09 julho 2013

O pequeno conto da fábrica de Terços

Há entre o céu e a terra, uma usina, onde anjos produzem terços em cadeia, sob o ritmo das orações do Pai Nosso e da Ave Maria, e tudo sob a benevolente direção do Arcanjo Gabriel. Ao término da confecção dos terços, estes são apresentados à Virgem Maria, que lhes atribui uma intenção, antes de serem enviados por toda a terra através de multidões de anjos, encarregados da postagem: os terços elaborados são terços de emergência. Semelhante a um tercinho comum, o terço celeste, qualificado como “de urgência” não difere daqueles que são fabricados aqui na terra, em relação à aparência; difere, sim, devido ao seu poder celestial de incentivo à oração. Assim, por todo o planeta, a qualquer hora do dia ou da noite, em qualquer lugar, em casa, na Igreja, no trabalho, na rua, nas profundezas de um campo enlameado, uma pessoa, à vista desse objeto familiar ou incongruente sentir-se-á quase que irresistivelmente impelida a orar intensamente, mas sem intenção específica, a não ser a que nos liga à Virgem Maria. Basta que, neste instante preciso, esta pessoa aceite fazer uma pausa na própria vida, dedicando um momento seu a esta oração, em benefício, por exemplo, de uma alma desconhecida, que esteja necessitando urgentemente de socorro, para que, imediatamente, seja acionada uma extensa operação de resgate celestial. É neste momento que ocorre a agitação entre os anjos socorristas, agitação que coordena, acompanha e antecede a Jesus. Pois, desde que Deus, o Pai, após ter criado o universo, decretou que nada mais aconteceria sem o homem, para que o céu intervenha, ele depende da boa vontade humana. Bem sabe disso o arcanjo Gabriel, que teve a honra e a missão de requerer a mais importante dessas autorizações junto à Virgem Maria, para que o próprio Filho de Deus pudesse intervir para salvar toda a humanidade. Autor Desconhecido Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois Vós entre as mulheres, bendito é o fruto de Vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

05 junho 2013

Um olhar ignorante



"O conhecimento mais divino e Deus é aquele que se dá através da ignorância"

(A Nuvem da ignorância, cap. 70, pág.96)

02 junho 2013

Gotas de orvalho

 
 
 
 
 
As gotas de orvalho matinais na obra criada por Deus são fascinantes. Ali, quase a caírem na terra para sustento da vida, mas ao mesmo tempo permanecendo por alguns intermináveis segundos num arredondado perfeito e girando como este mundo por Ele criado.
Por vezes procuramos incessantemente enormes obras divinas e de fácil observação, quando as mais pequenas mas também mais obvias estão aqui mesmo ao nosso lado, seja no nosso pequeno jardim ou num vaso de tamanho diminuto.
A natureza fascina-me pela simplicidade e humildade que nos demonstra todos os dias, se a olharmos com o olhar de uma criança. Se conseguirmos ter um olhar assim, vereemo-lO todas as manhãs e saberemos ao longo do dia que Ele está connosco, como SEMPRE.

30 maio 2013

Um olhar humano de Deus




Ele entregou-Se para remissão dos nossos pecados, mas o seu olhar, perto do derradeiro momento era profundamente humano, tão humano como qualquer um de nós, e nesse olhar mostrava-nos, não o olhar triste que nos parece há primeira vista mas sim, mostra-nos que apesar de tudo o que fez e disse, a maioria dos Homens de então, assim como os de hoje, ainda não O compreenderam verdadeiramente. Se tentarmos compreende-lO veremos no seu olhar, não essa aparente tristeza, mas sim o olhar de Deus que se fez homem, o olhar do Pai misericordioso para todos nós, seus filhos.

03 maio 2013

A Morte de São José



José morre... Ninguém disse como foi a sua morte...

Ele chegou silenciosamente; lutava sem glória;
ator silencioso de uma sublime história,
um dia, desapareceu, para nunca mais voltar.

Nós o vimos passar, no fundo da cena,
o Menino Deus, em seus passos, a Virgem perto dele;
ele aplainou, aperfeiçoou o dia;
e os anjos, à noite
informavam-lhe sobre as conspirações do ódio.

À partida de Jesus, seu papel terminava;
e então, sobre ele, o Evangelho silenciava.
Uma noite, ele teve de deixar sua plaina inútil
e, acamado, tinha Maria à cabeceira.

A noite descia, semelhante àquela noite distante,
quando o Anjo do Senhor veio despertá-lo para fugir...
O Anjo retornou, naquela noite, para ajudá-lo a morrer;
e José ouviu sua voz doce e serena.

O anjo dizia: “José, filho de Davi, sou eu,
novamente. Descanse em paz, porque o Menino e sua Mãe
nesta terra, não mais terão perigos a temer.
A partir de agora, eles poderão viver e morrer sem você.”
Mas José relutava em aceitar este adormecer.
Sem dúvida esperava por alguém que gostaria de rever,
pois tentava ouvir os rumores da estrada
e em seus olhos brilhava um vislumbre de esperança.

De repente, ele se levanta... Leves passos rompem o silêncio;
a porta da casa se abre sobre a noite
e Jesus, cruzando o limiar de sua infância,
se precipita até o leito do pai e se inclina sobre ele.

Quanto deve ter caminhado para chegar! A poeira
cobre seus pés nus e sublinha seus traços;
mas de seus olhos claros a luz emana
e dessa luz, os olhos de José se enchem para sempre ...

Maria sussurra: "És tu, meu Filho! "E o Anjo
se prostrou por terra. Jesus se inclina sobre o modesto leito,
abraça o pai; nenhuma palavra é trocada ente os dois.
Jesus entrega à morte seu primeiríssimo combate!

E na sombra, a morte, indefesa, se detém...
Mas o velho operário não esperava, que, assim, tão tarde, seu Filho lhe desse um coração jovem e forte: ele observa
o rosto divino e morre neste olhar.

Ah! Bem-aventurado aquele que, alma confiante,
após ter rezado, sofrido e trabalhado,
tenha, numa noite, se estendido de fadiga e de prolongada e espera
e depois, ao receber um beijo divino, tenha partido!...


Georges D'Aurac

03 abril 2013

A verdadeira Luz (3ª parte de 3)



Depois da morte veio a certeza da vida eterna na ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, o fogo novo que se acendeu nos nossos corações, a Luz nova que nos indica permanentemente o caminho para Deus, basta segui-lO.

Jesus naquele tempo disse “Eu sou a Luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a Luz da vida.”* Ontem como hoje, Ele repete-nos incessantemente essas palavras.

Não mais haverá noite, nem terão necessidade da luz da lâmpada, nem da luz do Sol, porque o Senhor Deus irradiará sobre eles a sua luz e serão reis pelos séculos dos séculos**. Como será bom um dia sentir a Luz de Deus irradiada sobre nós pelos séculos dos séculos.

Sintamos nas nossas almas o fogo novo de Cristo, a Luz nova que nos ilumina o caminho para Deus, basta segui-lO.



*João 8,12

**Apocalipse 22,5




Um livro


17 março 2013

Pensamento para estes dias que se avizinham

"Muito frequentemente me sinto como um pequeno lapis nas Mãos de Deus. Ele escreve, Ele pensa, Ele faz os movimentos. Eu só tenho que ser o lapis."
 
Discurso de Madre Teresa, Roma, 7 de março de 1979

26 fevereiro 2013

O Monge que queria ver Nossa Senhora

Um dia, prostrado diante da imagem abençoada de Nossa Senhora, um jovem clérigo disse a Maria, que tudo o que ele desejava na vida era vê-la, não mais como uma estátua imperfeita de pedra ou de madeira, mas como ela era na realidade:

– Meu filho, respondeu-lhe a imagem, eu não anuncio a ninguém a hora da sua morte, pois seus dias não me pertencem: eles pertencem a Meu Filho. Mas se você insiste tanto em me ver, saiba que ninguém no mundo obteve este favor, sem que logo depois tenha perdido a vida.

– Ah! Gritou o clérigo no auge da felicidade, em troca de tal presente, quem não consentiria em perder a luz de seus olhos!
Mas, como alguém que crê estar perdido nas profundezas do firmamento ainda está preso às coisas da terra por um vínculo, por mais frágil e fino que seja, enquanto proferia estas palavras com entusiasmo, nosso clérigo, que não estava tão desapegado do mundo como pensava, com uma das mãos cobriu um dos olhos, e com o olho que ficara aberto, observou. O que ele viu, então, não existem palavras para contar. A Rainha da Glória apareceu para ele, em seu manto de belas noites, semeado de planetas e estrelas, no meio da sua Corte Celeste e de seus Anjos músicos. Mas a visão durou apenas o tempo de um relâmpago, deixando o jovem monge deslumbrado e mais infeliz do que antes, pois, pelo fato de ter visto Nossa Senhora uma vez, mais sequioso em revê-la ficou.

Felizmente, ele pôde contar com o olho que fora preservado, sob a sua mão:

– Rainha da Beleza, gritou o monge, que eu perca meu segundo olho, mas que eu a veja pela segunda vez!

– Olha para mim agora, novamente, se a minha presença lhe é tão deleitável, respondeu a imagem.

E o que ele viu, com o olho saudável, foi uma pobre mulher, exatamente como a que vemos pelas estradas, e que tinha no rosto tanta dor e tanta tristeza que as palavras não conseguem definir. Em seguida, a visão desapareceu mais uma vez, deixando o clérigo completamente cego, mergulhado nas trevas mais profundas.

– Rainha da Misericórdia, disse ele então, perdoe-me por lhe ter enganado, tapando um dos meus olhos, mas assim pude vê-la, mais bela ainda, se isto é possível, tanto na sua humildade quanto no seu esplendor!
A imagem, então, respondeu:

– Seja perdoado, bom e doce amigo, pelo seu ardil inocente. E por me ter tanto amado, retome o que eu lhe tinha tomado.


Jérôme e Jean Tharaud

Contos da Virgem

Plon, 1940.

(retirado de um minuto com Maria de hoje)





31 janeiro 2013

"...assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido"



Lendo assim, à primeira vista cria-nos a impressão que Deus apenas perdoaria as nossas ofensas na medida em que perdoamos a quem nos tem ofendido, no entanto, não sendo esta uma sociedade de homens e mulheres perfeitos, isto é, sem erros ou faltas, essa é a nossa maneira de pensar e não a D`Ele. Por vezes parece-se que ainda agimos “olho por olho, dente por dente, ferida por ferida[1]. Seguramente não tem que ser esse o caminho de um cristão e não é esse o caminho que Ele nos indica. O caminho que devemos seguir deverá ser o do perdão e devemos ter a coragem de saber perdoar.
São Mateus, varias vezes no seu evangelho, recorda-nos a relação que existe entre o perdão que Deus nos oferece gratuitamente e o perdão que devemos oferecer aos irmãos sem contrapartidas.
Na minha maneira de pensar (sujeito a falhas) sinto que é mais corajoso aquele que perdoa do que aquele que se vinga, no entanto, inúmeras vezes somos levados a pensar que perdoar alguém é um gesto de cobardia e recusamos o perdão aos nossos irmãos.
Recusamos o perdão aos irmãos mas queremos que Ele nos perdoe. Recusamos a misericórdia mas queremos que Deus tenha misericórdia de nós.
Deus mostra-nos que o Seu coração não tem fim e que nos perdoa sempre. Não existe nenhuma falta que o amor de Deus não nos perdoe, no entanto, queremos ser perdoados mas não queremos perdoar.
Se não somos capazes de perdoar os irmãos é porque, pouco ou nada sabemos da misericórdia D`Ele e ainda não vivenciamos totalmente o perdão de Deus, “perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido
Termino com uma passagem bíblica, a qual deveríamos pensar nela frequentemente:
Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhe perdoou.”[2]



[1] EX 21,24
[2] Carta aos Colossenses 3-13