28 novembro 2016

Passagens II



Independentemente de ser da inteira responsabilidade da minha mulher (e que o faz muito bem), gosto dos pensamentos que ela escolhe para cada semana, aliás, julgo que muitas vezes deve ser Ele a mostrar-lhe aquele que mais se adequa à semana e ao estar dos casais da equipa.
Esta semana, para além de não ter sido exceção, é um pensamento pequeno mas muito profundo. É daqueles pensamentos semelhantes a pequenas laranjas que não damos nada por elas, mas que estão carregadas de muito sumo e doce.
Deus mora onde O deixam entrar”, leva-me a pensar em vários afluentes de um qualquer rio, que no fim desaguam no mar, local de onde partiram as águas puras e cristalinas.
Realmente Ele só entra onde O deixam entrar, mas quantas vezes não queríamos que Ele entrasse mesmo que não O deixássemos?
Quantas vezes não desejamos que Ele entrasse em moradas onde as portas se encontram fechadas ou, apenas abertas para tudo o que não vem d`Ele? Quantas vezes não sentimos que podíamos deixa-Lo entrar, mas por pequenas coisas, apenas temos aberto o postigo e não a porta?

No entanto, ainda que possa parecer alguma contradição, será que apesar de todas as situações acima descritas, todas elas do ponto de vista humano e de pecador, será que Ele não mora realmente em nós?
Quero crer que sim! Quero crer que Ele mora Sempre em nós, apesar de todas as atrocidades que cometemos de vez em quando. Quero crer que muitas vezes Ele é como o sal da terra ou o doce sabor do açúcar refinado. Não o vemos e nem sempre sentimos porque estamos com o coração em outros locais, no entanto, Ele dá sabor ao alimento que diariamente devíamos ler e adoça o amargo da situações que vamos passando.
Deus mora onde O deixam entrar”...deixe-mo-Lo morar em nós...SEMPRE!


15 outubro 2016

Cristo não tem corpo


Há alguns dias atrás, um casal amigo ofereceu-me um porta-chaves, um crucifixo completo. Da primeira vez que o usei como tal, e ao tirá-lo do bolso, o Nosso Senhor descolou-se e ficou no bolso.

A primeira coisa que me veio ao pensamento foram as palavras de Pedro:
“ – Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.[1]

Depois desci há terra e senti que tinha sido um pensamento exacerbado, desmedido e quase como se fosse uma blasfémia perante Deus, por me ter lembrado dessas palavras, de alguém que é Santo, ao contrário de mim, imensamente pecador.

Naquele momento, caí em mim mesmo e lembrei-me das palavras do Santo Padre Papa Francisco  O Senhor ‘não fez alarde da sua condição divina’, sendo isto uma característica de toda a vocação cristã: quem foi chamado por Deus não se pavoneia, nem corre atrás de reconhecimentos ou aplausos efémeros; não sente ter subido de categoria nem trata os outros como se estivesse num degrau superior”.[2]

Quantas vezes nós, cristãos assumidos e até alguns, fazendo parte deste ou daquele movimento da igreja, não é tentado a querer ser mais do que os outros ou aguardando aplausos por algo que fez ou disse? Começando por mim, mas sabendo que o mais importante é o que Deus vê ou ouve no oculto[3] e não aquilo que os Homens veem ou ouvem.

Olho para o Cristo, que entretanto tirei do fundo do bolso…


Ali na minha palma da mão Ele parece indefeso, como O foi na cruz, no entanto, na Cruz fez o que o Pai lhe pediu. Tal como Ele, também nós se O quisermos seguir, devemos negar-nos a nós mesmos e tomar a nossa cruz dia após dia[1].

O porta-chaves poderá não estar completo para a maioria das pessoas, no entanto, se queremos tomar a nossa cruz, todos nós somos um pouco Cristo e, por incrível que possa parecer, neste dia dedicado a Santa Teresa D`Ávila, li um pequeno mas muito profundo poema dela, que de certa forma, transmite o que sinto:

“Cristo não tem corpo

Cristo não tem corpo, senão o teu,
Não tem mãos, ou pés nessa terra, senão os teus,
Teus olhos são os olhos com que Ele vê,
A compaixão neste mundo,
Teus são os pés com que Ele Caminha para fazer o bem,
Tuas são as mãos, com que Ele abençoa todo o mundo.
Tuas são as mãos, teus são os pés,
Teus são os olhos, és tu o Seu corpo.
Cristo não tem outro corpo na terra, senão o teu.”

Paulo Roldão
 15 de Outubro de 2016


[1]  Lc 9, 23 - 25



[1] Gl 2-20
[2] http://papa.cancaonova.com/quem-foi-chamado-por-deus-nao-corre-atras-de-reconhecimentos-diz-papa/
[3] Mt 6, 1- 6

06 outubro 2016

Passagens




Todos nós sem exceção, temos alguma predileção por alguns livros da Bíblia ou algumas passagens neste ou naquele livro. Por vezes, por algum acontecimento na vida, outras vezes porque são palavras de esperança e conforto. Existem outras ainda, sem se enquadrarem nas atrás descritas, fascinam-nos sem sabermos a razão, melhor dizendo, sem sabermos o porquê, apenas nos fascinam.
Vem esta introdução a respeito do Livro de Job, um dos livros Sapienciais do Antigo Testamento[1], livro esse que tem algumas passagens que nos fazem pensar um pouco. Uma que até agora me fazia pensar um pouco, sobre o seu significado é a que ele (Job) amaldiçoa o dia do seu nascimento[2], dizendo:
“ – Desapareça o dia em que nasci e a noite em que foi dito:
- Foi concebido um varão!”[3]
A Bíblia diz-nos que Job era justo e santo. Então como pode uma pessoa justa e santa amaldiçoar o dia em que nasceu, amaldiçoando assim o próprio Deus?
Tal como outras duvidas que tenho e muitos de nós temos, esta foi-me explicada na meditação matutina do Santo Padre Papa Francisco do dia 27 do mês findo[4]. O Santo Padre reflete nessa passagem e nas subsequentes, dizendo que Job sofria porque tinha perdido tudo. Todos os seus bens, inclusive os seus filhos. Acrescenta que geralmente um santo não pode agir assim, esclarecendo finalmente que Job não amaldiçoou Deus, apenas desabafou. Um desabafo de filho diante do Pai. Aliás, o Santo Padre cria até um certo paralelismo com o profeta Jeremias, o qual este também diz:
“- Maldito o dia em que fui concebido.”[5]
No entanto estes dois casos não são blasfémias, mas sim desabafos, porque ambos sentiam uma grande desolação espiritual. O Santo Padre frisa ainda que a desolação espiritual acontece a todos! Esta desolação faz-nos sentir como se tivéssemos a alma esmagada.
Depois de algum tempo, o Seu tempo, Deus respondeu a todos aqueles (tal como eu) que não tinham a precessão do seu significado ou melhor dizendo, como é que sendo justo e santo amaldiçoaria o Criador?
Fiquei feliz e de alma cheia com esta explicação/meditação, valendo a pena ler a meditação já referida, a qual, não só ajuda a desvendar esta duvida, como vais mais longe, mostrando algumas ajudas, não só para todos nós, que de certa forma muitas vezes agimos como Job, como também para todos aqueles que estão há nossa volta.

4 de Outubro de 2016


[1] http://www.capuchinhos.org/biblia/index.php?title=Job
[2] Jb 3, 1-3, 11-17, 20-23
[3] Jb 3 - 3
[4] http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2016/documents/papa-francesco-cotidie_20160927_tres-gracas.html
[5] Jr 20-14

12 fevereiro 2016

Escuridão


Tantos irmãos e irmãs que a passam, mas esses são tidos como santos. Eu não passo de um grande, enorme e porque não dizê-lo gigantesco Pecador, que "nada vê ou sente".

06 fevereiro 2016

Dicotomia existencial



A grande maioria das fotografias, mesmo sendo “um apanhado”, quase sempre nos mostra apenas uma faceta, aliás, uma faceta ou um modo de estar ou ser da pessoa. Desde que me foi enviada esta fotografia e depois de a ver com calma, cheguei sempre há mesma conclusão. Esta transporta-me para uma dicotomia existencial ao nível espiritual da fé que tenho e professo.

Por um lado ou vertente, nesta caminhada peculiar mas muito bela e simples, na qual participo como um mero irmão romeiro, como os demais, assim como na minha vida, fora deste oásis no meio do deserto, o meu coração está quase sempre com a Sua e Nossa Mãe Maria Santíssima e daí, com a humildade possível, sinto que ela está sempre comigo, “atrás” de mim e encaminhando-me para Ele, como que a dizer-me:
“- Faz tudo o que Ele te disser.” 

Por outro ponto de vista, a minha cabeça e o meu olhar volta-se para trás, para ver se me afasto o mais possível das tentações com que o demónio diariamente me tenta seduzir, umas vezes óbvias e outras menos óbvias, quais lobos com pele de cordeiro, e são essas que mais me preocupam, mais me afligem, porque são essas tentações quase angelicais, mas no fundo demoníacas, que me podem fazer perder a ressurreição no derradeiro dia, mesmo crendo n`Ele.
Nesta fotografia onde mais do que o que é visível, o sentir a tal dicotomia existencial é mais forte, reparo que existe uma terceira faceta ou modo de estar que talvez me possa levar há salvação, assim queira Jesus Cristo dizer uma só palavra e eu sei que serei salvo. Refiro-me à confissão que sem me aperceber, em silêncio a faço:
“ (…) Por minha culpa, minha tão grande culpa (…)”
Assim, peço à Virgem Maria, aos Anjos e Santos e a vós, irmãos, que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor.

5 de fevereiro de 2016
Paulo Roldão

16 junho 2015

Clausura


"- Sim era bonito entrar 15 dias, uma semana, um mês...sei lá, um ano...e entrar a vida inteira?"