31 julho 2013

A caixa dos Brinquedos

Acontece, por vezes, que, à medida que os filhos crescem, desaparece das famílias a caixa dos brinquedos. As casas tornam-se (um pouco) mais ordenadas, aderem a uma rotina perfeita que durante anos não tiveram, numa respeitabilidade estável segura de si. Principia-se então uma estação de tréguas, sem as surpresas que desesperavam: a chuva de peças órfãs dos seus jogos, os bonecos a ressurgirem onde absolutamente não deviam, o inofensivo módulo encontrado pelo canalizador como única explicação para a monumental avaria. Primeiro respira-se de alívio, portanto. Mas depois, estranhamente, nem tanto. Pois há uma hora em que se percebe a falta que nos faz a caixa dos brinquedos. É nessa caixa que se encontram os símbolos, as brincadeiras; os risos distendidos, as férias em família, os aniversários, os jogos intermináveis à volta da mesa com velhos e novos contagiados pelo mesmo entusiasmo, a contemplação carinhosa sem nenhuma finalidade. É nessa caixa que estão as histórias disparatadas e sábias que contamos pela vida fora. Aí se conservam os odores, os registos, as palavras de uma canção que cantamos muitas vezes e depois esquecemos, a primeira bicicleta, os livros que nos ofereceram quando ainda não sabíamos ler, os cromos, o silêncio da intimidade, a viagem à aldeia, as conversas à janela voltados para a noite. Nessa caixa está a arte de fazer tempo, de perdê-lo para que se torne mais nosso, permitindo a imaginação, o sentido lúdico, a alegria A caixa dos brinquedos não serve para nada, e por isso dá-nos razões para viver. Lembro-me de um texto do teólogo Romano Guardini, intitulado "O espírito da liturgia", certamente um dos livros que mais me marcou. Repito sempre com gosto a sua tese: «Brincar diante de Deus, não criar, mas ser uma obra de arte, tal é a essência mais íntima da liturgia. A liturgia não pode ser compreendida senão por quem leva a sério a arte e o brinquedo». Se é assim com o cerimonial litúrgico, com maior razão deve ser com a vida quotidiana, com os seus tráficos e o seu labor. Temos de levar a sério a nossa caixa dos brinquedos. Não nos damos conta do empobrecimento que representa, mas muitos dos conflitos dolorosos que transportamos mais tarde, vida fora, tem aí a sua origem. Lembro-me de uma história que uma querida amiga me contou. O seu pai era juiz em Itália um homem severo e absorto, sem tempo a desperdiçar, sem grande vontade de levantar os olhos do seu importante mundo, ainda menos para escutar as minudências porque passavam os miúdos. Ela cresceu, formou-se e, durante os primeiros anos, chegou a trabalhar como secretária do pai. Essa proximidade em nada alterou o quadro que conhecia: continuavam dois estranhos, com uma relação puramente formal e um mundo submerso de coisas por dizer. Ela conta que um dia fizeram uma viagem de trabalho a uma das ilhas gregas. Foram de barco, e podemos imaginar os longos tempos de travessia. De madrugada, porém, sobressaltada, ela percebe que o pai está no seu camarote, a acordá-la. Fixa-o sem perceber bem o que se está a passar. E ele diz-lhe: «Vem ver o sol que está a nascer. É enorme, enorme. Vem depressa Vais gostar. Vem.» Muitos anos depois, o pai já tinha morrido, esta história tinha-se passado há décadas, a minha amiga confiava-me: «Se ele tivesse feito pelo menos mais uma coisa destas, pelo menos mais uma, eu ter-lhe-ia perdoado tudo.» A caixa dos brinquedos de cada um de nós deveria ser declarada património imaterial da humanidade. José Tolentino Mendonça In Expresso, 27.7.2013 30.07.13

18 julho 2013

Que faço eu aqui?


Por vezes dou-me a perguntar a mim mesmo “- Que faço eu aqui?”

Não que me sinta desagradecido por Deus ou que não sinta a Sua presença, no entanto, tantas vezes que me sinto impotente e os argumentos que utilizo para que as pessoas percebam que apenas quero o bem delas e aquilo que lhe digo não é para o seu mal, são levados como algo negativo, como o não querer que…

Não sou dono da verdade…só Ele, no entanto, na minha vida fui obrigado a crescer prematuramente e com esse crescimento tive que separar o trigo do joio. Não o fiz sozinho, tive a ajuda da minha mãe de coração e de Deus, sem dúvida alguma, e hoje…quando tento passar esse conhecimento, tantas vezes que é rejeitado e isso magoa-me por vir das pessoas que menos esperava, de pessoas muito chegadas.

Falo mas não me ouvem. Pergunto mas não me respondem. O silêncio por vezes é uma tentação, para não ter que falar apenas às estrelas.

- Que faço eu aqui? Estou apenas de passagem mas por vezes parece-me já longa demais.

09 julho 2013

O pequeno conto da fábrica de Terços

Há entre o céu e a terra, uma usina, onde anjos produzem terços em cadeia, sob o ritmo das orações do Pai Nosso e da Ave Maria, e tudo sob a benevolente direção do Arcanjo Gabriel. Ao término da confecção dos terços, estes são apresentados à Virgem Maria, que lhes atribui uma intenção, antes de serem enviados por toda a terra através de multidões de anjos, encarregados da postagem: os terços elaborados são terços de emergência. Semelhante a um tercinho comum, o terço celeste, qualificado como “de urgência” não difere daqueles que são fabricados aqui na terra, em relação à aparência; difere, sim, devido ao seu poder celestial de incentivo à oração. Assim, por todo o planeta, a qualquer hora do dia ou da noite, em qualquer lugar, em casa, na Igreja, no trabalho, na rua, nas profundezas de um campo enlameado, uma pessoa, à vista desse objeto familiar ou incongruente sentir-se-á quase que irresistivelmente impelida a orar intensamente, mas sem intenção específica, a não ser a que nos liga à Virgem Maria. Basta que, neste instante preciso, esta pessoa aceite fazer uma pausa na própria vida, dedicando um momento seu a esta oração, em benefício, por exemplo, de uma alma desconhecida, que esteja necessitando urgentemente de socorro, para que, imediatamente, seja acionada uma extensa operação de resgate celestial. É neste momento que ocorre a agitação entre os anjos socorristas, agitação que coordena, acompanha e antecede a Jesus. Pois, desde que Deus, o Pai, após ter criado o universo, decretou que nada mais aconteceria sem o homem, para que o céu intervenha, ele depende da boa vontade humana. Bem sabe disso o arcanjo Gabriel, que teve a honra e a missão de requerer a mais importante dessas autorizações junto à Virgem Maria, para que o próprio Filho de Deus pudesse intervir para salvar toda a humanidade. Autor Desconhecido Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois Vós entre as mulheres, bendito é o fruto de Vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

05 junho 2013

Um olhar ignorante



"O conhecimento mais divino e Deus é aquele que se dá através da ignorância"

(A Nuvem da ignorância, cap. 70, pág.96)

02 junho 2013

Gotas de orvalho

 
 
 
 
 
As gotas de orvalho matinais na obra criada por Deus são fascinantes. Ali, quase a caírem na terra para sustento da vida, mas ao mesmo tempo permanecendo por alguns intermináveis segundos num arredondado perfeito e girando como este mundo por Ele criado.
Por vezes procuramos incessantemente enormes obras divinas e de fácil observação, quando as mais pequenas mas também mais obvias estão aqui mesmo ao nosso lado, seja no nosso pequeno jardim ou num vaso de tamanho diminuto.
A natureza fascina-me pela simplicidade e humildade que nos demonstra todos os dias, se a olharmos com o olhar de uma criança. Se conseguirmos ter um olhar assim, vereemo-lO todas as manhãs e saberemos ao longo do dia que Ele está connosco, como SEMPRE.

30 maio 2013

Um olhar humano de Deus




Ele entregou-Se para remissão dos nossos pecados, mas o seu olhar, perto do derradeiro momento era profundamente humano, tão humano como qualquer um de nós, e nesse olhar mostrava-nos, não o olhar triste que nos parece há primeira vista mas sim, mostra-nos que apesar de tudo o que fez e disse, a maioria dos Homens de então, assim como os de hoje, ainda não O compreenderam verdadeiramente. Se tentarmos compreende-lO veremos no seu olhar, não essa aparente tristeza, mas sim o olhar de Deus que se fez homem, o olhar do Pai misericordioso para todos nós, seus filhos.

03 maio 2013

A Morte de São José



José morre... Ninguém disse como foi a sua morte...

Ele chegou silenciosamente; lutava sem glória;
ator silencioso de uma sublime história,
um dia, desapareceu, para nunca mais voltar.

Nós o vimos passar, no fundo da cena,
o Menino Deus, em seus passos, a Virgem perto dele;
ele aplainou, aperfeiçoou o dia;
e os anjos, à noite
informavam-lhe sobre as conspirações do ódio.

À partida de Jesus, seu papel terminava;
e então, sobre ele, o Evangelho silenciava.
Uma noite, ele teve de deixar sua plaina inútil
e, acamado, tinha Maria à cabeceira.

A noite descia, semelhante àquela noite distante,
quando o Anjo do Senhor veio despertá-lo para fugir...
O Anjo retornou, naquela noite, para ajudá-lo a morrer;
e José ouviu sua voz doce e serena.

O anjo dizia: “José, filho de Davi, sou eu,
novamente. Descanse em paz, porque o Menino e sua Mãe
nesta terra, não mais terão perigos a temer.
A partir de agora, eles poderão viver e morrer sem você.”
Mas José relutava em aceitar este adormecer.
Sem dúvida esperava por alguém que gostaria de rever,
pois tentava ouvir os rumores da estrada
e em seus olhos brilhava um vislumbre de esperança.

De repente, ele se levanta... Leves passos rompem o silêncio;
a porta da casa se abre sobre a noite
e Jesus, cruzando o limiar de sua infância,
se precipita até o leito do pai e se inclina sobre ele.

Quanto deve ter caminhado para chegar! A poeira
cobre seus pés nus e sublinha seus traços;
mas de seus olhos claros a luz emana
e dessa luz, os olhos de José se enchem para sempre ...

Maria sussurra: "És tu, meu Filho! "E o Anjo
se prostrou por terra. Jesus se inclina sobre o modesto leito,
abraça o pai; nenhuma palavra é trocada ente os dois.
Jesus entrega à morte seu primeiríssimo combate!

E na sombra, a morte, indefesa, se detém...
Mas o velho operário não esperava, que, assim, tão tarde, seu Filho lhe desse um coração jovem e forte: ele observa
o rosto divino e morre neste olhar.

Ah! Bem-aventurado aquele que, alma confiante,
após ter rezado, sofrido e trabalhado,
tenha, numa noite, se estendido de fadiga e de prolongada e espera
e depois, ao receber um beijo divino, tenha partido!...


Georges D'Aurac

03 abril 2013

A verdadeira Luz (3ª parte de 3)



Depois da morte veio a certeza da vida eterna na ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, o fogo novo que se acendeu nos nossos corações, a Luz nova que nos indica permanentemente o caminho para Deus, basta segui-lO.

Jesus naquele tempo disse “Eu sou a Luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a Luz da vida.”* Ontem como hoje, Ele repete-nos incessantemente essas palavras.

Não mais haverá noite, nem terão necessidade da luz da lâmpada, nem da luz do Sol, porque o Senhor Deus irradiará sobre eles a sua luz e serão reis pelos séculos dos séculos**. Como será bom um dia sentir a Luz de Deus irradiada sobre nós pelos séculos dos séculos.

Sintamos nas nossas almas o fogo novo de Cristo, a Luz nova que nos ilumina o caminho para Deus, basta segui-lO.



*João 8,12

**Apocalipse 22,5




Um livro


17 março 2013

Pensamento para estes dias que se avizinham

"Muito frequentemente me sinto como um pequeno lapis nas Mãos de Deus. Ele escreve, Ele pensa, Ele faz os movimentos. Eu só tenho que ser o lapis."
 
Discurso de Madre Teresa, Roma, 7 de março de 1979

26 fevereiro 2013

O Monge que queria ver Nossa Senhora

Um dia, prostrado diante da imagem abençoada de Nossa Senhora, um jovem clérigo disse a Maria, que tudo o que ele desejava na vida era vê-la, não mais como uma estátua imperfeita de pedra ou de madeira, mas como ela era na realidade:

– Meu filho, respondeu-lhe a imagem, eu não anuncio a ninguém a hora da sua morte, pois seus dias não me pertencem: eles pertencem a Meu Filho. Mas se você insiste tanto em me ver, saiba que ninguém no mundo obteve este favor, sem que logo depois tenha perdido a vida.

– Ah! Gritou o clérigo no auge da felicidade, em troca de tal presente, quem não consentiria em perder a luz de seus olhos!
Mas, como alguém que crê estar perdido nas profundezas do firmamento ainda está preso às coisas da terra por um vínculo, por mais frágil e fino que seja, enquanto proferia estas palavras com entusiasmo, nosso clérigo, que não estava tão desapegado do mundo como pensava, com uma das mãos cobriu um dos olhos, e com o olho que ficara aberto, observou. O que ele viu, então, não existem palavras para contar. A Rainha da Glória apareceu para ele, em seu manto de belas noites, semeado de planetas e estrelas, no meio da sua Corte Celeste e de seus Anjos músicos. Mas a visão durou apenas o tempo de um relâmpago, deixando o jovem monge deslumbrado e mais infeliz do que antes, pois, pelo fato de ter visto Nossa Senhora uma vez, mais sequioso em revê-la ficou.

Felizmente, ele pôde contar com o olho que fora preservado, sob a sua mão:

– Rainha da Beleza, gritou o monge, que eu perca meu segundo olho, mas que eu a veja pela segunda vez!

– Olha para mim agora, novamente, se a minha presença lhe é tão deleitável, respondeu a imagem.

E o que ele viu, com o olho saudável, foi uma pobre mulher, exatamente como a que vemos pelas estradas, e que tinha no rosto tanta dor e tanta tristeza que as palavras não conseguem definir. Em seguida, a visão desapareceu mais uma vez, deixando o clérigo completamente cego, mergulhado nas trevas mais profundas.

– Rainha da Misericórdia, disse ele então, perdoe-me por lhe ter enganado, tapando um dos meus olhos, mas assim pude vê-la, mais bela ainda, se isto é possível, tanto na sua humildade quanto no seu esplendor!
A imagem, então, respondeu:

– Seja perdoado, bom e doce amigo, pelo seu ardil inocente. E por me ter tanto amado, retome o que eu lhe tinha tomado.


Jérôme e Jean Tharaud

Contos da Virgem

Plon, 1940.

(retirado de um minuto com Maria de hoje)





31 janeiro 2013

"...assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido"



Lendo assim, à primeira vista cria-nos a impressão que Deus apenas perdoaria as nossas ofensas na medida em que perdoamos a quem nos tem ofendido, no entanto, não sendo esta uma sociedade de homens e mulheres perfeitos, isto é, sem erros ou faltas, essa é a nossa maneira de pensar e não a D`Ele. Por vezes parece-se que ainda agimos “olho por olho, dente por dente, ferida por ferida[1]. Seguramente não tem que ser esse o caminho de um cristão e não é esse o caminho que Ele nos indica. O caminho que devemos seguir deverá ser o do perdão e devemos ter a coragem de saber perdoar.
São Mateus, varias vezes no seu evangelho, recorda-nos a relação que existe entre o perdão que Deus nos oferece gratuitamente e o perdão que devemos oferecer aos irmãos sem contrapartidas.
Na minha maneira de pensar (sujeito a falhas) sinto que é mais corajoso aquele que perdoa do que aquele que se vinga, no entanto, inúmeras vezes somos levados a pensar que perdoar alguém é um gesto de cobardia e recusamos o perdão aos nossos irmãos.
Recusamos o perdão aos irmãos mas queremos que Ele nos perdoe. Recusamos a misericórdia mas queremos que Deus tenha misericórdia de nós.
Deus mostra-nos que o Seu coração não tem fim e que nos perdoa sempre. Não existe nenhuma falta que o amor de Deus não nos perdoe, no entanto, queremos ser perdoados mas não queremos perdoar.
Se não somos capazes de perdoar os irmãos é porque, pouco ou nada sabemos da misericórdia D`Ele e ainda não vivenciamos totalmente o perdão de Deus, “perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido
Termino com uma passagem bíblica, a qual deveríamos pensar nela frequentemente:
Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhe perdoou.”[2]



[1] EX 21,24
[2] Carta aos Colossenses 3-13

28 janeiro 2013

Natureza


A Deus nada é impossivel, até das pedras a natureza germinará quando Ele nos quer transmitir alguam coisa para a nossa salvação.

06 janeiro 2013

A Verdadeira Luz (2ª parte de 3)


(1ª parte)

 
Neste dia em que as Sagradas escrituras nos revelam que os reis magos foram adorar o Deus menino e oferecer-Lhe os seus presentes, não nos esqueçamos que a estrela que tinham visto no Oriente ia adiante deles, até que, chegando ao lugar onde estava o menino, parou[1], era a verdadeira estrela, e não aquela estrela que a maioria de nós poe no cimo da árvore de Natal, ainda que esta, em termos simbólicos, de certa forma represente a estrela que lá no Alto indicava-lhes o caminho.
Eles eram reis mas naquele momento prostraram-se diante do Único e Verdadeiro Rei que é Cristo e abrindo os seus cofres ofereceram-Lhe os presentes, ouro, incenso e mirra[2] sendo que estes presentes e em termos interpretativos, naquele tempo o ouro era oferecido aos reis, o incesso aos sacerdotes e a mirra aos profetas. Cristo representava, representa e continuará sempre a representar essas três ofertas. Nós todos também, como filhos de Deus, somos convidados a ser reis, sacerdotes e profetas.
Neste dia em que as Sagradas escrituras nos revelam que os reis magos foram adorar o Deus menino e oferecer-Lhe os seus presentes, não nos esqueçamos também, mais que os presentes habituais oferecidos nesta altura ou na noite de Natal, consoante as tradições ou a região, sintamos a imensa alegria que os reis magos sentiram[3], ao contemplarmos a Verdadeira Luz emanada pela Verdadeira Estrela que é Jesus, e não aquela luz artificial, por vezes colorida com que embrulhamos muitas vezes a árvore de Natal ou aquela estrela que no cimo da mesma colocamos.


[1] Mt 2-9
[2] Mt 2- 11
[3] Mt 2-10

17 dezembro 2012

Deus Olha por nós

Quantas vezes não desejamos que Deus fosse mais controlador e vigilante dos nossos atos, qual câmara de segurança que nos olha cegamente e segue todos os passos ao seu alcance, para que não saíssemos do caminho certo, do único caminho que nos leva a Ele?

Deus não pensa como nós e desse modo diferente de pensar, Ele dá-nos a total liberdade de O seguir ou não. Dá-nos toda a liberdade de fazermos aquilo que bem nos entender, mesmo que esses atos sejam contra Ele ou em última instância, contra nós mesmos e contra a nossa salvação.

No entanto, sinto que Deus continua a Olhar por nós constantemente, mesmo sem interferir diretamente nos nossos atos, continua a querer que todos nós, Seus filhos, obtenhamos a salvação no fim dos tempos. Para tal, mandou-nos o Seu filho, para nos dizer que a salvação é possível, basta agir como Jesus disse, então, aos discípulos: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.» *

Fixemo-nos então, na Sua cruz e no grandioso mistério da ressurreição que ela encerra e peçamos a Deus que não nos afaste da Sua presença, e nem nos prive do Seu santo Espírito. **

*São Mateus 16 - 24

**Salmos 51-13


13 dezembro 2012

A Verdadeira Luz (1ª parte de 3)



Nesta época onde, ano após ano, celebramos o nascimento de Jesus e tudo o que está implícito ao facto de Deus se Ter reduzido à pequenez humana para nos salvar, tentemos, com muita Fé e Esperança, contemplar mais a Verdadeira Luz que é emanada do Salvador, do que as fugazes luzes das montras e caminhos.

A Verdadeira Luz por vezes pode parecer dura, sem cor e quase inóspita, no entanto, a iluminação que a sociedade nos quer fazer crer ser a verdadeira, não passa de uma miragem ou de uma desfocagem do que realmente é mais que essa iluminação. A Verdadeira Luz não é visível nem tão pouco nos faz fechar os olhos perante a Sua intensidade, a Verdadeira Luz sente-se com os olhos, os ouvidos,
a boca, o coração e inteiramente todo o nosso ser.

23 novembro 2012

Cartuxos (um oásis no meio do deserto) VI

 
 

Há algum tempo atrás numa superfície comercial aqui na ilha, cruzei-me com um irmão romeiro, que me apelidou de irmão cartuxo. Confesso que pequei um pouco, por ter levado aquela observação como um elogio, tendo em conta o sentimento que nutro por essa ordem religiosa. Na verdade e parafraseando São João Baptista, se ele não se sentia digno de Lhe desatar a correia das sandálias[1], que direi eu sobre eles, perante os quais, mais do ser um eterno pecador, falta-me a simplicidade e a humildade que eles possuem, entre outras atitudes essências e fundamentais como Cristão.

Depois de outras palavras trocadas com o irmão romeiro, este terminou o seu raciocínio dizendo que “as ordens contemplativas são “o pulmão, as raízes e as fundações da Igreja". Um raciocínio certo e verdadeiro.

Depois de ter utilizado as primícias descritas no Scala Claustralium[2], isto é, depois da leitura cuidada, a meditação possível sobre estas palavras, oração ao Pai para que me iluminasse e alguma contemplação, dentro dos meus parcos conhecimentos, deparei-me com imagens profundas e ricas (dentro do espirito e vivência das ordens contemplativas), as quais passo a explicar:

- Qualquer uma das três palavras refere-se a existências não visíveis aos olhos dos comuns mortais. Todas estas existências encontram-se no interior de algo, seja no corpo humano, debaixo da terra ou por baixo das paredes que sentimos, tocamos ou vemos.

- Depois da imagem acima descrita, deparei-me com mais uma. Apesar de não serem visíveis, todas elas são o fundamental para a existência do que suportam. O ser humano não vive sem os pulmões, porque sem eles não respirava, assim a sua existência estaria em causa. As árvores, por muito belas, frondosas, com ou sem flores ou frutos e por muito altas que possam ser, não existiriam se não tivessem raízes. As igrejas, por muito arrebatadores que possam ser, por muitos milagres que tenham presenciado e por muitos crentes fervorosos de fé em oração que possam conter, não existiriam sem fundações.

- Uma terceira imagem ocorreu-me há dias. Talvez mais suscetível de discussão fraterna, talvez uma imagem exacerbada de um coração impuro e alma pecaminosa, mas sempre no intuito de não me afastar de Deus, tendo Maria como mediadora. “Separados de todos, estando unidos a todos já que é em nome de todos que se mantem na presença do Deus vivo”[3] oram incessantemente por nós. Assim como os pulmões transformam o dióxido de carbono em oxigénio, também as suas orações seguramente transformarão as nossas ações manchadas de pecados em virtudes. No que respeita às raízes, são elas que dão a força, o vigor e a energia às árvores. São também elas que levam os elementos vitais ao corpo que as suporta e que sem elas não seriam nada, sem elas também não conseguiam suster-se de pé e apontar-nos o caminho para o Altíssimo, tal como aqueles e aquelas que, sobretudo através do seu silêncio e solidão fecundos, unem a sua alma ao Verbo de Deus, a esposa ao Esposo, a terra ao céu, o humano ao divino[4], por Cristo, que é o Caminho, a Verdade e a Vida[5]. As fundações da Igreja, mais do que pedras, somos todos nós as pedras vivas[6] da Igreja, mas mais do que nós, a vida contemplativa é o combustível para alimentar e revigorar os membros do imenso corpo que é Cristo, muitas vezes cansados e abatidos, restituindo-lhes a vitalidade e a frescura que precisam para continuarem a edificar[7] o Reino de Deus no mundo.

Quase a terminar sinto que todas as ordens contemplativas são como pedra angular[8] e todas elas nesta sociedade em que vivemos e estão inseridas, cada vez mais são tidas como ultrapassadas, cada vez mais rejeitadas[9].

Termino com um pensamento profundo de Henri Antoine Groués, mais conhecido como Abbé Pierre sobre os contemplativos:


“Os contemplativos podem parecer inúteis. Na realidade, nos momentos mais dramáticos da vida espiritual interior ou coletiva do mundo inteiro são como glaciares. Nada neles é inerte. Tudo estala por todos os lados. Não cessa a vida. É debaixo do glaciar que jorram as torrentes que fazem os nossos rios e as nossas águas mais puras. Elas são o sal da terra... Nós somos sopa... E a sopa, sem sal, não presta...”



[1] São João 1-27
[2] http://www.4shared.com/office/gzoLkjr9/SCALA_CLAUSTRALIUM.html
[3] Estatutos da Ordem 34.02
[4] Estatutos da Ordem 4.1
[5] São João 14,6
[6] 1Pedro 2,5
[7] São Mateus 7,24-25 e São Lucas 6,47-48
[8] Isaías 28-16
[9] São Mateus 21-42/São Marcos 12-10/São Lucas 20-17


13 setembro 2012

Cartuxos (um oásis no meio do deserto) V



O rito cartuxo*

“A Ordem Cartusiana, ou Ordem Cartuxa, fundada por São Bruno, é uma das mais rigorosas da Igreja, e muitos santos e beatos saíram de seus silenciosos claustros.
Nem todos sabem, por conta do sacro mistério que envolve esse instituto religioso tão importante para a nossa vida espiritual, mas os cartuxos possuem um rito próprio para a celebração de sua liturgia. O chamado rito cartuxo difere, pois, do romano, quer em sua forma ordinária, quer na extraordinária - que com ele convivia nos primórdios da Ordem.
Basicamente, o rito cartuxo é um desenvolvimento do antigo rito lionês, praticado na região francesa onde a primeira Cartuxa - assim se chamam seus mosteiros - se instaurou.
Alguns aspetos desse rito, diferenciando-o do rito romano, serão por nós abordados no presente e despretensioso artigo, que publicamos nesta semana em que celebramos a memória de São Bruno, fundador da Ordem.
A Missa conventual é sempre cantada. Antes da mesma, como que formando parte do rito, há uma adoração do Santíssimo Sacramento, diante do qual se canta a Ladainha de Todos os Santos, incluindo o nome do fundador, São Bruno. Essa adoração se faz sem ostensório, dado que é um objeto desconhecido da liturgia cartusiana.
Durante a Missa, mesmo a cantada e conventual, não há acólitos. Não há, como no rito romano tradicional, três tipos básicos - rezada (simples), cantada e solene -, e sim apenas a privada (rezada, simples), e a conventual (que é sempre cantada e solene). Na Missa cantada, solene, conventual, o sacerdote celebrante é ajudado por um diácono, mas sem subdiácono e, como dissemos, sem acólitos. A simplicidade é marca da Ordem e se reflete também na liturgia. Não é uma Missa para o fausto e o esplendor, ainda que eles sejam legítimos, e isso porque suas igrejas são fechadas. Ninguém penetra na solidão da Cartuxa, nem para assistir Missa. O Santo Sacrifício é parte de seu silêncio, de sua espiritualidade, misto de cenóbio e eremitério...
Pois bem, nessa Missa conventual, com diácono, há diferenças para com o rito romano. O diácono, por exemplo, não usa dalmática nem alva, cíngulo ou amito. Ele está trajado somente com o hábito religioso cartuxo e uma túnica, sem qualquer paramento. Quando vai cantar o Evangelho, o diácono põe uma estola por cima de seu hábito, retirando-a depois dessa cerimônia. É uma tradição curiosa, bastante distinta de nossa liturgia romana a que estamos acostumados. No Ofertório, sem a estola, o diácono, por cima do hábito, veste uma espécie de véu umeral menor, chamado de syndon. Ele não coloca o vinho no Cálice no Ofertório, nem o padre o faz, pois já foi feito no início da Missa, como no rito dominicano e em ritos orientais. Ademais, no Ofertório, as oblatas do pão e do vinho são cobertas com um corporal: não há pala sobre o cálice, mas um corporal.
O diácono só entra no presbitério quando for desempenhar suas funções. Fora disso, permanece no coro.
O subdiácono também não fica no presbitério, permanecendo no coro, de cujo meio, sem qualquer paramento, revestindo-se apenas do hábito, canta a Epístola. Aliás, a igreja cartuxa tem apenas coro e presbitério, sem nave, pois não há fiéis que não os monges.
Nas leituras, aliás, em certas festas, os cartuxos utilizam três leituras, como no rito romano moderno. Aliás, também como no rito moderno, o cartusiano termina com o "Ite, Missa est", e não como, no rito tridentino, com a bênção. Isso parece demonstrar o costume medieval, antes da codificação de São Pio V, e que foi retomado, sabiamente, pela comissão pós-conciliar que reformou a liturgia romana.
Durante a Comunhão, os monges recebem a Sagrada Eucaristia exclusivamente consagrada naquela Missa a que assistem. A reserva eucarística no tabernáculo, que contém apenas três hóstias pequenas, é para adoração e para os monges enfermos que não podem assistir Missa conventual. Desse modo, nunca se usam, para a Comunhão na Missa, as hóstias da reserva. Os monges comungam na boca, mas permanecem de pé. Como também estão de pé durante a Consagração.
É comum a postura do celebrante in modum Crucifixi, como forma de salientar o caráter sacrifical da Missa, como na imagem a seguir, atual e bem representativa do despojamento da liturgia cartuxa:
Durante a Missa, o sacerdote celebrante usa, por cima de seu hábito, o amito, a alva, o cíngulo, o manípulo, a estola, que nunca é cruzada - no que difere da forma extraordinária do rito romano -, e a casula. Quando está na sede (cadeira), usa um gremial. A vestição dos paramentos é feita diante do altar e não em uma sacristia, no que aproxima a Missa conventual cartuxa da Missa pontifical romana.
Os beijos cerimoniais são distintos de ambas as formas do rito romano: o padre beija o altar apenas no início e no fim da Missa, bem como no Credo cantado - na parte "Et homo factus est" -, no Supplices, e antes de beijar o instrumentum pacis, caso o Abraço da Paz seja distribuído entre os monges. Também se beija o Evangeliário, depois de cantar o Evangelho e, ao contrário do rito tridentino, isso se dá mesmo nas Missas de Réquiem.
O Asperges, feito aos Domingos, como no rito romano, é cantado não depois da Tércia e antes da Missa, mas antes mesmo da Tércia. Daí que a Missa conventual diária tem, como preparação, a adoração ao Santíssimo, a ladainha, a Tércia e a vestição; e a Missa conventual dominical, a adoração ao Santíssimo, a ladainha, a vestição, o Asperges e a Tércia.
O canto gregoriano cartuxo é bem menos elaborado, em suas melodias, do que o romano e beneditino. Para o Kyrie, por exemplo, há apenas três melodias, e para o Gloria somente duas. Falando em Gloria, uma das frases está invertida, sem tomarmos por referência o rito romano: em vez de "propter magnam gloriam tuam", o rito cartuxo traz "propter gloriam tuam magnam".
O Confiteor é cantado em reto tom, ao contrário do rito romano tradicional, em que é recitado - mas parecido com o rito romano moderno, em que pode ser cantado, semelhantemente à Missa Pontifical em qualquer das formas. Em vez de "mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa", o texto do Confiteor cartusiano dispõe, e apenas uma vez, "mea culpa per superbiam". Após o Confiteor, como parte das Orações ao Pé do Altar, o sacerdote reza um Pater Noster e uma Ave-maria.
A duplicidade de orações na Missa cantada (enquanto o coro, diácono ou subdiácono cantam uma parte, o sacerdote rezaria a mesma parte em vox submissa), característica das rubricas tradicionais do rito romano, inexiste na liturgia cartusiana.
Há diferenças, enfim, no Calendário Litúrgico, nos Próprios e suas antífonas, no Lecionário, nos sinais-da-cruz durante a Missa, e também na Liturgia das Horas. Desta última, a mais característica, é que cada Ofício é rezado duas vezes: uma conforme o dia, e outra, em seguida, tirada do Ofício da Bem-aventurada Virgem Maria. Assim, há duas Laudes, duas Vésperas, duas Completas etc. Ademais, os textos do Próprio, do Saltério e do Ordinário da Liturgia das Horas são diferentes do disposto no Breviário Romano.
Outra distinção, própria do rito, é que nas profissões religiosas solenes das monjas cartuxas, elas são revestidas de estola e de manípulo.
No jubileu monástico, a religiosa cartuxa voltará a usar esses paramentos, bem como quando for velada e enterrada. Alguns vêem nessa prática um resquício da antiga cerimônia de instituição de diaconisas - as quais, entretanto, não recebiam o sacramento da Ordem, sendo antepassadas das religiosas de vida ativa.
Após a Missa, o sacerdote celebrante se prostra diante do altar, e faz sua ação de graças desse modo, durante quinze minutos. São quinze minutos de prostração, com um significado penitencial profundíssimo.
Ainda na questão dos paramentos, o pluvial é desconhecido dos cartuxos.
Enfim, quem quiser, pode ler o texto, em latim, do Ordo Missae cartuxo, que pode ser baixado, em formato Word, aqui .
A Missa privada é celebrada, por cada padre, após ter assistido a Missa conventual, e é sempre combinada com a hora canônica de Tércia.
Cabe lembrar que, após a reforma de Paulo VI em relação ao rito romano, o rito cartuxo também foi levemente modificado, a partir de 1981. As três novas Orações Eucarísticas, por exemplo, podem hoje ser usadas pelos cartuxos, porém apenas nas Missas "privadas", i.e., celebradas pelos padres do mosteiro com a presença de apenas um assistente ou sem ninguém. A Missa conventual diária, celebrada normalmente pelo prior, continua a usar apenas o Cânon Romano tradicional. Outra pequena modificação, após o Vaticano II, foi a introdução de novos santos e festas no calendário. A palavra "omissione" foi acrescida no Confiteor, como no rito romano moderno.”

*Texto da autoria de Rafael Vitola Brokdbeck transcrito de http://www.salvemaliturgia.com/2010/10/o-rito-cartuxo.html

26 junho 2012

Alma Mater


Aqui fica o link para este excelente cd de 2009. Ouvi-lo em todas as situações...se possivel.

08 junho 2012

A porta estreita



(Lc 13,23-24) - 13«Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que seguem por ele. 14Como é estreita a porta e quão apertado é o caminho que conduz à vida, e como são poucos os que o encontram!»






05 junho 2012

Procuro...




Estes 3 livros, mas em suporte digital. Obrigado a quem possa tê-los e tenha a delicadeza de me os enviar.

31 maio 2012

Cartuxos (um oásis no meio do deserto) IV



Na oitava da purificação

“Contemplemos na Purificação a festa do sacerdócio da Santíssima Virgem.
Em 1º lugar debrucemo-nos sobre o que conhecemos pela Escritura acerca dos gestos de Maria nesse dia. Chega diante do Templo uma jovem mãe trazendo envolta nos véus o Menino Jesus. José acompanha-a, levando duas rolas numa gaiola e cinco moedas de prata numa bolsa. Entrega uma rola ao sacerdote que é aspergida com água lustral. Depois sobe mais alguns degraus e oferece as cinco moedas e outra rola. Finalmente entra no Templo, e ei-la na presença do Pai para quem ela estende o seu filho – o Filho de Deus e seu filho também. E, nesse pequeno ser, ela sabe que está contida toda a humanidade: todos os esforços, todos os sofrimentos, todas as alegrias dos cristãos, estão já no coração de Jesus, e Maria oferece ao Pai todos os filhos que virá a ter. Pensa nisso, seguramente, e sabe que este seu gesto tem um alcance e um valor infinitos. Nesse minuto, já ela nos amava no seu coração virginal e nos oferecia ao Pai.
Toda a nossa vida deve consistir em nos preparamos para sermos oferecidos deste modo. Todas as nossas ações e pensamentos devem ser tais que a Virgem Santa os possa apresentar a Deus.
A primeira condição é levar uma vida pura e reta. A segunda exigência é a solidão do coração. O nosso coração é um templo maior que o de Jerusalém. Devemos estar neste templo a sós com Deus e com a Virgem Santa; porque a virgem não perturba a solidão com Deus; ao contrário, assegura-a. É preciso que reine um grande silêncio e uma grande paz, sobretudo, que se evitem discussões. Se fizermos juízos sobre os nossos irmãos, se interiormente estivermos ocupados em queixarmo-nos, em comparar situações e pessoas, então o templo do nosso coração não estará tranquilo. Não só o nosso coração não deve estar ocupado por preocupações estranhas, como é preciso que o não esteja inclusivamente pelas próprias. Devemos lamentar os nossos pecados sim, mas sobretudo fazer o possível por sermos cada vez melhores. É em Deus que devemos pensar e não em nós mesmos. Enquanto nos inquietarmos por coisas supérfluas, Maria não poderá exercer em nós o seu sacerdócio virginal. A terceira condição é estar perto do abandono, condição para que a alma se torne oferenda a Deus nas mãos de Maria. Devemos fazer-lhe o dom dos nossos cuidados, entregar-lhe a solução de todos os casos, devemos atingir a despreocupação de criança. O Evangelho intima-nos a isso com tanta insistência que faz parecer tímidas todas as palavras humanas a este respeito. Pedro, no capítulo V da sua primeira Epistola, sintetiza-as num preceito: Lançai todos os vossos cuidados em Deus.
Ponhamo-nos de olhos fechados entre as mãos da Virgem Santíssima para que ela cuide de nós e nos ofereça a Deus. Nenhum juízo deve ser feito sobre as perfeições dos nossos irmãos, isso é outra coisa que será bom abandonarmos a Maria. Àquele que se abandona deste modo, posso garantir que a Virgem não tardará em tomá-lo nos seus braços e em o elevar até ao Pai… Toda a arte de passar deste mundo para Deus se resume em fechar os olhos e entregar o leme a Maria.
As três condições do sacrifício mariano andam sempre juntas e são inseparáveis por natureza. Ao agirmos assim, Ela então pegar-nos-á e cada uma das nossas ações oferecidas por ela ao Pai terá um valor infinito. Já não há pequenas coisas, tudo é imenso porque está nas mãos de Maria. Para uma alma assim, o que poderá parecer uma montanha não passará de um incidente insignificante. Um filho de Maria mal dá por aquilo que possam dizer ou pensar sobre si, não lhe interessa. Conserva os olhos fechados, e com a mão na mão de sua mãe, deixa-se conduzir até onde lhe aprouver. E como ela nos ergue imediatamente nos seus braços, já nem vê aquilo que aos outros parecia terrível.
Quão doce é sentirmo-nos abandonados entre mãos tão puras…mãos que têm ainda o poder de nos purificar. Maria não precisa ser purificada, mas precisamos nós, para receber Jesus, a luz do Pai. Com efeito, só um cristal puro deixa passar a claridade. Maria foi ao templo, não por ela mesmo, mas no nosso lugar, no nosso nome, para nos comunicar a sua pureza virginal a fim de podermos receber Jesus. Eis a razão por que se viu a Imaculada ajoelhar humildemente nos degraus do tempo. É possível que tenha hesitado ou mesmo sabido que talvez esta água aspergida sobre ela não lhe fosse destinada, mas que ela se espalharia sobre toda a humanidade, prostrada na sombra, sequiosa de perdão… Com isto quis comunicar-nos um pouco da sua graça ao fazer jorrar sobre nós as ondas do seu coração imaculado.
Por fim ergue-nos nos seus braços e eis-nos faca e face com o Pai. Este “face a face” é a forma mais sublime da vida interior. Paulo definiu o céu da seguinte maneira: Já não o vemos no espelho das coisas mas face a face.
Quando vivemos debaixo do seu olhar, tudo o que fazemos é iluminado, tudo se torna mais claro e transparente, mas quando nos deparamos com pensamentos menos dignos, uma nuvem se estende; já não estamos sob o olhar de Deus. A Escritura usa muitas vezes esta expressão: Ambulavit coran Deo: andou na presença do Altíssimo, para fazer vincar o valor e o brilho doce de uma vida dedicada a Deus.
Mas nós também o olhamos: Ele revela-nos a sua verdadeira face – a do amor. Já não temos medo, já não somos obrigados a desviar os nossos olhos, como fazíamos antes de Maria nos ter purificado do medo e de nos ter enchido de confiança. Vemos Deus face a face. Os olhares de Deus e da alma cruzam-se, fundindo-se na unidade eterna.”


Excerto adaptado do Livro “Silêncio com Deus” por um Cartuxo (paginas 135 a 142)
31 de maio de 2012




28 maio 2012

Flor



A vida poderá ser assim, espinhosa e sem muita cor, no entanto, se almejamos Deus, no fim a flor desabrochará para a nossa alma.

15 maio 2012

Olhar




Por momentos o meu olhar cruzou com o Teu. Nesse breve cruzamento de olhar senti a Tua Paixão por todos nós. Nesse Teu olhar, algumas gotas de orvalho caíram pelo meu rosto.

11 maio 2012

Algo de bom irá acontecer


Domingo, 13 de maio de 2012. Um domingo como tantos outros e dia 13, como todos os meses, não fosse este dia O dia em que Nossa Senhora (na Cova da Iria) apareceu aos 3 pastorinhos (Lucia, Francisco e Jacinta).

 
Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Na bíblia sagrada constatamos que Maria, Sua e nossa mãe seguia quase sempre o seu filho, inclusive na derradeira hora. Neste domingo, 13 de maio de 2012, acontecerá o contrário, diria eu. Nossa Senhora (re) aparecerá aos três pastorinhos novamente, pastorinhos que, diria eu, somos todos nós um pouco, mas também, enquanto ela nos fala ao coração, o Seu filho “Senhor Santo Cristo” sairá às ruas, no coração de cada açoriano, disperso pelo mundo, mas também no coração de todos aqueles que O seguem. Este ano, Ele encontra-se com ela, melhor dizendo, Ele vai ao encontro dela, em todos nós que O seguimos como ela O seguia, em silêncio e oração.


Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Domingo, 13 de maio de 2012, sem dúvida alguma, uma data memorável e sinto que algo de bom nascerá este dia.


Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Imagem retirada daqui

10 maio 2012

O 4º Rei Mago



Vale a pena tirar um pouco de tempo e ver este fabuloso filme. A história de um 4ª rei Mago. Verdade ou apenas ficção, é uma alegoria ao que todos nós cristãos deviamos ser e fazer.

Para verem convenientemente, na barra lateral direita, façam pausa na musica de fundo do blog.

08 maio 2012

O Elogio do silêncio

"Quando penso no contributo que a experiência religiosa pode dar num futuro próximo à cultura, ao tempo e ao modo da existência humana, penso que mais até do que a palavra será a partilha desse património imenso que é o silêncio. Já a bíblica narrativa de Babel ponha a nu os limites do impulso totalitário da palavra. Mesmo que construamos a palavra como uma torre, temos de aceitar que ela não só não toca cabalmente o mistério dos céus, como muitas vezes nos incapacita para a comunicação e a compreensão terrenas. Precisamos do auxílio de outra ciência, a do silêncio. Já Isaac de Nínive, lá pelos finais do século VII, ensinava: «A palavra é o órgão do mundo presente. O silêncio é o mistério do mundo que está a chegar».

Na diversidade das tradições religiosas e espirituais da humanidade, o silêncio é um traço de união extraordinariamente fecundo. Na tradição muçulmana, por exemplo, o centésimo Nome de Deus é o nome inefável que não pode ser rezado senão no silêncio. Os místicos não se cansaram de explorar essa via. Veja-se o persa Rûmi (1207-1247) que aconselha ao seu discípulo: «Àquele que conhece Deus faltam-lhe as palavras». Noutra geografia temos a anotação espiritual de Lao-Tsé, «o som mais forte é o silencioso», ou a de Bashô, «silêncio/ uma rã mergulha/ dentro de si», ou a de Eléazar Rokéah de Worms, cabalista judeu que afirmava: «Deus é silêncio».

Também a Bíblia coteja minuciosamente o silêncio de Deus. E este nem sempre é um silêncio fácil, mesmo se somos chamados a acreditar na verdade do dístico que nos oferece o Livro das Lamentações: «É bom esperar em silêncio a salvação de Deus». O silêncio de Deus fustiga os salmistas: «Ó Deus, não fiques em silêncio; não fiques mudo nem impassível!» (83,2); leva Job a erguer-se numa destemida teologia de protesto; e faz o inconformado profeta Habacuc dizer: «Tu contemplas tudo em silêncio» (Hab 1, 13). O silêncio do Pai será particularmente enigmático na agonia no Getsémani e na experiência da Cruz, onde Jesus lança o grito: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?». Contemplamos neste grito o mistério de Deus e o do Homem no mais devastador silêncio que o mundo conheceu. Contudo, é no lancinante silêncio que sucede ao seu grito que reside a revelação pascal de Deus.

José Tolentino Mendonça

© SNPC
07.05.12 "

Excelente artigo retirado daqui