"Descobri" por mero acaso e...fiquei como que apaixonado
Local onde de quando em vez, qual confessionário, deixarei algumas pegadas dos meus pensamentos Cristãos
05 julho 2010
28 junho 2010
16 junho 2010
A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR, MAS O HOMEM É DE DEUS
"“A César o que é de César, a Deus o que é de Deus”.
As doutrinas que no último século postularam o homem sem Deus porque tudo se reduzia a matéria, com o virar do século XX pareciam caducas e sem grande acolhimento. O muro de Berlim caiu e a pátria do materialismo desmoronou-se. Os partidos de inspiração socialista passaram a admitir a propriedade privada, o mercado e o pluralismo democrático. Por isso se tem perguntado – que bandeiras têm hoje? E apenas temos vistos as questões de civilização ou fracturantes – o aborto, a eutanásia, o divórcio, o casamento gay, “educação” sexual, liberalização das drogas, experimentação em embriões humanos, eugenismos vários, etc., etc..
Mas esta agenda não é só desse sector político, já invadiu a política do centro direita, os meios intelectuais mais diversos, as nossas famílias e até alguns sectores religiosos. O relativismo é o factor de propagação.
Cada vez que uma lei é aprovada perguntamo-nos – mas porquê esta agenda? Porque se destrói o casamento com a lei do divórcio, e logo após se quer o “casamento gay”? Parece contraditório, mas não é.
Há duas formas de acabar com um Instituto (Família) – a primeira é revogá-lo (mas decretar o fim da família era chocante), e os regimes socialistas do século XX tentaram mas caíram primeiro que a Família; a segunda forma de acabar com um Instituto (Família) é equipará-lo a tantas realidades meramente semelhantes que se retira a sua especificidade, e por isso caduca. É o que está a acontecer com o casamento e com a família. A Família e o casamento estão a ser minados pelas leis, pela organização social e pelas formas de vida propostas pelo Poder.
A Família é o primeiro lugar de Amor do homem. E Deus é Amor. Por isso, Deus manifesta-se em primeiro lugar na Família, porque ela é o lugar do amor. Acabar com a Família é tirar Deus ao Homem. A família é também o primeiro lugar de solidariedade. O homem sem família é vulnerável ao Poder.
Tudo isto poderia ser uma doutrina de livros e compêndios, mas não o é. Vive-se. Vive-se na solidão de cada idoso, na dor da mulher que abortou, no desespero da família de um toxicodependente, na amargura de quem vê um filho com práticas homossexuais, nos casais dilacerados pelo divórcio fácil com guerras intermináveis. Vive-se em silêncio porque o mundo não entende estas dores.
O homem apoiado numa família, em corpos sociais intermédios e numa relação com Deus é um homem livre. Ora, o Poder não gosta de homens livres.
A última forma, a forma perfeita do Poder não consente oposição (verdadeira). Acabar com a Família é acabar com a possibilidade de liberdade do homem.
Esta tem sido a história da humanidade – o Poder e a liberdade. Mas hoje este binómio não é claro. Ele joga-se em cada passo, em cada lei que fragiliza mais e mais o homem. Cultiva-se o egoísmo e a solidão sob a capa do direito a dispor do meu corpo (aborto), do direito a ser feliz (divórcio), do direito à morte digna (eutanásia) do direito ao prazer (drogas, sexo e álcool), etc.. O Homem está só e despojado da sua humanidade.
Como é difícil prescindir de “direitos” individuais, o homem vai comprando cada vez mais “direitos” destes. Ao mesmo tempo, torna-se mais só e egocêntrico. Cada vez mais vulnerável ao Poder. Cada vez mais o homem “é de César”.
Cada vez que aprovamos uma destas leis, o que estamos a fazer é a “entregar o Homem a César”.
Mas o Homem é de Deus.
PS – O mote para este escrito foi dado numa homilia do Padre Nuno Amador. A Sabedoria da Igreja é muito grande. Que alegria encontrá-la nas palavras e no ímpeto de uma homilia de terça-feira, dia de S. Justino mártir. Obrigada Padre Nuno Amador.
Isilda Pegado
Presidente Fed. Port. pela Vida"
Artigo publicado aqui
As doutrinas que no último século postularam o homem sem Deus porque tudo se reduzia a matéria, com o virar do século XX pareciam caducas e sem grande acolhimento. O muro de Berlim caiu e a pátria do materialismo desmoronou-se. Os partidos de inspiração socialista passaram a admitir a propriedade privada, o mercado e o pluralismo democrático. Por isso se tem perguntado – que bandeiras têm hoje? E apenas temos vistos as questões de civilização ou fracturantes – o aborto, a eutanásia, o divórcio, o casamento gay, “educação” sexual, liberalização das drogas, experimentação em embriões humanos, eugenismos vários, etc., etc..
Mas esta agenda não é só desse sector político, já invadiu a política do centro direita, os meios intelectuais mais diversos, as nossas famílias e até alguns sectores religiosos. O relativismo é o factor de propagação.
Cada vez que uma lei é aprovada perguntamo-nos – mas porquê esta agenda? Porque se destrói o casamento com a lei do divórcio, e logo após se quer o “casamento gay”? Parece contraditório, mas não é.
Há duas formas de acabar com um Instituto (Família) – a primeira é revogá-lo (mas decretar o fim da família era chocante), e os regimes socialistas do século XX tentaram mas caíram primeiro que a Família; a segunda forma de acabar com um Instituto (Família) é equipará-lo a tantas realidades meramente semelhantes que se retira a sua especificidade, e por isso caduca. É o que está a acontecer com o casamento e com a família. A Família e o casamento estão a ser minados pelas leis, pela organização social e pelas formas de vida propostas pelo Poder.
A Família é o primeiro lugar de Amor do homem. E Deus é Amor. Por isso, Deus manifesta-se em primeiro lugar na Família, porque ela é o lugar do amor. Acabar com a Família é tirar Deus ao Homem. A família é também o primeiro lugar de solidariedade. O homem sem família é vulnerável ao Poder.
Tudo isto poderia ser uma doutrina de livros e compêndios, mas não o é. Vive-se. Vive-se na solidão de cada idoso, na dor da mulher que abortou, no desespero da família de um toxicodependente, na amargura de quem vê um filho com práticas homossexuais, nos casais dilacerados pelo divórcio fácil com guerras intermináveis. Vive-se em silêncio porque o mundo não entende estas dores.
O homem apoiado numa família, em corpos sociais intermédios e numa relação com Deus é um homem livre. Ora, o Poder não gosta de homens livres.
A última forma, a forma perfeita do Poder não consente oposição (verdadeira). Acabar com a Família é acabar com a possibilidade de liberdade do homem.
Esta tem sido a história da humanidade – o Poder e a liberdade. Mas hoje este binómio não é claro. Ele joga-se em cada passo, em cada lei que fragiliza mais e mais o homem. Cultiva-se o egoísmo e a solidão sob a capa do direito a dispor do meu corpo (aborto), do direito a ser feliz (divórcio), do direito à morte digna (eutanásia) do direito ao prazer (drogas, sexo e álcool), etc.. O Homem está só e despojado da sua humanidade.
Como é difícil prescindir de “direitos” individuais, o homem vai comprando cada vez mais “direitos” destes. Ao mesmo tempo, torna-se mais só e egocêntrico. Cada vez mais vulnerável ao Poder. Cada vez mais o homem “é de César”.
Cada vez que aprovamos uma destas leis, o que estamos a fazer é a “entregar o Homem a César”.
Mas o Homem é de Deus.
PS – O mote para este escrito foi dado numa homilia do Padre Nuno Amador. A Sabedoria da Igreja é muito grande. Que alegria encontrá-la nas palavras e no ímpeto de uma homilia de terça-feira, dia de S. Justino mártir. Obrigada Padre Nuno Amador.
Isilda Pegado
Presidente Fed. Port. pela Vida"
Artigo publicado aqui
02 junho 2010
Nela tudo é milagroso
Em 1754, escrevia o Papa Bento XIV: “Nela tudo é milagroso: uma imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros; uma Imagem estampada num tecido tão transparente que se pode ver através dele facilmente o povo e a nave da Igreja: uma imagem em nada deteriorada, nem no seu supremo encanto, nem na nitidez das cores, pelas emanações da humidade do lago vizinho que já corroeram a prata, o ouro e o bronze... Deus não procedeu assim com nenhuma outra nação.”
24 maio 2010
1º Bodo do Senhor Espirito Santo
Aqui nos Açores, vivemos uma tradição profano/religiosa que dá pelo nome de Culto do Espirito Santo. Na Ilha Terceira, damos-lhe o nome do Culto ao Senhor Espirito Santo.
A foto acima tirei-a durante uma coroação e fez-me pensar um pouco sobre a devoção/culto e os tempos cinzentos que o Mundo no geral e o nosso Pais em especial, atravessam.
"O céu pode estar, na sua maioria cinzento mas, o Espirito Santo passa, como que um sinal de que, dias melhores virão, dias em que o céu cinzento passará a um azul celestial."
20 maio 2010
Perdão
"Meu Deus eu creio, adoro, espero e vos amo,
Peço-vos perdão pelos que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam."
São tantas as vezes que recito isto e, lá no fundo nem sempre sinto essas palavras no âmago da minha alma.
Tantas são as vezes que deveria, em primeiro lugar, pedir perdão por mim mesmo.
Inúmeras vezes, eu próprio, não creio, não adoro, não espero e não O amo.
12 maio 2010
Palavras duras mas como Cristo tinha que as dizer
Duas afirmações duras mas reais, duas afirmações dignas de quem representa Cristo na terra, doa a quem doer:
"A maior perseguição à Igreja não surge dos inimigos que estão fora, mas nasce do pecado dentro da Igreja".
“o perdão não substitui a justiça”.
04 maio 2010
30 abril 2010
28 abril 2010
Karol Woytila descobre o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem
"A leitura deste livro fez com que eu mudasse a minha vida de forma radical e definitiva. Apesar disto, meu caminho interior foi longo, coincidindo com a preparação clandestina ao sacerdócio que eu vivenciava. Na ocasião, este tratado singular caiu em minhas mãos. Não se trata de um simples livro que se lê, apenas, e basta. Eu o levava sempre comigo, mesmo quando ia à fábrica de soda, se bem que a bela capa já estivesse manchada de cal. Eu lia e relia, sem cessar, e, sucessivamente, certas passagens.
Logo percebi que, além da sua forma barroca, o livro apresentava algo de fundamental. A partir de então, a devoção que, outrora eu dedicava à Mãe de Jesus, tanto na infância quanto na adolescência, deixou lugar a uma nova atitude de minha parte, transformando-se numa devoção vinda da mais profunda fé, como sendo o próprio cerne da realidade Trinitária e Cristológica. Antes, eu me mantinha retraído, temendo que a devoção mariana pudesse se avultar, em detrimento do amor a Cristo Jesus, em vez de ceder-lhe o merecido lugar; compreendi, então, à luz do tratado de Grignon de Montfort, que a realidade era bem outra. Nossa relação interior com a Mãe de Deus resulta, de forma orgânica, de nosso elo com o mistério de Cristo. Não existe a menor hipótese de que o amor que dedicamos à Virgem supere nosso amor a Deus. (...) Podemos até afirmar que, àquele que procura conhecer e amar a Deus, o próprio Cristo designa sua Santa Mãe, como caminho e intercessora, como fez no Calvário, oferecendo-a a seu discípulo, João. "
André Frossard e João Paulo II, Não Tenhais Medo! 1982, pp.184-185
Cópia de "Um minuto com Maria" de hoje. Por acaso este livro em tempos foi-me oferecido pela Amiga Malu, o qual, para além da minha devoção, está na mesa de cabeceira.
Cópia de "Um minuto com Maria" de hoje. Por acaso este livro em tempos foi-me oferecido pela Amiga Malu, o qual, para além da minha devoção, está na mesa de cabeceira.
21 abril 2010
Um pensamento para reflexão
"De que adianta orar se, no próprio momento da oração, confiamos tão pouco em Deus que nos dedicamos a planear o nosso próprio tipo de resposta à nossa oração?"
Na liberdade da solidão, Thomas Merton
19 abril 2010
12 abril 2010
Mosteiros de Clausura são “oásis”
"Aparentemente inúteis, os Mosteiros de Clausura são “oásis” que fazem bem a toda a humanidade. Esta foi a mensagem que Bento XVI deixou no passado Domingo para a jornada “pro orantibus” que a Igreja celebra hoje, para agradecer ao Senhor pelo dom de tantas pessoas que, nos mosteiros e nas ermidas, se dedicam totalmente a Deus na oração, no silencio e no escondimento. “Os mosteiros de vida contemplativa oferecem-se-nos como oásis nos quais o homem, peregrino sobre a terra, pode melhor atingir as nascentes do Espírito e repousar ao longo do caminho. Estes lugares, portanto, aparentemente inúteis, são ao contrário indispensáveis, como os pulmões verdes de uma cidade: fazem bem a todos, mesmo àqueles que não os frequentam ou mesmo ignoram a sua existência”, apontou. Esta Jornada acontece na memória litúrgica da apresentação de Nossa Senhora no templo. Bento XVI recordou que também nos nossos dias – e frequentemente para surpresa de familiares e amigos – “não poucas pessoas abandonam carreiras profissionais muitas vezes prometedoras para abraçar a regra austera de um mosteiro de clausura”. “O que é que as impulsiona – perguntou ainda o Papa – a dar um passo de tão grande compromisso senão o facto de ter compreendido, como ensina o Evangelho, que o Reino dos céus é um tesouro pelo qual vale verdadeiramente a pena abandonar tudo?”. “Estes nossos irmãos e irmãs testemunham silenciosamente que no meio das vicissitudes quotidianas, ás vezes bastante convulsas, o único apoio que não vacila é Deus, rocha inquebrantável de fidelidade e de amor”, disse."
Artigo publicado no oásis da contemplação
05 abril 2010
Um Testemunho da Ressurreição
"Na Solenidade da Encarnação do Verbo de Deus. Um Noviço Português professou os seus primeiros votos, de Estabilidade, Obediência e Conversão de Costumes - Frei Paulo José Fonseca. 43 anos, Licenciado em Económicas, trabalhava em Albufeira. Fez a profissão na Missa conventual, presidida pelo Rev Prior da Cartuxa Frei Pedro Castro com a Comunidade e assistência de seus familiares e alguns amigos da Ordem. Emitiu os votos monásticos de Obediência, Estabilidade e Conversão de Costumes, enquanto os religiosos mais modernos fazem votos de Obediência, Castidade e Pobreza.
Scala Coeli cumpre este ano o cinquentenário do seu restauro. A celebração deverá ter lugar com uma Missa solene no dia 14 de Setembro. Presidida pelo Sr Arcebispo D. José Alves e acompanhada, seguramente, pelo clero eborense e amigos da Cartuxa.
O Noviciado na Cartuxa.
Quem, ardendo em amor divino, deseja abandonar o mundo e captar as coisas eternas, quando chegam a nós recebamo-los com o mesmo espírito. É, pois, muito conveniente que os noviços encontrem nas Casas onde têm de ser formados, um verdadeiro exemplo de observância regular e de piedade, de guarda da cela e do silêncio, e também de caridade fraterna. Se chegasse a faltar isto, mal se poderá esperar que perseverem em nosso modo de vida. Aos que se apresentem como candidatos, se os tem de examinar atenciosa e prudentemente, segundo o aviso do apóstolo São Joãon : Examinai se os espíritos vêm de Deus. Porque é realmente verdadeiro que da boa ou má admissão e formação dos noviços depende principalmente a prosperidade ou decadência da Ordem, tanto na qualidade como no número das pessoas. Expõe-se ao candidato o fim de nossa vida, a glória que esperamos dar a Deus por nossa união com sua obra redentora, e que bom e gozoso é deixá-lo tudo para aderir-se a Cristo. Também se lhe propõe o duro e áspero, fazendo-lhe ver, quanto seja possível, todo o modo de vida que deseja abraçar. Se ante isto segue decidido, oferecendo-se com sumo gosto a seguir um caminho duro, fiado nas palavras do Senhor, e desejando morrer com Cristo para viver com Ele, por fim se lhe aconselha que, conforme ao Evangelho, se reconcilie com os que tiverem alguma coisa contra ele. O noviciado se prolonga durante dois anos ; tempo que o Prior pode prorrogar, mas não mais de seis meses. Não se deixe aplanar o noviço pelas tentações que costumam espreitar aos seguidores de Cristo no deserto ; nem confie em suas próprias forças, senão mais bem espere no Senhor, que deu a vocação e levará a termo a obra começada.
A Profissão.
Morto ao pecado e consagrado a Deus pelo baptismo, o monge pela Profissão se consagra mais plenamente ao Pai e se desembaraça do mundo, para poder tender mais retamente para a perfeita caridade. Unido ao Senhor mediante um compromisso firme e estável, participa do mistério da Igreja unida a Cristo com vínculo indissolúvel, e dá depoimento ante o mundo da nova vida adquirida pela Redenção de Cristo. Findo laudavelmente o noviciado, o noviço converso se apresenta à Comunidade. Prostrado em Capítulo pede misericórdia e suplica por amor de Deus ser admitido à primeira Profissão em hábito dos professos, como o mais humilde servidor de todos. Depois de ter feito pelo menos oito dias de retiro espiritual, o dia estabelecido, o irmão renovará sua petição ante o Convento. Então o Prior o admoestará sobre a estabilidade, a obediência, a conversão de costumes e restantes coisas necessárias ao estado de conversos. Depois, emitirá na igreja a Profissão por três anos. Tem-se de tentar absolutamente que o irmão, ao emitir seus votos, proceda com maturidade de juízo, e não se comprometa senão com plena liberdade. O dia assinalado, o que vai professar emite a Profissão na Missa conventual, depois do Evangelho ou o Credo. Então, realmente, a entrega de si mesmo que pretende fazer com Cristo, através do Prior é aceitada e consagrada por Deus. O que vai professar escreva por si mesmo em língua vernácula a Profissão nesta forma e com estas palavras: Eu, frei N., prometo… obediência, conversão de meus costumes e perseverança neste ermo, diante de Deus e dos seus Santos e das relíquias deste ermo, construído em honra de Deus e da bem-aventurada sempre Virgem Maria e de São Juan Batista, na presença de Dom N., Prior. Se se trata da Profissão temporária, adicionem-se depois de "prometo", as palavras que limitem o tempo ; se da Profissão solene, diga-se "perpétua". É de saber que todos nossos ermos estão dedicados, em primeiro lugar, à bem-aventurada sempre Virgem Maria e a São Juan Batista, nossos principais patronos no céu. Desde o momento de sua Profissão, saiba o irmão que não pode ter coisa alguma sem licença do Prior, nem ainda a bengala em que se apoia quando caminha, já que já não é dono nem de si mesmo. Dado que todos os que determinaram viver regularmente têm de praticar com grande zelo a obediência, nós o faremos com tanta maior entrega e fervor, quanto mais estrita e austera é a vocação que abraçamos ; pois se, o que Deus não permita, esta obediência faltar, tantos trabalhos careceriam de mérito De aqui que Samuel diga: Melhor é obedecer do que sacrificar, e melhor a docilidade do que a gordura dos carneiros. "
31 março 2010
25 março 2010
19 março 2010
Oração pelo Pai (porque hoje é o Teu dia)
Senhor,
sou muito feliz
pelo pai que me deste.
Que nada de mal
lhe aconteça
nos caminhos da vida.
Quero-lhe tanto!...
Eu gostaria muito
de nunca o ver triste.
Dá-lhe muitas coisas…
mas sobretudo,
não lhe faltes com o trabalho
e o pão de cada dia.
Nós somos felizes com ele.
O meu pai
está sempre a recordar-nos
que tudo o que temos vem de Ti,
e que, na vida, o mais importante
é poder contar com a Tua protecção.
Ajuda-nos a corresponder sempre
ao Teu amor por nós.
Ámen.
(desconheço o seu autor)
12 março 2010
Romaria
No passado Domingo terminei “mais uma” romaria. Poderia aqui deixar o meu testemunho do que senti e vivi, no entanto, apesar de não ser algo confidencial, só quem Vive uma romaria é que sente e vive aquilo que poderia escrever aqui. Todas elas são diferentes, todas elas têm as suas particularidades, no entanto, em todas ela Deus está presente. Em todas elas saímos de alma lavada…
19 fevereiro 2010
Diante de Deus - A Oração
"A oração é um dever de todos os momentos: “É necessário rezar sempre”, disse Jesus. E o que ele disse, fez, porque nele – e esta é a sua força – os atos acompanham sempre as palavras e com elas coincidem.
É necessário rezar incessantemente para nos guardarmos a nós mesmos. A vida existe em nós como uma frágil flor: seja a vida do corpo seja a da alma, a vida natural ou a vida sobrenatural. Vivemos rodeados de inimigos: tudo para nós se tornou obstáculo e perigo desde que rejeitamos a Luz que ilumina o caminho: este mundo se tornou Sombra da morte. Ao invés de nos mostrar o Criador e de nos conduzir a Ele, as coisas nos mostram a si mesmas e nos arrastam a elas. O demônio, ao qual loucamente entregamos as coisas, abandonando-nos nós mesmos e ele, fala-nos mediante todas as suas vozes. A sua sombra obscurece a transparência das coisas e, através das fascinantes formas delas, nós já não enxergamos mais a Beleza que elas refletem, mas somente o prazer e a satisfação que podem nos oferecer. O inimigo está em nós mais ainda que à nossa porta; está à nossa porta porque está em nós! Somos nós mesmos que o deixamos entrar. Voltando-se para ele, desligamos de Deus o mundo inteiro. Eis por que o mundo está contra nós, ameaça-nos, tornou-se-nos hostil... e não sem razão. Com o mundo e através do mundo despertamos em nós e em tudo uma guerra.
Isto que se produziu nesse momento é espantoso, mas conseqüência normal. Oh, quão profunda definição da paz encontramos em Santo Agostinho! Sobretudo nesta hora em que o mundo inteiro é desconjuntado até suas mais íntimas fibras sejam nos homens sejam nas coisas; e nas coisas por causa dos homens! As coisas não servem a não ser para matar e destruir (alusão à Segunda Guerra, então em curso)... Como seria necessário meditar nestas palavras em cuja sonoridade imprimiu-se a calma que elas exprimem: “A paz é a tranqüilidade da ordem”! A ordem é a permanência dos seres no lugar que lhes compete: acima de todos, o Princípio que os criou, e todos voltados para Ele para receber, a todo instante, o ser que lhes comunica, agradecendo-lhe e bendizendo-lhe. Eis o que Ele fez: eis a ordem e a paz; eis o que existia na sua realidade profunda, eis o paraíso terrestre. Eis o que será um dia, para aqueles que compreenderem e retomarem essa atitude, o paraíso terrestre!
Certa vez, vi um animal sem rumo, perseguido e espantado, que entrou pela porta deixada aberta de um jardim florido. Que desastre depois da sua passagem! Esta é a imagem, mesmo se tomada de um nível muito inferior, da alma que se abre ao animal do mundo, depois que os nossos progenitores se distanciaram de Deus para escutar o demônio. Desde então, nós somos como um país invadido: é necessário libertar-nos, expulsar o inimigo, livrar-nos dele e retornar a Deus. É preciso fazê-lo sem exército, sem força organizada, com as nossas faculdades desmanteladas, com uma vida ferida e com inimigos e indiferentes por todos os lados. Sem Deus, a nossa impotência é a mais completa que se possa imaginar... Por isso a necessidade da oração e a recomendação tão urgente do Salvador: “É preciso rezar e rezar sempre!” Daqui decorre sua afirmação peremptória: “Sem mim, nada podeis fazer!” Daqui o seu convite que consola e conforta: “Vinde a mim!”
A oração é a resposta da alma que vem, conta sua própria miséria, pede socorro, luz para o espírito, força para a vontade, submissão das paixões à alma e desta a Deus, ordem e paz. Deus diz: “Eu sou e continuo Pai! Eu te amo, eu te escuto! Vem!” A alma responde: “Meu Deus, não posso mais! Vem tu mesmo!”
Parte de uma obra obra sobre a oração, intitulada Diante de Deus – A Oração. O Autor é um especialista no assunto: trata-se de Dom Agostinho Guillerrand, santo monge cartuxo, que viveu entre 1877 e 1945.
04 fevereiro 2010
Clausura é uma opção espiritual
"IRMÃ MARIA JOSÉ
Clausura é uma opção espiritual
Maria José Reis deixou tudo o que a maioria das pessoas espera na vida para se dedicar a uma paixão, a de ser religiosa contemplativa na Ordem de Santa Clara de Assis (Clarissas).
A Ordem de Santa Clara é contemplativa e vive a clausura. As religiosas vivem um dia de oração intensa, no qual são recordadas as necessidades da Igreja e do mundo. Em entrevista à Agência ECCLESIA, a Irmã Maria José fala deste quotidiano e do encanto que a faz permanecer fiel à sua vocação.
Agência ECCLESIA (AE) - Como começou a vocação da Irmã Maria José?
Irmã Maria José (MJ) - Começou há muitos anos…Tinha 19 anos quando despertei para um género de vida que se pode dizer que é fora de comum… embora ela seja comum a todos, mas a consagração é sempre algo que ultrapassa aquilo que dizemos que humanamente é normal, nós optamos pelo sobrenatural. Nasci na ilha da Madeira, foi lá que entrei no Mosteiro da Nossa Senhora da Piedade, onde vivi 17 anos. E depois vim para Lisboa, para o Mosteiro da Estrela.
AE - Como é que uma jovem de 19 anos pensa em entrar num Mosteiro?
MJ - De facto foi um despertar para a dimensão crista e para a vida espiritual, até aí embora crente e praticante até aos 14 anos, deixei de praticar dos 14 aos 18 anos. Criou-se o Movimento dos jovens cristãos da Madeira e fui apanhada, como um peixe na rede. Fui convidada a participar no movimento, acabei por integrar e trabalhar e com grande alegria trabalhei ao lado de D. Francisco Santana, bispo da época, que me deixou muitos exemplos e aí fui despertando para o sagrado, colocando a pessoa de Jesus Cristo como algo muito mais sério e profundo. Cristo não é apenas uma figura histórica é muito para além disso, é o Filho de Deus e é nesta dimensão de fé que tentei abrir caminho, aprofundar e despertar para esta vocação aos pés de Jesus.
AE - Porque uma congregação de irmãs contemplativas?
MJ - Não foi nada pensado… Para já digo com sinceridade que não conhecia nada sobre vida religiosa, nem sobre vidas activas e contemplativas. Primeiro decidi consagrar-me a Deus e isso fez com que eu tivesse de deixar o que pensava ser o meu caminho, o matrimónio. E por acaso já estava comprometida. Para mim não foi muito difícil, mas para ele sim...
Depois de dar o meu sim à consagração comecei por ver onde poderia servir melhor Deus, a Igreja e o Mundo. Foi outro caminho muito difícil…
A vida activa era a que estava presente e os primeiros passos foram conhecer congregações, estive em varias famílias religiosas, onde procurei ver, saber e fazer alguns retiros, até. Mas dizer um sim era muito difícil, gostava de trabalhar em varias áreas e era muito complicado. Depois do 25 de Abril f a época da desorientação e eu fui das primeiras gerações desorientadas, estive um ano à deriva. Mas uma coisa acompanhou-me: a ideia de que para eu ser professora, enfermeira ou educadora não era necessário ir para a vida religiosa.
AE – E cresceu a vontade da consagração na clausura?
MJ - Eu gostaria de me entregar na gratuidade, sem ter de me formar, eu via a vida religiosa de outra forma. Tinha de ser vivida sob o olhar da divina providência. Até que um dia se realizou uma semana bíblica na minha paróquia e as irmãs que organizavam, as irmãs Paulinas, ao prepararem os grupos pediram que houvesse alguém que se responsabilizasse por ir às irmãs Clarissas pedir orações pelos bons frutos dessa semana. E foi o primeiro toque para mim, sem a oração nada se consegue. Foi o primeiro contacto com as irmãs. Depois as irmãs deram-me um livro que numa pequena frase me fez decidir: “Que a única forma de abarcar todas as formas de apostolado e de estar em todos os sítios ao mesmo tempo é a oração”.
O segundo toque para que eu desse o sim definitivo foi uma frase de Jesus Cristo: “Pobres sempre os tereis convosco”, em resposta à revolta de Judas quando Maria Madalena perfuma Jesus e lhe unge os pés, o que muitos se esquecem de fazer ainda hoje. Eu costumo dizer que a nossa vida de contemplação é um “desperdício de perfume”, que derramamos este perfume aos pés de Jesus.
AE - Há sempre a ideia que as irmãs contemplativas apenas rezam… Ou fazem outros trabalhos?
MJ - Eu costumo dizer que “só caminha quem está parado”, é uma contradição. Caminhar na vida não significa andar com os pés, avançar só se consegue quando se pára. A vida contemplativa é um caminhar parado. Há outra dimensão: ao estarmos de joelhos, os nossos joelhos dobrados são a força de muitos pés a andar, isto quer dizer que continuamos a andar nos pés de muita gente, carregamos as dores, as alegrias, as esperanças de todos um povo.
Contemplativos somos todos, é um dom, uma pequena semente que está no coração de todos. Lá por eu estar na vida contemplativa não quer dizer que seja detentora do grande dom da contemplação. O facto de estar em clausura é fazer parte deste corpo místico de Cristo em que todos somos necessários, os que trabalham e os que rezam, e as duas partes complementam-se e é necessário uma graça para ambos. Ninguém trabalha isoladamente, porque o grande segredo da Igreja é a comunhão. Vivemos uns para os outros e neste espírito de oração.
Os contemplativos também caminham, mas de uma forma diferente, mas somos o motor. Precisamos dos irmãos da vida activa porque eles são o conforto da nossa oração e é muito bonito estarmos a rezar e ouvirmos falar dos frutos de lá de fora. Assim como quando há sofrimento, os irmãos saberem que há irmãs que estão em contínua oração por eles, andamos assim com todos os irmãos. Não gosto de separar a vida activa e contemplativa, porque activos somos todos mas também podemos ser todos contemplativos. Ninguém está parado…
AE - Como é a vida quotidiana de uma irmã Clarissa?
MJ - Para já é uma vida normal... Também dormimos, também comemos… Levantamo-nos às 5h50, toca o despertar, às 6h30 vamos para a capela. Começamos pela meditação em silêncio, até às 7h. Depois temos a hora litúrgica de laudes, às 7h30, eucaristia, depois a hora intermédia que é a hora de tércia. A vida de uma contemplativa faz-se com base na liturgia das horas, ou seja, rezar com a Igreja, milhões e milhões de pessoas rezam aqueles salmos em várias línguas mas sempre com a mesma comunhão. Às 8h30 tomamos o pequeno-almoço, porque precisamos de comer, senão morremos mais cedo que o previsto, e depois as irmãs entregam-se ao trabalho normal necessário no Mosteiro. Um deles é o fabrico das hóstias que fazemos aqui, costumo dizer que aqui há a padaria de Jesus Cristo, aqui prepara-se o pão que se vai transformar no corpo do Senhor, e isso é um trabalho que as irmãs fazem com grande devoção.
Encontramo-nos para rezar em comunidade 5 vezes por dia, e ao meio-dia vamos novamente para a capela, onde rezamos a hora de sesta e a seguir a coroa seráfica, uma devoção franciscana, que são as 7 alegrias de Nossa Senhora. Segue-se o almoço e às 15h a hora de Noa. Nestes intervalos há a vida comum que é necessário fazer em casa, o atendimento à porta e a recepção aos peregrinos que visitam o espaço da Jacinta, pastorinha de Fátima. Às 18h voltamos à capela para rezar o terço e a oração de vésperas para se seguir o jantar. Às 20h30 encontramo-nos todas para a hora do recreio, uma reunião onde se fala de tudo, comentários, noticias, pedidos de orações ou simples conversa… festa!
Terminamos o dia na capela com o ofício de leituras e as completas. Além deste quotidiano cada irmã tem a sua hora de oração diante do Santíssimo exposto que temos todos os dias na capela e à Quinta-feira temos a noite toda, estando sempre uma irmã em adoração. A vida contemplativa das irmãs clarissas está mais virada para a adoração ao Santíssimo Sacramento, sendo o fundamental. Somos as sentinelas despertas aos pés de Jesus guardando este reino que está repartido entre tudo o que acontece.
AE - Sendo irmãs de clausura como gerem as saídas?
MJ - A clausura tem uma estrutura, mas é sobretudo espiritual. O estar encerrada não significa por si só estar em clausura, é sobretudo a clausura de coração. Eu costumo dizer que o Amor não tem grades. Aquilo que é necessário fazer lá fora, nós fazemos! Ir ao médico, à farmácia, exercer direitos civis e coisas que são necessárias à vida do mosteiro. Claro que não saem todas as irmãs há sempre uma ou duas destinadas a “fazer a ponte” à sociedade. E hoje eu digo mesmo que a nossa resposta ao voto da pobreza é ir, não é esperar, por exemplo, que o médico venha cá. Os ricos é que trazem tudo a casa!
AE - Como é a comunidade das irmãs clarissas de Lisboa?
MJ - Somos 8 irmãs. Costumo dizer que para o nosso tempo já é muito! Há trinta anos atrás 8 irmãs seria pouco, eram comunidades grandes. Não é uma situação alarmante, não nos devemos preocupar porque tudo isto pertence a Deus e se não há vocações não deve ser visto como algo grave. Se as pessoas querem viver de outra forma o nosso dever é respeitar, porque cada um de nós assume as consequências da sua própria vida. Oito irmãs parece pouco, mas o pouco para Deus é muito!
AE - Como são feitos os pedidos de oração às irmãs?
MJ - Recebemos pedidos de oração e também vêm cá pessoas para conversar simplesmente e até pedir conselhos… Digo muitas vezes que o mosteiro no centro da cidade é como a tenda da reunião de Moisés, que estava fora do acampamento. Nós pertencemos ao povo, mas temos esta tenda erguida e é muitas vezes aqui que o povo sente que Deus está e para onde voltar o olhar e pode correr e saber que aqui podem falar, têm confiança.
Isto é uma missão muito importante que ando a meditar, cada sociedade ou cada cidade necessita de ter algo em que o povo, em momentos de aflição, saiba para onde voltar o seu olhar. E nota-se que os mosteiros são cada vez mais procurados. Se em cada vez que uma pessoa procura um mosteiro nascesse uma vocação, os mosteiros estavam cheios…
O mais importante é que estas pessoas levem para a vida um valor cristão, uma fé viva e alicerçada porque é isso que é preciso para a estabilidade da vida. O que não está visível aos nossos olhos é que vai dando equilíbrio à vida humana."
(Artigo publicado no Jornal "A União" de hoje o qual transcrevo-o aqui na integra.) Uma pérola no meio de um oceano revolto e conturbado
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