08 setembro 2010

Carta a uma filha de Maria de Nazaré


Deus escreve direito por linhas tortas” diz o povo desde longa data e com muita razão, aliás, salvo melhor opinião, todos os ditados criados e ainda hoje em uso, têm um fundamento lógico e com nexo, e não foram criados ao acaso ou numa altura em que o seu criador estava inspirado.
Esta pequena introdução irmã, vem na sequência do artigo anterior (homem de Deus). Estava eu a ver os meus emails quando reparei que tinha um de ti. Abri, como costume, e li com calma e ponderação aquilo que me dizias.
Assim, a dada altura, dizes-me que desde há algum tempo apelidaste-me de “homem de oração” e que o mesmo é um nadinha mais que o anterior, ou seja, que para ser um “homem de oração” tem que primeiramente ser um “homem de Deus”.
Realmente foi uma afirmação arrebatadora, bombástica até mas, ao contrário da do outro artigo, esta não mexeu comigo da mesma maneira. Aparentemente, nada senti, senão a constatação da afirmação que, a meu ver, tem lógica e fundamento. Na verdade, para sermos homens de Oração, temos que ser antes de tudo mais, homens de Deus.
Como disse, aparentemente nada senti, no entanto, foi nessa aparente falta de alguma sensação que arrebatasse o meu coração, que fiquei a pensar estes dias.
Hoje e após alguma meditação/introspecção constatei que esta tua afirmação é que uma fiel devota de Maria, já que foi na tua simplicidade e humildade que me chamaste tal coisa. Só alguém que segue-O ao lado de Maria diria, tal como todas as suas aparições ao longo dos tempos em que apenas pede que Orem. Só mesmo quem tem convicção e fé na oração, dar-me-ia um apelido tão simples e belo mas, em simultâneo, tão poderoso como a oração o é, tão simples como Maria o foi ao anjo Gabriel e tão silencioso mas fecundo como a oração deve ser.
Eu, minha irmã, sem querer ser repetitivo, sou um pecador ainda a caminho de ser homem de Deus. Oro, é certo e é na Oração que me identifico com Deus, mais do que na acção, no entanto, tantas são as vezes que oro sem saber orar. Inúmeras são as vezes que conto as contas do terço mas o meu pensamento está longe d`Ele. Imensas são as vezes que nem o Coroa de Nossa Senhora rezo e quando rezo, nem sempre sinto-me convicto nas palavras que me banham a mente. Converso muitas vezes com ela, como de filho para mãe mas, será isso orar? Sinto-me amparado por ela porque, quando lhe peço algo, raras são as vezes que a sua intercepção não é atendida e, se não é, é porque Nosso Senhor deve achar que não é chegada a altura de atender a tal pedido mas, com tantas falhas na minha “vocação” de oração, serei um homem de Oração?
Tens razão quando dizes que pensavas que no outro blog iria continuar a escrever orações como a 1ª oração e “desiludi-te”, porque tem sido muito amiúde os meus escritos por lá.
Agora, após estas toscas palavras, sinto que, aparentemente quase nada senti, no entanto, sem querer com o que vou dizer a seguir, vangloriar-me ou algo assim pecaminoso, sinto que é assim que os filhos da Virgem Maria devem ser, isto é, na humildade humanamente possível, não se ficaram pelos elogios, não se sentirem num “altar” quando são ditas coisas positivas a seu respeito, ainda que com alguma verdade inserida.
Se calhar, mesmo nas orações ditas e não sentidas, Nossa Senhora soube aproveitar uma mera vogal ou uma simples consoante e tornou-a perante Deus uma oração digna d`Ele e, com esta aparente falta de sensação, ela voltou a colocar-me no caminho certo em direcção a Deus, no caminho da humildade, sinceridade e seguindo Cristo como ela segui-O, sem me sentir mais que os outros, aliás, tendo como lema próprio “um irmão como os demais”, a sensação de euforia que senti no anterior artigo, ainda que possa ter sido, em parte, uma Graça, um mimo para um homem de Deus, também se calhar fiquei um pouco presunçoso de mais e com essa atitude pequei.
Como disse no inicio “Deus escreve direito por linhas tortas” e com este comentário que me fizeste, Maria, através das tuas palavras fez-me descer do “altar” em que me sentia e voltei a ser apenas e tão só uma tentativa de homem de oração, como aqueles que, no silêncio das suas clausuras, separados de todos, oram por eles, sem que muitos “deles” o saibam ou sonhem.

06 setembro 2010

"homem de Deus"


Há dias atrás, num blog que visito regularmente e num contexto que seria demasiado explicar aqui, o seu autor apelidou-me de “homem de Deus”.
Confesso que por uma breve fracção de segundo, senti um calor abrasador na minha pequena alma, com esta afirmação minimalista e breve mas, ao mesmo tempo, de uma enorme grandeza inexplicável. Depois, veio ao de cima a parte humana de mim, a parte em que senti-me inchado, importante e quase como sendo alguém muito próximo do Altíssimo. De seguida, pedi-Lhe perdão, quase que inconscientemente, por ter tido esses pensamentos normais para o homem mas, tentações para quem é crente, para quem tenta diariamente seguir Cristo por intercessão da Sua Mãe Maria Santíssima. Para quem se diz ser, apenas e tão só Cristão como os demais.
Há noite, não sei se por obra e graça do Espírito Santo (como dizemos na gíria e algumas vezes em jeito de gozo) novamente essa expressão batia incessantemente na minha mente “homem de Deus” como se quisesse dizer algo mais do que apenas isso. É certo que, em termos religiosos, já me deram muitos apelidos, uns bons e outros menos bons, mas todos eles com um impacto na alma muito menor que este. Este realmente mexeu muito comigo porque, nesta pequena afirmação, este irmão em Cristo conseguiu, sem saber ou tão pouco imaginar, agregar todos os outros apelidos num só.
Aos poucos fui ruminando-a para ver se conseguia extrair alguma seiva, alguma gota de orvalho ou algumas proteínas necessárias para a minha alma, mas acabei por adormecer antes que se fizesse luz, antes que retirasse algum ensinamento.
Agora, e enquanto vou passando para esta folha de papel inexistente, com esta tinta virtual, aos poucos vou sentido, não só o peso mas, principalmente, a responsabilidade de tal apelido. Sim, porque apesar de ser membro efectivo da A.P.A. (Associação de Pecadores Anónimos) na qual, comprometi-me que, todos os dias da minha vida, tentaria não pecar, tentaria segui-Lo com todas as minhas forças, todos nós Cristãos, membros do A.P.A. ou não, somos co-responsáveis com aqueles e aquelas que se entregaram a Deus de alma e coração. Apesar de leigos, somos as pedras vivas da Igreja e assim sendo, também temos responsabilidades perante Deus, também temos deveres perante os nossos irmãos e não, como alguns possam pensar, que só temos direitos, e os deveres, esses são para os sacerdotes e afins.
Sermos “homens de Deus”, para além de toda a enormidade inserida, para além de toda a carga emocional e teológica inserida, é agirmos como tal, é sermos sacerdotes, profetas e reis aqui e agora e não amanhã… se calhar. É usarmos dos meios disponíveis neste tempo, para passarmos a “boa nova” a quem está um pouco debilitado na fé mas, principalmente, a quem não tem fé ou a perdeu. É também darmos a mão a que está estendido, o ombro a quem precisa de apoio, uma palavra amiga a quem precisa de auto-estima ou apenas ouvir quem precisa falar, entre muitas outras acções.
Termino confessando a Deus todo-poderoso e a vós, irmãos, que nem sempre sou o Cristão que devia ser, que muitas vezes peco com todos os poros do meu corpo e não “… muitas vezes por pensamentos, palavras, actos e omissões”, mas é “por minha culpa, minha tão grande culpa” porque diariamente “peço à Virgem Maria, aos Anjos e Santos e a vós irmãos, que roguem por mim a Deus nosso Senhor” e sabendo que intercedem, esta minha pequena alma sofre, quando caio em tentação.
homem de Deus”… tão perto e tão longe que me encontro desse estatuto mas, foram gotas de água pura na minha alma, muitas vezes impura. Que Nossa Senhora interceda a Deus Nosso Senhor por este irmão, “fruta que cairá quando estiver madura” como me explicou um irmão romeiro, sacerdote por sinal.

02 setembro 2010

“Padres de púlpito precisam-se!”


Quase todas as igrejas possuem um púlpito, local onde os padres antigamente proferiam as leituras da Sagrada Escritura e respectivo sermão. Hoje, na sua grande maioria, são apenas e tão-somente um adorno da igreja, algo que quase parece mais uma varanda com vista para a igreja ou, em cerimónias como casamentos e baptizados, para quem foi contratado para filma-las e/ou fotografá-las. Hoje em dia, as leituras e respectivo sermão são proferidos ao mesmo nível do que os fieis, ao contrário de outros tempos, em que os referidos fieis tinham que olhar para cima.

Independentemente de pontos de vista teológicos ou de directivas da Santa Sé, não quero dizer com esta pequena introdução (quiçá controversa), que pense que os padres devam voltar a usar o púlpito, fisicamente falando. É certo que ainda existem alguns que não deixam acumular pó ou teias de aranha no referido local mas, quando digo que “Padres de púlpito precisam-se!” refiro-me a padres que o são na verdade da palavra, contra tudo e todos, em nome da fé que professam, ou seja, que não se deixam amordaçar pelo poder económico ou político. Que não entram em cantigas, como por exemplo “o socialmente correcto”. Jesus Cristo, naquele tempo também em nome de Deus, não foi nas cantigas de então. Que não caem na tentação do marasmo que se vê em algumas igrejas por este país dentro, principalmente nas missas dominicais, onde as leituras são monocórdicas, e infelizmente, como se isso já não fosse bastante, as explicações da Sagrada Escritura ficam há quem das expectativas da maioria dos fieis, como se o padre não tivesse tido tempo durante a semana para se preparar convenientemente ou como se os fieis não fossem perceber.

A propósito “das expectativas da maioria dos fiéis” há tempos atrás, numa procissão de freguesia, e na sequência de um comentário sobre devoção/obrigação um padre dizia para um outro:

- Não sei o que é que este povo de Deus pretende de nós!”

Bem, na sequência do já acima escrito, o que o povo de Deus possivelmente pretende dos padres de hoje, é que, espanejam as missas, tirem as teias de aranhas dos bancos que não são usados e, por amor de Deus, para além de uma preparação conveniente, principalmente para as missas dominicais, não tenham medo em explicar a Sagrada Escritura à luz dos dias de hoje, ou seja, de um ponto de vista catequetico e profético. De um ponto de vista de sacerdote para fiel, onde não exista a critica pessoal e por vezes destrutiva, o recado a alguém que está na igreja ou pontos de vista pessoais “ofensivos” sobre “determinado(s) movimento(s) da igreja. Todos nós somos filhos de Deus e todos nós professamos a fé em Deus, seja como individuo e/ou inserido em algum movimento.

O que também o povo de Deus possivelmente pretende é que os padres sejam-no, não por obrigação, mas sim por devoção.

Costumo dizer (como possivelmente muitos outros fieis) que existem “padres que chamam-nos à igreja e outros que nos afastam”. Graças a Deus que ainda existem muitos padres que nos chamam à igreja, aqueles a que apelido de Padres do púlpito, no entanto, apesar de (ainda) muitos, começam a ser poucos para a messe que é grande.

Termino dizendo que, com este artigo de opinião pessoal, não estou a apontar o dedo ou a fazer uma crítica destrutiva a algum sacerdote em particular, muito pelo contrário, tento com este modesto artigo despertar o ardor dos nossos corações quando Ele nos fala durante a caminhada terrena e nos explica as escrituras, em especial aos padres, mas também a todos os fieis (começando por mim) que também por vezes, contribuem para a apatia geral nas missas.

25 agosto 2010

Clarissas na Ilha de São Miguel

Dois apontamentos para a posteridade de um mosteiro de contemplativas nos Açores. Gostei de falar com uma das irmãs.

23 julho 2010

Jesus explica a parábola do semeador

Mt 13,18-23

“- Então escutem e aprendam o que a parábola do semeador quer dizer. As pessoas que ouvem a mensagem do Reino, mas não a entendem, são como as sementes que foram semeadas na beira do caminho. O Maligno vem e tira o que foi semeado no coração delas. As sementes que foram semeadas onde havia muitas pedras são as pessoas que ouvem a mensagem e a aceitam logo com alegria, mas duram pouco porque não têm raiz. E, quando por causa da mensagem chegam os sofrimentos e as perseguições, elas logo abandonam a sua fé. Outras pessoas são parecidas com as sementes que foram semeadas no meio dos espinhos. Elas ouvem a mensagem, mas as preocupações deste mundo e a ilusão das riquezas sufocam a mensagem, e essas pessoas não produzem frutos. E as sementes que foram semeadas em terra boa são aquelas pessoas que ouvem, e entendem a mensagem, e produzem uma grande colheita: umas, cem; outras, sessenta; e ainda outras, trinta vezes mais do que foi semeado.”

Esta é a leitura para o dia de hoje.

Depois de a ler, deparei-me com a situação de me sentir enquadrado neste “As sementes que foram semeadas onde havia muitas pedras são as pessoas que ouvem a mensagem e a aceitam logo com alegria, mas duram pouco porque não têm raiz” e neste Outras pessoas são parecidas com as sementes que foram semeadas no meio dos espinhos. Elas ouvem a mensagem, mas as preocupações deste mundo e a ilusão das riquezas sufocam a mensagem, e essas pessoas não produzem frutos”, isto é, no 1º caso ouço a mensagem e aceito-a com alegria, mas por vezes essa alegria dura pouco, ainda que tente a custo, mantê-la o mais possivel. No entanto, não abandono a Fé. No 2º caso também ouço a mensagem mas, as preocupações do dia-a-dia, algumas vezes sufocam a mensagem e relego-a para 2º plano…infelizmente.

Espero e desejo que, com a ajuda do Espirito Santo, um dia me torne em terra boa…

20 julho 2010

"Deuscidências"


Este fim-de-semana aconteceu-me uma coisa um pouco diferente do que é habitual, passo a explicar-te:

- Vou recebendo e lendo alguns PPS`s, entre os quais, aqueles a que posso apelidar de cariz religioso, entre os quais, aqueles em que determinadas pessoas, por oração, pedido ou meramente uma conversa com Deus, Ele “aceita” e manda o que queremos por terceiros, isto é, nem sempre é como pensamos que seja, no entanto, Ele dá-nos a resposta.

Pois na passada madrugada de sexta para sábado, estava na cama sem sono e pus-me a pensar que precisava de falar com determinada pessoa para me ajudar numa determinada tarefa. Não que a pessoa em questão residisse muito longe mas, passam-se meses que não me cruzo com ela.

Sábado de manhã, estava eu a deitar algum lixo fora num contentor que se encontra na rua onde resido (por sinal um pouco desviada do caminho corrente e como tal um pouco calma) e eis que para um carro ao pé de mim e o condutor, pergunta-me se precisava de ajuda (por “mero acaso”) a pessoa que tinha pensado nessa madrugada).

Não importa se aceitei a ajuda ou por mais vergonha que custo a declinei mas, o “caricato” da questão foi que, muito possivelmente devido à conversa com Deus, Ele ter-me respondido.

16 julho 2010

Onde puseram Deus nesta Sociedade?


Vivemos numa época, na qual o Homem pensa já ter o conhecimento total sobre quase tudo e aquilo que ainda não sabe, não é obra de Deus, ou seja, a grande maioria dos seres humanos tendo já adquirido um enorme grau de conhecimentos em quase todas as áreas da vida, pensa e age como se Deus tivesse sido uma invenção dos nossos antepassados e como tal, alguns põem em causa a Sua existência, mesmo entre aqueles que se dizem Cristãos e outros, já nem duvidam da sua não existência.

Nos dias de hoje, todos aqueles que O seguem, são na sua maioria de rotulados de retrógrados, antiquados ou outros termos mas, todos eles depreciativos. Aliás, na maioria dos países ditos desenvolvidos, a religião apesar de ter séculos de existência e ser aceite, democraticamente falando, cada vez mais os governantes desses mesmos países, criam leis que afastam o Homem do seu Criador. Cada vez mais, indirectamente e em passinhos de lã, vão empurrando o Cristão e o Cristianismo para um canto onde não incomode, não opine, não critique (ainda que construtivamente) e principalmente não interfira em determinadas leis, leis essas que do ponto de vista governativo, são “progressivas”, “inovadoras” e até “humanas”. Lamentavelmente, na minha maneira de ver essas mesmas determinadas leis, todas elas são tudo menos progressivas, inovadoras ou humanas. Todas elas enquadram-se no consumismo, no facilitismo e na pressão que certos grupos da sociedade fazem junto dos governantes, no intuito de fazer prevalecer as suas ideias em detrimento do que é humanamente e eticamente correcto, e eles (os governantes) na maioria das vezes deixam-se ir ao sabor do vento e atrás das cantigas que lhe dizem aos ouvidos, infelizmente.

Aqueles que O seguem, como eu e muitos daqueles que neste momento lêem estas linhas, sentem o mesmo que eu sinto, isto é, o ser Cristão e Segui-Lo é cada vez mais difícil, mas não é impossível.

O começo deste “empurra os Cristãos para um canto” já ocorreu á alguns anos. Primeiro com situações muito subtis, mas actualmente, com situações muito concretas, a saber (entre outras que me esteja a esquecer):

- Retirar os crucifixos das salas de aula (por causa das crianças que professam outros credos). Há poucos dias passou por mim um abaixo-assinado sobre a reposição dos mesmos nas salas de aula, atendendo a que (entre outros argumentos) Portugal é maioritariamente Católico (quis perceber isso). Se formos para países muçulmanos (entre outros credos), apesar de haver igrejas católicas, somos confrontados diariamente com o chamamento para as orações diárias deles, e não vejo os seus dirigentes serem tolerantes ao ponto de retirarem os microfones que chamam pelos seus fiéis;

- Supressão do “nome” Padre nas escolas que o nome era o de um padre. Que situação mais ridícula e ambígua criada, isto é, determinada pessoa tornou-se conhecida, notada e até alvo de reconhecimento publico e institucional (“dar” o nome a um determinado estabelecimento de ensino) não pelo seu nome de baptismo mas sim pela sua vocação. Se o nome “Padre” numa determinada escola pode ferir susceptibilidades, também em outras situações públicas poderá ferir susceptibilidades os nomes “Eng.” ou “Dr.” entre outros cargos que, pelo reconhecimento do seu trabalho e dedicação à sociedade, esta resolveu homenageá-lo;

- Possibilidade de contrair matrimónio civil duas pessoas do mesmo sexo. Cada um é livre de fazer o que quer (mesmo que isso vá contra a moral, os bons costumes e a liberdade dos que estão à volta) e levar a vida que considera ser a mais correcta (mesmo que isso vá contra a Lei de Deus), no entanto, a constituição de o que é designado por Família com duas pessoas do mesmo sexo, não me parece correcto, aliás, sou contra redundantemente. Para mim, e de certeza uma grande maioria das pessoas (felizmente) uma família, em primeira instância é a união de duas pessoas de sexos opostos. E não querendo entrar na procriação da espécie, duas pessoas do mesmo sexo, não conseguem (naturalmente falando) procriar por si só e, em última instância têm que recorrer a uma terceira pessoa para a continuação da espécie humana. Será isto correcto? Não creio, aliás, penso que estas “uniões de facto” ou outro termo que queiram utilizar, não passam de modas ou de ser um “vamos experimentar outra coisa”, como quem hoje come carne e amanhã experimenta-se peixe;

- Numa altura em que se fala, discute e até se criam comissões de trabalho para debaterem a deficitária taxa de natalidade em detrimento da taxa de mortalidade, em simultâneo cria-se uma lei em que se permite o aborto “legal” até determinadas semanas! Num tempo em que existem mil e uma maneiras de evitar gravidezes “indesejadas”, antes do acto e até depois do mesmo, era necessário uma lei que aniquile vidas já criadas no útero da mãe? E depois, os “pro-aborto” dizem que as mulheres (por estas ou aquelas razões) têm todo o direito de o fazer mas, esquecem-se das complicações, não só físicas como principalmente psicológicas;

- Estipulassem regras que dão todos os direitos às crianças na sociedade mas não se diz que também têm deveres a cumprir perante a mesma sociedade, regras essas que tiram quase na integra a “autoridade” aqueles que têm obrigações familiares e/ou sociais, sob pena dessas crianças contraírem doenças, principalmente as do foro psicológico, caso essas regras não sejam cumpridas. Em bom rigor, já chegámos a um ponto em que uma criança pode agredir (fisicamente e/ou verbalmente) um adulto e sair impune e este último, caso dê um pequeno “carolo” ou uma palavra mais áspera (mais pequeno ou mais “soft” dos que ocorrem entre essas crianças) estar sujeito a um processo em Tribunal.

Apesar de todas estas situações, nós Cristãos também temos algumas responsabilidades, isto é, algumas das coisas descritas “deixamos passar” e muitas outras, mesmo com abaixo assinados e possibilidade de referendos, quem nos governa, na sua maioria apenas e tão só governa-se!

Por vezes penso que se calhar somos os Cristãos dos últimos dias descritos no Livro do Apocalipse, e como tal, em comparação com os primeiros, desceremos às “catacumbas”, onde quer que elas existam, para continuarmos a praticar a Fé Cristã e, em segredo ensinarmos aos outros as Leis de Deus, eternas e imutáveis, ao contrário das leis dos homens, finitas e mutáveis.

Mais situações existem com certeza, mas também não pretendo alongar-me mais do que já me alonguei.

Termino como uma eventual reflexão a ser feita por cada um de nós, com o título deste artigo:

- Onde puseram Deus nesta Sociedade?

16 junho 2010

A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR, MAS O HOMEM É DE DEUS

"“A César o que é de César, a Deus o que é de Deus”.



As doutrinas que no último século postularam o homem sem Deus porque tudo se reduzia a matéria, com o virar do século XX pareciam caducas e sem grande acolhimento. O muro de Berlim caiu e a pátria do materialismo desmoronou-se. Os partidos de inspiração socialista passaram a admitir a propriedade privada, o mercado e o pluralismo democrático. Por isso se tem perguntado – que bandeiras têm hoje? E apenas temos vistos as questões de civilização ou fracturantes – o aborto, a eutanásia, o divórcio, o casamento gay, “educação” sexual, liberalização das drogas, experimentação em embriões humanos, eugenismos vários, etc., etc..
Mas esta agenda não é só desse sector político, já invadiu a política do centro direita, os meios intelectuais mais diversos, as nossas famílias e até alguns sectores religiosos. O relativismo é o factor de propagação.
Cada vez que uma lei é aprovada perguntamo-nos – mas porquê esta agenda? Porque se destrói o casamento com a lei do divórcio, e logo após se quer o “casamento gay”? Parece contraditório, mas não é.
Há duas formas de acabar com um Instituto (Família) – a primeira é revogá-lo (mas decretar o fim da família era chocante), e os regimes socialistas do século XX tentaram mas caíram primeiro que a Família; a segunda forma de acabar com um Instituto (Família) é equipará-lo a tantas realidades meramente semelhantes que se retira a sua especificidade, e por isso caduca. É o que está a acontecer com o casamento e com a família. A Família e o casamento estão a ser minados pelas leis, pela organização social e pelas formas de vida propostas pelo Poder.
A Família é o primeiro lugar de Amor do homem. E Deus é Amor. Por isso, Deus manifesta-se em primeiro lugar na Família, porque ela é o lugar do amor. Acabar com a Família é tirar Deus ao Homem. A família é também o primeiro lugar de solidariedade. O homem sem família é vulnerável ao Poder.
Tudo isto poderia ser uma doutrina de livros e compêndios, mas não o é. Vive-se. Vive-se na solidão de cada idoso, na dor da mulher que abortou, no desespero da família de um toxicodependente, na amargura de quem vê um filho com práticas homossexuais, nos casais dilacerados pelo divórcio fácil com guerras intermináveis. Vive-se em silêncio porque o mundo não entende estas dores.
O homem apoiado numa família, em corpos sociais intermédios e numa relação com Deus é um homem livre. Ora, o Poder não gosta de homens livres.
A última forma, a forma perfeita do Poder não consente oposição (verdadeira). Acabar com a Família é acabar com a possibilidade de liberdade do homem.
Esta tem sido a história da humanidade – o Poder e a liberdade. Mas hoje este binómio não é claro. Ele joga-se em cada passo, em cada lei que fragiliza mais e mais o homem. Cultiva-se o egoísmo e a solidão sob a capa do direito a dispor do meu corpo (aborto), do direito a ser feliz (divórcio), do direito à morte digna (eutanásia) do direito ao prazer (drogas, sexo e álcool), etc.. O Homem está só e despojado da sua humanidade.
Como é difícil prescindir de “direitos” individuais, o homem vai comprando cada vez mais “direitos” destes. Ao mesmo tempo, torna-se mais só e egocêntrico. Cada vez mais vulnerável ao Poder. Cada vez mais o homem “é de César”.
Cada vez que aprovamos uma destas leis, o que estamos a fazer é a “entregar o Homem a César”.
Mas o Homem é de Deus.
PS – O mote para este escrito foi dado numa homilia do Padre Nuno Amador. A Sabedoria da Igreja é muito grande. Que alegria encontrá-la nas palavras e no ímpeto de uma homilia de terça-feira, dia de S. Justino mártir. Obrigada Padre Nuno Amador.
Isilda Pegado

Presidente Fed. Port. pela Vida"
Artigo publicado aqui

02 junho 2010

Nela tudo é milagroso


Em 1754, escrevia o Papa Bento XIV: “Nela tudo é milagroso: uma imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros; uma Imagem estampada num tecido tão transparente que se pode ver através dele facilmente o povo e a nave da Igreja: uma imagem em nada deteriorada, nem no seu supremo encanto, nem na nitidez das cores, pelas emanações da humidade do lago vizinho que já corroeram a prata, o ouro e o bronze... Deus não procedeu assim com nenhuma outra nação.”

24 maio 2010

1º Bodo do Senhor Espirito Santo


Aqui nos Açores, vivemos uma tradição profano/religiosa que dá pelo nome de Culto do Espirito Santo. Na Ilha Terceira, damos-lhe o nome do Culto ao Senhor Espirito Santo.
A foto acima tirei-a durante uma coroação e fez-me pensar um pouco sobre a devoção/culto e os tempos cinzentos que o Mundo no geral e o nosso Pais em especial, atravessam.

"O céu pode estar, na sua maioria cinzento mas, o Espirito Santo passa, como que um sinal de que, dias melhores virão, dias em que o céu cinzento passará a um azul celestial."

20 maio 2010

Perdão



"Meu Deus eu creio, adoro, espero e vos amo,
Peço-vos perdão pelos que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam."

São tantas as vezes que recito isto e, lá no fundo nem sempre sinto essas palavras no âmago da minha alma.
Tantas são as vezes que deveria, em primeiro lugar, pedir perdão por mim mesmo.
Inúmeras vezes, eu próprio, não creio, não adoro, não espero e não O amo.

12 maio 2010

Palavras duras mas como Cristo tinha que as dizer


Duas afirmações duras mas reais, duas afirmações dignas de quem representa Cristo na terra, doa a quem doer:

"A maior perseguição à Igreja não surge dos inimigos que estão fora, mas nasce do pecado dentro da Igreja".

“o perdão não substitui a justiça”.

28 abril 2010

Karol Woytila descobre o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem


"A leitura deste livro fez com que eu mudasse a minha vida de forma radical e definitiva. Apesar disto, meu caminho interior foi longo, coincidindo com a preparação clandestina ao sacerdócio que eu vivenciava. Na ocasião, este tratado singular caiu em minhas mãos. Não se trata de um simples livro que se lê, apenas, e basta. Eu o levava sempre comigo, mesmo quando ia à fábrica de soda, se bem que a bela capa já estivesse manchada de cal. Eu lia e relia, sem cessar, e, sucessivamente, certas passagens.
Logo percebi que, além da sua forma barroca, o livro apresentava algo de fundamental. A partir de então, a devoção que, outrora eu dedicava à Mãe de Jesus, tanto na infância quanto na adolescência, deixou lugar a uma nova atitude de minha parte, transformando-se numa devoção vinda da mais profunda fé, como sendo o próprio cerne da realidade Trinitária e Cristológica. Antes, eu me mantinha retraído, temendo que a devoção mariana pudesse se avultar, em detrimento do amor a Cristo Jesus, em vez de ceder-lhe o merecido lugar; compreendi, então, à luz do tratado de Grignon de Montfort, que a realidade era bem outra. Nossa relação interior com a Mãe de Deus resulta, de forma orgânica, de nosso elo com o mistério de Cristo. Não existe a menor hipótese de que o amor que dedicamos à Virgem supere nosso amor a Deus. (...) Podemos até afirmar que, àquele que procura conhecer e amar a Deus, o próprio Cristo designa sua Santa Mãe, como caminho e intercessora, como fez no Calvário, oferecendo-a a seu discípulo, João. "

André Frossard e João Paulo II, Não Tenhais Medo! 1982, pp.184-185


Cópia de "Um minuto com Maria" de hoje. Por acaso este livro em tempos foi-me oferecido pela Amiga Malu, o qual, para além da minha devoção, está na mesa de cabeceira.

21 abril 2010

Um pensamento para reflexão

"De que adianta orar se, no próprio momento da oração, confiamos tão pouco em Deus que nos dedicamos a planear o nosso próprio tipo de resposta à nossa oração?"

Na liberdade da solidão, Thomas Merton

12 abril 2010

Mosteiros de Clausura são “oásis”


"Aparentemente inúteis, os Mosteiros de Clausura são “oásis” que fazem bem a toda a humanidade. Esta foi a mensagem que Bento XVI deixou no passado Domingo para a jornada “pro orantibus” que a Igreja celebra hoje, para agradecer ao Senhor pelo dom de tantas pessoas que, nos mosteiros e nas ermidas, se dedicam totalmente a Deus na oração, no silencio e no escondimento. “Os mosteiros de vida contemplativa oferecem-se-nos como oásis nos quais o homem, peregrino sobre a terra, pode melhor atingir as nascentes do Espírito e repousar ao longo do caminho. Estes lugares, portanto, aparentemente inúteis, são ao contrário indispensáveis, como os pulmões verdes de uma cidade: fazem bem a todos, mesmo àqueles que não os frequentam ou mesmo ignoram a sua existência”, apontou. Esta Jornada acontece na memória litúrgica da apresentação de Nossa Senhora no templo. Bento XVI recordou que também nos nossos dias – e frequentemente para surpresa de familiares e amigos – “não poucas pessoas abandonam carreiras profissionais muitas vezes prometedoras para abraçar a regra austera de um mosteiro de clausura”. “O que é que as impulsiona – perguntou ainda o Papa – a dar um passo de tão grande compromisso senão o facto de ter compreendido, como ensina o Evangelho, que o Reino dos céus é um tesouro pelo qual vale verdadeiramente a pena abandonar tudo?”. “Estes nossos irmãos e irmãs testemunham silenciosamente que no meio das vicissitudes quotidianas, ás vezes bastante convulsas, o único apoio que não vacila é Deus, rocha inquebrantável de fidelidade e de amor”, disse."

Artigo publicado no oásis da contemplação

05 abril 2010

Um Testemunho da Ressurreição



"Na Solenidade da Encarnação do Verbo de Deus. Um Noviço Português professou os seus primeiros votos, de Estabilidade, Obediência e Conversão de Costumes - Frei Paulo José Fonseca. 43 anos, Licenciado em Económicas, trabalhava em Albufeira. Fez a profissão na Missa conventual, presidida pelo Rev Prior da Cartuxa Frei Pedro Castro com a Comunidade e assistência de seus familiares e alguns amigos da Ordem. Emitiu os votos monásticos de Obediência, Estabilidade e Conversão de Costumes, enquanto os religiosos mais modernos fazem votos de Obediência, Castidade e Pobreza.

 
Scala Coeli cumpre este ano o cinquentenário do seu restauro. A celebração deverá ter lugar com uma Missa solene no dia 14 de Setembro. Presidida pelo Sr Arcebispo D. José Alves e acompanhada, seguramente, pelo clero eborense e amigos da Cartuxa.

 
O Noviciado na Cartuxa.

Quem, ardendo em amor divino, deseja abandonar o mundo e captar as coisas eternas, quando chegam a nós recebamo-los com o mesmo espírito. É, pois, muito conveniente que os noviços encontrem nas Casas onde têm de ser formados, um verdadeiro exemplo de observância regular e de piedade, de guarda da cela e do silêncio, e também de caridade fraterna. Se chegasse a faltar isto, mal se poderá esperar que perseverem em nosso modo de vida. Aos que se apresentem como candidatos, se os tem de examinar atenciosa e prudentemente, segundo o aviso do apóstolo São Joãon : Examinai se os espíritos vêm de Deus. Porque é realmente verdadeiro que da boa ou má admissão e formação dos noviços depende principalmente a prosperidade ou decadência da Ordem, tanto na qualidade como no número das pessoas. Expõe-se ao candidato o fim de nossa vida, a glória que esperamos dar a Deus por nossa união com sua obra redentora, e que bom e gozoso é deixá-lo tudo para aderir-se a Cristo. Também se lhe propõe o duro e áspero, fazendo-lhe ver, quanto seja possível, todo o modo de vida que deseja abraçar. Se ante isto segue decidido, oferecendo-se com sumo gosto a seguir um caminho duro, fiado nas palavras do Senhor, e desejando morrer com Cristo para viver com Ele, por fim se lhe aconselha que, conforme ao Evangelho, se reconcilie com os que tiverem alguma coisa contra ele. O noviciado se prolonga durante dois anos ; tempo que o Prior pode prorrogar, mas não mais de seis meses. Não se deixe aplanar o noviço pelas tentações que costumam espreitar aos seguidores de Cristo no deserto ; nem confie em suas próprias forças, senão mais bem espere no Senhor, que deu a vocação e levará a termo a obra começada.


A Profissão.

Morto ao pecado e consagrado a Deus pelo baptismo, o monge pela Profissão se consagra mais plenamente ao Pai e se desembaraça do mundo, para poder tender mais retamente para a perfeita caridade. Unido ao Senhor mediante um compromisso firme e estável, participa do mistério da Igreja unida a Cristo com vínculo indissolúvel, e dá depoimento ante o mundo da nova vida adquirida pela Redenção de Cristo. Findo laudavelmente o noviciado, o noviço converso se apresenta à Comunidade. Prostrado em Capítulo pede misericórdia e suplica por amor de Deus ser admitido à primeira Profissão em hábito dos professos, como o mais humilde servidor de todos. Depois de ter feito pelo menos oito dias de retiro espiritual, o dia estabelecido, o irmão renovará sua petição ante o Convento. Então o Prior o admoestará sobre a estabilidade, a obediência, a conversão de costumes e restantes coisas necessárias ao estado de conversos. Depois, emitirá na igreja a Profissão por três anos. Tem-se de tentar absolutamente que o irmão, ao emitir seus votos, proceda com maturidade de juízo, e não se comprometa senão com plena liberdade. O dia assinalado, o que vai professar emite a Profissão na Missa conventual, depois do Evangelho ou o Credo. Então, realmente, a entrega de si mesmo que pretende fazer com Cristo, através do Prior é aceitada e consagrada por Deus. O que vai professar escreva por si mesmo em língua vernácula a Profissão nesta forma e com estas palavras: Eu, frei N., prometo… obediência, conversão de meus costumes e perseverança neste ermo, diante de Deus e dos seus Santos e das relíquias deste ermo, construído em honra de Deus e da bem-aventurada sempre Virgem Maria e de São Juan Batista, na presença de Dom N., Prior. Se se trata da Profissão temporária, adicionem-se depois de "prometo", as palavras que limitem o tempo ; se da Profissão solene, diga-se "perpétua". É de saber que todos nossos ermos estão dedicados, em primeiro lugar, à bem-aventurada sempre Virgem Maria e a São Juan Batista, nossos principais patronos no céu. Desde o momento de sua Profissão, saiba o irmão que não pode ter coisa alguma sem licença do Prior, nem ainda a bengala em que se apoia quando caminha, já que já não é dono nem de si mesmo. Dado que todos os que determinaram viver regularmente têm de praticar com grande zelo a obediência, nós o faremos com tanta maior entrega e fervor, quanto mais estrita e austera é a vocação que abraçamos ; pois se, o que Deus não permita, esta obediência faltar, tantos trabalhos careceriam de mérito De aqui que Samuel diga: Melhor é obedecer do que sacrificar, e melhor a docilidade do que a gordura dos carneiros. "

Artigo publicado no blog  Sinais do Céu... onde se respira a Santidade na Terra.

19 março 2010

Oração pelo Pai (porque hoje é o Teu dia)

Senhor,
sou muito feliz
pelo pai que me deste.
Que nada de mal
lhe aconteça
nos caminhos da vida.
Quero-lhe tanto!...
Eu gostaria muito
de nunca o ver triste.
Dá-lhe muitas coisas…
mas sobretudo,
não lhe faltes com o trabalho
e o pão de cada dia.
Nós somos felizes com ele.
O meu pai
está sempre a recordar-nos
que tudo o que temos vem de Ti,
e que, na vida, o mais importante
é poder contar com a Tua protecção.
Ajuda-nos a corresponder sempre
ao Teu amor por nós.
Ámen.

(desconheço o seu autor)

12 março 2010

Romaria

No passado Domingo terminei “mais uma” romaria. Poderia aqui deixar o meu testemunho do que senti e vivi, no entanto, apesar de não ser algo confidencial, só quem Vive uma romaria é que sente e vive aquilo que poderia escrever aqui. Todas elas são diferentes, todas elas têm as suas particularidades, no entanto, em todas ela Deus está presente. Em todas elas saímos de alma lavada…

19 fevereiro 2010

Diante de Deus - A Oração



"A oração é um dever de todos os momentos: “É necessário rezar sempre”, disse Jesus. E o que ele disse, fez, porque nele – e esta é a sua força – os atos acompanham sempre as palavras e com elas coincidem.
É necessário rezar incessantemente para nos guardarmos a nós mesmos. A vida existe em nós como uma frágil flor: seja a vida do corpo seja a da alma, a vida natural ou a vida sobrenatural. Vivemos rodeados de inimigos: tudo para nós se tornou obstáculo e perigo desde que rejeitamos a Luz que ilumina o caminho: este mundo se tornou Sombra da morte. Ao invés de nos mostrar o Criador e de nos conduzir a Ele, as coisas nos mostram a si mesmas e nos arrastam a elas. O demônio, ao qual loucamente entregamos as coisas, abandonando-nos nós mesmos e ele, fala-nos mediante todas as suas vozes. A sua sombra obscurece a transparência das coisas e, através das fascinantes formas delas, nós já não enxergamos mais a Beleza que elas refletem, mas somente o prazer e a satisfação que podem nos oferecer. O inimigo está em nós mais ainda que à nossa porta; está à nossa porta porque está em nós! Somos nós mesmos que o deixamos entrar. Voltando-se para ele, desligamos de Deus o mundo inteiro. Eis por que o mundo está contra nós, ameaça-nos, tornou-se-nos hostil... e não sem razão. Com o mundo e através do mundo despertamos em nós e em tudo uma guerra.
Isto que se produziu nesse momento é espantoso, mas conseqüência normal. Oh, quão profunda definição da paz encontramos em Santo Agostinho! Sobretudo nesta hora em que o mundo inteiro é desconjuntado até suas mais íntimas fibras sejam nos homens sejam nas coisas; e nas coisas por causa dos homens! As coisas não servem a não ser para matar e destruir (alusão à Segunda Guerra, então em curso)... Como seria necessário meditar nestas palavras em cuja sonoridade imprimiu-se a calma que elas exprimem: “A paz é a tranqüilidade da ordem”! A ordem é a permanência dos seres no lugar que lhes compete: acima de todos, o Princípio que os criou, e todos voltados para Ele para receber, a todo instante, o ser que lhes comunica, agradecendo-lhe e bendizendo-lhe. Eis o que Ele fez: eis a ordem e a paz; eis o que existia na sua realidade profunda, eis o paraíso terrestre. Eis o que será um dia, para aqueles que compreenderem e retomarem essa atitude, o paraíso terrestre!
Certa vez, vi um animal sem rumo, perseguido e espantado, que entrou pela porta deixada aberta de um jardim florido. Que desastre depois da sua passagem! Esta é a imagem, mesmo se tomada de um nível muito inferior, da alma que se abre ao animal do mundo, depois que os nossos progenitores se distanciaram de Deus para escutar o demônio. Desde então, nós somos como um país invadido: é necessário libertar-nos, expulsar o inimigo, livrar-nos dele e retornar a Deus. É preciso fazê-lo sem exército, sem força organizada, com as nossas faculdades desmanteladas, com uma vida ferida e com inimigos e indiferentes por todos os lados. Sem Deus, a nossa impotência é a mais completa que se possa imaginar... Por isso a necessidade da oração e a recomendação tão urgente do Salvador: “É preciso rezar e rezar sempre!” Daqui decorre sua afirmação peremptória: “Sem mim, nada podeis fazer!” Daqui o seu convite que consola e conforta: “Vinde a mim!”
A oração é a resposta da alma que vem, conta sua própria miséria, pede socorro, luz para o espírito, força para a vontade, submissão das paixões à alma e desta a Deus, ordem e paz. Deus diz: “Eu sou e continuo Pai! Eu te amo, eu te escuto! Vem!” A alma responde: “Meu Deus, não posso mais! Vem tu mesmo!”

Parte de uma obra obra sobre a oração, intitulada Diante de Deus – A Oração. O Autor é um especialista no assunto: trata-se de Dom Agostinho Guillerrand, santo monge cartuxo, que viveu entre 1877 e 1945.

04 fevereiro 2010

Clausura é uma opção espiritual


"IRMÃ MARIA JOSÉ

Clausura é uma opção espiritual

Maria José Reis deixou tudo o que a maioria das pessoas espera na vida para se dedicar a uma paixão, a de ser religiosa contemplativa na Ordem de Santa Clara de Assis (Clarissas).

A Ordem de Santa Clara é contemplativa e vive a clausura. As religiosas vivem um dia de oração intensa, no qual são recordadas as necessidades da Igreja e do mundo. Em entrevista à Agência ECCLESIA, a Irmã Maria José fala deste quotidiano e do encanto que a faz permanecer fiel à sua vocação.

Agência ECCLESIA (AE) - Como começou a vocação da Irmã Maria José?

Irmã Maria José (MJ) - Começou há muitos anos…Tinha 19 anos quando despertei para um género de vida que se pode dizer que é fora de comum… embora ela seja comum a todos, mas a consagração é sempre algo que ultrapassa aquilo que dizemos que humanamente é normal, nós optamos pelo sobrenatural. Nasci na ilha da Madeira, foi lá que entrei no Mosteiro da Nossa Senhora da Piedade, onde vivi 17 anos. E depois vim para Lisboa, para o Mosteiro da Estrela.

AE - Como é que uma jovem de 19 anos pensa em entrar num Mosteiro?

MJ - De facto foi um despertar para a dimensão crista e para a vida espiritual, até aí embora crente e praticante até aos 14 anos, deixei de praticar dos 14 aos 18 anos. Criou-se o Movimento dos jovens cristãos da Madeira e fui apanhada, como um peixe na rede. Fui convidada a participar no movimento, acabei por integrar e trabalhar e com grande alegria trabalhei ao lado de D. Francisco Santana, bispo da época, que me deixou muitos exemplos e aí fui despertando para o sagrado, colocando a pessoa de Jesus Cristo como algo muito mais sério e profundo. Cristo não é apenas uma figura histórica é muito para além disso, é o Filho de Deus e é nesta dimensão de fé que tentei abrir caminho, aprofundar e despertar para esta vocação aos pés de Jesus.

AE - Porque uma congregação de irmãs contemplativas?

MJ - Não foi nada pensado… Para já digo com sinceridade que não conhecia nada sobre vida religiosa, nem sobre vidas activas e contemplativas. Primeiro decidi consagrar-me a Deus e isso fez com que eu tivesse de deixar o que pensava ser o meu caminho, o matrimónio. E por acaso já estava comprometida. Para mim não foi muito difícil, mas para ele sim...

Depois de dar o meu sim à consagração comecei por ver onde poderia servir melhor Deus, a Igreja e o Mundo. Foi outro caminho muito difícil…

A vida activa era a que estava presente e os primeiros passos foram conhecer congregações, estive em varias famílias religiosas, onde procurei ver, saber e fazer alguns retiros, até. Mas dizer um sim era muito difícil, gostava de trabalhar em varias áreas e era muito complicado. Depois do 25 de Abril f a época da desorientação e eu fui das primeiras gerações desorientadas, estive um ano à deriva. Mas uma coisa acompanhou-me: a ideia de que para eu ser professora, enfermeira ou educadora não era necessário ir para a vida religiosa.

AE – E cresceu a vontade da consagração na clausura?

MJ - Eu gostaria de me entregar na gratuidade, sem ter de me formar, eu via a vida religiosa de outra forma. Tinha de ser vivida sob o olhar da divina providência. Até que um dia se realizou uma semana bíblica na minha paróquia e as irmãs que organizavam, as irmãs Paulinas, ao prepararem os grupos pediram que houvesse alguém que se responsabilizasse por ir às irmãs Clarissas pedir orações pelos bons frutos dessa semana. E foi o primeiro toque para mim, sem a oração nada se consegue. Foi o primeiro contacto com as irmãs. Depois as irmãs deram-me um livro que numa pequena frase me fez decidir: “Que a única forma de abarcar todas as formas de apostolado e de estar em todos os sítios ao mesmo tempo é a oração”.

O segundo toque para que eu desse o sim definitivo foi uma frase de Jesus Cristo: “Pobres sempre os tereis convosco”, em resposta à revolta de Judas quando Maria Madalena perfuma Jesus e lhe unge os pés, o que muitos se esquecem de fazer ainda hoje. Eu costumo dizer que a nossa vida de contemplação é um “desperdício de perfume”, que derramamos este perfume aos pés de Jesus.

AE - Há sempre a ideia que as irmãs contemplativas apenas rezam… Ou fazem outros trabalhos?

MJ - Eu costumo dizer que “só caminha quem está parado”, é uma contradição. Caminhar na vida não significa andar com os pés, avançar só se consegue quando se pára. A vida contemplativa é um caminhar parado. Há outra dimensão: ao estarmos de joelhos, os nossos joelhos dobrados são a força de muitos pés a andar, isto quer dizer que continuamos a andar nos pés de muita gente, carregamos as dores, as alegrias, as esperanças de todos um povo.

Contemplativos somos todos, é um dom, uma pequena semente que está no coração de todos. Lá por eu estar na vida contemplativa não quer dizer que seja detentora do grande dom da contemplação. O facto de estar em clausura é fazer parte deste corpo místico de Cristo em que todos somos necessários, os que trabalham e os que rezam, e as duas partes complementam-se e é necessário uma graça para ambos. Ninguém trabalha isoladamente, porque o grande segredo da Igreja é a comunhão. Vivemos uns para os outros e neste espírito de oração.

Os contemplativos também caminham, mas de uma forma diferente, mas somos o motor. Precisamos dos irmãos da vida activa porque eles são o conforto da nossa oração e é muito bonito estarmos a rezar e ouvirmos falar dos frutos de lá de fora. Assim como quando há sofrimento, os irmãos saberem que há irmãs que estão em contínua oração por eles, andamos assim com todos os irmãos. Não gosto de separar a vida activa e contemplativa, porque activos somos todos mas também podemos ser todos contemplativos. Ninguém está parado…

AE - Como é a vida quotidiana de uma irmã Clarissa?

MJ - Para já é uma vida normal... Também dormimos, também comemos… Levantamo-nos às 5h50, toca o despertar, às 6h30 vamos para a capela. Começamos pela meditação em silêncio, até às 7h. Depois temos a hora litúrgica de laudes, às 7h30, eucaristia, depois a hora intermédia que é a hora de tércia. A vida de uma contemplativa faz-se com base na liturgia das horas, ou seja, rezar com a Igreja, milhões e milhões de pessoas rezam aqueles salmos em várias línguas mas sempre com a mesma comunhão. Às 8h30 tomamos o pequeno-almoço, porque precisamos de comer, senão morremos mais cedo que o previsto, e depois as irmãs entregam-se ao trabalho normal necessário no Mosteiro. Um deles é o fabrico das hóstias que fazemos aqui, costumo dizer que aqui há a padaria de Jesus Cristo, aqui prepara-se o pão que se vai transformar no corpo do Senhor, e isso é um trabalho que as irmãs fazem com grande devoção.

Encontramo-nos para rezar em comunidade 5 vezes por dia, e ao meio-dia vamos novamente para a capela, onde rezamos a hora de sesta e a seguir a coroa seráfica, uma devoção franciscana, que são as 7 alegrias de Nossa Senhora. Segue-se o almoço e às 15h a hora de Noa. Nestes intervalos há a vida comum que é necessário fazer em casa, o atendimento à porta e a recepção aos peregrinos que visitam o espaço da Jacinta, pastorinha de Fátima. Às 18h voltamos à capela para rezar o terço e a oração de vésperas para se seguir o jantar. Às 20h30 encontramo-nos todas para a hora do recreio, uma reunião onde se fala de tudo, comentários, noticias, pedidos de orações ou simples conversa… festa!

Terminamos o dia na capela com o ofício de leituras e as completas. Além deste quotidiano cada irmã tem a sua hora de oração diante do Santíssimo exposto que temos todos os dias na capela e à Quinta-feira temos a noite toda, estando sempre uma irmã em adoração. A vida contemplativa das irmãs clarissas está mais virada para a adoração ao Santíssimo Sacramento, sendo o fundamental. Somos as sentinelas despertas aos pés de Jesus guardando este reino que está repartido entre tudo o que acontece.

AE - Sendo irmãs de clausura como gerem as saídas?

MJ - A clausura tem uma estrutura, mas é sobretudo espiritual. O estar encerrada não significa por si só estar em clausura, é sobretudo a clausura de coração. Eu costumo dizer que o Amor não tem grades. Aquilo que é necessário fazer lá fora, nós fazemos! Ir ao médico, à farmácia, exercer direitos civis e coisas que são necessárias à vida do mosteiro. Claro que não saem todas as irmãs há sempre uma ou duas destinadas a “fazer a ponte” à sociedade. E hoje eu digo mesmo que a nossa resposta ao voto da pobreza é ir, não é esperar, por exemplo, que o médico venha cá. Os ricos é que trazem tudo a casa!

AE - Como é a comunidade das irmãs clarissas de Lisboa?

MJ - Somos 8 irmãs. Costumo dizer que para o nosso tempo já é muito! Há trinta anos atrás 8 irmãs seria pouco, eram comunidades grandes. Não é uma situação alarmante, não nos devemos preocupar porque tudo isto pertence a Deus e se não há vocações não deve ser visto como algo grave. Se as pessoas querem viver de outra forma o nosso dever é respeitar, porque cada um de nós assume as consequências da sua própria vida. Oito irmãs parece pouco, mas o pouco para Deus é muito!

AE - Como são feitos os pedidos de oração às irmãs?

MJ - Recebemos pedidos de oração e também vêm cá pessoas para conversar simplesmente e até pedir conselhos… Digo muitas vezes que o mosteiro no centro da cidade é como a tenda da reunião de Moisés, que estava fora do acampamento. Nós pertencemos ao povo, mas temos esta tenda erguida e é muitas vezes aqui que o povo sente que Deus está e para onde voltar o olhar e pode correr e saber que aqui podem falar, têm confiança.

Isto é uma missão muito importante que ando a meditar, cada sociedade ou cada cidade necessita de ter algo em que o povo, em momentos de aflição, saiba para onde voltar o seu olhar. E nota-se que os mosteiros são cada vez mais procurados. Se em cada vez que uma pessoa procura um mosteiro nascesse uma vocação, os mosteiros estavam cheios…

O mais importante é que estas pessoas levem para a vida um valor cristão, uma fé viva e alicerçada porque é isso que é preciso para a estabilidade da vida. O que não está visível aos nossos olhos é que vai dando equilíbrio à vida humana."


(Artigo publicado no Jornal "A União" de hoje o qual transcrevo-o aqui na integra.) Uma pérola no meio de um oceano revolto e conturbado

27 janeiro 2010

Perdão


Perdoai-me Senhor
pelas inumeras vezes
talvez até em demasia
que tropeço e caio.

Sei que apesar disso
me dás sempre a Tua mão
para novamente erguer-me
e caminhar em direcção a Ti.

Perdoai-me Senhor!

21 janeiro 2010

MENSAGEM DO SANTO PADRE AOS MEMBROS DA FAMILIA DOS CARTUXOS POR OCASIÃO DO IX CENTENÁRIO DA MORTE DE SÃO BRUNO



MENSAGEM DO SANTO PADRE

AOS MEMBROS DA FAMÍLIA DOS CARTUXOS

POR OCASIÃO DO IX CENTENÁRIO DA

MORTE DE SÃO BRUNO







Ao Rev.do Pe.

MARCELLIN THEEUWES

Prior da Cartuxa Ministro-Geral da Ordem dos Cartuxos

e a todos os membros da Família cartusiana

1. No momento em que os membros da Família dos Cartuxos celebra o IX

centenário da morte do seu Fundador, juntamente com eles dou graças a

Deus, que suscitou na sua Igreja a figura eminente e sempre actual de São

Bruno. Numa oração fervorosa, ao apreciar o vosso testemunho de fidelidade

à Sé de Pedro, uno-me de bom grado à alegria da Ordem cartusiana, que tem

neste "pai bondoso e incomparável" um mestre de vida espiritual. A 6 de

Outubro de 1101, "ardendo de amor divino", Bruno abandonava "as sombras

fugitivas do século" para alcançar definitivamente os "bens eternos" (cf.

Carta a Raul, n. 13). Os irmãos da ermida de Santa Maria da Torre,

na Calábria, aos quais ele dera tanto afecto, não podiam duvidar que

este Dies natalis inaugurava uma aventura espiritual singular que ainda

hoje dá abundantes frutos à Igreja e ao mundo.

Testemunha da efervescência cultural e religiosa que, na sua época,

agitava a Europa nascente, tendo tomado parte activa na reforma que a

Igreja desejava realizar perante as dificuldades internas com as quais se

deparava, depois de ter sido um professor apreciado, Bruno sente-se

chamado para se consagrar ao bem único que é o próprio Deus. "E o que há

de melhor do que Deus? Existe outro bem, além do único Deus? Também a alma

santa, que se apercebe desse bem, do seu incomparável fulgor, do seu

esplendor, da sua bondade, arde com a chama do amor celeste e exclama:

"Tenho sede do Deus forte e vivo, quando irei ver o rosto de Deus"" (Carta

a Raul, 15). O carácter radical desta sede estimulou Bruno, na escuta

paciente do Espírito, a descobrir com os seus primeiros companheiros um

estilo de vida eremita, onde tudo favoreça a resposta à chamada de Cristo

que, em todos os tempos, escolheu homens "para os conduzir à solidão e

uni-los num amor íntimo" (Estatuto da Ordem dos Cartuxos). Mediante estas

escolhas de "vida no deserto", Bruno convida desde o início toda a

comunidade eclesial "a nunca perder de vista a vocação suprema, que é

permanecer sempre com o Senhor" (Vita consecrata, 7).

Bruno evidencia o seu profundo sentido de Igreja, ele que foi capaz de

esquecer o "seu" projecto para responder aos apelos do Papa. Consciente de

que a caminhada pelas longas estradas da santidade não se concebe sem a

obediência à Igreja, ele mostra-nos também que o verdadeiro caminho no

seguimento de Cristo exige o entregar-se nas suas mãos, manifestando no

abandono de si um acréscimo de amor. Esta atitude mantinha-o sempre na

alegria e no louvor constantes. Os seus irmãos observaram que "tinha

sempre o rosto repleto de alegria e a palavra modesta" (Introdução ao

Pergaminho fúnebre dedicada a São Bruno). Estas palavras delicadas do

Pergaminho fúnebre exprimem a fecundidade de uma vida dedicada à

contemplação do rosto de Cristo, fonte de eficácia apostólica e força de

caridade fraterna. Possam os filhos e as filhas de São Bruno, seguindo o

exemplo do seu pai, continuar incansavelmente a contemplar Cristo,

montando desta forma "uma guarda santa e perseverante, na expectativa da

vinda do seu Mestre para lhes abrir logo que ele bater à porta" (Carta a

Raul, n. 4); isto constitui um apelo encorajador a que todos os cristãos

permaneçam vigilantes na oração a fim de acolher o seu Senhor!

2. Depois do Grande Jubileu da Encarnação, a celebração do nono centenário

da morte de São Bruno adquire hoje um ulterior relevo. Na Carta Apostólica

Novo millennio ineunte convido todo o povo de Deus a partir de Cristo, a

fim de permitir que todos os que têm sede de sentido e de verdade ouçam

bater o coração de Deus e o coração da Igreja. A Palavra de Cristo,

"estarei sempre convosco, até ao fim do mundo" (Mt 28, 20), convida todos

os que têm o nome de discípulos a tirarem desta certeza um renovado

impulso na sua vida cristã, força inspiradora do seu caminho (cf. Novo

millennio ineunte, 29). A vocação para a oração e para a contemplação, que

caracteriza a vida da Cartuxa, demonstra de modo particular que só Cristo

pode dar à esperança humana uma plenitude de significado e de

alegria.

Então, como duvidar um só instante que uma semelhante expressão do puro

amor dê à vida da Cartuxa uma extraordinária fecundidade missionária? No

retiro dos mosteiros e na solidão das celas, paciente e silenciosamente,

os Cartuxos tecem as vestes nupciais da Igreja, "bela como uma esposa que

se ataviou para o seu esposo" (Ap 21, 2); eles apresentam quotidianamente

o mundo a Deus e convidam toda a humanidade para a festa nupcial do Anjo.

A celebração do sacrifício eucarístico constitui a fonte e o auge de toda

a vida no deserto, conformando com o próprio ser de Cristo todos os que se

abandonam ao amor, a fim de tornar visíveis a presença e a acção do

Salvador no mundo, para a salvação de todos os homens e para a alegria da

Igreja.

3. No coração do deserto, lugar de prova e de purificação da fé, o Pai

conduz os homens por um caminho de despojamento que se opõe a qualquer

lógica do possuir, do sucesso e da felicidade ilusória. Guigues, o

Cartuxo, não se cansava de encorajar todos os que desejavam viver segundo

o ideal de São Bruno a "seguir o exemplo de Cristo pobre (para)...

participar nas suas riquezas" (Sur la vie solitaire, n. 6). Este

despojar-se requer uma ruptura radical com o mundo, que não é desprezo do

mundo, mas uma orientação tomada para toda a existência numa busca assídua

do supremo Bem: "Vós me seduzistes, Senhor, e eu me deixei seduzir" (Jr

20, 7). Feliz é a Igreja que pode contar com o testemunho dos Cartuxos, de

total disponibilidade ao Espírito e de uma vida inteiramente dedicada a

Cristo!

Por conseguinte, convido os membros da Família dos Cartuxos, através da

santidade e da simplicidade da sua vida, a permanecer como uma cidade em

cima do monte e como uma luz sobre o lucernário (cf. Mt 5, 14-15).

Radicados na Palavra de Deus, saciados pelos Sacramentos da Igreja,

amparados pela oração de São Bruno e dos irmãos, eles permanecem em toda a

Igreja e no centro do mundo "lugares de esperança e de descoberta das

bem-aventuranças, lugares onde o amor, haurindo na fonte da comunhão que é

a oração, é chamado a tornar-se lógica de vida e fonte de alegria" (Vita

consecrata, 51). Expressão sensível de uma oferta de toda a vida vivida em

união com a de Cristo, a vida de clausura, fazendo sentir a precariedade

da existência, convida a contar unicamente com Deus. É também "o lugar da

comunhão espiritual com Deus e com os irmãos e irmãs, onde a limitação dos

espaços e dos contactos ajuda à interiorização dos valores evangélicos

(Ibid., n. 59). De facto, a busca de Deus na contemplação é inseparável do

amor dos irmãos, amor que nos faz reconhecer o rosto de Cristo no mais

pobre dos homens. A contemplação de Cristo vivida na caridade fraterna

continua a ser o caminho mais seguro da fecundidade de qualquer vida. São

João não deixa de o recordar: "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros,

porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama, nasceu de Deus e

conhece-O" (1 Jo 4, 7). São Bruno compreendeu isto muito bem, ele que

nunca separou a prioridade que durante toda a sua vida conferiu a Deus da

profunda humanidade de que era testemunha entre os seus irmãos.

4. O IX centenário do Dies natalis de São Bruno oferece-me a oportunidade

de renovar a viva confiança à Ordem dos Cartuxos na sua missão de

contemplação gratuita e de intercessão pela Igreja e pelo mundo. A exemplo

de São Bruno e dos seus sucessores, os mosteiros dos Cartuxos não cessam

de despertar a Igreja para a dimensão escatológica da sua missão,

recordando as maravilhas que Deus realiza e vigiando na expectativa do

cumprimento último da esperança (cf. Vita consecrata, 27). Sentinela

incansável do Reino que há-de vir, procurando "ser" antes de "fazer", a

Ordem dos Cartuxos dá à Igreja vigor e coragem na sua missão, para se

fazer ao largo e permitir que a Boa Nova de Cristo acenda toda a

humanidade.

Nestes dias de festa da Ordem, rezo ardentemente ao Senhor para que faça

ressoar no coração de numerosos jovens o apelo a deixar tudo para seguir

Cristo pobre, ao longo do caminho exigente mas libertador do percurso dos

Cartuxos. Além disso, convido os reponsáveis da família dos Cartuxos a

responder sem receio aos apelos das jovens Igrejas, para fundar mosteiros

nos seus territórios.

Com este espírito, o discernimento e a formação dos candidatos que se

apresentam devem ser objecto de uma atenção renovada por parte dos

formadores. De facto, a cultura contemporânea, marcada por um forte

sentimento hedonista, pelo desejo de possuir e por uma concepção errónea

da liberdade, não facilita a expressão da generosidade dos jovens que

desejam consagrar a sua vida a Cristo, escolhendo percorrer, no seu

seguimento, o caminho de uma vida de amor oblativo, de serviço concreto e

generoso. A complexidade do caminho pessoal, a fragilidade psicológica, as

dificuldades de viver a fidelidade no tempo, convidam a fazer com que nada

seja descuidado, a fim de oferecer a todos os que pedem para entrar no

deserto da Cartuxa uma formação que inclua todas as dimensões da pessoa.

Além disso, dar-se-á uma particular atenção à escolha de formadores

capazes de seguir os candidatos ao longo do caminho da libertação interior

e da docilidade ao Espírito Santo. Por fim, sabendo que a vida fraterna é

um elemento fundamental do caminho das pessoas consagradas, convidar-se-ão

as comunidades a viver sem reservas o amor recíproco, criando um clima

espiritual e um estilo de vida conformes com o carisma da Ordem.

5. Queridos filhos e amadas filhas de São Bruno, como recordei no final da

Exortação pós-sinodal Vita consecrata, "vós não tendes apenas uma história

gloriosa para recordar e narrar, mas uma grande história a construir!

Olhai o futuro, para o qual vos projecta o Espírito a fim de realizar

convosco ainda grandes coisas" (n. 110). No coração do mundo, tornai a

Igreja atenta à voz do Esposo que fala ao seu coração: "Tende confiança!

Eu venci o mundo" (Jo 16, 33). Encorajo-vos a nunca renunciar às intuições

do vosso fundador, mesmo se o empobrecimento das comunidades, a diminuição

das entradas e a incompreensão suscitada pela vossa escolha de vida

radical vos possam fazer duvidar da fecundidade da vossa Ordem e da vossa

missão, cujos frutos pertencem misteriosamente a Deus!

A vós, estimados filhos e queridas filhas da Cartuxa, que sois os

herdeiros do carisma de São Bruno, compete conservar em toda a sua

autenticidade e profundidade a especificidade do caminho espiritual que

ele vos mostrou com a sua palavra e o seu exemplo. O vosso apreciado

conhecimento de Deus, alimentado na oração e na meditação da sua Palavra,

convida o povo de Deus a alargar o próprio olhar até aos horizontes de uma

humanidade nova e rica da plenitude do seu sentido e unidade. A vossa

pobreza oferecida para a glória de Deus e a salvação do mundo é uma

eloquente contestação das lógicas de rendimento e de eficácia que, muitas

vezes, fecham o coração dos homens e das nações às verdadeiras

necessidades dos seus irmãos. A vossa vida escondida com Cristo, como a

Cruz silenciosa plantada no coração da humanidade redimida, permanece de

facto para a Igreja e para o mundo o sinal eloquente e a chamada

permanente do facto que cada ser, hoje como ontem, se pode deixar prender

por Aquele que é amor.

Ao confiar todos os membros da família da Cartuxa à intercessão da Virgem

Maria, Mater singularis Cartusiensium, Estrela da evangelização do

terceiro milénio, concedo-vos a afectuosa Bênção apostólica, que faço

extensiva a todos os benfeitores da Ordem.

Vaticano, 14 de Maio de 200

14 janeiro 2010

Desabafo...

Por vezes sinto uma necessidade horrível de estar só. De me encontrar a sós com o único Deus e Senhor e falar-Lhe. Conversar é certo, agradecer sem dúvida, mas também puxar-Lhe as orelhas pelas coisas menos boas que vão ocorrendo nesta minúscula bola azul no meio de um não sei o quê. Gritar com Ele e perguntar o porquê de tantas atrocidades que cada vez mais ocorrem neste meio do azul. Dar-Lhe alguns socos valentes no estômago e dizer que os familiares que me tirou daqui foi uma grande maldade, logo quando mais precisava deles.
Depois, abraça-Lo da maneira que se abraça um Pai e deixar cair as lágrimas contidas ao longo dos anos e pedir-Lhe perdão por estas palavras amargas e violentas porque, algures na minha alma, sei que o que Ele faz é sempre para o meu bem, mesmo que na altura dos acontecimentos pareçam tudo menos isso.
Por vezes (muitas vezes até) sinto uma necessidade imensa de estar só e tentar (por segundos que sejam) contemplá-Lo numa solidão (que é tudo menos isso) a dois e falar-Lhe dos que mais precisam, daqueles que não O conhecem e das maravilhas de faz.
Obrigado Senhor por tudo, mesmo por aquilo que se calhar não merecia, e mesmo assim, derramaste sobre mim.
Por último agradeço ao Sinais do céu.. ao qual, sem a sua música de fundo, não teria escrito estas palavras.

15 dezembro 2009

Sensibilidade e bom senso


Um pequeno artigo que escrevi há dias para eventual publicação num dos jornais da ilha.

O Natal aproxima-se a passos largos. Não o Natal materialista e consumista, no qual Jesus Cristo foi substituído pelo Pai Natal da Coca-Cola e ultimamente pelas Popotas e Leopoldinas do mundo consumista e materialista, mas sim o Natal do nascimento do redentor.
Não o Natal das 1001 luzes a piscarem dentro e fora da casa de cada um, mas sim o Natal da Luz Eterna. O Natal em que “Deus se tornou tão humilde ao ponto de ter vindo, não como um redemoinho avassalador ou um fogo devorador. O Criador de todas as coisas encolheu-se além da imaginação, tanto, tanto, tanto, que tornou-se num óvulo, um simples ovo fertilizado, quase invisível, um óvulo que se dividiria e se redividiria até que um feto fosse formado, expandindo-se célula por célula no ventre de uma jovem. “A imensidão enclausurada no seu amado ventre”, maravilhou-se o poeta John Donne. Ele “a si mesmo se esvaziou [...] humilhou-se a si mesmo”, disse o apóstolo Paulo de forma mais prosaica.” 1
Deus veio até nós, nessa humildade indescritível e nós o que fazemos Natal após Natal?
Gastamos dinheiro em prendas (e não lembranças), muitas delas fúteis e sem utilidade aparente, enquanto ao nosso lado, alguém passa fome sem sabermos (a denominada pobreza encoberta) e alguém pede apenas por pedir (a denominada pobreza de espírito).
Gastamos rios de dinheiro em coisas supérfluas e o essencial da vida é-nos dado quase de graça.
Somos soberbos ao ponto de gastarmos oceanos de dinheiro em inutilidades e pagarmos essas mesmas inutilidades em “suaves prestações”.
Onde mora a humildade de Deus feito Homem?
O verdadeiro Natal será aquele em que todos nós partilhemos afecto e amor com aqueles que são o oposto de nós e em especial com os mais carentes e necessitados, tal como Jesus Cristo, que nasceu no meio do nada e teve tudo aquilo que precisava naquela hora, naquele momento, principalmente os pastores, que na altura e na sociedade em que estavam inseridos não eram tidos nem achados.
O verdadeiro Natal, na minha modesta opinião, será aquele em que o Homem terá sensibilidade e bom senso para com o semelhante e para com todos os seres vivos. “Oxalá se tome consciência do essencial e de que falta tempo para ele: amar gratuitamente, descer ao centro da alma e procurar por lá uma palavra de vida eterna que dê sentido a tudo o que se faz.”2
Termino com uma oração peculiar proferida pelo Padre Joe Wright na abertura de uma nova secção do Senado de Kansas nos EUA:

"Senhor, viemos diante de Ti neste dia, para Te pedir perdão e para pedir a tua direcção.
Sabemos que a tua Palavra disse: 'Maldição àqueles que chamam "bem" ao que está "mal”, e é exactamente o que temos feito.
Temos perdido o equilíbrio espiritual e temos mudado os nossos valores.
Temos explorado o pobre e temos chamado a isso "sorte".Temos recompensado a preguiça e chamámo-la de "Ajuda Social".Temos matado os nossos filhos que ainda não nasceram e temo-lo chamado “a livre escolha".
Temos abatido os nossos condenados e chamámo-lo de "justiça".
Temos sido negligentes ao disciplinar os nossos filhos e chamámo-lo “desenvolver a sua auto-estima”.
Temos abusado do poder e temos chamado a isso: "Política".Temos cobiçado os bens do nosso vizinho e a isso temo-lo chamado "ter ambição".
Temos contaminado as ondas de rádio e televisão com muita grosseria e pornografia e temo-lo chamado "liberdade de expressão".
Temos ridicularizado os valores estabelecidos desde há muito tempo pelos nossos ancestrais e a isto temo-lo chamado de "obsoleto e passado".
Oh Deus! Olha no profundo dos nossos corações; purifica-nos e livra-nos dos nossos pecados.
Ámen. “

1 “O Jesus que nunca conheci” de Philip Yancey
2 “ Se tu soubesse o dom de Deus” de Luís Rocha e Melo SJ


Um Cristão como os demais

14 dezembro 2009

Amalia Rodrigues

FOI DEUS
Composição: Alberto Janes
Não sei, não sabe ninguém
Por que canto o fado
Neste tom magoado
De dor e de pranto
E neste tormento
Todo o sofrimento
Eu sinto que a alma
Cá dentro se acalma
Nos versos que canto
Foi Deus
Que deu luz aos olhos
Perfumou as rosas
Deu oiro ao sol
E prata ao luar
Foi Deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
E pôs as estrelas no céu
E fez o espaço sem fim
Deu o luto as andorinhas
Ai, e deu-me esta voz a mim
Se canto
Não sei o que canto
Misto de ventura
Saudade, ternura
E talvez amor
Mas sei que cantando
Sinto o mesmo quando
Se tem um desgosto
E o pranto no rosto
Nos deixa melhor
Foi Deus
Que deu voz ao vento
Luz ao firmamento
E deu o azul às ondas do mar
Foi Deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
Fez poeta o rouxinol
Pôs no campo o alecrim
Deu as flores à primavera
Ai, e deu-me esta voz a mim.

30 outubro 2009

Ernâni Lopes (Portugal funciona mal à séculos)

Com este artigo, fora do comum dos que por aqui publico (até pareço o amigo do blog Tribo de Jacob), este senhor, espelha nesta afirmação, aquilo que eu (e muito boa gente com valores) pensa,
"No entanto, Portugal precisa de «uma elite dirigente capaz de produzir e difundir valores, atitudes e padrões dos comportamentos que moldam a sociedade, e que não se limite a fazer política corrente». "( o resto do artigo)

26 outubro 2009

Citação do livro "O Jesus que eu nunca conheci"

"Embora o poder possa forçar a obediência, apenas o amor pode provocar a reacção de amor, que é a única coisa que Deus deseja de nós, sendo essa a razão de nos ter criado. "

22 outubro 2009

Stat crux dum volvitur orbis




Poderá ser, quase de certeza, uma mera visão de quem admira os Cartuxos, os quais estando separados de todos nós estão connosco sempre, mas esta 2ª cruz, que está por cima de um sacrário na Igreja Poraquial de Santo António, da freguesia de Porto Judeu, é uma replica quase exacta da 1ª cruz, cruz essa que é o simbolo dessa Ordem Monastica. Será que me tempos idos, alguém ligado a esta ordem quis deixar um sinal da sua presença?





09 outubro 2009

Como dizia Santa Brígida


"O acto de ajoelhar-se diante de Jesus Sacramentado, traduz reverência, humildade e pureza de coração, além de actuar como um poderoso instrumento de carinho, diante da misericórdia infinita do Senhor, que poderá aceitá-lo e perdoar os seus muitos pecados".

01 outubro 2009

Um pensamento



“Único de todos os credos, o cristianismo acrescentou coragem às virtudes do Criador”, disse G. K. Chesterton. A necessidade dessa coragem começou com a primeira noite de Jesus na terra e não acabou senão na última.