27 abril 2012

Hoje retive este pensamento





"Saulo ergueu-se do chão, mas, embora tivesse os olhos abertos, não via nada. Foi necessário levá-lo pela mão e, assim, entrou em Damasco, onde passou três dias sem ver, sem comer nem beber. " - (Livro dos atos dos Apóstolos 9, 8-9)

Do evangelho de hoje retive esta passagem. Porquê? Porque ao lê-lo, veio-me à ideia que, todos nós somos um pouco como Saulo, ainda que de olhos abertos, nada vemos, ainda que de olhos abertos, não vemos o essencial, e se queremo-nos converter a Cristo, temos que deixar que Ele nos leve pela mão, temos que deixar que ele nos faça entrar em Damasco. Três dias foi o tempo que Cristo levou deste a sua morte até há sua ressurreição. Nós também precisamos de morrer para esta vida material em que estamos afogamos e ressuscitar para a vida eterna. Talvez "três dias" seja o tempo necessário para, no fim dizermos:
"Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim!" (Gl.2, 20)

26 abril 2012

«QUEM É O MAIOR NO REINO DO CÉU?»

Já comecei a ler o livro citado aqui do amigo Joaquim. Das orações que já li, por agora retenho esta:

Logo se levantam uns quantos,
dizendo em alta voz:
Serei eu,
sem dúvida,
que não falto a uma celebração,
que estou sempre de mãos postas
a pedir graças do Céu.
Mas logo chegam uns tantos,
que dizem por sua vez:
Serei eu,
sem dúvida,
que estou sempre em oração,
mãos abertas a pedir,
as graças para o coração.
Outros se chegam à frente,
e dizem em voz tremente:
Serei eu,
sem dúvida,
que procuro os que precisam,
e todos os dias lhes dou,
um pouco daquilo que tenho,
e assim terei recompensa.
Ainda outros se impõem,
dizendo por sua vez:
Serei eu,
sem dúvida,
que a cada hora e momento,
bato com a mão no peito,
pedindo perdão a Deus,
por aqueles que O não seguem.

Lá no fundo,
no meio da multidão,
prostrado na sua vergonha,
joelhos e cara no chão,
há um que reza baixinho:
Tem compaixão,
Senhor,
que eu nada sou,
nem quero ser,
mas apenas reconhecer,
que sou fraco e pecador.
Tem compaixão,
Senhor!
Aquele que tudo sabe,
Aquele que tudo pode,
Aquele que tudo vê,
tomou este nos seus braços,
e disse à multidão:
Fazei-vos crianças puras,
limpos para a Verdade.
Não vos glorieis de nada,
pois nada podereis sozinhos.
Sede pequenos,
pequeninos,
do tamanho da humildade.
E quando assim fordes,
como Eu fui,
estando entre vós,
o maior do Reino do Céu,
não será um,
mas todos vós!

*Mt 18, 1

Marinha Grande, 24 de Outubro de 2011
Joaquim Mexia Alves

Inúmeras vezes sinto-me mais os primeiros que o último. Poderão dizer que somos todos nós é certo mas, como eu gostaria de ser mais vezes o último do que os primeiros. Deus nos abençoe a todos.

23 abril 2012

Família - pedra basilar da sociedade

A instituição Família dos dias de hoje, ao contrário da de outros tempos, não muito distantes diga-se a abono da verdade, é permanentemente bombardeada pelos meios de comunicação (especialmente) para a sua destruição, melhor dizendo para a sua extinção, sem exagerar muito no termo usado.
Este assunto ocorreu-me após ter percebido numa conversa informal que duas pessoas estavam a ter ao pé de mim, em que uma delas dizia que se tinha mudado para outra casa porque estava em processo de divórcio com o marido. Até aqui nada de novo, se não fosse o facto de ter dado conta, atendendo ao meu angulo de visão, que apesar disso, a pessoa em questão ainda devia gostar muito do marido, se tal não fosse, já não estaria a usar a aliança de casamento e fazer questão de, delicadamente dançar com a mão enquanto falava, como que a mostrar aquilo que me apercebi. A sua boca dizia uma coisa, mas o seu coração, quase de certeza sentia outra. As suas palavras pesadas estavam carregadas de amargura, mas ao mesmo tempo eram um grito de desespero e um pedido de ajuda.
Não tendo a certeza das razões que a levaram a sair de casa e estar a tratar da separação com o marido, alguma coisa ocorreu. Alguma coisa foi feita, para que chegasse a este ponto. Costumo dizer que numa situação semelhante, a responsabilidade não é só de um, mas não devo ser só eu a ter esta opinião, no entanto, o facto de ainda usar a aliança e fazer questão de a mostrar, no meu modesto entender, demonstra que, para além de ainda ama-lo certamente, está ainda disposta a perdoa-lo.
 Longe vão os tempos em que os anúncios dos jornais, na televisão e mesmo na publicidade nos locais habituais, eram isentos de promiscuidade e segundas intenções. Hoje, já com técnicos habilitados em Técnicas de Marketing, raro é o anúncio, o programa televisivo ou a publicidade em que os valores morais com que muitos de nós crescemos são postos em causa. Para além desses valores com que fomos criados, o verdadeiro amor não só é banalizado e reduzido ao mero ato sexo e ao prazer, como também à perversão, à devassidão e outras palavras semelhantes, sendo que na maioria dos casos são levados ao extremo/ridículo. E por falar em ridículo, lembrei-me agora de um anúncio relativamente recente, onde é anunciado um spray poderoso e desengordurante, o qual termina com um beijo exageradamente lascivo.
Assim, sendo os meios de comunicação, um meio por excelência de veicular o que vai acontecendo pelo pais e pelo mundo, é natural que tudo aquilo que dá audiências seja usado e abusado em prol de um maior share na respetiva medição de audiência. Lamentavelmente, tudo aquilo que não transmite valores, é que dá mais audiência. Lamentavelmente, tudo é permitido, tudo é possível e tudo é relativo. Lamentavelmente, a instituição Família cada vez é mais “apenas uma coisa ou um mero número” e não aquilo que realmente é…Pessoas de carne e osso, com sentimentos, afetos e valores.
Longe vão os tempos em que, sendo quase tudo possível, os valores morais na sociedade eram inabaláveis e tidos como pedra basilar nas famílias. Longe vão os tempos em que o amor era isso mesmo, AMOR. O namoro, ainda que fosse, em alguns casos de vários anos, o futuro casal conhecia-se bem, antes mesmo de trocarem as alianças no dia de casamento. Não quero dizer com isto que tudo fosse perfeito, tudo fosse um mar de rosas, como se diz na gíria mas, ainda que as situações de divórcio não ocorressem com tanta frequência, talvez em parte, por razões financeiras mas, hoje em dia, qualquer situação ainda que medíocre ou de resolução fácil é O motivo para divórcio, aliás, e infelizmente no meu entender, já muitos namorados casam-se mas, já com a premissa de, “se não der certo, separamo-nos”, quando, antes do casamento propriamente dito, deviam conhecer-se melhor. Na verdade, hoje, os namorados conhecem-se muito bem, em termos corporais especialmente mas, no essencial para que o relacionamento dê certo e se prolongue no tempo, quase nada se conhecem. Se perguntarmos a muitos deles, quais os gostos, os desejos ou os sonhos do outro, a maioria ficará a pensar prolongadamente ou mesmo sem resposta.
 Tenho esperança que a conversa informal relatada no 2º parágrafo ainda tenha retrocesso, ainda haja a possibilidade de ser resolvida a bem, na qual ambas as partes se entendam e sintam que o amor que têm um pelo outro é maior do que A causa desta separação…provisoria, desejo.
Tantos casos como este são o pão nosso de cada dia infelizmente, e ninguém está livre de uma situação semelhante, mesmo aqueles que se acham imunes. Tantas famílias destruídas com o patrocínio dos meios de comunicação e demasiadas famílias acabadas por “dá cá aquela palha”.
No que toca à minha, peço a Deus diariamente que continue a ajudar, como tem feito sempre.


11 abril 2012

Carta a Simão de Cirene

Texto retirado na integra daqui


"DOMINGO DE RAMOS - Ano B


“Requisitaram, para lhe levar a cruz,
um homem que passava, vindo do campo,
Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo.”

Mc 15, 21


Caríssimo Simão.
Desculpa-me o afecto desta saudação mas sabes, certamente, que és um dos personagens mais lembrados do evangelho. Sem dizeres nenhuma palavra, aquele pequeno versículo que os evangelistas nos deixaram (só João não te refere), com o teu nome e o dos teus filhos, revelando-te como quem ajudou Jesus a levar a cruz, gravou-te no nosso coração. Mas quem és tu? Um desconhecido forçado a entrar no maior drama da história. Um nome e um gesto lembrado para sempre. Proveniente da longínqua Líbia (hoje um país crucificado por um regime despótico e a procurar uma liberdade que vença os conflitos), estarias radicado por Jerusalém ou vinhas para a Páscoa? Sabermos o teu nome e o dos teus filhos leva-nos a pensar que tu ou eles pertenceram às primeiras comunidades cristãs.
O que pensaste ao ser obrigado a levar o instrumento de morte de um condenado? Que viste naquele flagelado que a multidão injuriava? Sempre as multidões foram manipuláveis. Dias antes, essa ou outra multidão tinha-O aclamado Messias Rei ao entrar em Jerusalém. Onde estavam os amigos que O acompanhavam desde a Galileia? Um deles, também chamado Simão, tinha dito que daria a vida por Ele. Mas isto não sabias ainda. Agora ia ali, talvez à tua frente, como se levasse o peso do mundo nos seus ombros, alguém que não conhecias. Terá o seu olhar cruzado com o teu? Quero acreditar que sim. E que tenhas percebido aquele amor que muda as nossas vidas, que enche de paz quando as injustiças e o inexplicável acontecem, que nos empurra a dar até ao fim o melhor que está dentro de nós. Ficaste até ao fim? Ouviste aqueles que O incitavam a descer da cruz e a salvar-se a si mesmo? Ficamos sem saber mas o teu papel já estava realizado.
Levares a cruz de Jesus tornou-te padroeiro de todos os que levam cruzes que não são suas. Que são de alguém que amam ou de desconhecidos. Porque se compadecem ou porque são requisitados. E há um mistério de amor a ligar todos estes Cireneus voluntários ou não, que aliviam o peso e dão vida a quem a não tinha. Tão ao contrário dos que se especializam em atar “fardos pesados e difíceis de suportar” e os põem aos ombros dos homens, ou “fazem todas as obras para serem vistos pelos homens” como dizia Jesus (Mt 23, 4-5). Que nomes novos tem a cruz hoje? Desemprego, pobreza, violência, exploração dos fracos, dependência dos poderosos? E que poderes a originam? Injustiça, corrupção, desonestidade, enriquecimento ilícito, abuso de poder? Ah, Simão, a cruz que levaste aos ombros já era feita de tudo isto! Mas a abundância do amor venceu o desamor. A manhã de Páscoa tornou-se mais forte que as trevas do calvário. Na cruz de Jesus todas as cruzes conduzem à Vida!
Obrigado por nos ensinares que, mesmo sem querermos, podemos dar vida a quem a amamos e a quem desconhecemos. Obrigado por teres caminhado com Jesus como gostaríamos de acompanhar quem sofre. Um abraço forte, e até já, nestes caminhos de Jesus!

P. Vítor Gonçalves"

29 março 2012

Bento XVI no México

Bento XVI reza diante da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira do México, no Colégio de Miraflores, em León

28 março 2012

Da quaresma à pascoa


Monge cartuxo do Mosteiro Scala Coeli, Évora, revela espiritualidade da Quaresma no site do secretariado nacional da pastoral da cultura

Excelentes passagens para leitura e meditação, com o titulo da Quaresma à Páscoa

Vale a pena "perder tempo" para ganhar um pouco da Vida eterna

15 março 2012

Os "excluidos" também vão à missa


Segunda-feira dia 5 de março de 2012.
Era sensivelmente oito da noite. Foi a última reunião preparatória da romaria. Estavam presentes cerca de 20 irmãos, sendo que quatro tinham vindo da Graciosa, para além do Padre, seu pároco.
Estávamos a aguardar que o Padre se paramentasse para celebrar a sagrada eucaristia, quando entrou um homem, não muito velho mas, gasto pelo aparente uso em demasia de bebidas alcoólicas. Entrou um pouco a cambalear em direção à sacristia, no intuito, julgo eu, de pedir algum apoio ao Padre que ali é responsável e foi-lhe dito que não estava.
Saiu em direção à porta.
O Padre entretanto dirigiu-se à capela do sacrário para ali celebrar o santo ofício com os irmãos presentes, como é habitual, quando pode estar presente.
Começou a celebração e com eles, “esse homem, não muito velho mas, gasto pelo aparente uso em demasia de bebidas alcoólicas” acompanho-os na cerimónia. Mesmo na aparente falta de alguma lucidez, esteve ali, quieto, calado e com atenção, se calhar até com mais atenção do que muitos quando “vão” à missa.
Quando chegou o momento de comungar, ordeiramente, também comungou. A celebração continuou. Chegou ao fim e, também ele fez o sinal da cruz e aí, dirigiu-se para a saída da igreja.
Pobre homem, pensei eu, mas lá no fundo, fez mais do que muitos de nós, seguramente. Lá no fundo, seguramente a fé dele, apesar de debilitada pelos caminhos que tem vindo a percorrer nesta vida, algo ou Alguém o chamou para ali estar, assistir e sobretudo participar, coisa que muitos de nós, possivelmente não o fazemos, muitas vezes.
Peço a Deus que, esse homem, não muito velho, mas gasto pelo aparente uso em demasia de bebidas alcoólicas, tenha visto, ainda que debilmente, a Luz que Deus emanou e o iluminou naquele dia, tenha sentido o calor do Amor de Jesus e o sopro do Espirito Santo na sua alma.

No dia seguinte estava lá novamente, no entanto, talvez por ter mais pessoas, não passou da porta. Talvez porque esse homem, não muito velho, mas gasto pelo aparente uso em demasia de bebidas alcoólicas, mas com sentimentos, iria sentir-se marginalizado (duplamente) com os eventuais olhares reprovadores de algumas dessas pessoas, excluído como os demais semelhantes a ele.

06 março 2012

Romaria


Desta madrugada que se aproxima e até ao próximo domingo dia 11, irei estar (juntamente com os restantes irmâos) em "retiro ao ar livre" pelos caminhos desta ilha "apenas" orando. Como diria Gaspar Frutuoso "saudades do céu"

01 março 2012

Jesus de Nazaré e as mulheres

Hoje um colega de serviço, sabendo que eu estava interessado (mas não por agora) ofereceu-me este livro. Sobre o mesmo poderá ser lido aqui. Agora é colocá-lo na mesa de cabeceira para ir lendo nestas noites frias.

29 fevereiro 2012

Duas meras anedotas ou dois ensinamentos cristãos?


Num cursilho de homens dos Açores, ocorrido há algum tempo atrás, um dos novos cursilhistas contou 2 anedotas, as quais, na altura e no meu modesto entender beiravam o ridículo/cúmulo, mas que tinham alguma graça, bem lá no fundo.
Uma delas contava “a história sobre um sonho que uma criança tinha tido e que pela manhã ao pequeno-almoço resolveu partilhar com os pais. Dizia ele aos pais, muito pausadamente e com uma dicção digna de registo, que no seu sonho era proprietário de uma prancha de surf amarela. Assim, pedia encarecidamente ao pai que lhe concretizasse o sonho com a compra da dita prancha amarela. Após um curto silêncio, ainda que para a criança possa ter sido uma eternidade, o pai respondeu-lhe:
- Vou-te oferecer um pente.”
A outra anedota, por sinal mais curta e concisa, “tinha a ver com 2 grãos de areia que estavam a apanhar sol numa praia deserta. Passado algum tempo repararam numa nuvem de grãos de areia que se aproximava a alta velocidade e resolveram fugir.”

Após pensar um pouco sobre elas, dei-me conta que o Espírito Santo sopra onde quer, ou seja, para além de terem sido contadas como anedotas, ambas traziam uma mensagem/ensinamento cristão. Ambas, ainda que aparentemente ridículas, ao entrarmos no fundo das mesmas, ambas têm muito sumo para se espremer e beber, senão vejamos:
- Quanto à primeira, quantas vezes não somos aquela criança que tem sonhos destes, isto é, “sonharmos acordados”, com desejos supérfluos e banais, quando o essencial Deus já nos deu.
- Quantas vezes pedimos-Lhe uma prancha de surf amarela e nem sequer sabemos nadar ou pôr-nos em pé na mesma.
- Quantas vezes Deus dá-nos “apenas” um pente, mas no entanto, é o que realmente precisamos é o que realmente nos faz falta já que, sem nos apercebermos, temos o cabelo todo despenteado e somente Ele se apercebe disso.

São inúmeras as alturas em que Lhe pedimos “mundos e fundos” e a resposta parece tardar em chegar, como se a distância entre nós e Ele fosse imensamente longa. A distância é imensamente pequena, diria sem exagero algum, quase microscópica porque, o tempo de Deus, ao contrário do que possamos pensar, não é igual ao nosso e, anos para nós poderão ser uma mera fracção de segundo para Ele.
Deus dá-nos sempre à medida das nossas necessidades, “nunca mais do que” ou “menos do que”, apenas o quando baste, e é nesse “quanto baste” que por vezes discordamos com Ele, ainda que pesamos pausadamente e com a tal dicção digna de registo.
Quanto à segunda, dois grãos de areia numa praia deserta, seria um contra censo já que uma praia, ainda que deserta, tem milhões de grãos de areia e não apenas dois, no entanto, após alguma reflexão, julgo perceber que os “dois grãos de areia no meio de uma praia deserta” somos todos nós, aqueles que remamos contra a maré. Somos todos nós, aqueles que em nome de Cristo apregoamos a boa nova, e ainda que sejamos poucos (quais 2 grãos de areia) e estejamos a apanhar sol (estar na graça de Deus), não devemos, nem podemos fugir ao primeiro momento que vejamos uma nuvem a chegar (contradições e opiniões duvidosas referentes ao Evangelho). Afinal de contas Cristo, Aquele que seguimos, não arredou pé à maior nuvem de grãos de areia de todos os tempos e esteve sempre a “apanhar sol numa praia deserta” até ao derradeiro momento, ainda que por breves momentos, tenha-se sentido abandonado pelo Pai. Nessa altura, nesse momento e nesse instante, a praia estava quase deserta, apenas alguns grãos de areia permaneciam ao pé, aqueles poucos grãos que Lhe eram mais próximos, no entanto, tudo começou com esses poucos grãos.
Termino citando um pensamento de Madre Teresa de Calcutá, adaptado para a situação: “Podemos ser poucos grãos de areia, mas sem eles, a praia seria mais pequena”.

17 janeiro 2012

Eu, pecador me confesso! (Inúmeras vezes como cristão farisaico)



«Eu creio! Ajuda a minha pouca fé!»

Por vezes sentimos a necessidade de, por palavras semelhantes, recitar esta oração, qual pai à beira do filho doente. A fé que tanto cremos e apregoamos imensas vezes (talvez em demasia) é tremendamente leve e suave que, uma ligeira brisa é o suficiente para a levar para longe, como se fosse uma folha ou uma pena.
Quantos de nós, que batemos fortemente no peito “Por minha culpa, minha tão grande culpa (…) e a vós irmãos que rogueis por mim a Deus nosso senhor” e no entanto, nunca rogamos pelos nossos irmãos, mas ansiamos que eles roguem por nós?

Inúmeras são as vezes que os sacerdotes falam dos fariseus relatados na bíblia e nós, olhamos para o lado, como cristãos íntegros e puros, no entanto, se a nossa santidade não for maior que a dos escribas e fariseus, não entraremos no reino dos céus. Quando Cristo disse isto, possivelmente temia pela degradação das almas dos seus apóstolos, religiosas certamente mas eventualmente doentes na fé. Estas almas religiosas mas doentes na fé são a principal característica do fariseu. Hoje, muitos homens têm uma espécie de fé sem religião, mas ao mesmo tempo, entre nós cristãos, encontramos com frequência, uma religião sem fé. É por isso que o cristão fariseu não compreende que a santidade exija o penetrar nas camadas mais profundas da vida de oração, sem se ficar no limiar dela, satisfeito com meia dúzia de orações mais ou menos bem alinhadas, somente eficazes em momentos de urgência.

Por vezes, durante esta passagem não passamos disso, por vezes a nossa pureza aparente consegue ser suplantada pela nossa sujidade real, seja através de pensamentos e palavras, atos e omissões mas, por nossa culpa, nossa tão grande culpa.
Eu, pecador me confesso!

Então qual é a definição de fariseu?

Segundo a Enciclopédia Católica Popular, os fariseus foram uma “Seita religiosa surgida no Judaísmo por volta do séc. II a.C., constituída por leigos versados nas Escrituras e na Lei de Moisés, interpretando-as à letra e impondo o seu rigoroso cumprimento.(…) O orgulho, a hipocrisia e a estreiteza de vistas dos fariseus mereceram as censuras de J. C. e levaram-nos a exigir de Pilatos que O crucificasse. (…) No entanto, houve fariseus amigos de J. C., entre os quais Nicodemos, Gamaliel e, depois de convertido, S. Paulo.”

Desta explicação retenho “O orgulho, a hipocrisia e a estreiteza de vistas”. Tantas vezes que agimos assim, e no nosso íntimo, muitas vezes conseguimos ouvi-Lo censurar-nos e outras tantas, interpretamos à letra as Escrituras, quando a sua interpretação deve ser feita de outras maneiras, menos à letra.

Tudo isto leva-me a pensar na parábola do fariseu e o cobrador de impostos que se encontravam no templo , onde o primeiro, estando de pé dava graças por não ser como os demais homens, em particular ao publicano que ali também se encontrava, e o segundo, sem levantar os olhos e batendo no peito, assumia que era pecador.
Quantas vezes não somos o primeiro e quantas vezes seremos realmente o segundo?
Eu, pecador me confesso!

Sem querer ser mais que os outros (muito pelo contrário), por vezes sinto-me como Zaqueu, procuro ver Jesus mas não consigo por causa da multidão à minha volta. Não a multidão mencionada na passagem bíblica, mas sim a multidão de tudo aquilo que há nossa volta nos distrai do essencial e nos abafa do principal. A minha estatura também é pequena, não a física, mas sim as minhas limitações pessoais. Olhando deste ponto de vista, a minha estatura seguramente é mais pequena ainda porque, ele procurava ver Jesus, ao ponto de ter subido a uma árvore, quanto a mim, algumas vezes deixo-me ficar no meio da multidão. Todos nós ansiamos que Ele entre nas nossas casas e nos diga: «Hoje veio a salvação a esta casa, por este ser também filho de Abraão; pois, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido» . Todos nós queremos ser salvos mas, quantos de nós realmente queremos que Ele entre em nossas casas?
Eu, pecador me confesso!

Com a minha humildade possível gostaria de, ao menos ser o pobre citado em “Um minuto com Maria” , que estava a rezar, consciente da sua pobreza. Dizia ele a Deus: "eu não sou digno de entrar no teu Reino, mas, por tua Misericórdia, sei que tu não podes fechar-me a porta. Eu só te peço o último lugar na tua casa", ao qual Jesus respondeu-lhe: "concedo-te o último lugar. Assim, tu estarás ao lado de Minha Mãe".

«Eu creio! Ajuda a minha pouca fé!»