17 dezembro 2012

Deus Olha por nós

Quantas vezes não desejamos que Deus fosse mais controlador e vigilante dos nossos atos, qual câmara de segurança que nos olha cegamente e segue todos os passos ao seu alcance, para que não saíssemos do caminho certo, do único caminho que nos leva a Ele?

Deus não pensa como nós e desse modo diferente de pensar, Ele dá-nos a total liberdade de O seguir ou não. Dá-nos toda a liberdade de fazermos aquilo que bem nos entender, mesmo que esses atos sejam contra Ele ou em última instância, contra nós mesmos e contra a nossa salvação.

No entanto, sinto que Deus continua a Olhar por nós constantemente, mesmo sem interferir diretamente nos nossos atos, continua a querer que todos nós, Seus filhos, obtenhamos a salvação no fim dos tempos. Para tal, mandou-nos o Seu filho, para nos dizer que a salvação é possível, basta agir como Jesus disse, então, aos discípulos: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.» *

Fixemo-nos então, na Sua cruz e no grandioso mistério da ressurreição que ela encerra e peçamos a Deus que não nos afaste da Sua presença, e nem nos prive do Seu santo Espírito. **

*São Mateus 16 - 24

**Salmos 51-13


13 dezembro 2012

A Verdadeira Luz (1ª parte de 3)



Nesta época onde, ano após ano, celebramos o nascimento de Jesus e tudo o que está implícito ao facto de Deus se Ter reduzido à pequenez humana para nos salvar, tentemos, com muita Fé e Esperança, contemplar mais a Verdadeira Luz que é emanada do Salvador, do que as fugazes luzes das montras e caminhos.

A Verdadeira Luz por vezes pode parecer dura, sem cor e quase inóspita, no entanto, a iluminação que a sociedade nos quer fazer crer ser a verdadeira, não passa de uma miragem ou de uma desfocagem do que realmente é mais que essa iluminação. A Verdadeira Luz não é visível nem tão pouco nos faz fechar os olhos perante a Sua intensidade, a Verdadeira Luz sente-se com os olhos, os ouvidos,
a boca, o coração e inteiramente todo o nosso ser.

23 novembro 2012

Cartuxos (um oásis no meio do deserto) VI

 
 

Há algum tempo atrás numa superfície comercial aqui na ilha, cruzei-me com um irmão romeiro, que me apelidou de irmão cartuxo. Confesso que pequei um pouco, por ter levado aquela observação como um elogio, tendo em conta o sentimento que nutro por essa ordem religiosa. Na verdade e parafraseando São João Baptista, se ele não se sentia digno de Lhe desatar a correia das sandálias[1], que direi eu sobre eles, perante os quais, mais do ser um eterno pecador, falta-me a simplicidade e a humildade que eles possuem, entre outras atitudes essências e fundamentais como Cristão.

Depois de outras palavras trocadas com o irmão romeiro, este terminou o seu raciocínio dizendo que “as ordens contemplativas são “o pulmão, as raízes e as fundações da Igreja". Um raciocínio certo e verdadeiro.

Depois de ter utilizado as primícias descritas no Scala Claustralium[2], isto é, depois da leitura cuidada, a meditação possível sobre estas palavras, oração ao Pai para que me iluminasse e alguma contemplação, dentro dos meus parcos conhecimentos, deparei-me com imagens profundas e ricas (dentro do espirito e vivência das ordens contemplativas), as quais passo a explicar:

- Qualquer uma das três palavras refere-se a existências não visíveis aos olhos dos comuns mortais. Todas estas existências encontram-se no interior de algo, seja no corpo humano, debaixo da terra ou por baixo das paredes que sentimos, tocamos ou vemos.

- Depois da imagem acima descrita, deparei-me com mais uma. Apesar de não serem visíveis, todas elas são o fundamental para a existência do que suportam. O ser humano não vive sem os pulmões, porque sem eles não respirava, assim a sua existência estaria em causa. As árvores, por muito belas, frondosas, com ou sem flores ou frutos e por muito altas que possam ser, não existiriam se não tivessem raízes. As igrejas, por muito arrebatadores que possam ser, por muitos milagres que tenham presenciado e por muitos crentes fervorosos de fé em oração que possam conter, não existiriam sem fundações.

- Uma terceira imagem ocorreu-me há dias. Talvez mais suscetível de discussão fraterna, talvez uma imagem exacerbada de um coração impuro e alma pecaminosa, mas sempre no intuito de não me afastar de Deus, tendo Maria como mediadora. “Separados de todos, estando unidos a todos já que é em nome de todos que se mantem na presença do Deus vivo”[3] oram incessantemente por nós. Assim como os pulmões transformam o dióxido de carbono em oxigénio, também as suas orações seguramente transformarão as nossas ações manchadas de pecados em virtudes. No que respeita às raízes, são elas que dão a força, o vigor e a energia às árvores. São também elas que levam os elementos vitais ao corpo que as suporta e que sem elas não seriam nada, sem elas também não conseguiam suster-se de pé e apontar-nos o caminho para o Altíssimo, tal como aqueles e aquelas que, sobretudo através do seu silêncio e solidão fecundos, unem a sua alma ao Verbo de Deus, a esposa ao Esposo, a terra ao céu, o humano ao divino[4], por Cristo, que é o Caminho, a Verdade e a Vida[5]. As fundações da Igreja, mais do que pedras, somos todos nós as pedras vivas[6] da Igreja, mas mais do que nós, a vida contemplativa é o combustível para alimentar e revigorar os membros do imenso corpo que é Cristo, muitas vezes cansados e abatidos, restituindo-lhes a vitalidade e a frescura que precisam para continuarem a edificar[7] o Reino de Deus no mundo.

Quase a terminar sinto que todas as ordens contemplativas são como pedra angular[8] e todas elas nesta sociedade em que vivemos e estão inseridas, cada vez mais são tidas como ultrapassadas, cada vez mais rejeitadas[9].

Termino com um pensamento profundo de Henri Antoine Groués, mais conhecido como Abbé Pierre sobre os contemplativos:


“Os contemplativos podem parecer inúteis. Na realidade, nos momentos mais dramáticos da vida espiritual interior ou coletiva do mundo inteiro são como glaciares. Nada neles é inerte. Tudo estala por todos os lados. Não cessa a vida. É debaixo do glaciar que jorram as torrentes que fazem os nossos rios e as nossas águas mais puras. Elas são o sal da terra... Nós somos sopa... E a sopa, sem sal, não presta...”



[1] São João 1-27
[2] http://www.4shared.com/office/gzoLkjr9/SCALA_CLAUSTRALIUM.html
[3] Estatutos da Ordem 34.02
[4] Estatutos da Ordem 4.1
[5] São João 14,6
[6] 1Pedro 2,5
[7] São Mateus 7,24-25 e São Lucas 6,47-48
[8] Isaías 28-16
[9] São Mateus 21-42/São Marcos 12-10/São Lucas 20-17


13 setembro 2012

Cartuxos (um oásis no meio do deserto) V



O rito cartuxo*

“A Ordem Cartusiana, ou Ordem Cartuxa, fundada por São Bruno, é uma das mais rigorosas da Igreja, e muitos santos e beatos saíram de seus silenciosos claustros.
Nem todos sabem, por conta do sacro mistério que envolve esse instituto religioso tão importante para a nossa vida espiritual, mas os cartuxos possuem um rito próprio para a celebração de sua liturgia. O chamado rito cartuxo difere, pois, do romano, quer em sua forma ordinária, quer na extraordinária - que com ele convivia nos primórdios da Ordem.
Basicamente, o rito cartuxo é um desenvolvimento do antigo rito lionês, praticado na região francesa onde a primeira Cartuxa - assim se chamam seus mosteiros - se instaurou.
Alguns aspetos desse rito, diferenciando-o do rito romano, serão por nós abordados no presente e despretensioso artigo, que publicamos nesta semana em que celebramos a memória de São Bruno, fundador da Ordem.
A Missa conventual é sempre cantada. Antes da mesma, como que formando parte do rito, há uma adoração do Santíssimo Sacramento, diante do qual se canta a Ladainha de Todos os Santos, incluindo o nome do fundador, São Bruno. Essa adoração se faz sem ostensório, dado que é um objeto desconhecido da liturgia cartusiana.
Durante a Missa, mesmo a cantada e conventual, não há acólitos. Não há, como no rito romano tradicional, três tipos básicos - rezada (simples), cantada e solene -, e sim apenas a privada (rezada, simples), e a conventual (que é sempre cantada e solene). Na Missa cantada, solene, conventual, o sacerdote celebrante é ajudado por um diácono, mas sem subdiácono e, como dissemos, sem acólitos. A simplicidade é marca da Ordem e se reflete também na liturgia. Não é uma Missa para o fausto e o esplendor, ainda que eles sejam legítimos, e isso porque suas igrejas são fechadas. Ninguém penetra na solidão da Cartuxa, nem para assistir Missa. O Santo Sacrifício é parte de seu silêncio, de sua espiritualidade, misto de cenóbio e eremitério...
Pois bem, nessa Missa conventual, com diácono, há diferenças para com o rito romano. O diácono, por exemplo, não usa dalmática nem alva, cíngulo ou amito. Ele está trajado somente com o hábito religioso cartuxo e uma túnica, sem qualquer paramento. Quando vai cantar o Evangelho, o diácono põe uma estola por cima de seu hábito, retirando-a depois dessa cerimônia. É uma tradição curiosa, bastante distinta de nossa liturgia romana a que estamos acostumados. No Ofertório, sem a estola, o diácono, por cima do hábito, veste uma espécie de véu umeral menor, chamado de syndon. Ele não coloca o vinho no Cálice no Ofertório, nem o padre o faz, pois já foi feito no início da Missa, como no rito dominicano e em ritos orientais. Ademais, no Ofertório, as oblatas do pão e do vinho são cobertas com um corporal: não há pala sobre o cálice, mas um corporal.
O diácono só entra no presbitério quando for desempenhar suas funções. Fora disso, permanece no coro.
O subdiácono também não fica no presbitério, permanecendo no coro, de cujo meio, sem qualquer paramento, revestindo-se apenas do hábito, canta a Epístola. Aliás, a igreja cartuxa tem apenas coro e presbitério, sem nave, pois não há fiéis que não os monges.
Nas leituras, aliás, em certas festas, os cartuxos utilizam três leituras, como no rito romano moderno. Aliás, também como no rito moderno, o cartusiano termina com o "Ite, Missa est", e não como, no rito tridentino, com a bênção. Isso parece demonstrar o costume medieval, antes da codificação de São Pio V, e que foi retomado, sabiamente, pela comissão pós-conciliar que reformou a liturgia romana.
Durante a Comunhão, os monges recebem a Sagrada Eucaristia exclusivamente consagrada naquela Missa a que assistem. A reserva eucarística no tabernáculo, que contém apenas três hóstias pequenas, é para adoração e para os monges enfermos que não podem assistir Missa conventual. Desse modo, nunca se usam, para a Comunhão na Missa, as hóstias da reserva. Os monges comungam na boca, mas permanecem de pé. Como também estão de pé durante a Consagração.
É comum a postura do celebrante in modum Crucifixi, como forma de salientar o caráter sacrifical da Missa, como na imagem a seguir, atual e bem representativa do despojamento da liturgia cartuxa:
Durante a Missa, o sacerdote celebrante usa, por cima de seu hábito, o amito, a alva, o cíngulo, o manípulo, a estola, que nunca é cruzada - no que difere da forma extraordinária do rito romano -, e a casula. Quando está na sede (cadeira), usa um gremial. A vestição dos paramentos é feita diante do altar e não em uma sacristia, no que aproxima a Missa conventual cartuxa da Missa pontifical romana.
Os beijos cerimoniais são distintos de ambas as formas do rito romano: o padre beija o altar apenas no início e no fim da Missa, bem como no Credo cantado - na parte "Et homo factus est" -, no Supplices, e antes de beijar o instrumentum pacis, caso o Abraço da Paz seja distribuído entre os monges. Também se beija o Evangeliário, depois de cantar o Evangelho e, ao contrário do rito tridentino, isso se dá mesmo nas Missas de Réquiem.
O Asperges, feito aos Domingos, como no rito romano, é cantado não depois da Tércia e antes da Missa, mas antes mesmo da Tércia. Daí que a Missa conventual diária tem, como preparação, a adoração ao Santíssimo, a ladainha, a Tércia e a vestição; e a Missa conventual dominical, a adoração ao Santíssimo, a ladainha, a vestição, o Asperges e a Tércia.
O canto gregoriano cartuxo é bem menos elaborado, em suas melodias, do que o romano e beneditino. Para o Kyrie, por exemplo, há apenas três melodias, e para o Gloria somente duas. Falando em Gloria, uma das frases está invertida, sem tomarmos por referência o rito romano: em vez de "propter magnam gloriam tuam", o rito cartuxo traz "propter gloriam tuam magnam".
O Confiteor é cantado em reto tom, ao contrário do rito romano tradicional, em que é recitado - mas parecido com o rito romano moderno, em que pode ser cantado, semelhantemente à Missa Pontifical em qualquer das formas. Em vez de "mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa", o texto do Confiteor cartusiano dispõe, e apenas uma vez, "mea culpa per superbiam". Após o Confiteor, como parte das Orações ao Pé do Altar, o sacerdote reza um Pater Noster e uma Ave-maria.
A duplicidade de orações na Missa cantada (enquanto o coro, diácono ou subdiácono cantam uma parte, o sacerdote rezaria a mesma parte em vox submissa), característica das rubricas tradicionais do rito romano, inexiste na liturgia cartusiana.
Há diferenças, enfim, no Calendário Litúrgico, nos Próprios e suas antífonas, no Lecionário, nos sinais-da-cruz durante a Missa, e também na Liturgia das Horas. Desta última, a mais característica, é que cada Ofício é rezado duas vezes: uma conforme o dia, e outra, em seguida, tirada do Ofício da Bem-aventurada Virgem Maria. Assim, há duas Laudes, duas Vésperas, duas Completas etc. Ademais, os textos do Próprio, do Saltério e do Ordinário da Liturgia das Horas são diferentes do disposto no Breviário Romano.
Outra distinção, própria do rito, é que nas profissões religiosas solenes das monjas cartuxas, elas são revestidas de estola e de manípulo.
No jubileu monástico, a religiosa cartuxa voltará a usar esses paramentos, bem como quando for velada e enterrada. Alguns vêem nessa prática um resquício da antiga cerimônia de instituição de diaconisas - as quais, entretanto, não recebiam o sacramento da Ordem, sendo antepassadas das religiosas de vida ativa.
Após a Missa, o sacerdote celebrante se prostra diante do altar, e faz sua ação de graças desse modo, durante quinze minutos. São quinze minutos de prostração, com um significado penitencial profundíssimo.
Ainda na questão dos paramentos, o pluvial é desconhecido dos cartuxos.
Enfim, quem quiser, pode ler o texto, em latim, do Ordo Missae cartuxo, que pode ser baixado, em formato Word, aqui .
A Missa privada é celebrada, por cada padre, após ter assistido a Missa conventual, e é sempre combinada com a hora canônica de Tércia.
Cabe lembrar que, após a reforma de Paulo VI em relação ao rito romano, o rito cartuxo também foi levemente modificado, a partir de 1981. As três novas Orações Eucarísticas, por exemplo, podem hoje ser usadas pelos cartuxos, porém apenas nas Missas "privadas", i.e., celebradas pelos padres do mosteiro com a presença de apenas um assistente ou sem ninguém. A Missa conventual diária, celebrada normalmente pelo prior, continua a usar apenas o Cânon Romano tradicional. Outra pequena modificação, após o Vaticano II, foi a introdução de novos santos e festas no calendário. A palavra "omissione" foi acrescida no Confiteor, como no rito romano moderno.”

*Texto da autoria de Rafael Vitola Brokdbeck transcrito de http://www.salvemaliturgia.com/2010/10/o-rito-cartuxo.html

26 junho 2012

Alma Mater


Aqui fica o link para este excelente cd de 2009. Ouvi-lo em todas as situações...se possivel.

08 junho 2012

A porta estreita



(Lc 13,23-24) - 13«Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que seguem por ele. 14Como é estreita a porta e quão apertado é o caminho que conduz à vida, e como são poucos os que o encontram!»






05 junho 2012

Procuro...




Estes 3 livros, mas em suporte digital. Obrigado a quem possa tê-los e tenha a delicadeza de me os enviar.

31 maio 2012

Cartuxos (um oásis no meio do deserto) IV



Na oitava da purificação

“Contemplemos na Purificação a festa do sacerdócio da Santíssima Virgem.
Em 1º lugar debrucemo-nos sobre o que conhecemos pela Escritura acerca dos gestos de Maria nesse dia. Chega diante do Templo uma jovem mãe trazendo envolta nos véus o Menino Jesus. José acompanha-a, levando duas rolas numa gaiola e cinco moedas de prata numa bolsa. Entrega uma rola ao sacerdote que é aspergida com água lustral. Depois sobe mais alguns degraus e oferece as cinco moedas e outra rola. Finalmente entra no Templo, e ei-la na presença do Pai para quem ela estende o seu filho – o Filho de Deus e seu filho também. E, nesse pequeno ser, ela sabe que está contida toda a humanidade: todos os esforços, todos os sofrimentos, todas as alegrias dos cristãos, estão já no coração de Jesus, e Maria oferece ao Pai todos os filhos que virá a ter. Pensa nisso, seguramente, e sabe que este seu gesto tem um alcance e um valor infinitos. Nesse minuto, já ela nos amava no seu coração virginal e nos oferecia ao Pai.
Toda a nossa vida deve consistir em nos preparamos para sermos oferecidos deste modo. Todas as nossas ações e pensamentos devem ser tais que a Virgem Santa os possa apresentar a Deus.
A primeira condição é levar uma vida pura e reta. A segunda exigência é a solidão do coração. O nosso coração é um templo maior que o de Jerusalém. Devemos estar neste templo a sós com Deus e com a Virgem Santa; porque a virgem não perturba a solidão com Deus; ao contrário, assegura-a. É preciso que reine um grande silêncio e uma grande paz, sobretudo, que se evitem discussões. Se fizermos juízos sobre os nossos irmãos, se interiormente estivermos ocupados em queixarmo-nos, em comparar situações e pessoas, então o templo do nosso coração não estará tranquilo. Não só o nosso coração não deve estar ocupado por preocupações estranhas, como é preciso que o não esteja inclusivamente pelas próprias. Devemos lamentar os nossos pecados sim, mas sobretudo fazer o possível por sermos cada vez melhores. É em Deus que devemos pensar e não em nós mesmos. Enquanto nos inquietarmos por coisas supérfluas, Maria não poderá exercer em nós o seu sacerdócio virginal. A terceira condição é estar perto do abandono, condição para que a alma se torne oferenda a Deus nas mãos de Maria. Devemos fazer-lhe o dom dos nossos cuidados, entregar-lhe a solução de todos os casos, devemos atingir a despreocupação de criança. O Evangelho intima-nos a isso com tanta insistência que faz parecer tímidas todas as palavras humanas a este respeito. Pedro, no capítulo V da sua primeira Epistola, sintetiza-as num preceito: Lançai todos os vossos cuidados em Deus.
Ponhamo-nos de olhos fechados entre as mãos da Virgem Santíssima para que ela cuide de nós e nos ofereça a Deus. Nenhum juízo deve ser feito sobre as perfeições dos nossos irmãos, isso é outra coisa que será bom abandonarmos a Maria. Àquele que se abandona deste modo, posso garantir que a Virgem não tardará em tomá-lo nos seus braços e em o elevar até ao Pai… Toda a arte de passar deste mundo para Deus se resume em fechar os olhos e entregar o leme a Maria.
As três condições do sacrifício mariano andam sempre juntas e são inseparáveis por natureza. Ao agirmos assim, Ela então pegar-nos-á e cada uma das nossas ações oferecidas por ela ao Pai terá um valor infinito. Já não há pequenas coisas, tudo é imenso porque está nas mãos de Maria. Para uma alma assim, o que poderá parecer uma montanha não passará de um incidente insignificante. Um filho de Maria mal dá por aquilo que possam dizer ou pensar sobre si, não lhe interessa. Conserva os olhos fechados, e com a mão na mão de sua mãe, deixa-se conduzir até onde lhe aprouver. E como ela nos ergue imediatamente nos seus braços, já nem vê aquilo que aos outros parecia terrível.
Quão doce é sentirmo-nos abandonados entre mãos tão puras…mãos que têm ainda o poder de nos purificar. Maria não precisa ser purificada, mas precisamos nós, para receber Jesus, a luz do Pai. Com efeito, só um cristal puro deixa passar a claridade. Maria foi ao templo, não por ela mesmo, mas no nosso lugar, no nosso nome, para nos comunicar a sua pureza virginal a fim de podermos receber Jesus. Eis a razão por que se viu a Imaculada ajoelhar humildemente nos degraus do tempo. É possível que tenha hesitado ou mesmo sabido que talvez esta água aspergida sobre ela não lhe fosse destinada, mas que ela se espalharia sobre toda a humanidade, prostrada na sombra, sequiosa de perdão… Com isto quis comunicar-nos um pouco da sua graça ao fazer jorrar sobre nós as ondas do seu coração imaculado.
Por fim ergue-nos nos seus braços e eis-nos faca e face com o Pai. Este “face a face” é a forma mais sublime da vida interior. Paulo definiu o céu da seguinte maneira: Já não o vemos no espelho das coisas mas face a face.
Quando vivemos debaixo do seu olhar, tudo o que fazemos é iluminado, tudo se torna mais claro e transparente, mas quando nos deparamos com pensamentos menos dignos, uma nuvem se estende; já não estamos sob o olhar de Deus. A Escritura usa muitas vezes esta expressão: Ambulavit coran Deo: andou na presença do Altíssimo, para fazer vincar o valor e o brilho doce de uma vida dedicada a Deus.
Mas nós também o olhamos: Ele revela-nos a sua verdadeira face – a do amor. Já não temos medo, já não somos obrigados a desviar os nossos olhos, como fazíamos antes de Maria nos ter purificado do medo e de nos ter enchido de confiança. Vemos Deus face a face. Os olhares de Deus e da alma cruzam-se, fundindo-se na unidade eterna.”


Excerto adaptado do Livro “Silêncio com Deus” por um Cartuxo (paginas 135 a 142)
31 de maio de 2012




28 maio 2012

Flor



A vida poderá ser assim, espinhosa e sem muita cor, no entanto, se almejamos Deus, no fim a flor desabrochará para a nossa alma.

15 maio 2012

Olhar




Por momentos o meu olhar cruzou com o Teu. Nesse breve cruzamento de olhar senti a Tua Paixão por todos nós. Nesse Teu olhar, algumas gotas de orvalho caíram pelo meu rosto.

11 maio 2012

Algo de bom irá acontecer


Domingo, 13 de maio de 2012. Um domingo como tantos outros e dia 13, como todos os meses, não fosse este dia O dia em que Nossa Senhora (na Cova da Iria) apareceu aos 3 pastorinhos (Lucia, Francisco e Jacinta).

 
Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Na bíblia sagrada constatamos que Maria, Sua e nossa mãe seguia quase sempre o seu filho, inclusive na derradeira hora. Neste domingo, 13 de maio de 2012, acontecerá o contrário, diria eu. Nossa Senhora (re) aparecerá aos três pastorinhos novamente, pastorinhos que, diria eu, somos todos nós um pouco, mas também, enquanto ela nos fala ao coração, o Seu filho “Senhor Santo Cristo” sairá às ruas, no coração de cada açoriano, disperso pelo mundo, mas também no coração de todos aqueles que O seguem. Este ano, Ele encontra-se com ela, melhor dizendo, Ele vai ao encontro dela, em todos nós que O seguimos como ela O seguia, em silêncio e oração.


Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Domingo, 13 de maio de 2012, sem dúvida alguma, uma data memorável e sinto que algo de bom nascerá este dia.


Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Imagem retirada daqui

10 maio 2012

O 4º Rei Mago



Vale a pena tirar um pouco de tempo e ver este fabuloso filme. A história de um 4ª rei Mago. Verdade ou apenas ficção, é uma alegoria ao que todos nós cristãos deviamos ser e fazer.

Para verem convenientemente, na barra lateral direita, façam pausa na musica de fundo do blog.

08 maio 2012

O Elogio do silêncio

"Quando penso no contributo que a experiência religiosa pode dar num futuro próximo à cultura, ao tempo e ao modo da existência humana, penso que mais até do que a palavra será a partilha desse património imenso que é o silêncio. Já a bíblica narrativa de Babel ponha a nu os limites do impulso totalitário da palavra. Mesmo que construamos a palavra como uma torre, temos de aceitar que ela não só não toca cabalmente o mistério dos céus, como muitas vezes nos incapacita para a comunicação e a compreensão terrenas. Precisamos do auxílio de outra ciência, a do silêncio. Já Isaac de Nínive, lá pelos finais do século VII, ensinava: «A palavra é o órgão do mundo presente. O silêncio é o mistério do mundo que está a chegar».

Na diversidade das tradições religiosas e espirituais da humanidade, o silêncio é um traço de união extraordinariamente fecundo. Na tradição muçulmana, por exemplo, o centésimo Nome de Deus é o nome inefável que não pode ser rezado senão no silêncio. Os místicos não se cansaram de explorar essa via. Veja-se o persa Rûmi (1207-1247) que aconselha ao seu discípulo: «Àquele que conhece Deus faltam-lhe as palavras». Noutra geografia temos a anotação espiritual de Lao-Tsé, «o som mais forte é o silencioso», ou a de Bashô, «silêncio/ uma rã mergulha/ dentro de si», ou a de Eléazar Rokéah de Worms, cabalista judeu que afirmava: «Deus é silêncio».

Também a Bíblia coteja minuciosamente o silêncio de Deus. E este nem sempre é um silêncio fácil, mesmo se somos chamados a acreditar na verdade do dístico que nos oferece o Livro das Lamentações: «É bom esperar em silêncio a salvação de Deus». O silêncio de Deus fustiga os salmistas: «Ó Deus, não fiques em silêncio; não fiques mudo nem impassível!» (83,2); leva Job a erguer-se numa destemida teologia de protesto; e faz o inconformado profeta Habacuc dizer: «Tu contemplas tudo em silêncio» (Hab 1, 13). O silêncio do Pai será particularmente enigmático na agonia no Getsémani e na experiência da Cruz, onde Jesus lança o grito: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?». Contemplamos neste grito o mistério de Deus e o do Homem no mais devastador silêncio que o mundo conheceu. Contudo, é no lancinante silêncio que sucede ao seu grito que reside a revelação pascal de Deus.

José Tolentino Mendonça

© SNPC
07.05.12 "

Excelente artigo retirado daqui

07 maio 2012

Carta de Deus ao Homem


Meu Filho, Tu podes não me conhecer, porém eu sei tudo sobre ti (Salmo 139:1)



Eu sei quando te assentas e quando te levantas (Salmo 139.2)


Eu conheço todos os teus caminhos (Salmo 139.3)


Até os cabelos da tua cabeça estão todos contados (Mateus 10.29-31)


Pois tu foste feito à minha imagem (Génesis 1.27)


Em mim tu vives e te moves, e tens existência (Actos 17.28)


Pois tu és a minha descendência (Actos 17.28)


Eu já te conhecia mesmo antes de seres concebido (Jeremias 1.4-5)


Eu te escolhi quando ainda planeava a criação (Efésios 1.11-12)


Tu não és um erro (Salmo 139.15)


Pois todos os teus dias foram escritos no meu livro (Salmos 139.16)


Eu determinei a hora exacta do teu nascimento e onde deverias viver (Actos 17.26)


Tu foste feito de forma admirável e maravilhosa (Salmo 139.14)


Eu te formei no ventre de tua mãe (Salmo 139.13)


E te trouxe à luz no dia em que nasceste (Salmo 71.6)


Eu tenho sido mal interpretado por aqueles que não me conhecem (João 8.41-44)


Eu não estou distante nem zangado, mas sou a completa expressão de amor (I João 4.16)


E é meu desejo derramar meu amor sobre ti (I João 3.1)


Simplesmente porque tu és meu filho, e eu sou o teu Pai (I João 3.1)


Eu te ofereço mais do que o teu pai terrestre jamais poderia oferecer (Mateus 7.11)


Pois eu sou o Pai Perfeito (Mateus 5.48)


Cada boa dádiva que recebes vem da minha mão (Tiago 1.17)


Pois eu sou o teu provedor e cuido de todas as tuas necessidades (Mateus 6.31-33)


O meu plano para o teu futuro sempre foi cheio de esperança (Jeremias29.11)


Porque eu te amo com um amor eterno (Jeremias 31.3)


Os meus pensamentos para contigo são incontáveis, como a areia da praia (Salmo 139.17-18)


E eu me regozijo em ti com cânticos (Sofonias 3.17)


Eu nunca deixarei de te fazer o bem (Jeremias 32.40)


Pois tu és o meu tesouro precioso (Êxodo 19.5)


Eu desejo te estabelecer com todo meu coração e toda minha alma (Jeremias 32.41-42)


Posso revelar-te coisas grandes e maravilhosas (Jeremias 33.3)


Se me buscares de todo o teu coração, me encontrarás (Deuteronómio 4.29)


Deleita-te em mim e eu te darei os desejos do teu coração (Salmo 37.4)


Pois sou eu quem colocou em ti esse desejo de me agradar (Filipenses 2.13)


Eu sou capaz de fazer mais por ti do que jamais poderias imaginar (Efésios 3.20)


Pois eu sou a tua maior fonte de encorajamento (II Tessalonicenses 2.16-17)


Eu sou também o Pai que te consola em todas as tuas aflições (II Coríntios 1.3-5)


Quando estás quebrantado, eu estou próximo de ti (Salmo 34.18)


Como um pastor que leva um cordeiro, eu te tenho carregado junto ao meu coração (Isaías 40.11)


Um dia eu limparei toda a lágrima dos teus olhos (Apocalipse 21.3-4)


E tirarei toda a dor que tens sofrido nesta terra (Apocalipse 21.4)


Eu sou o teu Pai e te amo, tal como amo o meu filho Jesus (João 17.23)


Pois em Jesus foi revelado o meu amor por ti (João 17.26)


Ele é a representação exacta do meu ser (Hebreus 1.3)


Ele veio para demonstrar que eu sou por ti e não contra ti (Romanos 8.31)


E para dizer que eu não estou a levar em conta os teus pecados (II Coríntios 5.18-19)


Jesus morreu para que tu e Eu pudéssemos ser reconciliados (II Coríntios 5.18-19)


A sua morte foi a expressão suprema do meu amor por ti (I João 4.10)


Eu entreguei tudo o que amava para poder ganhar o teu amor (Romanos 8.32)


Se receberes a dádiva do meu filho Jesus, recebes-me a mim (I João 2.23)


E nada jamais poderá te separar do meu amor (Romanos 8.38-39)


Vem para casa e haverá grande alegria no céu! (Lucas 15.7)


Eu sempre fui Pai, e sempre serei Pai (Efésios 3.14-15)


A minha pergunta é: Queres ser meu filho (João 1.12-13)


Estou à tua espera (Lucas 15.11-32)


Com amor, do teu Pai Deus Todo-Poderoso.

30 abril 2012

Ausência de Deus


"Cerca das três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: Eli, Eli, lemá sabactháni?, isto é: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?" Mateus 27,46


Se até Ele por momentos sentiu a ausência de Deus, como é que nós, mortais e pecadores, não o sentiríamos? São inúmeras as vezes que isso nos ocorre.


27 abril 2012

Hoje retive este pensamento





"Saulo ergueu-se do chão, mas, embora tivesse os olhos abertos, não via nada. Foi necessário levá-lo pela mão e, assim, entrou em Damasco, onde passou três dias sem ver, sem comer nem beber. " - (Livro dos atos dos Apóstolos 9, 8-9)

Do evangelho de hoje retive esta passagem. Porquê? Porque ao lê-lo, veio-me à ideia que, todos nós somos um pouco como Saulo, ainda que de olhos abertos, nada vemos, ainda que de olhos abertos, não vemos o essencial, e se queremo-nos converter a Cristo, temos que deixar que Ele nos leve pela mão, temos que deixar que ele nos faça entrar em Damasco. Três dias foi o tempo que Cristo levou deste a sua morte até há sua ressurreição. Nós também precisamos de morrer para esta vida material em que estamos afogamos e ressuscitar para a vida eterna. Talvez "três dias" seja o tempo necessário para, no fim dizermos:
"Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim!" (Gl.2, 20)

26 abril 2012

«QUEM É O MAIOR NO REINO DO CÉU?»

Já comecei a ler o livro citado aqui do amigo Joaquim. Das orações que já li, por agora retenho esta:

Logo se levantam uns quantos,
dizendo em alta voz:
Serei eu,
sem dúvida,
que não falto a uma celebração,
que estou sempre de mãos postas
a pedir graças do Céu.
Mas logo chegam uns tantos,
que dizem por sua vez:
Serei eu,
sem dúvida,
que estou sempre em oração,
mãos abertas a pedir,
as graças para o coração.
Outros se chegam à frente,
e dizem em voz tremente:
Serei eu,
sem dúvida,
que procuro os que precisam,
e todos os dias lhes dou,
um pouco daquilo que tenho,
e assim terei recompensa.
Ainda outros se impõem,
dizendo por sua vez:
Serei eu,
sem dúvida,
que a cada hora e momento,
bato com a mão no peito,
pedindo perdão a Deus,
por aqueles que O não seguem.

Lá no fundo,
no meio da multidão,
prostrado na sua vergonha,
joelhos e cara no chão,
há um que reza baixinho:
Tem compaixão,
Senhor,
que eu nada sou,
nem quero ser,
mas apenas reconhecer,
que sou fraco e pecador.
Tem compaixão,
Senhor!
Aquele que tudo sabe,
Aquele que tudo pode,
Aquele que tudo vê,
tomou este nos seus braços,
e disse à multidão:
Fazei-vos crianças puras,
limpos para a Verdade.
Não vos glorieis de nada,
pois nada podereis sozinhos.
Sede pequenos,
pequeninos,
do tamanho da humildade.
E quando assim fordes,
como Eu fui,
estando entre vós,
o maior do Reino do Céu,
não será um,
mas todos vós!

*Mt 18, 1

Marinha Grande, 24 de Outubro de 2011
Joaquim Mexia Alves

Inúmeras vezes sinto-me mais os primeiros que o último. Poderão dizer que somos todos nós é certo mas, como eu gostaria de ser mais vezes o último do que os primeiros. Deus nos abençoe a todos.

23 abril 2012

Família - pedra basilar da sociedade

A instituição Família dos dias de hoje, ao contrário da de outros tempos, não muito distantes diga-se a abono da verdade, é permanentemente bombardeada pelos meios de comunicação (especialmente) para a sua destruição, melhor dizendo para a sua extinção, sem exagerar muito no termo usado.
Este assunto ocorreu-me após ter percebido numa conversa informal que duas pessoas estavam a ter ao pé de mim, em que uma delas dizia que se tinha mudado para outra casa porque estava em processo de divórcio com o marido. Até aqui nada de novo, se não fosse o facto de ter dado conta, atendendo ao meu angulo de visão, que apesar disso, a pessoa em questão ainda devia gostar muito do marido, se tal não fosse, já não estaria a usar a aliança de casamento e fazer questão de, delicadamente dançar com a mão enquanto falava, como que a mostrar aquilo que me apercebi. A sua boca dizia uma coisa, mas o seu coração, quase de certeza sentia outra. As suas palavras pesadas estavam carregadas de amargura, mas ao mesmo tempo eram um grito de desespero e um pedido de ajuda.
Não tendo a certeza das razões que a levaram a sair de casa e estar a tratar da separação com o marido, alguma coisa ocorreu. Alguma coisa foi feita, para que chegasse a este ponto. Costumo dizer que numa situação semelhante, a responsabilidade não é só de um, mas não devo ser só eu a ter esta opinião, no entanto, o facto de ainda usar a aliança e fazer questão de a mostrar, no meu modesto entender, demonstra que, para além de ainda ama-lo certamente, está ainda disposta a perdoa-lo.
 Longe vão os tempos em que os anúncios dos jornais, na televisão e mesmo na publicidade nos locais habituais, eram isentos de promiscuidade e segundas intenções. Hoje, já com técnicos habilitados em Técnicas de Marketing, raro é o anúncio, o programa televisivo ou a publicidade em que os valores morais com que muitos de nós crescemos são postos em causa. Para além desses valores com que fomos criados, o verdadeiro amor não só é banalizado e reduzido ao mero ato sexo e ao prazer, como também à perversão, à devassidão e outras palavras semelhantes, sendo que na maioria dos casos são levados ao extremo/ridículo. E por falar em ridículo, lembrei-me agora de um anúncio relativamente recente, onde é anunciado um spray poderoso e desengordurante, o qual termina com um beijo exageradamente lascivo.
Assim, sendo os meios de comunicação, um meio por excelência de veicular o que vai acontecendo pelo pais e pelo mundo, é natural que tudo aquilo que dá audiências seja usado e abusado em prol de um maior share na respetiva medição de audiência. Lamentavelmente, tudo aquilo que não transmite valores, é que dá mais audiência. Lamentavelmente, tudo é permitido, tudo é possível e tudo é relativo. Lamentavelmente, a instituição Família cada vez é mais “apenas uma coisa ou um mero número” e não aquilo que realmente é…Pessoas de carne e osso, com sentimentos, afetos e valores.
Longe vão os tempos em que, sendo quase tudo possível, os valores morais na sociedade eram inabaláveis e tidos como pedra basilar nas famílias. Longe vão os tempos em que o amor era isso mesmo, AMOR. O namoro, ainda que fosse, em alguns casos de vários anos, o futuro casal conhecia-se bem, antes mesmo de trocarem as alianças no dia de casamento. Não quero dizer com isto que tudo fosse perfeito, tudo fosse um mar de rosas, como se diz na gíria mas, ainda que as situações de divórcio não ocorressem com tanta frequência, talvez em parte, por razões financeiras mas, hoje em dia, qualquer situação ainda que medíocre ou de resolução fácil é O motivo para divórcio, aliás, e infelizmente no meu entender, já muitos namorados casam-se mas, já com a premissa de, “se não der certo, separamo-nos”, quando, antes do casamento propriamente dito, deviam conhecer-se melhor. Na verdade, hoje, os namorados conhecem-se muito bem, em termos corporais especialmente mas, no essencial para que o relacionamento dê certo e se prolongue no tempo, quase nada se conhecem. Se perguntarmos a muitos deles, quais os gostos, os desejos ou os sonhos do outro, a maioria ficará a pensar prolongadamente ou mesmo sem resposta.
 Tenho esperança que a conversa informal relatada no 2º parágrafo ainda tenha retrocesso, ainda haja a possibilidade de ser resolvida a bem, na qual ambas as partes se entendam e sintam que o amor que têm um pelo outro é maior do que A causa desta separação…provisoria, desejo.
Tantos casos como este são o pão nosso de cada dia infelizmente, e ninguém está livre de uma situação semelhante, mesmo aqueles que se acham imunes. Tantas famílias destruídas com o patrocínio dos meios de comunicação e demasiadas famílias acabadas por “dá cá aquela palha”.
No que toca à minha, peço a Deus diariamente que continue a ajudar, como tem feito sempre.


11 abril 2012

Carta a Simão de Cirene

Texto retirado na integra daqui


"DOMINGO DE RAMOS - Ano B


“Requisitaram, para lhe levar a cruz,
um homem que passava, vindo do campo,
Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo.”

Mc 15, 21


Caríssimo Simão.
Desculpa-me o afecto desta saudação mas sabes, certamente, que és um dos personagens mais lembrados do evangelho. Sem dizeres nenhuma palavra, aquele pequeno versículo que os evangelistas nos deixaram (só João não te refere), com o teu nome e o dos teus filhos, revelando-te como quem ajudou Jesus a levar a cruz, gravou-te no nosso coração. Mas quem és tu? Um desconhecido forçado a entrar no maior drama da história. Um nome e um gesto lembrado para sempre. Proveniente da longínqua Líbia (hoje um país crucificado por um regime despótico e a procurar uma liberdade que vença os conflitos), estarias radicado por Jerusalém ou vinhas para a Páscoa? Sabermos o teu nome e o dos teus filhos leva-nos a pensar que tu ou eles pertenceram às primeiras comunidades cristãs.
O que pensaste ao ser obrigado a levar o instrumento de morte de um condenado? Que viste naquele flagelado que a multidão injuriava? Sempre as multidões foram manipuláveis. Dias antes, essa ou outra multidão tinha-O aclamado Messias Rei ao entrar em Jerusalém. Onde estavam os amigos que O acompanhavam desde a Galileia? Um deles, também chamado Simão, tinha dito que daria a vida por Ele. Mas isto não sabias ainda. Agora ia ali, talvez à tua frente, como se levasse o peso do mundo nos seus ombros, alguém que não conhecias. Terá o seu olhar cruzado com o teu? Quero acreditar que sim. E que tenhas percebido aquele amor que muda as nossas vidas, que enche de paz quando as injustiças e o inexplicável acontecem, que nos empurra a dar até ao fim o melhor que está dentro de nós. Ficaste até ao fim? Ouviste aqueles que O incitavam a descer da cruz e a salvar-se a si mesmo? Ficamos sem saber mas o teu papel já estava realizado.
Levares a cruz de Jesus tornou-te padroeiro de todos os que levam cruzes que não são suas. Que são de alguém que amam ou de desconhecidos. Porque se compadecem ou porque são requisitados. E há um mistério de amor a ligar todos estes Cireneus voluntários ou não, que aliviam o peso e dão vida a quem a não tinha. Tão ao contrário dos que se especializam em atar “fardos pesados e difíceis de suportar” e os põem aos ombros dos homens, ou “fazem todas as obras para serem vistos pelos homens” como dizia Jesus (Mt 23, 4-5). Que nomes novos tem a cruz hoje? Desemprego, pobreza, violência, exploração dos fracos, dependência dos poderosos? E que poderes a originam? Injustiça, corrupção, desonestidade, enriquecimento ilícito, abuso de poder? Ah, Simão, a cruz que levaste aos ombros já era feita de tudo isto! Mas a abundância do amor venceu o desamor. A manhã de Páscoa tornou-se mais forte que as trevas do calvário. Na cruz de Jesus todas as cruzes conduzem à Vida!
Obrigado por nos ensinares que, mesmo sem querermos, podemos dar vida a quem a amamos e a quem desconhecemos. Obrigado por teres caminhado com Jesus como gostaríamos de acompanhar quem sofre. Um abraço forte, e até já, nestes caminhos de Jesus!

P. Vítor Gonçalves"

29 março 2012

Bento XVI no México

Bento XVI reza diante da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira do México, no Colégio de Miraflores, em León

28 março 2012

Da quaresma à pascoa


Monge cartuxo do Mosteiro Scala Coeli, Évora, revela espiritualidade da Quaresma no site do secretariado nacional da pastoral da cultura

Excelentes passagens para leitura e meditação, com o titulo da Quaresma à Páscoa

Vale a pena "perder tempo" para ganhar um pouco da Vida eterna

15 março 2012

Os "excluidos" também vão à missa


Segunda-feira dia 5 de março de 2012.
Era sensivelmente oito da noite. Foi a última reunião preparatória da romaria. Estavam presentes cerca de 20 irmãos, sendo que quatro tinham vindo da Graciosa, para além do Padre, seu pároco.
Estávamos a aguardar que o Padre se paramentasse para celebrar a sagrada eucaristia, quando entrou um homem, não muito velho mas, gasto pelo aparente uso em demasia de bebidas alcoólicas. Entrou um pouco a cambalear em direção à sacristia, no intuito, julgo eu, de pedir algum apoio ao Padre que ali é responsável e foi-lhe dito que não estava.
Saiu em direção à porta.
O Padre entretanto dirigiu-se à capela do sacrário para ali celebrar o santo ofício com os irmãos presentes, como é habitual, quando pode estar presente.
Começou a celebração e com eles, “esse homem, não muito velho mas, gasto pelo aparente uso em demasia de bebidas alcoólicas” acompanho-os na cerimónia. Mesmo na aparente falta de alguma lucidez, esteve ali, quieto, calado e com atenção, se calhar até com mais atenção do que muitos quando “vão” à missa.
Quando chegou o momento de comungar, ordeiramente, também comungou. A celebração continuou. Chegou ao fim e, também ele fez o sinal da cruz e aí, dirigiu-se para a saída da igreja.
Pobre homem, pensei eu, mas lá no fundo, fez mais do que muitos de nós, seguramente. Lá no fundo, seguramente a fé dele, apesar de debilitada pelos caminhos que tem vindo a percorrer nesta vida, algo ou Alguém o chamou para ali estar, assistir e sobretudo participar, coisa que muitos de nós, possivelmente não o fazemos, muitas vezes.
Peço a Deus que, esse homem, não muito velho, mas gasto pelo aparente uso em demasia de bebidas alcoólicas, tenha visto, ainda que debilmente, a Luz que Deus emanou e o iluminou naquele dia, tenha sentido o calor do Amor de Jesus e o sopro do Espirito Santo na sua alma.

No dia seguinte estava lá novamente, no entanto, talvez por ter mais pessoas, não passou da porta. Talvez porque esse homem, não muito velho, mas gasto pelo aparente uso em demasia de bebidas alcoólicas, mas com sentimentos, iria sentir-se marginalizado (duplamente) com os eventuais olhares reprovadores de algumas dessas pessoas, excluído como os demais semelhantes a ele.

06 março 2012

Romaria


Desta madrugada que se aproxima e até ao próximo domingo dia 11, irei estar (juntamente com os restantes irmâos) em "retiro ao ar livre" pelos caminhos desta ilha "apenas" orando. Como diria Gaspar Frutuoso "saudades do céu"

01 março 2012

Jesus de Nazaré e as mulheres

Hoje um colega de serviço, sabendo que eu estava interessado (mas não por agora) ofereceu-me este livro. Sobre o mesmo poderá ser lido aqui. Agora é colocá-lo na mesa de cabeceira para ir lendo nestas noites frias.

29 fevereiro 2012

Duas meras anedotas ou dois ensinamentos cristãos?


Num cursilho de homens dos Açores, ocorrido há algum tempo atrás, um dos novos cursilhistas contou 2 anedotas, as quais, na altura e no meu modesto entender beiravam o ridículo/cúmulo, mas que tinham alguma graça, bem lá no fundo.
Uma delas contava “a história sobre um sonho que uma criança tinha tido e que pela manhã ao pequeno-almoço resolveu partilhar com os pais. Dizia ele aos pais, muito pausadamente e com uma dicção digna de registo, que no seu sonho era proprietário de uma prancha de surf amarela. Assim, pedia encarecidamente ao pai que lhe concretizasse o sonho com a compra da dita prancha amarela. Após um curto silêncio, ainda que para a criança possa ter sido uma eternidade, o pai respondeu-lhe:
- Vou-te oferecer um pente.”
A outra anedota, por sinal mais curta e concisa, “tinha a ver com 2 grãos de areia que estavam a apanhar sol numa praia deserta. Passado algum tempo repararam numa nuvem de grãos de areia que se aproximava a alta velocidade e resolveram fugir.”

Após pensar um pouco sobre elas, dei-me conta que o Espírito Santo sopra onde quer, ou seja, para além de terem sido contadas como anedotas, ambas traziam uma mensagem/ensinamento cristão. Ambas, ainda que aparentemente ridículas, ao entrarmos no fundo das mesmas, ambas têm muito sumo para se espremer e beber, senão vejamos:
- Quanto à primeira, quantas vezes não somos aquela criança que tem sonhos destes, isto é, “sonharmos acordados”, com desejos supérfluos e banais, quando o essencial Deus já nos deu.
- Quantas vezes pedimos-Lhe uma prancha de surf amarela e nem sequer sabemos nadar ou pôr-nos em pé na mesma.
- Quantas vezes Deus dá-nos “apenas” um pente, mas no entanto, é o que realmente precisamos é o que realmente nos faz falta já que, sem nos apercebermos, temos o cabelo todo despenteado e somente Ele se apercebe disso.

São inúmeras as alturas em que Lhe pedimos “mundos e fundos” e a resposta parece tardar em chegar, como se a distância entre nós e Ele fosse imensamente longa. A distância é imensamente pequena, diria sem exagero algum, quase microscópica porque, o tempo de Deus, ao contrário do que possamos pensar, não é igual ao nosso e, anos para nós poderão ser uma mera fracção de segundo para Ele.
Deus dá-nos sempre à medida das nossas necessidades, “nunca mais do que” ou “menos do que”, apenas o quando baste, e é nesse “quanto baste” que por vezes discordamos com Ele, ainda que pesamos pausadamente e com a tal dicção digna de registo.
Quanto à segunda, dois grãos de areia numa praia deserta, seria um contra censo já que uma praia, ainda que deserta, tem milhões de grãos de areia e não apenas dois, no entanto, após alguma reflexão, julgo perceber que os “dois grãos de areia no meio de uma praia deserta” somos todos nós, aqueles que remamos contra a maré. Somos todos nós, aqueles que em nome de Cristo apregoamos a boa nova, e ainda que sejamos poucos (quais 2 grãos de areia) e estejamos a apanhar sol (estar na graça de Deus), não devemos, nem podemos fugir ao primeiro momento que vejamos uma nuvem a chegar (contradições e opiniões duvidosas referentes ao Evangelho). Afinal de contas Cristo, Aquele que seguimos, não arredou pé à maior nuvem de grãos de areia de todos os tempos e esteve sempre a “apanhar sol numa praia deserta” até ao derradeiro momento, ainda que por breves momentos, tenha-se sentido abandonado pelo Pai. Nessa altura, nesse momento e nesse instante, a praia estava quase deserta, apenas alguns grãos de areia permaneciam ao pé, aqueles poucos grãos que Lhe eram mais próximos, no entanto, tudo começou com esses poucos grãos.
Termino citando um pensamento de Madre Teresa de Calcutá, adaptado para a situação: “Podemos ser poucos grãos de areia, mas sem eles, a praia seria mais pequena”.