, homem político de primeiro plano, mas débil sobre o plano moral. Quando o seu sogro se tomou Rei da Alemanha, ele bateu-se por ele. Mas voltou-se cada vez mais pata o oeste a partir de 1412, se bem que o Parlamento francês lhe concedeu em 1418 o título de «Connétable», isto é, nomeou-o general-chefe das forças armadas. É verdade que ele exerceu esta função durante apenas um ano.
Apesar do amor sincero e da consideração que ele sentia pela sua esposa Margarida, não chegou a permanecer-lhe fiel, tanto mais que ela não lhe deu - após vários partos prematuros - senão duas filhas. Com a idade, ligava-se sempre mais à sua amante, Alizon du May, uma antiga regateira de Narcy. Ela deu-lhe vários filhos e filhas, que ele dotou num primeiro testamento em 1408, depois num segundo em 1424.
Margarida viveu o seu casamento no meio dum mundo caótico. Porque a política entrava na Igreja, tinha-se chegado à eleição de dois Papas. O sínodo de Pisa em 1409 agravou a situação votando um terceiro Papa. A Inglaterra estava em guerra - uma guerra que devia durar cem anos (1339-1453) - com a França, cujo Rei Carlos VI (1380-1422) se afundava cada vez mais na loucura.
A situação não era melhor na Alemanha onde o Rei Venceslau levava uma vida vistosa em Praga e descurava o governo do seu país. Exagerou ao ponto de os príncipes-eleitores o demitirem das suas funções - aliás em vão - e elegeram para o seu lugar o pai de Margarida como rei. A certa altura três candidatos disputaram a coroa imperial. Ao mesmo tempo este Ocidente tão dilacerado estava ameaçado na sua própria existência. Os Soldados do Crescente, fortemente instalados na Península Ibérica e ameaçando todas as costas do Mediterrâneo, deslocaram-se desde os Balcãs sobre a Hungria.
Tudo isso pesava fortemente na consciência de Margarida, que para mais tinha uma saúde frágil e devia tomar sozinha e sem as trair as decisões no lugar do Duque Carlos, quando este estava ausente durante as suas numerosas campanhas.
É para una mulher numa tão trágica situação que os dois escritos do Rosário foram compostos. Eles levaram a duquesa a procurar em Jesus Cristo - pela oração - o equilíbrio interior.
E de fato, Margarida encontrou esse equilíbrio. Carlos II estimava Adolfo. E conseguiu que a sua Ordem o designasse como primeiro superior da sua nova cartuxa, perto de Sierck (1415-1421).
O Duque tinha verificado que a sua esposa começava desde 1400 a adquirir «uma tal prática espontânea, viva e perseverante do Rosário, que ela parecia como q e transformada, e em posse sempre mais perfeita das virtudes da «Vida de Jesus».
O que ela experimentava como uma ajuda eficaz, esta mulher assim dotada comunicava-o aos nobres da sua corte e ao pessoal ao seu serviço. Mas antes de mais, desta oração ela fez uma prática pessoal, ovação que viveu intensamente na sua própria vida, de maneira que à sua morte, em 1434, a sua santidade foi reconhecida por todos.
O seu processo de canonização não chegou a bom termo. Mas ela é a avó de Bernardo de Baden (1429-1458) e a bisavó da Beata Margarida de Lorraine (†1521).
Ela é a primeira a propagar o Rosário. Provavelmente devemos à sua influência a maneira original de o rezar nos países latinos.

14 dezembro 2010

O ROSARIO - 3

A Ave do «Cântico de amor marial»

Esse nobre conhecia a fundo a literatura da corte, a piedade das gentes simples e o pensamento de Santa Matilde de Hackeborn (1241-1299).

Desta maneira, os escritos baixo-renanos e os mais antigos documentos sobre o Rosário citam sem cessar um extrato do seu livro «Liber spiritualis gratiae», que mostra em que sentido a saudação do anjo é dirigida à Mãe de Deus. Eis a tradução literal:

«Um sábado, durante o canto da Salve Regina, ela (Santa Matilde) diz à Santíssima Virgem: Ah! se eu pudesse, Rainha do Céu, saudar-te com a saudação mais querida que um coração humano possa inventar, eu o faria com grande alegria!

Nesse momento a Virgem apareceu-lhe em Glória. Sobre o seu peito um grande laço tinha gravada em letras de ouro a saudação do anjo: Eu te saúdo, Maria, cheia de graça... A Virgem lhe respondeu:

Ninguém ainda ultrapassou essa saudação e nunca ninguém poderá melhor saudar-me do que dirigindo-me com muito respeito a saudação que Deus Pai me fez transmitir pela palavra «Ave». Por essa saudação, Ele o Onipotente tomou-me tão forte e tão corajosa, que eu fui poupada de toda a mácula de pecado. Também, Deus Filho esclareceu-me tanto com a sua sabedoria que me tomei uma estrela cintilante que ilumina o céu e a terra: é o que exprime o nome «Maria», que significa «estrela do mar». Enfim o Espírito Santo me impregou com a sua divina doçura, que me encheu de tantas graças, que agora quem procura graça junto de mim encontra-a. E o sentido das palavras «cheio de graça».

Com as palavras «O senhor está contigo» recorda-se como duma maneira indizível toda a Santíssima Trindade me une a Ela e realiza a Sua obra em mim, tomando da minha substância carnal e unindo esse qualquer coisa à natureza divina para não fazer senão uma só pessoa, de maneira que Deus se tomou homem e que o homem se tomou Deus. A alegria e a felicidade que eu senti nesse momento, ninguém poderá nunca concebê-lo perfeitamente.

Por «bendita entre todas as mulheres», cada criatura reconhece e testemunha que eu fui bendita e elevada acima de todas as outras criaturas, no céu e na terra.

Por «bendito é o fruto do teu ventre», é anunciado como uma bênção e festejado com júbilo o fruto salvador do meu corpo. Ele vivifica e santifica todas as criaturas e enche-as de bênçãos para a eternidade. »

No tempo de Santa Matilde de Hacheborn, a Ave terminava com as palavras de Santa Isabel «bendito é o fruto do vosso ventre». E somente durante o século XIV que se lhe acrescentou o nome de «Jesus», e mais ainda muitas vezes «Jesus Cristo».

Na Europa de Leste, como por exemplo, na Polônia, ignora-se o nome até cerca de 1400.

O acréscimo «Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pobres pecadores...» vem mais tarde; foi introduzido na Ave pelas Confrarias do Rosário, isso duma maneira definitiva no princípio do século XVIII somente.

Quando o Rosário nasceu cerca de 1400, a Ave não era ainda senão uma saudação muito pessoal à Mãe de Nosso Senhor.

O ROSARIO - 2

A denominação «Rosário» é ambígua.

O seu primeiro sentido é profano.

O termo latino «rosarium» ou ainda «rosarius» não foi usado com a mesma significação nos diferentes períodos do passado. Numa mais antiga série de manuscritos, podia ser a forma latinizada do termo alemão “Rols (cavalo)”. Ele foi usado nesse sentido para designar coleções e obras de consulta, como por exemplo uma nomenclatura de decisões jurídicas ou um código de conveniências da época.

E num período mais recente que se faz derivar o nome do termo latino «rosa». «Rosarium» toma então a sua verdadeira significação de: roseiral, roseira ou coroa de rosas. Será preciso ainda esperar um bom momento, antes que o termo designe a cadeia de pérolas que nós denominamos hoje «rosário» ou «terço» (O primeiro nome do terço foi «Pater noster»). Isso não acontecerá senão no fim do século XV.

A rosa simbolizou em todas as civilizações que a conheceram o amor humano. Após as cruzadas, um conto persa, «Goulistan», introduziu-se no Ocidente e fez a conquista, no meio do século XIII, de todas as cortes das nobres européias, sob a sua versão francesa do «Romance da Rosa». O amor é descrito com realismo como uma incursão num jardim de rosas. As mulheres nobres da Idade Média trocam com os seus cavaleiros «coroas de rosas», como prova de amor. Por um desenvolvimento ulterior, crescente nos meios nobres, as canções de amor são em breve chamadas «rosarium». Não é preciso mais que um pequeno passo para designar igualmente com o nome de «rosarium» as canções de amor e de louvor dirigidas à Mãe de Deus.

Visto sob este ângulo, não é fácil compreender como a maneira simples e despojada de rezar das pessoas humildes, que consiste em repetir 50 vezes a saudação angélica, tal como os Cartuxos de Tréveris o tinham ensinado desde o princípio do século XV: Como esta maneira humilde pôde herdar o belo nome de Rosário, que os nobres reservaram à sua obra-prima?

Esse único fato atesta que o Rosário nasceu sob a influência dum nobre, familiar da oração popular, em uso nas regiões da Baixa Renãnia. Como é que isso aconteceu?"

13 dezembro 2010

O ROSARIO - 1

Começo mais um artigo, desta feita sobre a história do Rosário.

o Terço

A sua origem

e a sua intenção primordial


por

Karl Jos. KLinhhammer S.J .


E is aqui em alguns traços concisos a história da origem do Rosário. Ela pode ajudar aqueles que o rezam a melhorar a sua maneira de o rezar, e levar aqueles que dizem não o poder rezar a rezá-Io. O Rosário tem particularmente a mesma origem que a devoção medieval do Sagrado Coração. Nasceu no tempo do Grande Cisma do Ocidente (1370-1417), num momento de infortúnio imenso, como amor restituído a Cristo, amor de inspiração e de expressão bíblica de que a Virgem Maria, sua Mãe, pode tornar-se o intérprete junto de nós.

I

A LENDA DO ROSÁRIO NÃO É ASSIM TÃO ANTIGA

Uma nota preliminar impõe-se: nós não devemos permitir-nos divulgar as lendas, quando há séculos sabemos que elas são falsas. Senão, aumentamos as dificuldades de crer naqueles que procuram a verdadeira fé.

Ora uma lenda, que resiste obstinadamente, pretende que o Rosário foi entregue durante uma aparição da Virgem a S. Domingos como proteção na sua luta contra os Albigenses. Esta lenda é falsa, embora seja mencionada em certos documentos eclesiásticos.

Já em 1743, quando aparecia o primeiro volume das «Acta Sanctorum» tratando dos Santos do mês de Agosto, o Bolardista Willem Kuypers S.J. prova que as biografias de S. Domingos não mencionam esta lenda ao longo dos dois primeiros séculos que seguiram a sua morte. Ele acrescenta que esta lenda não aparece senão em 1460 nas obras de Alam de Ia Roche O.P. (†1475). Ela é o fruto da sua imaginação excessiva devido (segundo Heribert Thurston S.J.) a uma confusão de nomes, pela qual ele confere a maneira de rezar do Cartuxo de Tréveris, Domingos de Prússia (†1460), ao fundador da sua Ordem. Depois de circunstâncias favoráveis e sobretudo graças à tipografia nascente, os trabalhos de Alam espalharam-se por toda a parte, dando crédito à lenda. Deus permite muito, certamente, em matéria de crença nos domínios próximos da fé; mas não é para que concentremos mais a nossa atenção sobre o conteúdo principal da nossa fé, em que Ele empenha a sua infalibilidade?

Tomás Esser O.P. editou em 1889 um manual para uso da confraria dominicana do Rosário no sentido da lenda. Mas nessa altura da redação teve dúvidas a esse respeito. Ele tem o mérito de ser o primeiro a explicar, aí por fins do século XIX, após um estudo aprofundado das fontes, que «a introdução progressiva dos pontos de meditação na oração do Rosário» remonta aos Cartuxos de Saint-Alban de Tréveris na metade do século XV. Ele podia ainda citar os nomes de Domingos de Prússia e de Adolfo de Esser.

Infelizmente não conseguiu reencontrar e explorara as obras originais dos Cartuxos de Tréveris.

Esse trabalho foi somente realizado durante estes doze últimos anos.

Teve como resultado esclarecer-nos definitivamente sobre a formação primeira do Rosário e sobre a sua intenção primordial.

Pela mesma ocasião, desmoronaram-se, como sem fundamento, todas as outras suposições ou teorias daqueles que - em comparação de Tomás Esser O.P. - se aventuraram bem imprudentemente. Entre estes últimos, citemos sobretudo as Irmãs Dominicanas de Toss, que estão próximas do místico Henrique Suso O.P. (†1366) e também de Henrique de Calcar O. Cart. (†1408).

03 dezembro 2010

Cartuxos (um oásis no meio do deserto)




“A vós, estimados filhos e queridas filhas da Cartuxa, que sois os herdeiros do carisma de São Bruno, compete conservar em toda a sua autenticidade e profundidade a especificidade do caminho espiritual que ele vos mostrou com a sua palavra e o seu exemplo. O vosso apreciado conhecimento de Deus, alimentado na oração e na meditação da sua Palavra, convida o povo de Deus a alargar o próprio olhar até aos horizontes de uma humanidade nova e rica da plenitude do seu sentido e unidade. A vossa pobreza oferecida para a glória de Deus e a salvação do mundo é uma eloquente contestação das lógicas de rendimento e de eficácia que, muitas vezes, fecham o coração dos homens e das nações às verdadeiras necessidades dos seus irmãos. A vossa vida escondida com Cristo, como a Cruz silenciosa plantada no coração da humanidade redimida, permanece de facto para a Igreja e para o mundo o sinal eloquente e a chamada permanente do facto que cada ser, hoje como ontem, se pode deixar prender por Aquele que é amor.” – Excerto da mensagem do Santo Padre aos membros da família dos cartuxos do IX centenário da morte de São Bruno.

Poderia começar este artigo de opinião de inúmeras maneiras, mas este excerto espelha aquilo que os Monges e Monjas Cartuxos vivem na liberdade plena da clausura de uma cela que acolhem por amor. Estes homens e mulheres trocaram a vida (como a maioria de nós a conhecemos) por uma outra vida, onde rezam pelo mundo e pelas suas necessidades, com aqueles que rezam e pelos que não rezam, com aqueles que têm fé e pelos que a não têm ou a perderam. Ninguém os vê, (atrevo-me a dizer que é quase um apostolado invisível), mas sente-se a sua presença.

“- Mas quem são estes monges Cartuxos e o que fazem concretamente?” Impõe-se a pergunta!

Não sendo um entendido na matéria, mas apenas um Cristão que nutre uma grande empatia por esta Ordem monástica, assim denominada (Cartuxa) por ter nascido nas montanhas de Chartreuse, impõe-se um pouco de história destes homens e mulheres que há mais de 900 anos continuam fiéis aos princípios do seu fundador São Bruno e quase nada foi alterado, fazendo jus ao lema inscrito no seu brasão “Stat Crux Dum Volvitur Orbis” que traduzido do latim para português quer dizer “Enquanto o mundo gira, a Cruz permanece firme”. A propósito disto, o Prelado eborense, no cinquentenário do restauro do Convento da Cartuxa de Santa Maria Scala Coeli, recordou os princípios que estão na base desta ordem e explanou uma tradução mais livre e mais enriquecedora para todos os Cristãos “O mundo gira, evolui e transforma-se mas a cruz permanece sempre com o mesmo significado espiritual, o mesmo valor redentor e o mesmo poder de atracção. (…)”
Esta Ordem, em inúmeros locais na net é referida como sendo a mais austera, pelo silêncio e solidão vividas. Em tudo são o “contrário” daquilo que é a vida dos nossos dias. A grande maioria de nós não suporta o silêncio, daí possuirmos rádios, televisões e outros objectos semelhantes, “só para preencher esse silêncio”, e vemos a solidão como uma doença terrível. No entanto, para os Cartuxos, silêncio e solidão é tudo menos isso. Eles optaram pela austeridade, optaram por uma vida de silêncio e pela solidão. Como se vivessem no deserto, têm como ícone São João Baptista. Para eles Deus fala no deserto, pois só com o silêncio se pode ouvir Deus e só com a solidão se poderá desfrutar da sua presença. O silêncio destes homens, imposto por regra mas acolhido por vocação, é diferente dos nossos silêncios. Os nossos são, às vezes, sinal de angústia, de debilidade, de medo, de orgulho e até de ódio poderão ser. Já o verdadeiro silêncio cristão é um silêncio positivo, de humildade, de contemplação, de alegria e de amor.
São pouco conhecidos. Não fazem grandes propagandas nem vocacionais nem existenciais. Mas eles lá estão, rezando pelo mundo e suas necessidades, com os que rezam e pelos que não rezam, com os que têm fé e pelos que a não têm ou a perderam.
Ainda que timidamente e com a humildade de um aprendiz de Cristão que O segue, como a Virgem Santíssima O seguia, defendo-os contra aqueles que apregoam que são pessoas 'inúteis' ou que fariam melhor trabalho pelo reino de Deus se andassem pelo mundo a pregar o Evangelho. Só quem não compreende a mística do silêncio e o valor da oração é que pode dizer uma barbaridade tamanha. Sentir que enquanto nós trabalhamos, discutimos ou outra situação similar, nos esquecemos de Deus, enquanto eles ali estão, no silêncio e na solidão, com Deus, suprindo de algum modo esse nosso esquecimento.
São Bruno, numa carta que dirigiu a um seu amigo de nome Raul, explicava-lhe o que era a Cartuxa, escrevendo:
"Que utilidade e gozo divinos trazem consigo a solidão e o silêncio do deserto a quem os ama; só o sabem quem os experimentou. Aqui podem os homens esforçados recolher-se em si quanto queiram, e morar consigo, cultivar com afã as sementes das virtudes, e alimentarem-se felizes dos frutos do paraíso. Aqui se adquire aquele olho cujo olhar fere de amor ao Esposo, olhar limpo e o puro vê a Deus. Aqui pratica-se um ócio laborioso, e repousa-se numa sossegada actividade. Aqui, com o esforço do combate, Deus premeia os seus atletas com a sua benevolência, a saber, 'a paz que o mundo ignora e o gozo no Espírito Santo'". Traduzindo por “miúdos” diria que os Cartuxos são uma “fonte misteriosa e inesgotável de energia espiritual”.
Depois de algum fervor nas minhas palavras sobre esta Ordem, devo também, dentro dos meus parcos conhecimentos, explicar o seu modo organizativo.
Em termos de efectivos, não chegam a 400, repartidos por 25 mosteiros ou cartuxas, ressalvando em especial a existência de uma em Portugal, mais propriamente em Évora. Cada uma é dirigida por um Prior eleito em escrutínio secreto. É ele que nomeia, depois, o conselheiro (mas que tem o titulo de vigário porque faz as suas vezes), o mestre de noviços e o procurador. O governo da Ordem da Cartuxa, em geral, pertence ao Capítulo dos Priores que se reúne de dois em dois anos na Grande-Chartreuse, a casa-mãe. O Prior da Grande-Chartreuse é, ao mesmo tempo, o Prior Geral da ordem.
Quanto à formação de um monge Cartuxo, segue os seguintes moldes:
- Após um tempo de discernimento, que poderá durar vários anos, e um longo retiro, o aspirante é introduzido no coro dos Monges. Segue-se o período de postulado que pode ir de três meses a um ano, após o qual os monges em escrutínio secreto votam o acesso do candidato ao noviciado.
O noviciado dura cerca de dois anos junto ao mestre de noviços para permitir uma familiarização com a espiritualidade, a liturgia, a Regra e os Estatutos da Cartuxa. Após o primeiro ano inicia-se a formação doutrinal, a saber: Padres do deserto, História da Igreja, Sagrada Escritura e demais doutrina, no fim do qual o noviço é admitido à profissão temporária pela Comunidade.
Após cinco anos dos votos temporários, e de contínua formação, o candidato é admitido à “grande profissão” e faz promessa de “estabilidade”, “obediência” e “conversão total”.
No que toca a hábitos e ao regime alimentar, a única refeição quente do dia é tomada ao meio-dia. Cela a cela é deixado pelos irmãos da cozinha o prato contendo peixe (nunca carne), legumes, compota. À tarde são dois ovos e fruta. Esta última refeição é suprimida durante a Quaresma. Têm sempre o cabelo curto, (cabeça mesmo quase rapada), usando alguns a barba. O seu hábito é constituído por uma grande túnica branca apertada na cintura por um cinto branco também. Por cima da túnica um grande escapulário, branco também, cujos panos da frente e detrás são ligados por duas tiras de lã.
O que poderá ser mais “difícil de compreensão” para o comum dos mortais é o dia do Cartuxo, que é regido pelo seguinte horário :

23h45 - Levantar
24h00 - Matinas do pequeno Ofício de Nª Senhora
24h15 - Laudes (na Igreja)
02h45 - Laudes de Nossa Senhora (na Cela)
06h45 - Levantar
07h00 - Angelus. Hora Prima da Nossa Senhora e do dia.
07h30 - Exercícios espirituais (na Cela)
08h00 - Hora Tércia
08h15 - Missa Conventual
10h00 - Exercícios espirituais (na Cela)
11h15 - Hora Sexta
11h30 - Refeição (na Cela)
12h30 - Tempo livre. Arranjo da Cela e outros trabalhos (na Cela)
13h15 - Hora Nona
13h30 - Exercícios espirituais (na Cela). Algumas vezes pequenos trabalhos de jardinagem
15h30 - Vésperas de Nª Senhora (na Cela)
15h45 - Vésperas do dia (na Igreja)
16h15 - Exercícios espirituais (na Cela)
17h15 - Pequena refeição
18h45 - Angelus. Exercícios espirituais (na Cela)
19h15 - Completas do dia e de Nossa Senhora (na Cela)
20h00 - Descanso

Apesar do muito que disse ou possa pensar que foi dito, não passou de um grão de areia na realidade vivida e sentida do Cartuxo, ao contrário de mim, que apenas me baseei em livros já lidos e o sitio da casa-mãe na net , isto é, muita teoria e prática zero.
Termino este artigo com o pensamento abaixo, que entretanto me ocorreu:
Cartuxos - Homens de Deus e Homens de Oração que no silêncio e na solidão conversam com Deus.”

30 de Novembro de 2010"

30 novembro 2010

Desabafos

Há dias atrás inseri um vídeo “peculiar". Chamo-lhe peculiar porque insere duas das minhas “paixões/devoções”. Ao fundo a Virgem de Guadalupe e a ser entrevistado, um homem que irá entrar na Cartuxa em Espanha (nesta data já deve estar há alguns meses).

Como é do conhecimento de quem por aqui passa, a Virgem de Guadalupe entrou em mim, aliás, são muitas as situações/momentos em que essa imagem aparece, seja na net ou na televisão, e isto sem estar a pensar nela. Por vezes penso que será uma chamada de atenção da sua parte ou que está a dizer-me que não se esquece me mim. No fundo, quando essas situações de “mera coincidência” acontecem sinto-me cheio de tudo, especialmente de uma felicidade impar, ainda que não dure “para sempre”. Como eu desejo um dia poder ir ao México agradecer na sua casa tudo o que tem feito a este pecador constante e consciente, mesmo sem merecer, mesmo aquilo que nem sonho que ela intercedeu por mim, mesmo os mistérios mais insondáveis que possa possuir e que só Ele sabe. Quem sabe um dia este desejo se torne realidade.

Quanto à Cartuxa não sei como começou a minha enorme empatia/simpatia, apenas sei que dia a dia nutro mais esse sentimento. Diria que é uma paixão onírica, já que torná-la realidade, para além de eventuais impedimentos na Ordem, teria que não ter família como tenho, ou seja, mulher e filho. A ter que optar, sem duvida alguma opto pela família com todas as imperfeições inerentes. Quando a eles, Homens de Deus e Homens de Oração, de quando em vez oro por eles timidamente, já que eles, oram por todos nós com mais convicção. Para mim, todas as vidas consagradas na Liberdade inimaginável da cela, são como um pulmão que respira por nós, cheios de tanta sujidade perante Deus. Tal como no caso anterior, desejo um dia poder passar, um dia que seja, dentro das paredes de um mosteiro cartuxo e, ainda que sabendo que são de “poucas” palavras, se puder, desabafar/divagar sobre todos os meus podres, duvidas e anseios, mas também as minhas certezas sem certeza alguma, depois sair, como que baptizado novamente e tentar ser mais recto, mais convicto e mais cheio de fé…como um grão de mostarda. Um irmão romeiro um dia comentou “a fé é leve” e essa pequena frase por vezes vem ao de cima, por vezes faz-me pensar o “homem de pouca fé” que muitas vezes me sinto. Realmente a fé é muito leve.

26 novembro 2010

Farsa versus autenticidade

"Vivemos numa época em que a farsa reina sobre a autenticidade. Farsa em todos os sentidos e em quase todas as situações do dia-a-dia.Longe vai o tempo em que a palavra acordada entre duas pessoas valia mais do que algo passado a escrito e assinado. Mais longe vai o tempo em que as pessoas defendiam causas nobres em prol de todos sem excepção, ao invés de hoje, em que uma grande maioria de pessoas defende o seu umbigo e os umbigos dos mais chegados.
A Europa apelidada de “Mundo Velho” e infelizmente em concordância com o “Mundo Novo” vai a reboque desta última, em prol da Republica e da Democracia, no entanto, de republicanos e democratas, pouco tempos. Temos cada vez mais, isso sim, autoritarismos absolutos, cegos e surdos.
À frente de muitas instituições políticas, humanitárias e sociais (entre outras) estão pessoas que, apregoando a democracia, a humanidade e a solidariedade, fazem tudo menos isso. São pessoas que se aproveitam desses cargos para favorecerem-se a si e aos seus. São pessoas que discursam horas a fio “bons costumes”, mas no entanto, pecam pelo vazio das suas obras e acções, ou seja, agem em contradição com aquilo que dizem. Fazem-me lembrar a parábola descrita em Lucas 18.9-14, onde encontramos um fariseu e um publicano a orarem. O primeiro orgulha-se de ser um fiel cumpridor da Lei e de fazer mais do que o pedido, em suma ser um “exemplo” para os demais. O segundo nem sequer levanta o seu olhar, parece ter vergonha de olhar para Deus e bate no peito, mostrando que está arrependido, aliás, bater no peito não terá sido uma atitude de oração mas sim de desespero. Desespera-se porque Deus não tem lugar na sua vida, no entanto, Deus perdoa-o.
O fariseu, apesar de tudo o que disse e fez, não foi simples, sincero e autêntico como o publicano. Ao fim e ao cabo este homem vivia uma farsa camuflada na Lei.
Os tempos de hoje não são como os de outrora, no entanto, a autenticidade das palavras e actos do Homem, deveria permanecer imutável, como imutável é a palavra de Deus.
Ontem, hoje e muito possivelmente amanhã, a Farsa é Rainha e Senhora neste mundo dito democrata.

E nós, quem realmente somos e como agimos?

Somos mais um fariseu ou mais um publicano?"

25 novembro 2010

Algo que se passou no tempo


"“Poderá não fazer sentido ou nexo;

Poderá ter erros gramaticais ou textuais mas, foi assim no calor da “emoção” que pretendi transmitir-vos. E assim na noite que me ajuda que pretendo escrever. Pela manhã, metade já me teria esquecido e a outra metade mais elaborada.

Será assim, por tópicos:

1 – Na sala que usámos existe um poster com uma peça de barro representativa de Nossa Senhora com o menino nas mãos, como que a “entregar-nos”;

2 – Este ano fiz parte dos Dirigentes que iriam ministra um cursilho de Cristandade. Não se conhecem o movimento em questão mas também não vou entrar em pormenores;

3 – Durante a partilha de testemunhos sobre a leitura do dia em que só ficaram os 12, referi que, também eu, por vezes digo “que palavras atrozes e difíceis, não as compreendo?”. No entanto que o continuo a segui-Lo timidamente, há distância possível MAS sempre de mão dada com Nossa Senhora. Disse-o apesar de ser O Movimento dos Cursos de Cristandade (Cristo);

4 – Na hora de comungar o “corpo e sangue de Cristo”, ao contrário do habitual (O padre lê uma breve passagem) um dos irmãos pediu se podia cantar baixinho um cântico;

5 – Cantou um que “usamos” nos Romeiros. Antigo segundo o sacerdote mas muito recente para mim. Dei por mim também a acompanhá-lo e a Viver a Fé que sinto nas Romarias (ardor no coração e a alma em brasa);

6 – Dentro do milésimo de grão de mostarda que possuo de humildade, “senti” como um “mino” de Nossa Senhora, ouvir este cântico;

7 – Na verdade, desde que me consagrei, vou ao sacrário falar com Cristo mas, depois dou uma palavrinha a Nossa Senhora. Por vezes sinto que não o devia fazer mas, não sabia fazer de outra maneira esta minha devoção…até hoje, e ainda por cima que uso um fio com ela ao peito.

8 – Que parvo que me senti na altura. Afinal, posso ser devoto de Nossa Senhora sem ferir Jesus Cristo. Tal como a sua humildade de mãe, as palavras que disse “sem saber” fizeram eco. Afinal posso ir ao sacrário falar com Cristo sem o ofender ou magoa-la…basta ir de mão dada com ela. Tão simples e só agora “percebi”."

22 novembro 2010

Um pensamento pela manhã


"Perdoai-me Senhor, não pelas tentações a que estou sujeito,
mas sim por aquelas a que sucumbi."

12 novembro 2010

Um nome sem importância

"UM NOME SEM IMPORTÂNCIA

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada

Voz da Verdade, 2010.11.14


Se há alguma importância em se chamar Ernesto[1], não há nenhuma em chamar-se Dora. Com efeito, a mulher que teve este nome não foi vedeta, nem actriz, não foi famosa, nem rica, não escreveu livros, nem foi conhecida pela sua beleza ou por outro atributo. Aliás, passou desapercebida, viveu e morreu discretamente, depois de uma vida de trabalho silencioso, sem mais história do que a história de uma vulgar empregada doméstica, que mais não foi do que isso mesmo, toda a sua vida.

Dora del Hoyo nasceu em 1914 em Espanha, mas em 1946 mudou-se para a capital italiana, onde viveu e trabalhou para a sua família: o Opus Dei. Como profissional, entregou-se de alma e coração às tarefas domésticas na sede da prelatura. Lavou pratos e tachos, limpou o pó, cozinhou, tratou das roupas, como qualquer dona de casa, até à data da sua morte, a 10 de Janeiro de 2004, em Roma. Aí repousa agora, ao lado da campa onde esteve sepultado o fundador, S. Josemaria Escrivá, e onde está agora o corpo de D. Álvaro del Portillo, primeiro prelado do Opus Dei. Os corpos deste bispo e desta empregada doméstica são os únicos que, de momento, se encontram na cripta da igreja prelatícia de Santa Maria da Paz, onde antes estiveram os restos mortais de S. Josemaria, até à sua trasladação para o respectivo altar, por ocasião da sua beatificação e posterior canonização.

Quem imaginaria uma simples mulher-a-dias na necrópole dos Papas?! Ou uma pobre e desconhecida operária no mausoléu do Kremlin?! Ou uma velha criada enterrada entre os túmulos dos reis, em São Vicente de Fora?! Ou ainda uma cozinheira no panteão nacional de Santa Engrácia?! Contudo, a poucos centímetros de onde jazeu o fundador do Opus Dei e agora repousam os restos do seu sucessor, um só corpo recebeu sepultura: o de Dora del Hoyo, empregada doméstica.

No Opus Dei há alguns cardeais, bastantes bispos, milhares de sacerdotes, muitos já falecidos, alguns com fama de santidade mas, até à data, mais nenhum, salvo o primeiro sucessor do fundador, mereceu o privilégio outorgado a esta simples operária do lar. Muitos são os fiéis leigos defuntos do Opus Dei que, nestes quase noventa anos de serviço à Igreja e ao mundo, se notabilizaram pelo seu trabalho: catedráticos, generais, políticos, artistas, embaixadores, literatos, cientistas, almirantes, jornalistas, etc. No entanto, é uma empregada doméstica que ocupa aquela tão especial sepultura. Uma mulher a que não se ficou a dever nenhuma invenção, nenhuma novidade, nem sequer nenhuma receita memorável. Apenas serviu, serviu a Deus e aos homens, serviu a Igreja, servindo os seus irmãos e irmãs da prelatura e muitas outras almas. Com alegria, com devoção, com profissionalismo, com amor, com perseverança, com simplicidade e, sobretudo, sem se dar nenhuma importância, porque a não tinha.

Há uma meia dúzia de anos que Dora descansa no subsolo da igreja de Santa Maria da Paz. E, apesar de muitos fiéis visitarem a cripta, onde é bem visível o nicho com o seu nome, ninguém sabe, nem tem por que saber, a grandeza da sua vida prosaica, tão mariana. A sua singela presença naquele lugar, onde aguarda a ressurreição dos mortos, é tão apagada quanto foi a sua vida: não se deve a nenhum principesco favor, nem é demagogia barata, mas a genuína expressão de uma revolucionária verdade – a igual nobreza de todas as profissões humanas e a comum dignidade eclesial de todos os filhos de Deus.

P. Gonçalo Portocarrero de Almada
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[1] A Importância de se chamar Ernesto [The Importance of Being Earnest] comédia escrita por Oscar Wilde, em 1895. "

11 novembro 2010

Partiu para o Pai o "Senhor do Adeus"

"Eu sou o Senhor do Olá"

"Chamam-me o Senhor do Adeus, mas eu sou o Senhor do Olá. Aquele que acena no Saldanha, a partir da meia-noite. Tudo isto é solidão? Essa senhora é uma malvada, que me persegue por entre as paredes vazias de casa. Para lhe escapar, venho para aqui. Acenar é a minha forma de comunicar, de sentir gente", escrevia, em Março de 2008, o Expresso sobre João Manuel Serra, salientando: "São quase duas da manhã e os carros não param de lhe apitar. Nem eu de lhes acenar. Só fico triste quando o movimento acaba."
"Venho para a Praça Duque de Saldanha, desde que fiquei nas mãos de não ter ninguém. Nasci aqui perto, na casa da minha avó. Um palacete tão bonito, que o Calouste Gulbenkian quis comprá-lo. Vê-se que foi um menino rico. Sou filho de gente abastada, nunca trabalhei nem entrei numa cozinha", acrescentava o semanário, citando o "Senhor do Adeus".

Não o conheci mas, pelo que li, apesar de tudo o resto foi um Cristão exemplar. Com este seu gesto, de certeza que muitas almas deve ter salvo de tanta coisa menos boa...apenas com um gesto, um Adeus ou um Olá, como queiram dizer.

02 novembro 2010

65 -Sufrágios

"Já que somos membros os uns dos outros, convém que na oração levemos os fardos dos homens, nossos irmãos, e primeiro que tudo intercedamos:

Resumo das pessoas pelas que oferecemos sufrágios:

Por nossos Superiores

Pelo Papa.

Pelo Reverendo Pai, Prior da Cartuxa, como Ministro Geral de nossa Ordem e Pastor de todos nós.

Pelo Procurador geral.

Pelos Visitadores.

Pelo Prior.

Pelos parentes e benfeitores recém falecidos.

Pela Igreja universal e pela Ordem.

Por nosso Santo Pai em Cristo, o Papa reinante.

Pela conservação da unidade da Ordem.

Para impetrar o auxílio celestial a fim de que todos se congreguem na única Igreja de Cristo.

Pela paz e tranquilidade de todas as nações, e pelos que as governam.

Pelas autoridades da nação de cada Casa da Ordem.

Pelo próprio Bispo de cada Casa.

Pelas pessoas da Ordem que estão em perigo de alma e corpo, e para consolação das mesmas.

Por todos nossos benfeitores, pelos parentes, encomendados e amigos de todas as pessoas da Ordem, e pelos que temos obrigação.

Outros sufrágios pelos defuntos

Depois da solenidade de Pentecostes, em todas as Casas da Ordem se celebram duas Trintários gerais:

um por todos os fiéis defuntos detentos no Purgatório;

o segundo, pelos parentes, benfeitores, encomendados e amigos de todas as pessoas da Ordem, pelos que têm participação na Ordem, e pelos que temos obrigação.

Ainda que são muitos os sufrágios que aplicamos por determinadas pessoas, confiamos em que, pela Misericórdia divina, todas nossas orações têm de aproveitar antes de nada à Igreja universal, para louvor da glória de Deus. "

Termino aqui os Estatutos desta Ordem. Pela numeração faltam alguns capitulos mas foi assim que me chegou este livro.

62 -Sacramentos

"A Penitência

No sacramento da Penitência o Pai das misericórdias, pelo Mistério Pascal de seu Filho, nos reconcilia no Espírito consigo, com a Igreja e conosco mesmos. Recomendamos, pois, a todos que frequentem este sacramento pelo qual a conversão do coração, fim próprio do monge, insere-se no mistério da morte e ressurreição de Cristo.

O Prior tem o dever de designar alguns monges, entre os de maior discrição, para ouvir as confissões dos demais.

Ademais, qualquer pessoa da Ordem, para tranqüilidade de sua consciência, pode válida e licitamente confessar-se com qualquer confessor que tenha faculdade para isso.

A respeito da confissão de pessoas estranhas à Ordem, que se tem de evitar quanto seja possível, e das mulheres, que não se as deve confessar de nenhum modo. "

01 novembro 2010

54 -Cerimônias do Ofício na cela

"O Ofício canônico.

Se alguma vez a evidente debilidade ou a excessiva fadiga nos obriga a sentar-nos durante o Ofício divino, ou se estamos em cama por razão de doença, rezemos, não obstante, com a reverência possível.

Porque no Ofício divino, onde quer que se reze, tem-se de guardar cuidadosamente reverência e dignidade, por ser em todo lugar uma mesma a Majestade e Divindade daquele em cuja presença falamos, e que nos olha e atende. "

53 -Cerimônias conventuais no Ofício

"Reunião na igreja

Logo que ouvimos o sinal para cantar conventualmente na igreja as Horas do Ofício divino, deixando todas as outras ocupações, devemos encaminhar-nos com prontidão a ela, guardando o maior recolhimento e gravidade. Porque nada é lícito antepor à “obra de Deus”.

Ao entrar na igreja, benzemo-nos com água bendita, e vamos a nossas cadeiras; antes de entrar nas formas fazemos inclinação profunda ao Santíssimo Sacramento. Fazemos também dita inclinação nas arquibancadas do presbitério, sempre que a ele subimos ou dele baixamos, ou quando passamos ante o Santíssimo.

Ao chegar às cadeiras ficamos de pé, voltados para o altar e talheres, preparando-nos em silêncio para o Ofício; dada o sinal pelo Presidente, inclinamo-nos ou nos ajoelhamos para a oração, segundo o peça o tempo.

Enquanto se faz oração em silêncio antes uma Hora, não entramos à igreja.

Pelos intervalos de silêncio, nossa oração pessoal se une mais intimamente à Palavra de Deus e à voz pública da Igreja.

Na igreja evitamos todo ruído por reverência à divina Majestade; estamos com o devida compostura; temos as mãos fora da cogula. Sempre e em todas as partes temos de ter a vista recolhida, mas principalmente na igreja e o refeitório.

Cantadas as Horas ou finda a Missa ou outro Ofício, o Prior sai o primeiro da igreja, depois o Vigário e, seguidamente, os demais. Ninguém deve deter-se então na igreja ou outra parte, a não ser que uma evidente necessidade o justifique. "