Confessio XXI
Local onde de quando em vez, qual confessionário, deixarei algumas pegadas dos meus pensamentos Cristãos
09 janeiro 2019
21 setembro 2018
Oração
Desde
a aurora da Tua existência
até
ao Teu crepúsculo humano sigo-Te
confiando
no dia em que não haverá mais noite.
Não
me sinto apostolo porque peco muito...
por
palavras, atos e omissões, no entanto,
peço
à Virgem Maria que rogue por mim a Deus Nosso Senhor.
Sei
que a Tua vinda não foi pelos justos, mas pelos doentes,
nem
pelos que têm saúde, mas pelos pecadores,
e
ser justo ou saudável, nada disso sou...
18 setembro 2018
Viático
Há
algumas semanas na RTP Açores, transmitiram uma reportagem
sobre a tela que dei o titulo, da autoria de Domingos Rebelo e que se
encontra exposta no Museu
Carlos Machado
em Ponta Delgada.
A
explanação que foi feita, muito elucidativa e interessante, tendo
inclusivamente sido dito que o pintor sabia muito sobre o tema, isto
é, as coisas presentes na tela, refletiam o que a igreja usava/usa
nestas situações.
A
dada altura focaram a imagem abaixo e pareceu-me
que transmitia algo mais do que apenas o objeto em si, tendo em conta
os conhecimentos que o pintor tinha.
Como
não consegui encontrar na net esse detalhe, solicitei ao Museu a
referida imagem, a qual desde já agradeço a partilha.
Depois
de olhar com mais calma, reparei que efetivamente (para mim) esse
detalhe transmitia mais do que apenas o objeto. Dei-me conta que o
pintor deveria ser devoto de Nossa Senhora ou Deus assim O
quis, uma vez que a chama da vela é uma representação nítida de
Nossa Senhora de mãos postas em oração.
Depois
de olhar mais uma vez, noto ainda mais um pormenor interessante. A
lanterna para a vela tem 4 cantos, talvez
uma
maneira de mencionar os quatro evangelhos.
Obviamente
que isto é o que os meus olhos veem, talvez outros não reparem.
17
de setembro de 2018
09 setembro 2018
Promessas…
Nestes dias milhares de
peregrinos rumam ao Santuário de Nossa Senhora dos Milagres, na freguesia de
Serreta.
Isoladamente ou em grupo,
iniciam a sua caminhada, seja pelas Laudes,
Terça, Sexta, Nona, Vésperas ou Completas em direção à Sua e Nossa Mãe
Maria Santíssima.
Alguns vão num ritmo desportivo,
outros em passeio e alguns com o terço na mão, mas todos eles com o mesmo fim.
Vão de todas as idades ou
estratos sociais. Nestes dias não há novos nem velhos, ricos ou pobres.
Naturalmente os menos novos ou aqueles que não conseguem fazer caminhadas mais
longas, também lá vão agradecer.
Alguns vão descalços, outros realizam o
percurso dentro do Santuário de joelhos até aos degraus que antecedem a mesa do
Altar, e outros ainda levam velas, mas todos eles com a roupa colada ao corpo da transpiração e suor, pelos
sacrifícios que fizeram para ali chegarem. Outros ainda, não escondem as dores
que passaram, sejam musculares ou algumas bolhas que foram aparecendo nos pés.
Tirando as celebrações litúrgicas,
reina algum silêncio apropriado para a meditação, recitação do terço e devoção
a Nossa Senhora dos Milagres. A noite cai, mas mesmo assim a vigília continua ininterruptamente.
Muitas pessoas poderão
dizer que este tipo de piedade, dita popular é antiquado e que o ser Cristão é
muito mais do que isto mas, “mesmo
que fale todas as línguas, tenha o dom da profecia ou distribua todos os meus
bens”, se não tiver amor[1],
de que serve?
Ali todos eles se ajoelham
depois da caminhada, para pagarem as promessas que lhe fizeram.
26 junho 2018
29 janeiro 2018
O Bom Pastor...
Uma
pintura é semelhante a um poema. Tela ou folha branca, o artista
olha para a pureza, pensa e imagina o que pretende fazer, seja com um
pincel ou uma caneta.
Um
poema ou uma pintura, o que têm de belo e de muito sublime, é que o
artista imagina algo e passa-o para o papel ou tela, mas quem lê ou
visualiza, consegue imaginar mais do que quem escreveu ou ver mais do
que quem pintou. De certa forma consegue transcender o autor e mesmo
assim, a sua leitura ou visualização, não deixa de ser verdadeira.
Esta
pequena introdução vem no seguimento do retiro das Equipas de Nossa
Senhora que ocorreu no salão do Seminário Episcopal de Angra do
Heroísmo, no 2º fim-de-semana do corrente mês. Ao centro ali
estava a tela representando o Bom
Pastor que
é Jesus O Cristo, mas também os Bons
Pastores
que daquele estabelecimento de ensino saíram, saem e continuarão a
sair, enquanto Deus assim O quiser.
Apesar
de estar concentrado nas palavras que o Padre José Manuel Pereira de
Almeida ia proferindo e no que elas me transmitiam,
por vezes o meu olhar fugia
para a pintura.
Ao
primeiro olhar vejo
a passagem bíblica na qual Jesus diz “Eu sou
o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas.”1
Olhando
mais demoradamente a pintura e os seus pequenos detalhes/pormenores,
começo a ver outras
passagens bíblicas, ainda que subtis, elas estão lá.
Vem-me
à mente a passagem da ovelha tresmalhada2
ou a ovelha perdida3,
nas quais o pastor que tem cem ovelhas, deixa as noventa e nove no
monte, para ir à procura da centésima.
Olhando
para a ovelha, reparo que está muito magra, hoje dir-se-ia
subnutrida e com um olhar triste. Para mim o
estado
da ovelha representa os excluídos da sociedade, não só daquele
tempo mas também de hoje. Naquele tempo os excluídos eram muitos,
mas basta-me pensar na passagem da cura do paralítico4
que vivia
à margem
da sociedade. Sinto que é um sinal, indicando a dimensão da
exclusão. Uma figura
que representa os doentes e sem forças para saírem dessa situação
e que aos poucos vai destruíndo as suas vidas. É também sinal de
miséria, doença e morte. Hoje, os excluídos são os alcoólicos,
as mães solteiras, os viciados na droga, os sem-abrigo, os negros ou
brancos, consoante o país onde estão, exercendo funções
inferiores por causa das suas origens. Excluídos são também
aqueles que se encontram isolados, seja nos estabelecimentos
prisionais ou nas suas mentes cansadas e com doenças incuráveis,
mas também os que se encontram em lares, hospitais ou casas de
recuperação.
Olho
novamente para
essa ovelha,
que está ao colo de Jesus e lembro-me da passagem “Porque
o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.”5.
Naturalmente
que esta passagem não se refere apenas a uma ovelha, mas a uma
ovelha no plural, ou seja, todos nós aqueles
que nos encontramos perdidos. Quantos de nós, no qual me incluo, que
andamos cansados e abatidos, não aguardamos que um dia Ele tenha
compaixão6?
Volto
o olhar um pouco mais
para cima,
para Jesus Cristo e sinto
no
seu olhar
a preocupação de Deus por cada um de nós suas ovelhas, e de forma
especial pelas desencaminhadas e perdidas. Nesses Seus
olhos,
ainda que fechados mas cheios de Amor, transmitem-me
o
que haveria de vir. Maltratado, mas humilhou-se e não abriu a boca,
como um cordeiro que é levado ao matadouro7.
E como realmente foi levado ao matadouro
(leia-se
como a Sua Paixão), dai a existência quase impercetível da pequena
gota de sangue no
cordeiro
derramada na pureza
da roupa
d´Ele.
Volto
o meu olhar um pouco mais para baixo e acho interessante a maneira
como o artista pintou a parte de baixo da veste de Jesus, ou seja, a
parte da veste por sobre a perna direito tem traços
vindos de trás
e todos eles se encontram no joelho. Joelho que me leva a pensar na
oração no horto das oliveiras8
ou nas quedas a que foi sujeito durante a caminhada até ao Gólgota,
onde deu a Sua vida por nós.
Depois
de uma pequena pausa, veio-me
há ideia
a parábola do fariseu e do cobrador de impostos9,
onde é narrado que o o fariseu estando de pé, exaltado as suas
qualidades. Já o cobrador de impostos, e ainda que não se diga como
estava, para além de não levantar os olhos ao céu, julgo que
deveria estar de joelhos e este humilhando-se, foi exaltado.
Naturalmente que não é a posição em que nos encontramos quando
oramos que define se seremos humilhados ou exaltados, no entanto,
gosto de sentir que quando oramos de joelhos, estamos a mostrar-Lhe a
nossa pequenez e a reverência que devemos ao Senhor Nosso Deus.
Um
pouco mais abaixo reparo nas pedras e nos espinhos. Pedras duras e
bicudas, que no meu ver, poderão representar as amarguras da vida,
os sofrimentos, as injustiças ou as opressões, entre tudo aquilo
que torna feio este mundo, ao Seu olhar. Os espinhos, para além de a
sua tonalidade ser semelhante à cor de sangue e que me
leva a crer que
foi por Esse sangue derramado, que Nos resgatou do pecado, também
tendo este aspeto agreste e sinistro, me mostra que os excluídos da
sociedade, muitas vezes tornam-se rebeldes às normas sociais e
compensam o vazio emocional e espiritual que têm dentro de si, em
atos menos próprios.
Olhando
mais para
o alto,
vejo duas montanhas, no meio das quais vislumbramos o azul do céu.
Esta imagem
transmite-me a certeza
de que, apesar de todas adversidades deste mundo, Jesus centrado
na tela
é o único Caminho, a Verdade e a Vida. Se nos deixarmos guiar por
Ele, a alegria desmesurado do pastor,
também significa a felicidade imensa de Deus sempre que o homem
reentra no caminho da felicidade e da vida plena.
Talvez
seja o meu olhar…
25
de janeiro de 2018
1
- Jo 10:11
2
- Mt 18: 12-14
3
- Lc 15: 1-7
4
- Jo 5: 1 - 17
5
- Lc 19:10
6
- Mt 9:36
7
- Is 53:7
8
- Lc 22: 40-41
9
- Lc 18: 9-14
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