26 outubro 2006

Desabafo


Vivemos numa época onde o pudor e os bons costumes são tidos como pré-história. Não querendo parecer retrógrado ou saudosista, o que é certo é que cada vez mais somos “bombardeados” pelos media com situações anómalas ao que deveria ser o normal e infelizmente, no caso da televisão, a horas ditas nobres, onde as crianças absorvem tudo o que é dito e feito, como sendo a realidade no geral, quando é uma realidade no particular e por vezes levada ao extremo sendo enfatizada e mórbida.

Tudo isto, porque cada vez temos mais canais de televisão, mais jornais diários e no entanto, o que é suposto ser correcto é apresentado quase como uma aberração e aquilo que não presta como norma a ser tida em conta.

Nos dias que correm em que cada vez mais, os pais têm menos tempo para os seus filhos (estes refugiam-se, na sua maioria) na televisão e mais propriamente nas novelas que abundam em demasia. E depois “aprendem”:
- Tirar dinheiro na carteira dos pais é correcto;
- Troca de casais em festas informais é boa prática;
- Assaltar uma farmácia só por se precisar de um medicamento é correcto;
- Fazer sexo só por isso, deve ser feito sempre que se pode;
- Conduzir sem carta e a alta velocidade é “um gozo do caneco”;
- Uma passa ou um charro de vez em quando faz bem à saúde;
E poderia ir por ai adiante mas, penso que já fiz ver o meu ponto de vista sobre a sociedade em que vivemos, onde a liberdade é tida como um direito (que o é), mas onde a liberdade de um transborda para a liberdade de outro. Alguém disse: “A minha liberdade termina quando interfere com a liberdade de outro”, o pior é que não é isso que acontece. O pior é que falamos à boca pequena, escrevemos rios de tinta sobre o assunto mas, NINGUÉM FAZ NADA E OS QUE FAZEM SÃO UMA MINORIA QUE LOGO É ABAFADA.

Há algum tempo atrás li na blogosfera um poema onde tinha a seguinte quadra (mais ou menos e que me desculpe o seu autor se estiver a transcrevê-la mal):

“(sobre)Vivemos numa dimocracia
feita por políticos
com as trompas laqueadas
que culminam
em leis vasectómicas.”


Sinceramente pactuo com estas palavras, mas tenho esperança em dia melhores, onde nuvens como estas desapareçam e dêem lugar a um sol radioso, quente e acolhedor, onde o Homem viverá mais em harmonia com Deus e o seu semelhante.

13 comentários:

malu disse...

Assim seja, Paulo!

Tudo isto é preocupante, há muito a fazer, ou tudo! E dizes: "porque cada vez temos mais canais de televisão, mais jornais diários" - sim, e muitos vezes o que exaspera mesmo, sabes, já nem é certa notícia a que se dá indevida importância, mas também, a forma como é dada. Depois, o que importa é "notícia" - seja ela qual fôr e isto é imaparável e com os resultados que se vêem.

Abraço!

Maria João disse...

Pior que as notícias são as telenovelas que andam por aí e que são vistas por miúdos logo desde muito cedo, aceitando o que lhes aparece à frente.

No outro dia, uma menina do meu grupo de catequese contava-me um episódio de uma conhecida novela e dizia: o personagem tal anda com uma faca. Isso é muito mau, mas como ele anda com a faca porque foi assaltado, então isso já não é mau.

Ela tem apenas 6 anos. Pois é. É mais do que tempo que os pais tomem mais atenção ao que as crianças vêem na televisão e que lhes expliquem bem o que está certo e errado. Felizmente, a menina não foi buscar uma faca de cozinha para andar com ela no bolso...

Já basta as crianças que se matam umas às outras quando estão a imitar os seus heróis de TV.

Fernando C. Marques disse...

Posso assinar por baixo?

Mas como tu, também eu tenho esperança que algo ou alguma coisa faça mudar este rumo que a sociedade dita "tecnológica" e evoluida está a levar.

Paulo disse...

E com tantas coisas boas a acontecerem no mundo Amiga Malu e, lamentavelmente, essas "coisas boas" nem sequer chegam a noticia. Apenas as tristezas (que as há), as desgraças (que acontecem) e outras coisas mais negativas é que são capa de jornal ou noticia de abertura do telejornal.

Paulo disse...

Amiga Maria João concordo a 100% contigo, infelizmente as novelas de hoje não são bons meios de educação, como o eram em tempos idos. Como disse, o que é "normal" é aquilo que levamos decadas a ensinar que não se faz ou não se diz. Tenho fé e esperança que deste 8 para o 80 na democracia, venha a meio termo.

Paulo disse...

Amigo Fernando, a fé move montanhas, há que ter fé e esperança, mas só isso não basta. Há que abrir a boca e falar sobre o que está mal. O provedor da televisão é um desses veiculos mas...infelizmente as audiências é que mandam, e assim cada vez mais a televisão e os jornais são veiculos de não-cultura, de quase uma cultura satanica, digo eu.

joaquim disse...

Um dia tive de falar para uma "plateia", sobretudo sobre o Cristão e o testemunho de vida que deve sempre dar.
Uma das coisas que disse foi que se todos nós Cristãos deixássemos de ver na televisão tudo aquilo que vai contra as nossas convicções, a nossa Fé, dentro de pouco tempo a televisão mudaria, pois o que conta são as audiências.
A não ser que afinal a nação portuguesa não seja tão cristã como se costuma afirmar.
Ou então uma grande parte são "cristãos não praticantes" que é uma coisa que eu não sei o que é.
Ou então são como eu, a maior parte das vezes fracos, arrendendo-se depois de terem visto o que não serviu para nada.
Chego assim à conclusão que temos de mudar, a começar por mim, para prepararmos um mundo melhor, com Deus, para os nossos jovens.
Abraço em Cristo

Paulo disse...

Joaquim, deste aqui um grande testemumho da tua (nossa) inércia que por vezes deixamos que aconteça. Não que nós façamos uma greve ou vamos para a rua com cartazes ou slogans reivindicativos mas, quem sabe, com mais fé e esperança sairmos dos nossos buracos, quase escondidos e deitemos cá para fora toda a nossa paixão por Cristo.

nahar disse...

Obrigado Paulo pelos PPS que mandaste. tão fantasticos para catequeses.

Uma boa semana

Abraço

Paulo disse...

De nada nahar, o que tiver mando-te.

OSousadaPonte disse...

Comparar comportamentos como conduzir sem carta ou na faixa contrária da auto-estrada com praticas sexuais consentidas é no minimo desonestidade intelectual...

Paulo disse...

Amigo Sousa da Ponte, aqui expressei aquilo que penso sobre o que vejo à minha roda, quanto à desonestidade intelectual, deixo isso para os peritos

OSousadaPonte disse...

- Tirar dinheiro na carteira dos pais é correcto;

Não: é incorrecto. Muitos miúdos fazem mas deve corrigir-se. É uma prática errada. Não concorda?
“A minha liberdade termina quando interfere com a liberdade de outro”
E os pais devem ensinar os filhos a respeitar a propriedade alheia. Até os Corleone o faziam…

- Troca de casais em festas informais é boa prática;

Se todos estiverem de acordo e forem maiores…
“Não julgues…”
Vide a cena da mulher apedrejada em que Jesus intervêm…

- Assaltar uma farmácia só por se precisar de um medicamento é correcto;

Pode ou não ser correcto….Se o prejuízo à farmácia não for assim tão grande e a vida da pessoa estiver em risco e se a segurança social não responder….é o tal caso clássico da ética.
Continuo a pensar que acima das farmácias e do Cordeiro de Cascais está a vida…mesmo de uma pessoa que à primeira vista “não presta”.

- Fazer sexo só por isso, deve ser feito sempre que se pode;

Se consentido….e não interferir com a liberdade do outro. Violação não é consentimento…pedofilia também não.
Vem daí mal ao mundo ?
Se o exemplo for Salomão ou David….

- Conduzir sem carta e a alta velocidade é “um gozo do caneco”;

Pode ser um gozo. Eu também gosto de conduzir depressa. E o meu carro até dá 250 km/h. Não de conta-quilómetros mas mesmo ao cronómetro. E tenho carta. Posso fazê-lo na avenida Almirante Reis a hora de ponta?
Posso, mas não devo. É incorrecto. Não acha? “A minha liberdade termina quando interfere com a liberdade de outro” Por muito gozo que nos dê interfere com a liberdade de outros.
E, parecendo que não, há valores e hierarquias. O valor vida, na minha modesta opinião, é mais importante que o goz de guiar a 250 na Almirante Reis. Não concorda ?

Há coisas que nos podem ou não dar gozo mas que não interferem com os outros:

Sexo consensual protegido, fumar um charro sem perder o controlo, ter convicções religiosas e politicas – sem incitar os outros ao crime – conduzir um veículo dentro das normas de segurança, etc. e etc.
Pensando sempre que: “A minha liberdade termina quando interfere com a liberdade de outro”

Agora:

Como diria alguém, que não consta que tivesse biblioteca, escrevesse o que quer que fosse ou viesse à net:

- Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti….

Frase chata e difícil de seguir…

Isto, salvo melhor opinião, parece-me bastante acertado. E, se seguido, não se importa com a troca de casais, um charro ocasional e algum excesso de velocidade dentro do bom senso.

No entanto exclui muitas coisas que se podem fazer como julgar à priori…

Ok…

Admito que o Autor da frase era um chato. Além do disparate anterior ainda por cima tem uma mulher adúltera quase a ser apedrejada e interfere evitando a justiça. Enfim! Era um chato. Parece que teve mau fim. Ainda bem, não acha?

Gente assim…