06 outubro 2016

Passagens




Todos nós sem exceção, temos alguma predileção por alguns livros da Bíblia ou algumas passagens neste ou naquele livro. Por vezes, por algum acontecimento na vida, outras vezes porque são palavras de esperança e conforto. Existem outras ainda, sem se enquadrarem nas atrás descritas, fascinam-nos sem sabermos a razão, melhor dizendo, sem sabermos o porquê, apenas nos fascinam.
Vem esta introdução a respeito do Livro de Job, um dos livros Sapienciais do Antigo Testamento[1], livro esse que tem algumas passagens que nos fazem pensar um pouco. Uma que até agora me fazia pensar um pouco, sobre o seu significado é a que ele (Job) amaldiçoa o dia do seu nascimento[2], dizendo:
“ – Desapareça o dia em que nasci e a noite em que foi dito:
- Foi concebido um varão!”[3]
A Bíblia diz-nos que Job era justo e santo. Então como pode uma pessoa justa e santa amaldiçoar o dia em que nasceu, amaldiçoando assim o próprio Deus?
Tal como outras duvidas que tenho e muitos de nós temos, esta foi-me explicada na meditação matutina do Santo Padre Papa Francisco do dia 27 do mês findo[4]. O Santo Padre reflete nessa passagem e nas subsequentes, dizendo que Job sofria porque tinha perdido tudo. Todos os seus bens, inclusive os seus filhos. Acrescenta que geralmente um santo não pode agir assim, esclarecendo finalmente que Job não amaldiçoou Deus, apenas desabafou. Um desabafo de filho diante do Pai. Aliás, o Santo Padre cria até um certo paralelismo com o profeta Jeremias, o qual este também diz:
“- Maldito o dia em que fui concebido.”[5]
No entanto estes dois casos não são blasfémias, mas sim desabafos, porque ambos sentiam uma grande desolação espiritual. O Santo Padre frisa ainda que a desolação espiritual acontece a todos! Esta desolação faz-nos sentir como se tivéssemos a alma esmagada.
Depois de algum tempo, o Seu tempo, Deus respondeu a todos aqueles (tal como eu) que não tinham a precessão do seu significado ou melhor dizendo, como é que sendo justo e santo amaldiçoaria o Criador?
Fiquei feliz e de alma cheia com esta explicação/meditação, valendo a pena ler a meditação já referida, a qual, não só ajuda a desvendar esta duvida, como vais mais longe, mostrando algumas ajudas, não só para todos nós, que de certa forma muitas vezes agimos como Job, como também para todos aqueles que estão há nossa volta.

4 de Outubro de 2016


[1] http://www.capuchinhos.org/biblia/index.php?title=Job
[2] Jb 3, 1-3, 11-17, 20-23
[3] Jb 3 - 3
[4] http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2016/documents/papa-francesco-cotidie_20160927_tres-gracas.html
[5] Jr 20-14

12 fevereiro 2016

Escuridão


Tantos irmãos e irmãs que a passam, mas esses são tidos como santos. Eu não passo de um grande, enorme e porque não dizê-lo gigantesco Pecador, que "nada vê ou sente".

06 fevereiro 2016

Dicotomia existencial



A grande maioria das fotografias, mesmo sendo “um apanhado”, quase sempre nos mostra apenas uma faceta, aliás, uma faceta ou um modo de estar ou ser da pessoa. Desde que me foi enviada esta fotografia e depois de a ver com calma, cheguei sempre há mesma conclusão. Esta transporta-me para uma dicotomia existencial ao nível espiritual da fé que tenho e professo.

Por um lado ou vertente, nesta caminhada peculiar mas muito bela e simples, na qual participo como um mero irmão romeiro, como os demais, assim como na minha vida, fora deste oásis no meio do deserto, o meu coração está quase sempre com a Sua e Nossa Mãe Maria Santíssima e daí, com a humildade possível, sinto que ela está sempre comigo, “atrás” de mim e encaminhando-me para Ele, como que a dizer-me:
“- Faz tudo o que Ele te disser.” 

Por outro ponto de vista, a minha cabeça e o meu olhar volta-se para trás, para ver se me afasto o mais possível das tentações com que o demónio diariamente me tenta seduzir, umas vezes óbvias e outras menos óbvias, quais lobos com pele de cordeiro, e são essas que mais me preocupam, mais me afligem, porque são essas tentações quase angelicais, mas no fundo demoníacas, que me podem fazer perder a ressurreição no derradeiro dia, mesmo crendo n`Ele.
Nesta fotografia onde mais do que o que é visível, o sentir a tal dicotomia existencial é mais forte, reparo que existe uma terceira faceta ou modo de estar que talvez me possa levar há salvação, assim queira Jesus Cristo dizer uma só palavra e eu sei que serei salvo. Refiro-me à confissão que sem me aperceber, em silêncio a faço:
“ (…) Por minha culpa, minha tão grande culpa (…)”
Assim, peço à Virgem Maria, aos Anjos e Santos e a vós, irmãos, que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor.

5 de fevereiro de 2016
Paulo Roldão

16 junho 2015

Clausura


"- Sim era bonito entrar 15 dias, uma semana, um mês...sei lá, um ano...e entrar a vida inteira?"

11 junho 2015

Sombra



Perante o olhar de Deus poderás ser apenas uma sombra, no entanto, aos nossos olhos és a luz que nos aponta o único caminho para a salvação, porque nós, ainda que sejamos “há imagem e semelhança”, somos pecadores, portanto...sem sequer fazer sombra. 

03 junho 2015

Cartuxos (um oásis no meio do deserto) VIII

“A Quaresma é a Cartuxa ou a Cartuxa é uma Quaresma continuada.”

Uma frase muito simples dita pelo Prior Antão Lopez da Cartuxa de Évora, na emissão do passado dia 2 de março à Agência Ecclesia.

Para além da restante entrevista, toda ela fruta fresca, esta frase ficou-me, qual sino, a badalar na minha mente, porque lá no fundo da minha alma (re)lembrei-me que foi logo após a Quaresma de 2007 que os descobri (ou Ele a mim).
Quando no inicio desse ano me propus a fazer a experiência de participar numa Romaria Quaresmal, por sinal a 1ª nesta ilha e não sabia ao que ia nem sabia o que iria encontrar. Tão pouco sabia que hoje, alguns anos depois, mais do que participar, vivo-as de alma e coração, ano após ano.
Lembro-me que durante essa 1ª romaria e no fim do segundo dia de caminhada, questione-me do que estaria a fazer ali, uma vez que quase sem forças para dar mais alguns passos, o desanimo (do cansaço) apoderou-se de mim porque senti que nada tinha sentido até então. Naquele momento, no meio do nada e apesar de ter tido o apoio de dois irmãos para chegar, pelo menos ao fim daquele dia, estava preparado para no final do mesmo deixar aquela fantochada e voltar ao aconchego do lar e da família.
Ao chegar ao pé da Igreja onde iríamos ter a Celebração Eucarística, antes de nos recolhermos do frio da noite, aconteceu-me algo, ainda que humanamente explicável, ainda hoje me faz pensar, ainda hoje me leva ali, quando me sinto quase sem forças para dar mais alguns passos, mas por força desse acontecimento, a fé e esperança enraizou-se em mim e vai florescendo gradualmente ainda que, em alguns momentos da vida, algumas folhas caem, alguns galhos secam por essa fé e esperança, por vezes ainda ser leve.
Já passava das 20:00 e o dia já entardecia a olhos vistos quando chegámos à igreja e naquele local e naquele momento, vi uma pessoa que ali estava a aguardar por nós. Uma mulher, por sinal a minha, que quando me viu esboçou um pequeno sorriso, no entanto, não era ela a sorrir-me. Não era um sorriso própria dela, disso tenho a certeza. Quando vi aquele sorriso, senti um calor abrasador, não no corpo, mas sim na alma. Aquele sorriso foi o apoio que precisava receber da Sua e nossa mãe Maria Santíssima, para continuar, não só naquela 1º romaria como também...até que Deus queira. Foi como a dizer-me que o que estava a fazer era tudo menos uma fantochada e qual Maria numa passagem bíblica, eu e os demais irmãos, tínhamos escolhido a melhor parte, aquela que nunca nos será tirada.
Em romaria apenas existe silencio, oração e convívio fraterno. Como é bom e salutar esta tripolaridade durante alguns dias. Como seria bom se fosse mais algum tempo, talvez 15 dias, um mês, um ano...toda a vida. Foi com essa premissa (silêncio, oração e convívio) que após o terminus da referida romaria, procurei na internet “movimentos religiosos” com essas características e qual não foi o meu espanto, que os primeiros foram os cartuxos, e mais do que terem sido os primeiros, desde as primeiras leituras sobre o seu verdadeiro papel no seio da igreja, senti logo uma enorme empatia que, não só se tem prolongado no tempo, como também amadurecendo as minhas ideias, sentimentos e emoções.
Hoje ao ouvir o irmão Antão Lopez dizer que “A Quaresma é a Cartuxa ou a Cartuxa é uma Quaresma continuada” fiquei um pouco arrepiado porque, as romarias em que participo ocorrem na Quaresma e...como seria bom se fossem por mais tempo, talvez 15 dias, um mês, um ano...toda a vida.


6 de março de 2015

01 junho 2015

Reflexo


Pobres pecadores
e fracos que somos
Sua e nossa Mãe
Maria Santíssima
quando oramos
desejando ardentemente
ver-te e ouvir-te
nesta vida de passagem
quando estás Sempre presente
qual reflexo em cada um de nós
da imagem de Jesus
amparando e encaminhando
permanentemente
estes teus filhos degredados
para Aquele que é o único
Caminho, Verdade e Vida.



1 de junho de 2015

28 maio 2015

Um pensamento




"Por vezes desejamos tanto que os dias passem depressa, que nem nos apercebemos que se passarem desse modo, não chegamos a ter tempo para viver a Vida"

16 outubro 2014

Ser monge Cartuxo

 “Eu vou pensando e até dizendo: Seria bom irmão passar aqui...15 dias, um mês, acredite que tenho saudades do silêncio e da contemplação. (...)Sim era bonito entrar 15 dias, uma semana, um mês...sei lá, um ano...e entrar a vida inteira?”

Palavras sabias proferidas pelo Cónego António Rego numa reportagem do programa 70 x 7, da década de oitenta sobre o único mosteiro da Ordem Cartuxa (Scala Coeli) existente em Portugal e que, tal como a Sagrada Escritura, se mantêm permanentemente inalteráveis.
Leio, relei-o e medito um pouco sobre estas poucas palavras. Tal como eles (de poucas palavras), são de uma profundidade imensa e seguramente dariam para uma tese de Doutoramento, para quem as souber trabalhar nesse sentido.

Tal como muitos de nós, Cristãos convictos e professos, muitas vezes sentimos que nos falta algo mais do que aquilo que a Igreja nos dá. Sentimos um desejo enorme de Amar permanentemente Deus, de O adorar a todas as horas do dia, mesmo durante o sono repousante e necessário. Sentimos uma necessidade quase extrema de O contemplar em silêncio e oração, mas seriamos realmente capazes de deixar tudo para trás e segui-lO como eles O seguem?

Muitos de nós já lemos e meditamos sobre imensas obras que falam deles e até mesmo aqueles livros quase proféticos que são escritos na 1ª pessoa, e nestes últimos, ficamos maravilhados, não só com as palavras impregnadas no papel, como também com aquelas que intrinsecamente não foram escritas, no entanto, seriamos capazes de passar das palavras lidas aos atos vividos? Talvez o irmão não nos respondesse, mas perceberíamos, os seus olhos já nos tinham respondido.

Como irmão romeiro de um rancho de romeiros aqui na Ilha Terceira, pela Quaresma, saímos para a rua durante 5 dias, nos quais apenas oramos e contempla-mo-lO. Sabe-nos muito bem e quando terminam esses dias, ficam as saudades do silêncio e da contemplação daqueles dias mas...e a vida inteira?

Julgo que falo por todos aqueles que são amigos dos Cartuxos, quando digo “era bonito entrar 15 dias, uma semana, um mês...sei lá, um ano...e entrar a vida inteira?” “

Um breve pensamento que me ocorreu, após ruminar algum tempo nas palavras com que iniciei este “desabafo”.

11 julho 2014

Manjedoura de Oração


Confesso que gosto particularmente deste novo local de oração na Igreja Mãe dos Açores, a Sé de Angra. Mais acolhedor e mais intimista na ligação com Deus, talvez por ser um espaço mais pequeno do que o existente até há poucos dias. Das poucas vezes em que ali estive, senti no meu âmago uma paz enorme, quase angelical, não só pela disposição do espaço, mas sobretudo pelo políptico ali existente que nos relata a vida de Sua e nossa mãe Maria Santíssima. Uma vez que o mesmo espelha a vida de Maria interligada com a do seu Filho Jesus, até hoje sentia que a imagem do terceiro quadro (nascimento de Jesus, Deus feito Homem) destacava-se das restantes, ainda que as medidas desta imagem sejam precisamente iguais às dos restantes quadros. Até hoje, porque só hoje fez-se luz na minha forma de ver, olhar e meditar sobre esta imagem em particular no políptico ali existente. De repente, apercebi-me que destaca-se das restantes, porque este novo local de oração, por si só também representa o local onde Maria deu à luz Jesus, e no centro dela encontra-se uma simples e modesta manjedoura. Neste novo local de oração pudemos e devemos adora-lO nesta manjedoura onde está permanentemente Jesus...Sacramentado.



10 de julho de 2014

21 maio 2014

"Heróis"

(foto retirada da net)


Até os "heróis" contemplam Deus e se inclinam perante o Altíssimo.

25 março 2014

Tempo


Quase a meio da existência
Humanamente possível
E por Deus admissível
Chega um momento
Uma altura e um tempo
Em que precisamos de parar

Parar para refletir
Sossegar e pensar
Sobre o nosso propósito existencial
A nossa ligação com os demais
Os afetos pessoais e familiares
Para condignamente prepararmo-nos

Prepararmo-nos para a vinda
Da Nova Jerusalém
No final da restante metade
Precisamos parar e escutar
Para ouvir o Seu mensageiro

…o Tempo.

20 março 2014

Santidade


A minha santidade anda pelas ruas da podridão amargurada. Por detrás de palavras bonitas e sentidas no momento, sou tentado a ir pela escuridão tenebrosa, mofosa e ardente, ao invés da Luz de Deus, que me ilumina constantemente o verdadeiro caminho, através das palavras bonitas e sentidas no momento.

Acredito que é pelo sopro do Espirito Santo, que as palavras que passo para o papel possam aquecer alguns corações ainda mais frios que o meu e não pela minha ignorância total dos desígnios de Deus. Sinto que, tal como a Beata Teresa de Calcutá, não sou nada nem ninguém, sou simplesmente um pequeno e rude lápis na Sua mão, com o qual ele escreve aquilo que deseja porque, se fossem apenas palavras minhas, seriam estéreis e inúteis, aumentando mais ainda a escuridão dos corações ainda mais frios que o meu.
A minha aparente santidade é tudo menos isso. Posso não ter pecados mortais, mas pecar por pensamentos, palavras, atos e omissões, não deixam de ser Pecados. Pecados que me marcam, magoam e ferem profundamente o meu coração, afastando-me cada vez mais da santidade humanamente possível. 

A Luz de Deus afasta-se gradualmente, ao contrário da escuridão, que se aproxima rapidamente, mas não é Ele o responsável, sou eu que não tenho forças humanamente suficientes e deixo-me seduzir, não pelo Bem perpétuo mas sim pelo Mal finito, muito mais envolvente e acessível do que Santa Maria Scala Coeli[1].

Sou responsável por um pequeno punhado de Homens que Te seguem como Te seguia a Tua e Nossa Mãe Maria Santíssima, no entanto, Meu Senhor e Meu Deus, os seus corações estão mais abrasados do que o meu, para Te encontrarem desta forma especial e peculiar que são as Romarias Quaresmais. Talvez por esse facto é que eu os seguirei e não ao contrário, talvez por isso é que eu serei o último depois do último, mas mesmo neste lugar, ainda serei privilegiado e sinto que não sou merecedor de tal privilégio, Meu Senhor e Meu Deus

A minha aparente santidade é tudo menos isso, é uma santidade marcada e manchada de uma impureza atroz, onde a Luz de Deus dificilmente entra e a escuridão está impregnada em todo o meu ser.

Termino este meu desabafo suplicante com uma pequena oração à Senhora de Guadalupe, minha medianeira:

Minha doce e terna Mãe
Só tu tens o poder
De engrandecer as súplicas
Da amargura da minha vida
E da aridez que muitas vezes sinto

Apenas tu e só tu
Transformas a minha amargura
E a aridez espinhosa
Em pequenas gotas de orvalho matinal
Na flor mais bela do nosso jardim

Minha terna e doce flor
Peço-te que recebes
As minhas fracas orações
Por vezes apenas faladas
Na ausência do coração

Só tu consegues embelezar
As palavras rudemente ditas
Dos pensamentos sentidos
Por este teu filho pecador
Junto a Teu Filho Nosso Senhor.


[1] Santa Maria Escada do Céu

11 março 2014

Oração



Nossa doce e terna Mãe

Só tu tens o poder

De engrandecer as súplicas

Da amargura das nossas vidas

E da aridez que muitas vezes sentimos

 

Apenas tu e só tu

Transformas as nossas amarguras

E a aridez espinhosa

Em pequenas gotas de orvalho matinal

Na flor mais bela do nosso jardim

 

Nossa terna e doce flor

Peço-te que recebes

As nossas fracas orações

Por vezes apenas faladas

Na ausência do coração

 

Só tu consegues embelezar

As palavras rudemente ditas

Dos pensamentos sentidos

Por estes teus filhos pecadores

Junto a Teu Filho Nosso Senhor.

 

11 de Março de 2014

18 fevereiro 2014

Carta de um filho a todos os pais

"Não me dês tudo o que te peço. Às vezes peço apenas para saber qual é o máximo que posso obter.
Não me grites. Respeito-te menos quando fazes isso; e ensinas-me a gritar também. E eu não quero fazê-lo.
Não me dês sempre ordens. Se em vez de dares ordens, às vezes me pedisses as coisas com um sorriso, eu faria tudo muito mais depressa e com gosto.
Cumpre as promessas, boas ou más. Se me prometeres um prémio, dá-o; mas faz o mesmo se for um castigo.
Não me compares com ninguém, especialmente com o meu irmão ou com a minha irmã. Se me fizeres sentir melhor que os outros, alguém irá sofrer; e se me fizeres sentir pior que os outros, serei eu a sofrer.
Não mudes tão frequentemente de opinião acerca daquilo que devo fazer. Decide, e depois mantém essa decisão.
Deixa-me desembaraçar sozinho. Se fizeres tudo por mim, eu nunca poderei aprender.
Não digas mentiras à minha frente, nem me peças que as diga por ti, mesmo que seja para te livrar de um sarilho. Fazes com que me sinta mal e perca a fé naquilo que me dizes.
Quando eu fizer alguma coisa mal, não me exijas que te diga a razão por que o fiz. Às vezes nem eu mesmo sei.
Quando estiveres errado em algo, admite-o e será melhor a opinião que eu terei de ti. Assim ensinar-me-ás a admitir os meus erros também.
Trata-me com a mesma amabilidade e cordialidade com que tratas os teus amigos. Lá por sermos família não quer dizer que não possamos ser também amigos.
Não me digas para fazer uma coisa que tu não fazes. Eu aprenderei aquilo que tu fizeres, ainda que não me digas para fazer o mesmo; mas nunca farei o que tu me aconselhas e não fazes.
Quando te contar um problema meu, não me digas «não tenho tempo para tolices», ou «isso não tem importância». Tenta compreender-me e ajudar-me.
E gosta de mim. E diz-me que gostas de mim. Agrada-me ouvir-te dizer isso, mesmo que tu não aches necessário dizê-lo.
(Marita Abraham)"